29/12/2011

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Don't feel so ashamed

To have friends

11/08/2011

A estrela da amizade

O oposto da amizade não é a inimizade mas a estranheza. Dois amigos perdem a amizade quando deixam de se reconhecer um ao outro; quando optam por caminhos diferentes, habitantes de um mundo já que não partilham. E mesmo que tais caminhos se cruzem, como poderá acontecer, continuarão a ser  diferentes e irreconciliáveis. "Que havemos de nos tornar estranhos é a lei em cima de nós", escreve Nietzsche em A Gaia Ciência. "Pelo mesmo motivo, deveremos tornar-nos mais veneráveis um para o outro, e a memória da nossa amizade ainda mais sagrada". Este é um fragmento consolador no qual comecei a pensar quando me apercebi de que também tenho as minhas amizades antigas, alienadas, dependentes de uma lei acima delas. A consolação é que eu também posso imaginar essas amizades perdidas como memórias ou estrelas que assiduamente nos contemplam. Devo por isso louvá-las e venerá-las.

01/06/2011

O não-encontro

Dois amigos podem decidir encontrar-se. Acontece com imensa frequência. Mas dois amigos podem também escolher não se encontrar. Estão no mesmo espaço, percebem a presença um do outro, intuem que foram vistos, mas simulam uma distracção plausível e disfarçável. No fim, optam por não se manifestar. Não sendo um acaso e menos uma coincidência, este não-encontro nasce de uma decisão comum, ou de duas decisões comuns. Fechei os olhos ao meu amigo. Triste a amizade que é feita destes não-encontros.

26/12/2010

Selecção natural

Não sabemos o que esperar de uma amizade antes de testarmos o nosso próprio instinto de sobrevivência e o dos outros. Antes de percebermos se queremos ser vítimas na amizade, ou se temos espaço para uma agressão justa e retributiva à agressão.

Quando os dois nos desentendemos com violência e eu disse o que não devia e me arrependi logo daquilo que disse, tentei recuar para um estado que permitisse alguma reparação. Depressa percebi que era impossível. Eu podia ser vítima se ela também escolhesse ser vítima ou agressor se ela também fosse agressora. É o que explica que em certas amizades as zangas entre amigos acabem resolvidas de um modo virulento, aberto, sem concessões. Têm mesmo de ser. Vítima contra vítima, agressor contra agressor.

O que não podia acontecer era eu assumir-me como vítima para ela responder como agressora, nem ela insistir em ser vítima diante da minha agressão. Nesse caso, só havia uma coisa sensata a fazer, talvez por falta de alternativa: terminar a amizade. Chamemos-lhe a selecção natural dos amigos.

16/09/2010

Lógica

Até o mais refinado teórico da beleza comete infracções à lógica , como dizer que L. é uma mulher atraente mas que nunca quereria nada com ela por ser sua amiga.