Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012

Deve haver algo de muito errado...


Decididamente... deve haver algo de muito errado com a CGTP! Para ser mais preciso, com os sindicalistas da CGTP. Para ser ainda mais preciso... com os sindicalistas comunistas da CGTP. Senão, vejamos:
1. Apesar de serem homens e mulheres com caras e nomes, uma história pessoal, terem família de quem gostam... e um passado e um presente ocupados na luta pelo bem comum, são odiados e desprezados pela generalidade da comunicação social, que tudo faz para denegrir, falsear, ou pura e simplesmente, ignorar as suas ideias, ações, reivindicações e sonhos.
2. Ainda há bem pouco tempo. Essa grande figura de sindicalista moderno que é António Chora, revelava (desrespeitando os membros do BE na CGTP) que os sindicalistas comunistas, fazem o que podem para que haja mais despedimentos, mais desemprego, mais fome... para assim terem mais oportunidades de aparecer nas televisões, manifestando-se contra o patronato e o capitalismo. Revelou mesmo que alguns deles chegariam a ser apoiados pelos patrões, que assim viam facilitados os despedimentos e deslocalizações que pretendiam fazer
Curiosamente, em qualquer destes seus argumentos, António Chora é acompanhado em coro por toda a sorte de fascistas e demais fanáticos de direita, frequentadores das caixas de comentários dos jornais e dos blogues.
3. Agora, João Proença, essa outra grande figura, indefectível defensor de um sindicalismo igualmente moderno, mas em tons de amarelo, vem afirmar (desrespeitando os membros do PS na CGTP) que foi «incentivado por altos dirigentes da CGTP» (devem ser os da equipa de basquetebol) a assinar o acordo com o patronato e os seus governantes privativos... o que mostra bem o calibre destes comunas, capazes de empurrar o pobre Proença para o pior lugar da “fotografia”... ficando eles, todos ufanos, gabando-se de não terem pactuado com a traição.
Decididamente... deve haver algo de muito errado com a CGTP... e comigo. A verdade é que, apesar de todas estas “evidências” contra os comunas dos sindicatos, é exatamente com estes que estou. Já estava, quando há uma mão cheia de anos ofereci com muito gosto a minha voz, para a gravação colectiva do “Hino da Intersindical”. Já estava antes de haver Hino, desde Abril. Já estava, antes de Abril... o que vem provar a razão que tinham aqueles que me avisaram sobre os efeitos tremendos das “más companhias”.
Já quanto ao facto de a CGTP responder ao destempero provocador de João Proença com um processo na Justiça... mesmo sem fé alguma na dita Justiça, acho muito bem. De vez em quando, é necessário responder a este tipo de canalhices com um sonoro tabefe na fronha.
Aqueles que leram até aqui... já agora, podem ocupar mais uns minutos ouvindo o tal Hino, que já toda a gente conhece, mas que serve para ir afinando a garganta até dia 11...


“Hino da Intersindical” – Vários
(Mário Vieira de Carvalho/Anónimo do século XIX)

Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

A arte do "pastoreio"


Diz-me um estudo agora divulgado que a satisfação com a democracia atinge mínimos históricos.
Isto vem mostrar que o grande capital, para além de enriquecer pornograficamente com a exploração das ovelhas, sugando-lhes o leite, tosquiando-lhes a lã, retalhando-lhes a carne, triturando-lhes os ossos... também garantiu uma forma de ter o rebanho exatamente onde quer.
Para isso, conta com o implacável pastoreio de governantes feitos à medida, analistas, comentadores, politólogos, jornais, televisões. Todos empenhados em fazer crer que aquilo por que estamos a passar não é capitalismo selvagem, não é exploração, não é roubo, não é crime... mas sim democracia.
Há que juntar ainda o precioso contributo de alguns dos chamados movimentos cívicos que, em muitos casos, muito mais do que atacar os exploradores, têm como maior bandeira o ódio aos partidos políticos, como se todos fossem iguais.
Está assim criado o caldo em que o rebanho, em vez de culpar pela sua situação quem o explora, em vez de reagir às feridas infligidas pelos cães... culpa a democracia.
O despertar poderá tardar... mas será violento!

Pingo Doce... filosofia, liberdade e informação


Não poucas vezes, os finórios da finança, venham eles das indústrias, do ramo do “patobravismo”, da pura especulação, ou das híper mercearias, chegam a um estádio em que o dinheiro a rodos já não os satisfaz. Necessitam de reconhecimento público. Querem ser conhecidos. Querem comprar mais uns pontos no acesso ao seu lugar no céu, ou despejar alguns “anti-inflamatórios” sobre as consciências.
Assim, compram jornais, rádios e televisões, que se encarregam de dourar a pílula das fortunas obscenas que conseguiram explorando o seu semelhante. Alguns forçam mesmo a nota e tornam-se moralistas, dedicam-se à caridade e às coisas da cultura (da “boa”, claro!). Fundam fundações fundamentais. Homenageiam-se em vida.
O Alexandre do “Pingo” é um deles. Tem uma fundação, com o nome do avô, dirigida pelo mais famoso assalariado do seu império, o tresloucado António Barreto. A Fundação publica dezenas de livros, igualmente fundamentais, que se encontram à venda, como seria de esperar... nas caixas do Pingo Doce.
Um dia destes, enquanto equilibrava nas mãos algumas clementinas e dois pacotes de gaspacho (que só se vende lá, infelizmente!), dei de caras com dois desses livros, destacados no meio da vasta coleção: “Filosofia em directo”, escrito por Desidério Murcho e “Liberdade e Informação”, da autoria de José Manuel Fernandes.
A minha costumeira tolice ainda me deu para começar a ensaiar trocadilhos parvos com os nomes... como, por exemplo, imaginar se um desidério murcho” será o contrário de uma “indiferença erecta”... mas não. Nada a fazer!
Não há tentativa de humor, mesmo que tão discutível quanto o meu, que resista numa competição direta com ideia fantástica que alguém teve, naquela tão fundamental Fundação, de encomendar um livro sobre “Liberdade e Informação”, ao híper, supermaxi, ultra revolucionário “reciclado”, que é o sebento criado para todo o serviço do capital, José Manuel Fernandes.

Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012

Mário Crespo – Corpo a corpo...




O baboso Mário Crespo (que alguns insistem em considerar um grande jornalista) ainda não se refez da perda do seu famoso programa “Plano Inquinado”... perdão, “Inclinado”, programa onde eram debatidas as minudências do dia a dia do país, pela “ciência” do prof. Nuno Crasso, desculpem, Crato, e essa luminária irascível que dá pelo nome de Merdinha Carreira... chiça!... Medina!!! (isto hoje está bom, está!).
Por enquanto, resta-lhe babar-se em direto na TV, aqui e ali, sobre os seus “amores”, embora o que lhe dê mais prazer seja destilar azedume, preconceito e falta de profissionalismo, sobre os seus “ódios de estimação”.
A CGTP é um desses ódios antigos do Crespo, logo, Arménio Carlos, também. É o que se pode ouvir e ver nesta peça nojenta da SIC Notícias, onde o baboso Crespo faz tudo o que pode, ora pelo ar escarninho, ora pela provocação, ora pelo simples ruído, para que o pensamento e os argumentos de Arménio Carlos não passem.
Felizmente, não teve sucesso! 
O Arménio Carlos conseguiu a difícil proeza de lutar com um porco... sem se sujar.




João Proença e UGT – Assalariados do ano


João Proença, essa espécie de “Submarino Amarelo” do sindicalismo (mas sem a música dos Beatles), terá durante as próximas horas o direito às carícias do patronato e do governo, terá direito ao seu “momento de glória”.
Uma glória suja, porca, vergonhosa, miserável!
Gabam-lhe a coragem... o que, vindo de figurões como Daniel Bessa, deveria ser considerado como um insulto por qualquer pessoa vertical.
Gaba-se ele próprio de ter conseguido fazer cair a “meia hora”, esquecendo-se de dizer que essa famosa meia hora, em que nem o patronato estava interessado, foi trocada por medias bem piores, afectando as férias, feriados, pontes, facilitando os despedimentos...  e essa verdadeira selvajaria que é o banco de horas, uma arma à disposição do patrão, para desregular completamente a vida privada e o direito a uma vida familiar estável, por parte dos trabalhadores... para além do aumento da exploração que implica. Um acordo a que Arménio Carlos da CGTP chama (e bem!) uma declaração de guerra contra os trabalhadores como nunca se viu depois de Abril de 1974 e um "regresso ao feudalismo".
Subitamente, Proença já sente a necessidade de dizer que, mesmo com o acordo, haverá conflitos e que a paz social não está garantida. Tem toda a razão!
Pertencer a uma minoria, como pertenço, uma minoria política, ou mesmo minoria no campo artístico (para mencionar apenas dois aspectos), é uma faca de dois gumes. Traz alegrias e tristezas, vitórias e derrotas. De vez em quando, independentemente de tudo, dá um grande prazer!
É pra mim um prazer enorme, por estes dias, poder afirmar que pertenço à minoria que bateu com a porta na cara a esta canalha. Uma "minoria" que lhes dirá, alto e bom som, nas ruas e em toda a parte, o que pensa das suas políticas... a que não me arrependo de chamar fascismo económico.
Os “Proenças” desta vida podem até arvorar para as câmaras de televisão um ar vitorioso e consolado com os elogios dos (seus) patrões... mas quero crer que, na calada da noite, sozinhos consigo próprios, os seus fantasmas e o que resta do seu carácter, eles sabem que se venderam.

Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

A farsa


Foi, em tempos idos, uma técnica muito utilizada pelos pequenos contrabandistas, adoptada agora por grandes traficantes, bandidos de vários ramos e governantes desonestos: fazer os possíveis por “deixar-se apanhar” numa pequena falcatrua, ou medida polémica, de preferência com grande alarido... para, noutro local, fazer passar discretamente a grande carga de contrabando, do roubo... ou, por exemplo, um “pacote laboral”.
Assim, vemos a farsa da "queda" da mediática meia hora de trabalho extra (quem terá convencido Carvalho da Silva de que aquilo estava confirmado?), logo seguido pela dúvida sobre a mesma "queda"... exatamente com o mesmo fim e a mesma técnica dos contrabandistas e bandidos. Para tentar ludibriar a vigilância e “passar” tudo o que realmente queriam fazer passar.
Não enganam (quase) ninguém! Os restantes serão coniventes...
No pacote de medidas que vi num jornal, estava um novo motivo "justificativo" para despedimento: a redução da qualidade de trabalho.
No meio desta desgraça e lixo, ainda tive um pretexto para sorrir... imaginando o tremendo pânico que a esta hora reinaria na redação do dito jornal (e doutros), assim muitos dos seus jornalistas tivessem a lucidez de apreciar a sua própria "redução de qualidade do trabalho".


Adenda: E a "meia hora" lá caiu mesmo... mas, evidentemente, a "queda" trazia muita água no bico...

Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012

O ego


Segundo o dicionário em linha da “Priberam”, trânsfuga (do latim transfuga, -ae), quer dizer:
1. Pessoa que deserta e passa para o inimigo. = Desertor
2. Pessoa que passa para o partido contrário, que renega o seu credo, abandona os seus deveres.

A História está coalhada de casos de pessoas que fizeram tudo isto pelas razões mais erradas... mas igualmente por pessoas carregadas de boas razões para o terem feito. Pessoas que visaram apenas interesses egoístas e venais, outras que procuraram acertar o passo com a História e com as suas convicções (ainda que mudadas).
Posto isto, devo dizer que o Partido Socialista tem, na minha singela opinião, um azar colossal com muitos dos trânsfugas que tem acolhido no seu redil, sendo ocioso ficar para aqui a publicar uma lista... o que, para atalhar caminho, nos leva ao caso de hoje: o presidente da Câmara Municipal de Loures, Carlos Teixeira.
Já teve aqui direito a um reparo, há uns tempos, pela pertinácia com que decidiu fazer-se rodear de membros da família, dentro da autarquia. Neste momento não sei em quanto irá já o número de filhos e filhas, primos, afilhadas, cunhados, genros, namoradas dos filhos, irmãos ou irmãs, que fazem companhia à presidencial esposa nos quadros autárquicos... mas deve ser respeitável. Para além de ser uma alegria para o feliz edil, que deve continuar a admitir que a coisa «pode parecer mal, mas não lhe pesa na consciência», como então afirmou.
Ora o que é que pode faltar a um presidente que goza de algum reconhecimento por trabalho feito (segundo a reportagem), para além do consolo de ter o seu “ambiente de trabalho” sempre cheio de família? Exactamente! Ter, ainda enquanto presidente da Câmara em funções, uma nova avenida com o seu estimado nome: “Avenida Carlos Teixeira”.
Pronto, pronto... eu sei que pelo facto de o homem assinar a aprovação do seu próprio nome para a nova avenida de acesso ao Hospital de Loures, não está a fazer mal a ninguém. Quer dizer... faria!... Faria a si mesmo, se o ridículo matasse. Só que, como bem sabemos, não mata.

Domingo, 15 de Janeiro de 2012

Beleza em estado puro


É um erro trágico pensar que a grande arte é apenas aquela que se pode ver enchendo as salas dos museus mais famosos. Que a beleza habita apenas os rostos que desfilam em passarelas da moda, envergando roupas requintadas, ou protagonizando filmes de Hollywood. Que a “música séria” é apenas aquela que nos venderam como tal.
É fatal pensar que o nosso método, aquele de que nos socorremos para abordar os nossos problemas - ainda que seja simplesmente como tocar uma vulgar guitarra - é o melhor.
É triste ganhar a soberba de pensar que já vimos tudo aquilo que é interessante.
A realidade encarrega-se de, a cada esquina da vida, nos dar essa lição.
Bom domingo!
Botswana Music Guitar – Ronnie


Sábado, 14 de Janeiro de 2012

A coisa escapou-se-lhe...




Custa-me sempre muito chamar-lhe José Gomes Ferreira... mas que fazer? O rapazola chama-se mesmo assim... paciência!
Lá estava ele, mais uma vez, pela milionésima vez, lamentoso, lamentando o lamentável facto de, perfeitamente a “despropósito”, no seu entender, já que todos os países da Zona Euro em apuros económico-financeiros, estão mais ou menos a cumprir as exigências que lhes são feitas pelos “mercados” e as troikas... vir a Standard & Poor’s cortar os ratings de uma mão cheia de países... e todos de uma vez.
Resultados imediatos e visíveis: uma neura generalizada nas várias bolsas nacionais, quedas nas cotações, Portugal considerado “lixo”... uma imediata subida do Dólar face ao Euro. O circo do costume.
E então, se foi o circo do costume, para que é que nos falas nisso? – perguntam vocês.
Porque hoje, ou foi da minha vista, ou repentinamente viu-se no estúdio da SIC uma luz branca e muito forte que desceu sobre o analista, acompanhada de cânticos celestiais... e o subitamente "iluminado" José Gomes Ferreira, como que tendo uma epifania... declarou:
- Isto já não são Finanças, isto já não é Economia... isto é Geopolítica!
A esta hora deve andar, pressuroso, à procura de uma bota que possa lamber, para se penitenciar por este pecadilho de linguagem contra o Império.

Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012

A verdadeira nata dos economistas...


Depois da colossal exportação de pastéis de nata que se avizinha... espero que, no fim de tudo, sobrem uns tantos já bem duros e azedos, para recompensar (de preferência bem em cheio) o ministro Álvaro, pela genial ideia que irá salvar a nossa economia.
É uma nova estirpe de “doença bipolar”: intercalar a canalhice com momentos da mais profunda idiotia!

Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012

Manuela Ferreira Leite – O asco


Decorria, na SIC-N, o programa “Contracorrente”. A pivot Ana Lourenço dirigiu uma pergunta diretamente a António Barreto:
- Perante esse diagnóstico e os oitocentos milhões... ou setecentos e cinquenta milhões... não acha abominável que se discuta se alguém com setenta anos tem direito à hemodiálise ou não?
Enquanto António Barreto ficou paralisado, embasbacado, sorrindo com a cara de parvalhão que se lhe conhece... a sempre ladina Manuela Ferreira Leite meteu rapidamente a colherada:
- Tem sempre direito, se pagar!
E foi por aí fora, debitando pela enésima vez a treta liberal segundo a qual não é possível ter um Serviço Nacional de Saúde gratuito para todos, e bláblábláblábláblá... o que traduzido quer dizer que o que resta de classe média ainda com algum poder de compra deve juntar-se aos mais ricos, para ajudar a engordar o chorudo negócio privado da saúde, deixando o SNS sem meios, entregue aos “pobrezinhos” e à caridade.
Acho que já gastei todos os adjetivos adequados a esta figurona do PSD... e à hora a que escrevo não está nada aberto para ir comprar mais. Mesmo assim, não posso deixar de dizer que estas declarações (pelas quais os visados, muito justamente, exigem um pedido de desculpas) deixaram no ar aquele cheiro nauseabundo que empesta tudo, que se cola à roupa, que dá volta ao estômago... como se estivéssemos a passar por Cacia, ou Vila Velha de Ródão, num daqueles dias piores.
Não vou também perder tempo a desejar que a ex-governante (que já ultrapassou os setenta anos) se veja na situação de precisar de hemodiálise... e não ter dinheiro para a pagar.
Dizer ainda que, das duas fotografias que tinha da dona Manuela em pose de “República”, estive muito inclinado a publicar a outra em que, tal como no célebre quadro de Delacroix, ela empunha a bandeira com os gloriosos seios desnudados... mas graças ao titânico esforço conjunto e capacidade persuasiva de todos os deuses do Olimpo, acabou por prevalecer o bom senso!




Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012

Um post egocêntrico


Hoje não escrevo nada contra, nem a favor de ninguém. Chamemos-lhe um microintervalo para alimentar o ego.
Reparei nos números do contador de visitas ao “Cantigueiro”, contador que não visitava há uns dias... e reparei que a coisa já passou o milhão de leitoresObrigado a todos pelo interesse!
Reparei também, desta vez num outro blog, que o “Cantigueiro” foi incluído numa lista de blogues que concorrem ao título de “blog de 2011”... ou algo assim. Claro que mesmo sabendo que o critério para a minha inclusão nessa lista nada tem que ver com o facto de os promotores gostarem ou não de mim, ou do “Cantigueiro”, antes se devendo exclusivamente aos números de que falo no início... sabe sempre bem!
E pronto! Não mexerei nem mais uma palha para que se vote, ou deixe de votar, em mim, ou seja em quem for... razão porque não divulgo como se desenrola a votação, ou, sequer, o blog onde isso se passa... com um pedido de desculpas aos donos desse blog.
Seja como for, como dizia o outro... só tenho um “adjectivo”: Gostei!

Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012

Estamos a ver perfeitamente...


Talvez para compensar a indefensável “transparência” com que foram colocados os amigos do governo na nova EDP... obviamente, a pedido expresso dos acionistas, e mais uma vez, presumo, com grande insistência pela parte dos chineses... que se não podiam passar sem Catroga, muito menos dispensavam Celeste Cardona & Cia... para compensar tudo isto, como dizia, chega-nos a notícia de que o governo decidiu abrir um portal na internet, onde podemos ver o que eles estão a fazer ao dinheiro dos nossos impostos. Um portal de «proximidade, pedagogia, envolvimento e transparência», garantiu a dona Marta Sousa, coordenadora da Informação Digital do Governo.
Os meus leitores e leitoras mais “sensíveis” ao velho vernáculo, que me perdoem… mas esta súbita vontade dos nossos governantes, de nos mostrarem o que estão a fazer ao nosso dinheiro, lembrou-me, irremediavelmente, uma estória passada há muito, lá para as bandas de Montemor, onde um velho alentejano - vamos chamar-lhe “Ti Francisco” – ganhava a vida transportando toda a sorte de mercadorias na sua carripana a cair de velha e podre.
O Ti Francisco era constantemente perseguido pela GNR, que não se conformava com o estado decrépito da viatura. Um dia, em mais uma das inúmeras “inspecções” de estrada, lá foi mandado parar, desta vez por causa de um espelho retrovisor preso por um arame e meio caído.
- Ó Ti Francisco... o senhor não pode andar com o espelho dessa maneira. Assim, acabo por ter que o multar – quase que se lamentava o guarda.
Atão e porquêi?
- Então e porquê?! Porque assim não vê nada para trás... e é um perigo...
Vêjo tudo muito bêm...
- Ai vê? Então vamos lá apreciar isso.
Encaminhou-se para a traseira da carripana, onde começou a esbracejar... e perguntou:
- Então, Ti Francisco... o que é que eu estou a fazer?
E o Ti Francisco, sem tentar sequer olhar para trás:
- Ora!... Tá a ver se me fodi...

Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012

René Magritte, Olympia... e Cavaco Silva


Leio que os ladrões que tinham roubado o quadro “Olympia”, avaliado em três milhões de euros e da autoria de René Magritte, devolveram-no. Desistiram de vender aquela obra, ao fim de dois anos de tentativas frustradas. Ao que parece, nenhum comprador do mercado negro quis arriscar a aquisição de uma tela tão conhecida do pintor belga e importantíssimo surrealista.
Embora muito mais discretamente, também há tempos tinha sido roubada toda a biblioteca de Aníbal Cavaco Silva, a qual foi, recentemente, igualmente devolvida pelos desiludidos ladrões. Pelo menos, ao que consta, foram três as razões que dificultaram a venda:
1. Cavaco Silva foi considerado demasiado “surrealista”.
2. A “biblioteca” era constituída apenas por um livro.
3. Praticamente todos os desenhos do livro já tinham sido coloridos por Cavaco.

Domingo, 8 de Janeiro de 2012

Barbara – Que não volte o tempo do sangue e do ódio!


Nasceu em Paris, no dia 9 de Junho de 1930. Chamou-se Monique Andrée Serf e era filha de judeus de origem russa. Esse “acidente” genealógico fez com que tivesse uma infância extremamente “animada” pelas constantes mudanças de local de residência... para evitar e excessiva “atenção” prestada pela Gestapo nazi (e pelos lacaios franceses do governo colaboracionista de Vichy) aos seus pais e demais judeus, durante o tempo da ocupação alemã em França. Gostava de cantar.
Gostava tanto de cantar, que aprendeu a tocar piano para se acompanhar. Aprendeu a fazer canções. Gostava tanto de cantar e fazer canções, que acabou por conseguir ser um dos maiores símbolos da canção francesa.
Começou a cantar com o pseudónimo de Barbara Brodi, em homenagem à sua avó russa, Varvara Brodsky. Antes de ter ganho coragem para apostar nas suas próprias obras, viveu de cantar canções dos reportórios de Edith PiafJuliete Greco, ou Jacques Brel. Logo depois, tornou-se apenas Barbara.
Em 1964, depois de grande insistência de um admirador, um estudante alemão da belíssima cidade universitária de Göttingen, acedeu, relutantemente, a deslocar-se àquela cidade alemã, para um recital. O entusiasmo e carinho da recepção foram tais, que o recital se transformou em uma semana de espectáculos. Durante o seu tempo livre na cidade, apaixonou-se pelos jardins, pela cidade... e pelas crianças loiras de Göttingen. Durante esses dias foi compondo e escrevendo uma canção que ofereceu ao público, no último espectáculo, chamando-lhe apenas uma pequena retribuição de amor.
A canção transformou-se num hino à reconciliação e à paz. Foi integrada nos programas oficiais das escolas primárias alemãs... e diz-se que fez mais pela reconciliação dos povos francês e alemão, do que muitos discursos.
Num tempo em que dezenas de anos de políticas erradas estão, por toda a Europa, a ressuscitar nacionalismos que (já sabemos) acabam sempre mal, faço minhas as palavras da grande cantora e compositora francesa.
“Claro que não é o Sena, nem o bosque de Vincennes, mas mesmo assim é muito bonita, Göttingen. Não há cais nem as nossas velhas canções arrastadas, mas o amor floresce da mesma maneira, em Göttingen. Eles sabem melhor do que nós, parece-me, a História dos nossos reis de França, Herman, Peter, Helga e Hans, em Göttingen. E que ninguém se ofenda, mas os contos da nossa infância “era uma vez...” começam em Göttingen.
Claro que nós temos o Sena, temos o nosso bosque de Vincennes... mas meu Deus, como são belas as rosas em Göttingen! Nós... nós temos as nossas manhãs pálidas e a alma cinzenta de Verlaine; eles... são a própria melancolia, em Göttingen. Quando não sabem o que nos dizer, ficam apenas sorrindo para nós... e conseguimos compreendê-las, as crianças loiras de Göttingen. E tanto pior para os que se espantam e que todos os outros me perdoem... mas as crianças são iguais, seja em Paris, ou em Göttingen.
Façamos com que nunca mais volte o tempo do sangue e do ódio, pois há gente que amo em Göttingen. Quando soasse o alarme e se tivéssemos que voltar a pegar em armas, o meu coração verteria uma lágrima por Göttingen.”

Bom domingo!  Em toda a parte... e em Göttingen.
Göttingen” – Barbara
(Barbara)



Sábado, 7 de Janeiro de 2012

Diplomatas e cavalheiros


Entendo pouco de política pura e dura. Então se for internacional... sou um verdadeiro parolo. De economia, para "compensar", ainda pesco menos. Um exemplo: para mim, incentivar projectos já executados, para além de um número de funambulismo, como lhe chama o Sérgio Ribeiro, é pura venda de banha da cobra, demagogia barata, aldrabice, etc. Pelos vistos, para quase toda a nossa comunicação social... não é.
Vem tudo isto a propósito de eu ter penado o meu bom bocado até perceber o que é que o Paulo Portas queria dizer com aquilo da “diplomacia económica”. Agora acho que cheguei lá... e a coisa tem que ver com os grados negócios do género passa para cá a EDP, toma lá o Pingo Doce, dá cá isto, toma aquilo... coisas de gente com muito “de seu”. Pelos vistos, é até uma coisa a que o senhor Presidente tem dado uma «extraordinária colaboração».
Durante alguns dias andei convencido de que se tratava ainda da estória dos submarinos e do negócio ruinoso para Portugal que foi a sua compra. É que, convenhamos, amigas e amigos, o facto de já haver uns tipos condenados na Alemanha, por, comprovadamente, terem corrompido e subornado uns portugueses “bem colocados” para facilitar a negociata dos submarinos... e mesmo assim não revelarem quem eles são... é de uma “diplomacia” comovente.
Os sempre mal intencionados, poderão argumentar que isso não passa da célebre “honra entre ladrões”, mas eu quero crer - e já que não se trata, então, da tal “diplomacia económica” - que é mais... “cavalheirismo”.

Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012

Pedro Osório (1939-2012) – Cantemos até ser dia!


Até sempre meu amigo!
Cantemos mais uma vez esta tua cantiga. Porque é fantástica (não éramos todos?), porque estou no coro com a Joana, a Madalena, o Carlos, a Maria. Porque nos divertimos muito. Porque valeu a pena o nosso "SARL". O Grupo Outubro. Os milhares de quilómetros de canções. O teu piano acompanhando a minha voz. A tua "inegociável" qualidade. A interminável curiosidade. A alegria. Porque valeu a pena... tudo.
“Cantemos até ser dia” – Teresa Silva Carvalho
(Pedro Osório)



Repor a “verdade”...


As más línguas são uma raça malina! Então não é que já andavam para aí a dizer que o destaque que Eduardo Catroga teve na cerimónia da venda em saldo de parte da EDP era “um mistério”? Então não é que agora, confirmado o genial reformado – qualquer reformado que consegue ter uma reforma de 10.000 euros e ainda manter não sei quantos empregos pagos principescamente... deve ser um génio! – confirmado então Catroga, como ia dizendo, no lugar de novo chairman da não sei o quê da EDP... andam a insinuar que isso tem que ver com Passos Coelho, pagamento de favores, o diabo a sete?
Mentes porcas!
Felizmente, estou em condições de repor a “verdade dos factos”, já que um amigo chinês me confidenciou o segredo da coisa: há vários anos que o governo da China segue a fulgurante carreira de Eduardo Catroga... e estavam apenas à espera de um pretexto para o contratarem. Foi mesmo só por isso que compraram a participação na EDP. Digo eu...

Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012

Domestica lá esta, ó Lima!



«Uma informação não domesticada
constitui uma ameaça com a qual
nem sempre se sabe lidar.»
(António Ferro… perdão, Fernando Lima)

Ora digam lá se o meu “engano” no nome do autor desta frase não se justifica plenamente! Confessem lá que a frase ficava muito bem na boca de António Ferro, o homem da propaganda de Salazar!

Só que não é dele. Na verdade, como já tive ocasião de emendar aqui em cima, a singela frase é da autoria de Fernando Lima, ex-jornalista e ex-várias coisas do “nosso” Cavaco Silva, sendo que presentemente é não sei o quê do Presidente. Consultor de qualquer coisa... parece.

Acrescenta, no texto em que produziu esta pérola, mais umas ideias fantásticas sobre o primado da “imagem” dos políticos, sobre os conteúdos e ideias, acrescidas de conceitos para «combater os desvios da mídia (?)» com aquilo a que chama de «manipulação pela inundação», aproveitando ainda para realçar a utilidade das «fugas de informação para produzir um efeito de acordo com o objectivo que se pretende alcançar», mais uns vivas à perfeita gestão da imagem de Ronald Reagan... e mais uns “trocos”.

Podia surpreender pela assumida “filhadeputice” moral e ideológica... mas não surpreende. Todos estamos lembrados de que foi ele o autor da “plantação” na opinião pública (com a ajuda do pasquim de Belmiro de Azevedo), da ideia de que o governo fazia escutas ao Palácio de Belém, uma inventona que manteve os jornais e televisões numa atividade frenética, durante uns bons tempos.

Assim como também já não surpreende a inaudita pontaria que Aníbal Cavaco Silva tem, no que toca a escolher os seus principais funcionários, consultores, conselheiros, ministros, secretários de estado...

Cavaco poderá não ter muitas qualidades, mas há que reconhecer que se movimenta com grande à-vontade no meio da lama e entre estes bicharocos.

Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012

Grã



Pese embora o ar de virgens no meio do bordel com que, tanto Alexandre Soares dos Santos (patrão da Jerónimo Martins, dona do Pingo Doce), como outros patrões de outras grandes empresas (esta pulhice é generalizada) juram em coro estarem apenas as mais puras intenções por detrás das suas fugas de capitais e de sedes de empresas para “paraísos fiscais”, mentindo... perdão, afirmando com quantos dentes têm na boca, não se tratar de uma fuga generalizada aos impostos, mas sim blábláblá... a realidade vai-nos dizendo, imperturbável, que até hoje ainda não se encontrou praticamente mais nenhuma razão para estas deslocalizações selvagens, a não ser, claro, os baixos salários, o que não é o caso da Holanda, o país em causa nesta notícia, sendo que, normalmente, estas novas “empresas” criadas nestes paraísos mafiosos, quase nem funcionários têm.

Portanto, sendo um dado adquirido as vagas de fuga de capitais e sonegação fiscal conseguidas por este meio (nem a pública Caixa Geral de Depósitos escapou à tentação!), a única coisa que espanta é a empáfia com que o calhordas do tal Alexandre Soares dos Santos do do Pingo Doce, tem passado a vida nas televisões e jornais, dando lições de moral a governantes, trabalhadores e empresários... a bem da nação e da sua imagem de “grande, impoluto e sábio empreendedor português”.

Dizem os registos que em 2000 este indivíduo foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, “pela prestação de serviços relevantes a Portugal”, sendo que logo depois, em 2006, foi mais uma vez agraciado, desta feita, e em “reconhecimento dos seus atos em favor da colectividade”, com a Grã-Cruz da Ordem de Mérito.

Enquanto não for possível aprovar leis que impeçam esta pouca vergonha, não será possível, por agora, “agraciá-lo” com um balde de qualquer coisa... desde que seja também num formato bastante “Grã”?