Terça-feira, 14 de Setembro de 2010
UE avança judicialmente contra expulsão de ciganos por Sarkozi
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Daniel Melo
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Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009
Um discurso perigoso de Sarkozy
Num texto publicado no «Le Monde» (ver aqui), Nicolas Sarkozy pronuncia-se sobre a interdição dos minaretes na Suíça num tom ilusoriamente moderado e potencialmente perigoso. O perigo consiste em três confusões que fortalecem a extrema-direita.Em primeiro lugar confunde a legitimidade do referendo em França sobre a Constituição europeia em 2005 com a legitimidade de um referendo sobre a construção de edifícios religiosos de uma minoria. E acusa os críticos do referendo suíço de «desconfiarem do povo». A minha resposta é simples: no primeiro caso os franceses pronunciaram-se sobre um texto que iria afectar a sua vida. No segundo caso a maioria dos votantes decidiu sobre a vida religiosa de outras pessoas. Invocar o povo para confundir os dois casos é desonesto. O povo deve decidir sobre o que lhe diz respeito. Pelas mesmas razões acharia bem, ainda que não seja costume, que o «povo» de uma religião (uma comunidade religiosa) decidisse por voto como é que devem ser construídos os seus edifícios religiosos. Absurdo é que decida como devem ser construídos os edifícios de outra comunidade menos numerosa.
Em segundo lugar expõe uma bizarra concepção de direitos humanos. Sarkozy escreve do seguinte modo o seu ponto de vista: «Les peuples d'Europe sont accueillants, sont tolérants, c'est dans leur nature et dans leur culture. Mais ils ne veulent pas que leur cadre de vie, leur mode de pensée et de relations sociales soient dénaturés. Et le sentiment de perdre son identité peut être une cause de profonde souffrance.» O direito humano que preocupa Sarkozy é o dos povos europeus conservarem a sua identidade naturalmente acolhedora e tolerante. Qualquer pessoa que estude a História da Europa na primeira metade do século XX, incluindo a do regime de Vichy, não conseguirá engolir esta visão. A tolerância europeia foi o resultado de uma Guerra Mundial, não brota como as flores nos prados. Pior ainda é Sarkozy não associar os sentimentos de perda de identidade e os sofrimentos respectivos às mudanças sociais, à crise económica, às mutações tecnológicas, mas referir a questão apenas do contexto da presença em França de minorias religiosas – neste caso um eufemismo para o islão.
Em terceiro lugar, a sua crítica à «ostentação e provocação religiosa» e o seu apelo a uma prática religiosa discreta esconde uma discriminação. Por que raio é que um minarete há-de ser «ostensivo» e uma peregrinação a Lourdes não? Sarkozy usa a «identidade nacional» da França para definir o que é religiosamente correcto. E para deslocar o debate de questões económicas e sociais para o da imigração e da relação com minorias religiosas. Onde é que eu já li isto?
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João Miguel Almeida
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Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009
Identidade Nacional: Proponho que se discuta o caso dos polícias que andavam a roubar imigrantes legais
Ora, se é para discutir a relação entre a imigração e a criminalidade eu sugiro humildemente que se discuta este caso ocorrido a semana passada em Paris, que demonstra definitivamente que existe uma relação causa-efeito entre imigração e criminalidade: dois polícias da secção encarregue da imigração ilegal entram numa loja de telemóveis, propriedade de imigrantes, sob pretexto de levar a cabo um controlo de identidade, e de passagem pela caixa dão uma baixa no imigrante. Podem ver o vídeo aqui em baixo, e sim, são mesmo polícias, no exercício das suas funções, sigam o link para ler a história toda.
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Zèd
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Sábado, 14 de Novembro de 2009
Da liberdade de expressão no país da identidade nacional
P.S. - Vale a pena ler "Entre a voz da Frente Nacional e a dum escritor livre, há que escolher" por Christian Salmon.
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Zèd
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
Eu não podia estar mais de acordo com Sarkozy
O presidente francês - mailo seu pressuroso ministro da Imigração e da Identidade Nacional (sic) Éric Besson - acha que o debate sobre a identidade nacional é necessário.
Eu não podia, se o texto acabasse aqui, estar mais de acordo com Sarkozy. E até podia continuar 100% de acordo, se retirasse certas frases do seu contexto:
É com esta política da avestruz sobre a identidade nacional que deixamos o terreno livre para todos os extremismos".
Mas o contexto é tudo - e o debate necessário de que agora se fala é pura poeira atirada para os olhos (de la poudre aux yeux). A identidade nacional de Sarkozy é baseada na exclusão da diferença cultural, a qual diferença é logo amalgamada com o extremismo religioso (junto à conversa sobre a identidade nacional vem agora, como "soundbyte", a conversa sobre a proibição da "burka" na rua).
Pois é: eu não podia estar mais de acordo com Sarkozy. A identidade nacional tem de ser debatida. Mas não porque esteja demasiado ameaçada. E o debate teria de ser todo diferente, não telecomandado pelo ministro da expulsão dos imigrantes (é o verdadeiro nome do ministério).
Política da avestruz é não perceber que a identidade nacional entrincheirada em si mesmo, na tal da aldeia global, para além de ser uma forma vil de fazer salivar o eleitorado xenófobo, se torna em mais uma forma de comunitarismo.
PS: continuando a descarregar a bílis, sugestão de lema épico para o sarkozysmo (não só francês) em versão europeia. Extraído dos Lusíadas, canto I, estância 64, fala Vasco da Gama:
"não sou da terra, nem da geração
das gentes enojosas de Turquia,
Mas sou da forte Europa belicosa"
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andre
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19:48
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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
As pífias de Cavaco II - ou o "affaire Clearstream" resumido para aprendizes na arte da manipulação
O "affaire Clearstream" (pode ler-se aqui um recapitular mais completo), sendo complexo, pode resumir-se assim: 1) um jornalista tinha uma lista autêntica de detentores de contas bancárias secretas na sociedade financeira Clearstream, sediada no Luxemburgo, contas essas que serviam para receber dinheiro sujo (corrupção, branqueamento, etc...) 2) um técnico informático de passado duvidoso, obtém essa lista em 2003, e acrescentou-lhe nomes de pessoas que não tinham nada que ver com o caso, entre os quais o de Nicolas Sarkozy, à época ministro das finanças e pretendente a sucessor do então presidente Jacques Chirac, contra a vontade deste 3) para servir de cobertura o informático duvidoso é contratado por uma empresa de aeronáutica a pedido de um general dos serviços de informação (equivalente do SIS) com ligações a Villepin, e em 2004, o chefe do informático duvidoso envia anonimamente a lista adulterada das contas bancárias a um juiz de instrução, numa tentativa de incriminar Sarkozy 4) o dito Juíz apercebe-se rapidamente que há uma tentativa de manipulação, e trata de investigar não a denuncia mas os denunciantes 5) Sarkozy cedo informado da tramóia, deixa a coisa correr apostando (e com razão) que a coisa lhe vai ser favorável 6) os indícios recolhidos pela investigação do juiz de instrução sugerem que Dominique de Villepin, então ministro dos negócios estrangeiros, mais tarde primeiro-ministro, e fiel delfim de Jacques Chirac, como tendo tido conhecimento da manipulação e não a ter impedido, ou de tê-la mesmo encorajado. O julgamento que agora começa visa determinar se houve denúncia caluniosa, e Villepin está no banco dos réus. Sarkozy, entretanto decidiu envolver-se no processo e constituiu-se como parte civil. Um testemunho do processo terá alegado que Jacques Chirac estaria ao corrente da situação, mas não há quaisquer indícios disso, e não vai sequer a julgamento. Ora aqui temos o primeiro contraste: Villepin (e talvez mesmo Chirac, nunca o saberemos....) manipula - presumivelmente - sem deixar provas, passando por entrepostas pessoas que falsificam documentos e fazem denúncias anónimas, Fernando Lima vai tomar um café num lugar público com um jornalista, leva um dossier sobre um assessor do primeiro-ministro, e até hoje ainda ninguém desmentiu que Cavaco tivesse conhecimento de tudo como referem as mensagens trocadas entre jornalistas do Público. Nem que fosse pela falta de sofisticação, Cavaco e toda a casa civil deviam ser destituídos imediatamente das suas funções. Se é para manipular, que manipulem com estilo.
Outra diferença notória é na atitude de quem é apanhado com a boca na botija. O Villepin vocifera que é uma cabala contra ele, dirigida por Sarkozy, que não só está inocente, como é ele próprio a vítima da manipulação - e há que reconhecer consegue ser um nadinha convincente na sua indignação. E o que diz Cavaco? Nada (-pausa para riso-), não diz nada, mas demite o homem da sua confiança como quem não quer a coisa. Mas se não quer a coisa, demite o assessor? Isto faz alguma sentido? Assume a sua culpa pelos actos, e não diz uma palavra para se justificar. Nem que seja pela incapacidade de elaborar um raciocínio lógico, Cavaco deveria cessar funções imediatamente.
Outra diferença curiosa: o caso "Clearstream" veio a público em 2005 graças a um trabalho de investigação jornalística notável do Le Monde, as escutas de Belém vieram a público graças a uma imbecilidade do jornal Público (repararam como eles hoje tentam fazer pressão sobre Cavaco para disfarçar?, como se não fosse nada com eles).
Reparem bem que no caso "Clearstream" todos tentam manipular, e ficamos sem saber quem na realidade manipulou o quê, no caso das escutas de Belém não houve sequer manipulação por manifesta incompetência de quem tentou manipular.
Nisto apenas Sócrates parece estar a seguir o exemplo de Sarkozy, por enquanto não diz nada, mais tarde se verá. Uma máxima alegadamente napoleónica diz "não interrompas o teu adversário quando ele estiver a cometer um erro".
Adenda - Lembrei-me de mais um contraste entre estes dois casos: comparado com escutas ao presidente ordenadas pelo primeiro-ministro uma lista falsa de contas bancárias no Luxemburgo é pevides, ainda assim o "affaire Clearstream" está a abalar seriamente o sistema político em França, já as escutas fantasma de Belém parecem ser apenas mais um caso do momento, até ver...
Domingo, 19 de Julho de 2009
As contas do Sr. Sarkozy
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Zèd
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Quarta-feira, 10 de Junho de 2009
Sarkozy nas alturas
Não. Não estou a falar das Europeias. Mas sim dos truques do presidente da França para ganhar alguns centímetros na sua popularidade. Depois de usar um tacão de 7 centímetros para estar à altura da atual primeira-dama francesa, Sarkozy agora pretende estar à altura de Obama. Mais.
Na foto de baixo, da esquerda para a direita, príncipe Philip, Carla Bruni (sem salto), rainha da Inglaterra e Sarkozy. Foto retirada daqui.
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Manolo Piriz
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Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008
Carla & Carlito ou la vie de château
A ex-top model, a ex-italiana, a ex-boêmia burguesa new age, a ex-militante da esquerda-artístico-libertária (entre outras coisas mais bizaras), e agora primeira-dama, aspirante a cantora de bordel (com todo o respeito que os verdadeiros bordéis merecem, é claro) e principalmente mentora intelectual do neo-sarkozysmo ítalo-francês, Carla Bruni, é a heroína e personagem central do livro de cartoon dos impagáveis Philippe Cohen, Richard Malka e Riss. Só lamento não perceber muito a língua francesa. Mais.
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Manolo Piriz
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Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008
Por enquanto o boneco Voodoo de Sarkozy continua a ser legal
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Zèd
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Domingo, 7 de Setembro de 2008
Ele há mau jornalismo que nem os Arganazes conseguem explicar
Rachida Dati confirmou a sua gravidez e afirmou relativamente à identidade do pai da criança "Tenho uma vida privada complicada e este é o limite que me imponho em relação à imprensa; não direi nada sobre o assunto". Dêem-me uma boa razão para não respeitar a decisão de Rachida Dati.
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Zèd
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Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008
Quem foi o perigoso esquerdista radical que disse uma barbaridade destas?
Dou-vos uma pista, citação na sua versão original é em francês:
"Dans un contexte où, depuis plusieurs années, les salaires progressent beaucoup moins vite que les revenus du capital, il n'est pas anormal que les revenus du capital soient mis à contribution pour revaloriser le travail des plus démunis. S'il y a de l'argent pour le haut, il doit aussi y avoir de l'argent pour le bas."
Eh oui, foi Nicolas Sarkozy, em defesa do seu novo plano de pagar as políticas sociais com a tributação dos rendimentos do capital. É lindo ver Sarkozy render-se desta maneira à política de esquerda, e, diria mesmo, à retórica da esquerda. Só é pena (para ele) esta medida desiludir profundamente aqueles que até aqui mais apoiram Sarkozy, a direita liberal. Um a um vai perdendo todos os sectores do seu prórpio eleitorado. Mas isso é problema dele. Acho muito bem esta viragem à esquerda.
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Zèd
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Sábado, 12 de Julho de 2008
O que Carla Bruni quer dizer com “Tu Es Ma Came”?
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Manolo Piriz
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Quarta-feira, 2 de Julho de 2008
Sarkozy vintage
Curiosamente a coisa não fica por aqui. Agora é a France 3 (televisão pública, relembre-se, controlada pelo estado) quem ameaça o Rue89 (orgão de informação independente) com um processo judicial por divulgar as imagens que deviam ser em "off". Esta é nova, um orgão de informação que processa outro orgão de informação para tentar obter as suas fontes, e impedir a divulgação da notícia. Obviamente que a publicação do vídeo pelo Rue89 já foi bastante criticada, ao que o próprio Rue89 já respondeu (e, a meu ver, bem).
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Zèd
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12:59
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Sábado, 24 de Maio de 2008
Foi você que disse liberdade de expressão?
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Zèd
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14:01
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Sexta-feira, 9 de Maio de 2008
E para completar o quadro, um toque de revisionismo histórico
De facto só faltava a Sarkozy um ligeiro toque de estalinismo para completar o quadro.
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Zèd
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Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008
Perguntar não dói
Essa
pelas Farc da franco-colombiana Ingrid Betancourt seria
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Manolo Piriz
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18:29
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Domingo, 24 de Fevereiro de 2008
Outro poeta
Mais um trecho da novela “Sarkozy presidente”.
É preciso relembrar que houve algumas pessoas que foram julgadas por terem insultado o antigo ministro do Interior e o agora Presidente (ver esse caso mas há outros).
Talvez a pessoa insultada vai queixar-se mas, como se sabe, o Presidente francês não pode ser julgado - salvo casos muito graves - enquanto é presidente.
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Victor
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12:08
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Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008
Tão amigos que eles eram...


É curioso, os mesmíssimos periódicos que apresentavam Sarkozy como imbatível a uma semana das eleições presidenciais, no que não foi mais do que campanha eleitoral encapotada, apresentam agora Sarkozy como a grande decepção, nem faz um ano sequer. Os media que tanto ajudaram Sarkozy a chegar a presidente, agora que ele agoniza nas sondagens não hesitam a ajudar ao enterro. Chamem-me cínico. Esta imprensa, que não é toda a imprensa, limita-se a andar atrás da opinião pública. Não têm qualquer escrúpulos em morder a mão que deu de comer (o que no caso em apreço não me incomoda minimamente, estão bem um para o outro). Faz-me lembrar uma linha que retive de um dos melhores filmes que já vi: "Os jornais não fazem a opinião pública, é a opinião pública que faz os jornais" (cito de memória, e admito que deva ser uma adaptação muito livre, mas a ideia está lá).
Por falar nisso, a obsessão actual da imprensa francesa, particularmente a de esquerda, com a queda Sarkozy nas sondagens faz-me alguma comichão. Que me importa agora se o homem está em queda nas sondagens, se ele for re-eleito daqui a quatro anos? É certo que a magnitude da queda nas sondagens, e a aparente incapacidade de gerir a imagem depois de estar no poder, são no mínimo surpreendentes para quem soube tão bem usá-las para chegar ao poder. Mas isso não justifica tanto sururu. E bem fariam os jornais se em vez de se focalizarem nas taxas de aprovação fossem à procura das razões dessa impopularidade (à cabeça das quais estará o poder de compra - "it's the economy, stupid!"
Adenda - Sarkozy continua a descer nas sondagens, e os jornalistas continuam obcecados com isso.
Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008
Depois da esquerda caviar, a direita cassoulet
Eu sei, eu sei, é em francês, e tem imensas referências à actualidade francesa. Deixo aqui uns destaques (tradução minha, peço desculpa pelo incómodo).
"Miterrand teve não sei quantas amantes e não se sabia de nada, com Sarkozy seguimos tudo dia-a-dia (...) Miterrand tinha o culto do segredo, Sarkozy não tem o segredo do CUlto"
"Para adormecer à noite, ele [Sarkozy] contar o ex's dela [Bruni]"
"Imaginem que Hillary Clinton é eleita presidente, Sarkozy vai visitá-la, e durante as reuniões fantoche os respectivos esposos fazem companhia um ao outro... Conhecendo o temperamento de Bill e Carla... é capaz de criar tensões nas relações franco-americanas"
"Mitterand era fascinado pela história de França, pela Literatura. Chirac era enamorado da Ásia, das artes primeiras. Pois Sarkozy gosta é dos Rolex e da EuroDisney. Temos o presidente que merecemos."
"Enfim, para resumir, antigamente tinhamos a esquerda caviar, agora temos a direita cassoulet: uma pequena salsicha com montes de folha à volta"
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Zèd
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