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Quinta-feira, 11 de Agosto de 2011

Afinal, estava certo quem contestava a negociata do terminal de Alcântara

«Alargamento do terminal de contentores de Alcântara chumbado por razões ambientais», por Ana Henriques

nb: vd. historial do caso aqui.


Quarta-feira, 2 de Março de 2011

O grande Stuart é hoje evocado por António Valdemar



Domingo, 13 de Fevereiro de 2011

Lisboa contada por Aquilino

«Chegámos a Lisboa na manhã tépida, de céu ambarizado por um sol que há cinquenta anos a esta parte era raro faltar à cidade que deixou de ser de mármore e granito para ser, no seu maior dimensional, de tijolo mal cozido e cimento roubado. E, conduzidos por Costa Nunes, fomo-nos hospedar no Hotel Portugal, que fazia esquina para o Largo do Pelourinho. O meu quarto era no terceiro andar. Eu via com olhos, não pasmados, que nunca soube o que era pasmo, mas abertos à compreensão, as grandes e amarelas tartarugas dos carros eléctricos vir rolando dos lados do Terreiro do Paço, tilintantes e pletóricas de gente. Logo após vinha o carro do Chora, com o automedonte de longos bigodes retorcidos a reger de chicote vivaz o tiro de três machos pimpões, o condutor de boné de pala, e atropeladamente naquela arca de Noé peixeiras, vendedeiras de hortaliça e de coelhos mansos, operários com suas ferramentas, em suma, segundo o termo das Ordenações Manuelinas, os misquinhos duma capital. O bulício ficava muito aquém do sonhado, embora me desse uma ideia numérica de disparidade em comparação com as ruas Formosa ou Direita, de Viseu. Mas a Câmara de tão bela frontaria, o pelourinho especioso, coroado pela esfera armilar, os prédios de roqueira solidez, incutiam a noção de capital dum reino, batida pelo tempo, com a velha epopeia impressa em suas pedras e arruados. Todavia não pressenti o sumptuoso, nem o deliquescente duma urbe meridional, de que os poetas e romancistas faziam cavalo de batalha nas suas especulações cantarizadas. Antes havia nela, nos habitantes, no céu, nas coisas, uma sobriedade afável que era grata de sentir. E por isto tudo, por essa desilusão literária, e porque representava para mim um degrau montante na escala dos conhecimentos, fiquei a adorar Lisboa desde esse dia.»

Aquilino Ribeiro, Um Escritor Confessa-se, Lisboa, Bertrand Editora, 2008, pp. 46-47.

Sábado, 18 de Dezembro de 2010

Uma boa sugestão para o Arquivo Histórico de Lisboa

Na sequência doutras hipóteses, também aqui referidas, o Fórum Cidadania Lisboa lançou uma nova proposta para instalação do Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Lisboa, que é um dos mais importantes do país e se encontra praticamente inacessível num local inadequado. Como não há dinheiro para novas instalações, é bom pensar em aproveitar o muito património existente na cidade. Oxalá haja vontade para reflectir em soluções adequadas.

Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010

Sustentabilidade implica remover o centralismo estatal

«Lisboa pode ser competitiva na sua qualidade de vida»: entrevista de João Seixas a Teresa de Sousa
PS: por feliz coincidência, também falaremos da questão da organização político-administrativa, entre outras coisas, em próximo seminário referido no post seguinte.


Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2010

Do Tejo a Monsanto, há muito para apreciar

É hoje inaugurada a rota da biodiversidade de Lisboa. São 14 km com 18 pontos de interesse assinalados para se poder apreciar a fauna e flora, entre a zona ribeirinha e o Parque de Monsanto. A pé ou de bicicleta. Toda a informação na ponta de um clique. Clic!
PS: era escusado terem posto nas imagens que ilustram a página desta rota um bufo nival: duvido que alguém que vá fazer este caminho esteja disposto a ir para Monsanto de noite, de rabo para o ar, à espera dum destes espécimes, se é que por lá existem. Também o flamingo é um bocado forçado, deixem isso para outros concelhos, tipo Alcochete e Montijo. Vá lá, não queiram ficar com tudo!

Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010

Abram lá uma porta, não custa nada, que diacho

Terça-feira, 9 de Novembro de 2010

CML retrocede na betonização dos logradouros de Lisboa

Há males que vêm por bem: à indignação suscitada pelo alheamento dos poderes alfacinhas face à questão ambiental juntaram-se as inundações diluvianas na baixa da cidade na 6.ª passada, um derradeiro alerta sobre os perigos da abertura à impermeabilização total dos solos.
Ribeiro Telles parece que já pode descansar: haverá plafonds e regras para a impermeabilização dos logradouros e o seu Plano Verde será inserto no Plano Director Municipal.
Ainda bem que a edilidade reconheceu o erro em que incorria. Os termos precisos deste acordo serão divulgados amanhã.
ADENDA: segundo notícia de 10/XI, o acordo não é inteiramente satisfatório para a salvaguarda ambiental (é o acordo possível?) e nada foi dito sobre a impermeabilização em marcha e o plano de pormenor nos logradouros em torno do Jardim Botânico de Lisboa, que ameaça parte das árvores e o sistema de circulação de ar nessa área, alertam os Amigos do Botânico e o BE (embora Sá Fernandes pretenda preservar este espaço verde). Não esquecer que este foi recentemente classificado como monumento nacional, o que agrava a situação.

Novo festival cosmopolita em Lisboa

Domingo, 17 de Outubro de 2010

Um grande festival de cinema, agora renovado

Já está aí a bombar o DocLisboa. Abriu com um filme sobre José Saramago e Pilar del Rio (José & Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes), lotadíssimo. Mas foram mais as sessões lotadas, como a de Spanish earth e Indonesia calling, dois excelentes documentários de Ivens, o primeiro sobre a Guerra civil espanhola e o segundo sobre um episódio pouco conhecido do movimento de independência indonésia (repetem amanhã).

Este ano o DocLisboa está ainda mais ambicioso, estreando uma secção de história do documentário, que ainda por cima abre com vários patronos do género, como Joris Ivens e Marcel Ophuls.

Surgiu também a secção A cidade e o campo, que conta com boas obras de Manoel de Oliveira, Alberto Cavalcanti e outros.

Nb: a imagem em cima é do filme Claude Lévi-Strauss: regresso à Amazónia, de Marcelo Fortaleza Flores.

Segunda-feira, 19 de Julho de 2010

Notas soltas sobre um autor de cartoons, ilustração e bd: Zé Manel

O seu nome de registo é José Manuel Mendes, mas assina como Zé Manel nos trabalhos que faz. Começou muito cedo a desenhar, e aos 6 anos o Século Ilustrado mostrava os seus primeiros desenhos 'públicos'. Estreou-se como caricaturista na revista Parada da Paródia, aos 17 anos. Estávamos então em 1961!

Depois disso,  fez muita ilustração para publicidade, destinada a empresas como a Regisconta. Há uma amostra sua muito boa aqui. Mas continuou a publicar trabalhos livres em muitos revistas e jornais. Nesta área, p.e., colaborou para a revista O Fungagá da Bicharada, que acompanhava um programa para o público infantil surgido na RTP em 1976, apresentado por Júlio Isidro e José Barata Moura (este também o autor da música homónima). Ainda nesse ano, editou um álbum sobre a revolução dos cravos, In Politiquices, ed. Estaminé. Entre outras publicações conhecidas em que colaborou, refira-se ainda Os Ridículos e Pão Com Manteiga, de épocas bem diferentes (esta última foi reunida em livro em 2007).

Em 1980, por ocasião das eleições presidenciais lançou uma mini-bd de sátira política, Os 7 magníficos pretendentes.

Mais inf. no perfil biográfico inserto no Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal, de Leonardo De Sá e António Dias de Deus, 2001.

Segunda-feira, 12 de Julho de 2010

Volte-face inesperado (a justiça nem sempre se engana...)

Adenda: a complementar com o post «A negociata do Parque Mayer», de Tiago Mota Saraiva.

Quinta-feira, 27 de Maio de 2010

Contra ventos e marés, Lisboa bate Roma e Nova Iorque, ora tomem lá e embrulhem

Quarta-feira, 26 de Maio de 2010

Para maus acordos, bons remédios

«Oposição aprova revogação do [novo] contrato do terminal de Alcântara»

Terça-feira, 11 de Maio de 2010

Ainda a Feira do Livro de Lisboa

É verdade que este ano, apesar da antecipação não favorecer os passeios de fim de dia, a Feira do Livro de Lisboa está com maior adesão.
Além disso, adaptou-se às crianças e tem uma novidade há muito anseada pelos bibliófilos: a prévia divulgação dos livros do dia!!! Aleluia, meu irmão!!!
Contudo, há aspectos que podiam ainda ser melhorados, a começar pelos livros do dia, pois a pesquisa no site é difícil, para não dizer desencorajadora (e não dá para estar a imprimir listas diárias durante não sei quantos dias a ver se vem lá o tal que queríamos comprar). Devia ser possível fazer pesquisa por autor, tema, género e editora.
Outro ponto são os espectáculos de fado ao ar livre, que não são estimados nem pelos organizadores, pois enquanto aqueles decorrem continua o altifalante irritante a debitar sessões de autógrafos e não sei quê naquela voz inaudível e fanhosa de estação de transportes, calamidade já ironizada oportunamente em filme do sr. Hulot. Seria útil que os promotores vissem este filme.
Também deveria haver mais lugares de descanso e mais espaço entre pavilhões, eventualmente só 3 filas, subindo um pouco mais a feira de ambos os lados. Quanto ao sítio, o Parque Eduardo VII, ainda bem que o mantém, faz sempre bem passear, além da ocasião para espairecer vistas...

Quinta-feira, 6 de Maio de 2010

Orçamento participativo de Lisboa: melhorias ainda insuficientes

«Orçamento participativo deixa de ser exclusivo da Net», por Inês Boaventura

Quinta-feira, 29 de Abril de 2010

Feira do Livro de Lisboa entra hoje na edição 80

A abertura da 80.ª Feira do Livro de Lisboa ocorre às 15h de hoje. Finda a 16 de Maio. Além da antecipação, também o horário muda: os pavilhões abrem às 12h30 (11h nos fins-de-semana e feriados) e passam a fechar às 23h30 (todos os dias).

Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010

Momentos «jamais» da nova temporada

O ministro que afiançou «jamais» se construir o novo aeroporto de Lisboa em Alcochete já saiu de cena, mas parece ter contaminado os seus correlegionários. Ora vede aqui 2 exemplos recentes: o edil António Costa em piruetas com o dinheiro do mexilhãoA “indignação” dá-lhe asas») e o ministro António Mendonça em delírios turístico-tecnológicos, que saltam do futuro («Lisboa pode-se transformar por exemplo na praia de Madrid») para o passado enquanto o diabo esfrega um olho, e sempre com grande sentido de oportunidade e argumentação  (vd. balancete em «Dos carroceiros tristes aos burros felizes»).

Madrid?! Qual quê! Riviera do Mundo e mai nada!

Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

O jazz já não mora aqui

O Hot Clube de Portugal, um dos clubes de jazz mais antigos do mundo (com 61 anos de vida), foi forçado a suspender a sua actividade devido a um incêndio no prédio onde estava sediado e que obrigou os bombeiros ao seu apagamento por inundação. Ignora-se ainda quando e se poderá retornar à velha casa, situada bem no centro da cidade, e próxima dum outro antigo espaço cultural também ele encerrado recentemente, o Ritz Club.
O incêndio terá sido provocado por intrusos no desabitado andar cimeiro, aliás metade do prédio estava devoluto e o proprietário não procedera a obras de recuperação, tal como sucede em grande parte dos centros históricos das cidades portuguesas.
Os centros históricos dum país que se quer mostrar moderno vão apodrecendo, ou incendiando-se, como em Lisboa (depois do desastre do Chiado nos anos 80, seguiu-se uma fileira de prédios na Av. Liberdade, agora subiu para a Pr.ª da Alegria).
E, apesar da irresponsabilidade que tal significa em termos de segurança, de sustentabilidade, de efeito turístico, os proprietários, juntamente com as autoridades públicas, continuam a adiar respostas consistentes. Que triste desleixo, que lamentável incúria pública.
Sobre isso, e as suas implicações na desvalorização das cidades portuguesas, vale a pena ler a crónica de Rui Tavares no Público de hoje (brevemente disponível no seu blogue).

Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

O interesse nacional é lixado

Hoje os funcionários da câmara municipal andaram a presentear os lisboetas com caixotes de lixo para reciclagem. Na minha rua inclinada já havia um trio de grandes boiões para receber lixo de vidro, papel e plásticos/metais na base da rua e outro no cimo. Mas chegou o momento de uma nova fase do processo: retirar os grandes boiões nos extremos da rua e introduzir caixotes maneirinhos de reciclagem no interior de cada prédio, mais próximos da fonte do lixo. A operação camarária deparou com resistência para não escrever insurgências. Uma velhota minha vizinha refilou contra os homens que lhe queriam atufalhar o átrio de entrada do prédio com três caixotes de tampos coloridos. O funcionário camarário declarou, formal e solene: «Todos temos de contribuir. Portugal tem quotas para cumprir.»