Entre fanáticos.

Seguem dois avisos à piolheira, que não servirão para coisa alguma excepto para serem recordados no futuro por quem dirá, segundo o exemplo do professor Cavaco, que nos preveniu. Nessa altura será tarde, como de costume.

  1. O The Economist (sim, aquele farol do liberalismo) alerta-nos para os inconvenientes de um pacto suicida liderado pela Alemanha. Trecho: The decision by Standard & Poor’s, one of the big three, to downgrade nine European governments (…) chastised governments for their inadequate response and their misguided obsession with austerity. Lá se vai a teoria de que quem não salta é socialista.
  2. Bruno Faria Lopes assina outro texto de leitura indispensável, em que descreve a nova fase de Victor Gaspar: uma fase épico-lírica, repleta de sinais e citações de Pessoa, com que o ministro espera compensar-nos por não ter cumprido uma única das metas quantitativas do memorando de entendimento. Trecho: Não há “viragem” alguma. Os investidores compraram a dívida pela mesma razão por que eu tenho dívida do Estado português a vencer em Junho deste ano – porque paga bem e porque paga este ano, que está coberto pelo dinheiro da troika. (…) Monti afirmou ainda que irá “pressionar a Alemanha para perceber que é do seu próprio interesse” ajudar mais a Itália e outros países sobreendividados. Isto é um sinal de viragem: o líder de um país a receber assistência financeira oficiosa, um país fundador da União Europeia e com peso, toma uma posição vertical perante um problema que compromete a eficácia da sua política e o bem-estar de toda a sua população.

É muito triste, isto de vivermos entre fanáticos.

Publicado em post | 6 Comentários

Vítor Gaspar: “Podemos estar a aproximar-nos de um ponto de viragem.”

Publicado em post | 6 Comentários

Do International Herald Tribune.

Publicado em post | 2 Comentários

Tristeza e miséria do radicalismo lusitano.

No Cinco Dias já querem ir buscar a guilhotina e contar espingardas ao Terreiro do Paço. Tudo isto porque a UGT, pela mão papuda do traidor João Proença, assinou o acordo de concertação social.

São perigosos, estes apelos irados? Mais ou menos.

Ainda me lembro de aparecer outro traidor no Cinco Dias. Chamava-se António Figueira e meteu o comunismo na gaveta para assessorar o Governo. Enquanto meia dúzia de bloggers lhe apontava uma certa, como direi, incoerência, a rapaziada do boteco cerrou fileiras em torno do amigo Figueira, do correligionário Figueira, daquele cher Figueira que só ia para um Governo da direita porque estava, enfim, a trabalhar.

Por isso, não nos macemos muito com o discurso sanguinário dos autores do Cinco Dias. Arranjem-lhes emprego que logo passa.

Publicado em post | 18 Comentários

Os outros.

A Wikipédia fechou durante 24 horas em protesto contra as propostas de lei PIPA e SOPA que aguardavam a votação do Senado e da Câmara de Representantes. Responsáveis da Google, Facebook, Yahoo e Twitter já tinham reunido para coordenarem um blackout do mesmo tipo. Estas ameaças resultaram no adiamento da votação para as calendas gregas após o recuo de alguns senadores e congressistas do Partido Republicano.

Seth Godin recorda-nos que a tentativa de defender a propriedade cerceando as liberdades não se materializou por geração espontânea: é um produto da corrupção, da ganância e da estranheza dos eleitos perante a internet. Quase metade dos congressistas, afirma, é composta por milionários. Para esses a opção é clara.

Mas Godin não acrescenta algo que me parece interessante: o combate às duas propostas de lei é organizado por gente não menos abastada, vinda da tecnologia e dos new media. Ou seja, a América é suficientemente vasta para albergar dois tipos de milionários: os progressistas e os outros. A isso chama-se sorte.

Nós só temos dos outros — e sempre rodeados por uma corte de anõezinhos de bóina nas mãos.

Publicado em post | 7 Comentários

Ao Crespo, à Fátima e ao professor Medina: aprendam.

Publicado em post | 19 Comentários

Pastéis.

Álvaro Santos Pereira foi parar ao Governo porque tinha um blog e morava no Canadá. O método de recrutamento, embora singelo, foi bem intencionado: se ele tinha um blog sabia do que falava, certo? Certo. E se morava no Canadá, com certeza não devia ser ladrão.

Não ser ladrão é uma qualidade estimável em Portugal, suficientemente rara para justificar a importação de um estrangeirado que se comova — e ninguém se comovia tanto como o Álvaro — com as dores da pátria.

Erguido o blogger a super-ministro, resta-nos ajudar o Álvaro a substituir as postas por decisões de alcance estratégico, e as perguntas retóricas sobre frango assado e pastelaria lisboeta por um calendário enxuto de medidas avulsas. Para já, Álvaro, o que me dava jeito era:

Semana 1: um site dedicado à exportação. As leis e os regulamentos, os formulários, as implicações fiscais. Algo como isto, mas que não seja uma merda.

Semana 2: uma lista de contactos de funcionários públicos especializados em comércio externo. Gente a quem eu, cidadão anónimo, impreparado e cheio de dúvidas, possa fazer um telefonema sem passar meia hora a ouvir o Mantovani.

Semana 3: Uma base de dados com acesso livre em tempo real (nada de ficheiros Excel faz favor), de PME portuguesas  interessadas em colocar os seus produtos em mercados internacionais. Nomes, telefones, emails, produtos, áreas de actividade — tu sabes, Álvaro.

Por agora é tudo. Daqui a um mês voltamos a falar.

Publicado em post | 14 Comentários

Silêncio.

Os vates lamentam o apagamento do PS, como se um grande silêncio tivesse descido sobre a terra e numa perversão do um-dó-li-tá colasse por capricho as ventas dos cíceros e quintilianos socialistas. Enquanto o país tagarela, dezenas de almas aflitas perguntam ao vento: porque não falas, Seguro — e no dia seguinte, tendo Seguro falado lamentam, oh, porque não te calaste?

Porquê? Porquê? Porquê? Em suma: por luto, por vergonha, por interesse. O PS falará com a voz do costume daqui dois anos, e numa década talvez diga qualquer coisa de jeito.

Publicado em post | 3 Comentários

“Ai, não percebo nada”.

É a confissão da semana nos blogs liberais. De um dia para o outro a direita portuguesa encheu-se de cheerleaders loiras e alheadas. Mas não faz mal, meninas, porque a Carla Quevedo explica:

(…) Sobre as nomeações recentes para a EDP, etc., António Lobo Xavier mostrou incómodo com aquilo que disse ser um problema de percepção. Ora, isto subentende que os factos estão bem, obrigada, o que estraga tudo é a altura em que as coisas se fazem. Lobo Xavier é mais inteligente do que isto. O problema real é haver gente a não fazer a mínima intenção de passar pela ‘necessidade de sacrifícios’ que leva a vida a pregar aos outros. Não é um problema de inveja. E a ganância é o menos, francamente. Sempre houve e sempre haverá. Só um louco é que se dedica à tarefa de mudar a natureza humana. O pior é ter de ouvir os pregadores na televisão, ter de lhes aturar o discurso do que os outros devem fazer, como devem viver. É assim que o cidadão mais pacífico dá por si a defender a revolução francesa. Há, contudo, um aspecto positivo nisto tudo. Por estranho que pareça, vejo o momento que estamos a viver como uma oportunidade de o País mudar para melhor. O tempo não está a nosso favor, mas também acontecem coisas boas quando as pessoas se fartam (…).

Haja paciência.

Publicado em post | 9 Comentários

C’horror.

Dezembro:

Helena Matos indigna-se com o lixo da quadra festiva.
Helena Matos indigna-se com as greves da CP.
Helena Matos indigna-se por não sabermos quantos ciganos existem em Portugal.
Helena Matos indigna-se com o número de espectadores dos filmes portugueses.
Helena Matos indigna-se com a barrigas de aluguer.
Helena Matos indigna-se com o socialismo.
Helena Matos indigna-se com a comemoração da separação entre Goa e Portugal.
Helena Matos indigna-se com o jornalismo de causas.
Helena Matos indigna-se com os apocalípticos.
Helena Matos indigna-se com o Teodorico e as Mães Cegonhas.
Helena Matos indigna-se com esta mania de combater as desigualdades.
Helena Matos indigna-se com o Património da Humanidade.

Hoje:

Helena Matos indigna-se com os indignados.

Publicado em post | 15 Comentários

Maçonaria e Inglês técnico.

Novos contributos.

Publicado em post | 16 Comentários

“Contra Corrente”.

Manuela Ferreira Leite voltou a exibir o seu tacto diplomático na televisão. Com a internet em chamas (é um déjà vu), temo que nos afastemos da pergunta que ontem fazia a mim próprio e hoje gostaria de fazer a alguém: que motivos existem para que um programa de análise política convide o proprietário do canal em que é transmitido, o partner de uma grande sociedade de advogados lisboeta, o presidente de uma fundação da Jerónimo Martins e uma senhora que ainda há pouco criticava os ”ataques àqueles de acumulam vencimentos” para reflectirem, vejam bem, sobre os sacrifícios que é preciso impor ao país?

Há aqui uma resistência à vergonha de que os nossos jornalistas aparentemente não suspeitam, enquanto promovem mandarins a senadores.

Publicado em post | 23 Comentários