blogzine da chili com carne

Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Caminhando com Samuel, livro de bd de Tommi Musturi, a sair pela MMMNNNRRRG comercialmente para a semana!

ccc@avant-comic


Vamos dar um saltinho a Madrid ver a Avant Comic - Encuentro Internacuional de Comic de Vanguardia, evento co-organizado pelo autor Max e que é feito de debates e apresentações. Será uma oportunidade para estar con quien nos gusta como os grandes Baudoin e José Muñoz, e futuros-grandes do colectivo Canicola e Tommi Musturi - que como já desconfiam há novidades dele pela MMMNNNRRRG. Como assim? Ainda não reparam?

A Associação Chili Com Carne procura novos autores de bd para antologia!!

- ilustração de Ricardo Martins -

Eis a proposta: Costuma-se dizer que nos anos zero dos séculos (e dos milénios) não costuma "acontecer nada" que marque a História. Engane-se aquele quem quiser ser enganado porque pelos menos desta vez, os dez primeiros anos do Novo Milénio foram cheios de acontecimentos trágicos e geradores de paradigmas.
É neste espaço que propomos uma antologia de bd que não querendo ser um documento histórico dos primeiros 10 anos do milénio 2000 nem um compêndio de futurologia bacoca, quer apanhar pelo menos 10 novos autores da banda desenhada portuguesa para refletirem a sua existência nestes tempos "estranhos" (os tempos não são sempre estranhos?) já que a produção nacional, devido a demasiados defeitos para agora aqui referir, quase nunca reflecte o zeitgeist.

Pedimos trabalhos
- de bd
- pelo menos de 4 páginas, sem limite máximo (a dimensão do livro será 16,5 x 23 cm)
- a duas cores (entregar em CD, ficheiros TIFF com layers das cores separadas)
- a autores portugueses (residentes ou não) ou autores estrangeiros residentes em Portugal (temporáriamente ou não)
- com menos de 30 anos (mas pode desenvolver parcerias autores com idade superior, quer em argumento/texto quer na parte gráfica)
- e sem trabalhos profissionais monográficos publicados
- para trabalharem num tema lacto senso como este "entre 2001 e 2010"
- com ou sem astrologia barata ou kabalas ou outras superstições do século passado!
- evitem enviar caricaturas do Bush/Osama/Obama que não estamos para aí virados...
- e entreguem no dia 30 do mês de Outubro do ano do Senhor de 2009!

AH! - num ficheiro à parte enviem traduções em inglês, sff, que pensamos ter a edição bilingue (português / inglês no fundo das páginas)
Ah! (2) - oferta de 10 exemplares a cada participante inscrito na CCC (5 exemplares caso não faça parte da CCC)
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Destruição ou bd's sobre como foi horrível viver entre 2001 e 2010
antologia de BD, volume 10 da Colecção CCC
PVP previsto: 10€ (50% desconto para sócios)
para lançar em Dezembro 2009 ou Janeiro 2010
apoios da Câmara Municipal de Cascais, Hülülülü e Instituto Português de Juventude

Sábado, 3 de Outubro de 2009

Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Seitan Seitan Scum


Este ano havemos de ter um novo número do Mesinha de Cabeceira com trabalhos de projectos frustrados pela inércia alheia, e uma série de trabalhos novos sobretudo vindos do outro lado do Atlântico. 
São ilustrações e bd's de Bruno Borges (imagem), Pepedelrey, Filipe Abranches, José Smith, Pedro Zamith, Mike Diana (EUA), JCoelho, André Lemos, José Feitor, Daniel Seabra Lopes, Silas e convidados especiais das revistas Prego (Chico Fêlix, Guido Imbroisi e Alex Vieira) e Samba (Gabriel Mesquita a solo e com argumento de Biu, e Gabriel Góes com LTG), e ainda Roberta AR, Stevz e o Fábio Zimbres com argumento de Marte
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A edição será pela El Pep com o apoio da Chili Com Carne
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estejam atentos...

Quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

The gleaming armament of marching genitalia



A MMMNNNRRRG volta a editar um número do zine Mesinha de Cabeceira, desta vez voltando à monografia iluminada, que mostrou no passado o Nunsky (#13, esgotado, PDF gratis), a Isabel Carvalho (#41, quase esgotado), o Mike Diana "em longa" (#15, quase esgotado) ou a recuperação gráfica do André Lemos (#16, esgotado)
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O autor deste volume é João Maio Pinto, grafista pouco bruto no trato social mas que já se exigia um álbum a solo. O trabalho é pesado e claustrofóbico, de galhos narrativos partidos e morbidez indesejada
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O livro de tamanho grande (é um A3) e de papel grosso (350g a capa e 300g o interior) tem um efeito mágico ao ponto de já temos reacções tão díspares vindo de Góticas de botilda preta como de um puto ucraniano de 11 anos que estava completamente maravilhado com as imagens - o puto estava tão excitado com o livro que lhe oferecemos porque, "fuck!", há caras que não enganam e que podemos ver os corações, mesmo no nosso século da desumanização
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ISBN: 978-989-95447-6-5
PVP: 10€ (50% desconto para sócios da CCC, jornalistas e lojas)

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Historial: Lançado no Festival Internacional de BD de Beja 2009 ...
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Feedback: Maio Pinto é uma espécie de respigador cultural, sobretudo visual, mas não só. Procura instituir uma dimensão multisensorial com os seus desenhos. A ideia de floresta não está somente presente em termos representacionais (...), como em termos conceptuais, se nos recordarmos da expressão de Umberto Eco sobre os “bosques da ficção”, onde dá vontade nos perdermos. in Ler BD ...

O papa da BD alternativa


Foi publicado no Café Babel um artigo (traduzido) em português sobre o autor italiano Gianluca Costantini - para os mais distraídos ele é editor da Inguine, responsável pelo festival Komikazen (que acontece este mês), participante no Mutate & Survive e na exposição itinerante åbroïderij! HA! - exposição que já esteve nos Maus Hábitos, Casa da Animação, Biblioteca de Abrantes, Festival Outfest e que segue para a Bedeteca de Beja, em Janeiro.
O autor já esteve presente em Lisboa, corria o ano de 2006 - boas/ más memórias aqui.

PRISON STORIES

Prison Stories de Igor Hofbauer, editado pela MMMNNNRRRG.

terceira edição, aumentada e melhorada, EM INGLÊS, com uma tiragem de 500 exemplares de 120p. a preto e branco + belo vermelho. Dim: 16,5x23cm. Papel: Renovaprint Creme 100g. Capa mole 240g Cromo.
isbn: 978-972-88527-6-3
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Ver algumas páginas aqui.
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o livro encontra-se à venda no site da Chili Com Carne, Cave, BdMania, Fábrica Features, Flur, Kingpin Books, Letra Livre (Lisboa), Dr. Kartoon (Coimbra), Mundo Fantasma, CDGO.com (Porto), Rastilho (mail-order), Shop Suey (Leiria), Matéria Prima, Corndog (UK), Neurotitan (Berlim), Le Feu Rouge (Poitiers), Casa Ruim (Torres Vedras), Pitkämies (Helsínquia).
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Sobre o livro: Apesar dos esforços do colectivo esloveno Stripcore em divulgar a bd da "outra Europa", parece que poucos autores têm-se afirmado na Europa de Leste. Para além dos sérvios Aleksandar Zograf e Wostok e o esloveno Jakob Klemencic, estranhamente não tem havido muitos mais autores que tenham impressionado ou saltado como referências no amplo mundo da edição de bd alternativa. O croata Hofbauer será um dos autores que provavelmente irá compor mais o quadro.
Conhecido pelos seus cartazes de concertos Rock do clube Močvara que, segundo reza a lenda, empestam a cidade de Zagrev, é muito recente a sua escolha criativa ter recaído para a bd - apesar dos cartazes terem sempre mostrado apetência para o figurativo da bd Pop-Vintage. Aliás, este seu primeiro livro é uma antologia de sete histórias - na primeira edição, pela Otompotom de 2006, só haviam três bd's - que resumem a sua obra bedéfila. Algumas tem apenas 4 páginas outras vão pelas 30 acima. Duas delas publicadas na revista Stripburger e republicadas em outras revistas pelo mundo fora - e já agora, uma delas foi mostrada na confusa exposição da "bd do resto do mundo" no Festival da Amadora em 2006.
Tendo como elo comum a prisão ou a falta de liberdade em ambientes que invocam o totalitarismo (seja ele comunista ou capitalista) e o seu folclore: uma história relata sobre uma cantora romântica do regime que canibaliza outras artistas, outra bd é sobre uma banda Rock que percorre os tempos em que o Rock era proibido nos países comunistas, passando pela "abertura de Leste" até aos massacres dos Balcãs, e por fim, mais uma alegoria Pop que envolve um macacoíde junkie e um simulacro do Andy Warhol. O texto em inglês tem algumas gralhas, algumas semânticas que dão ainda mais estranheza à coisa.
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sobre o autor: Igor Hofbauer (Zagreb, 1974) is an underground illustrator, comic artist (member of the collective Komikaze) and poster drawer - well known for his work for the Club Močvara. He graduate painting on the Academy of Fine Arts in Zagreb. As an artist Hofbauer finds in underground music scene very close to his mode of expression not just as an isnpiration for his visual art but also as a musician (he's a drummer). He composed music for several dance productions. He has exhibited his works in Italy, Slovenia, Croatia, Greece, Netherlands and Portugal. Hofbauer's poster was included in the respectable book The Art of Modern Rock : The Poster Explosion (2004) which include the finest work from more than 350 international studios and artists. Together with writer Edo Popović, Hofbauer published four volumes of illustrated stories: Klub, Ako vam se jednom..., Gospa od Bluda and Betonske priče.
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Historial: lançado internacionalmente no Festival de BD de Angoulême (Jan'09)... lançamento nacional português na CHILI com apresentação de David Soares (04.04.09)...
feedback: great antologic volume of short stories in the same nocturnal world printed in grey, black and some red touches... hipnotic, magical and intriguing Passenger Press we totally sold out of Prison Stories at Brighton ZineFest, it caused a real storm! Corndog Este livro encerra um conjunto de histórias cujos elementos de união são situações de cativeiro; físico e psicológico. Simbólico, Prison Stories possui um sentido estético que, às vezes menos e às vezes mais, me remeteu para alguma arte gráfica soviética. David Soares As linhas de força dessas criações, nitidamente influenciadas pelo trabalho de Aleksandr Rodchenko e do Construtivismo soviético, (...) com o preto e branco a organizar-se de modo equilibrado, separando claramente texto e imagem, com o vermelho a assinalar elementos dissonantes ou em destaque e com os traços oblíquos a definirem a estrutura de vinhetas e pranchas. As histórias de Hofbauer convocam reflexões sobre a sociedade, medos inerentes à condição humana e várias situações identificáveis com o antigo Bloco de Leste, mas sempre passíveis de uma abstracção universalizante. Sara Figueiredo in Ler C'est trés bien ce bouquin Jean-Christophe Menu (L'Association) The book is frankly terrifying. Not in a ‘goblins are going to eat my skull’ way, but a ‘humanity has deserted all bonds of allegiance’ way. Last Hours it's a great looking book and I really like this artist's drawings and design Alvin Buenaventura I think that Prison Stories is created by the mind of an image maker. It is a story that TALKS through the pictures. It reminds me of a logic of a dream - dreams are usually just a series of images that have their own unique pace and logic, almost like a poetry Aleksandar Zograf

10 CCC - comemoração 9: Noitadas, Deprês & Bubas


«É extremamente díficil escrever um livro medíocre. O livro conseguido está na ordem do dia. Falhar em literatura é um gesto de pura rebeldia. Um péssimo romance é um acto de terrorismo. Só uma miopia extrema, ainda assim fàcilmente corrígivel, pode conduzir ao desastre. A possibilidade de errar foi reduzida ao mínimo indespensável que mantém as aparências e evita o escândalo. Só nos resta escrever livros certos e vendê-los a um público certo. Um público obedientemente entusiástico e atento. (...) O que antes era puro empirismo ou um difuso ritual feiticista tem agora um método de infabilidade. A improvisação e o gesto institivo estão desactualizados. Pior, são nefastos. O escritor deve actuar com rigidez e concisão. O êxito é a meta. O êxito é a única saída.» - Artur Portela, filho in Feira das Vaidades (Atlântida Editora; 1959)
É com palavras da juventude de "alguém que foi para a Alta Autoridade para a Comunicação Social", que apresentamos um livro novo de Marcos Farrajota. De novo quase nada têm, a não ser uma bd inédita de 10 páginas (para o #5 do zine A Mosca que nunca chegou a sair), porque o livro insere-se na colecção Mercantologia, uma colecção da Chili Com Carne dedicada à reedição de bd's perdidas no mundo dos zines.
São bd's autobiográficas de Farrajota, publicadas entre 1995 e 1997, nos números (esgotados) 6 ao 12 do Mesinha de Cabeceira, antecedentes ao É sempre demais... (Lx Comics #2, Bedeteca de Lisboa; 1998), apresentam o grosso da exploração da autobiografia no seu trabalho. Género esse pouco habitual em Portugal, mesmo depois do "boom" e da implosão da bd portuguesa, ao qual o autor acabou por subverter e abandonar gradualmente.

E como na vida, há de tudo nestas bd's: sexo juvenil, amores de recorte Primavera/Verão, uso de drogas leves, vida suburbana em Cascais, relações sociais (envolvendo desde vários autores de bd a músicos como os Primitive Reason), deambulações urbano-filosóficas de quem andava à toa, rapinanços de conteúdos alheios (Mão Morta, Julie Doucet, Einstürzende Neubauten, Madman) e participações alheias de amigos - como acontece na bd Die Fliege II com textos de Miguel Caldas.
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volume 3 da Colecção Mercantologia ... 72p. p/b 21x22,5 cm, capa a cores, edição brochada ... com prefácio de Daniel Lopes e apoio técnico de Pepedelrey
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Apoio: Instituto Português de Juventude
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algumas páginas aqui.
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PVP: 8€ (50% descontos para sócios CCC).
à venda no site da CCC e na BdMania, Cave, Fábrica Features, Matéria Prima, Mongorhead, XM, Mundo Fantasma, Central Comics, Utopia (Porto), Ao Sabor da Leitura (Moura), Dr. Kartoon, Livro do Dia, Kingpin Books, Rastilho (mail-order), Shop Suey, Letra Livre, Neurotitan (Berlim), Casa Ruim (Torres Vedras), Para-Livro (King + Mercado da Ribeira) e CDGO.com.
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historial: Lançado na 10ª Feira Laica ... Nomeado como Melhor Argumento Nacional pelos Troféus Central Comics

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feedback: Os meus sinceros parabéns por teres sempre conseguido pôr a alma a nu, sem concessões nem comiseração! Ondina, The Great Lesbian Show ... É excelente sem favor! Belo trabalho! João Chambel, co-autor de Heróis da Literatura Portuguesa ... os registos variam, da autobiografia à crítica ou ensaio sarcástico, a fantasias sexuais. Também em termos formais ultrapassa o desenho para explorar a colagem, faz citações a partir do uso de fotografias, bocados de outras b.d.’s (caso do período gigante da Julie Doucet ou capa do Kill Your Boyfriend), letras de música, cartões da J.S., que cruza com apontamentos do seu diário gráfico. Afonso Cortez-Pinto in Umbigo [ler aqui artigo completo] ... é o delírio, mesmo! excelente a tua ideia de compilares tudo e editares. dei comigo a rir sozinho enquanto via o teu livro (e a rever-me em algumas das situações ;) tens ali um documento de grande fôlego (e talvez seja o livro de BD menos pretensioso que alguma vez vi ;) e isso dá-lhe uma força brutal. agora é pensares numa compilação "não tavas lá?!" e coleção de discos UnDj... daqui por mais um 10 anitos!! Nuno Moita, Grain of Sound


+ feedback: Acho que agora te fiquei a conhecer perfeitamente! Eh, eh, eh! Tiago Guillul, FlorCaveira ... é necessário tomar em conta que os acontecimentos retratados nestes pequenos episódios, alguns solitários – a própria criação dos trabalhos, a masturbação, as migalhas, as paranóias dos charros, as fantasias mentais, as reflexões sobre a vida – outros colectivos – saídas à noite, festas, concertos, passeios, férias, conversas – vivem em torno de uma cultura noctívaga, de um certo grau de rebeldia em relação à imposição da “normalidade social”, de uma ansiedade em relação ao futuro e àquilo a que nos parece obrigar, que se revela no próprio modo de trabalhar a banda desenhada: os traços nervosos, a flutuação dos estilos, as complicadas ou grotescas composição de página, as inclusões de material alheio (...), as diatribes contra a “normalização” aventada acima, etc. Pedro Moura in Ler BD ... Gostei muito, irmão! Bacana! Jakob Klemencic, autor esloveno de férias em Curitiba! ... O livro está do caralho!! Lembro-me de uma ou outra coisa mas ler tudo de uma só vez é completamente diferente. Li aquilo em duas vezes e a meio já ganhava o hábito de andar a rodar o livro para ler as letrinhas no fundo e referências. Acho que as histórias funcionam bem melhor num todo do que fragmentadas! Gostei particularmente da do ano 2000, o pesadelo da droga (ainda sonho com isso!!) e aquela sobre nosso Portugal está brilhante (mesmo que tenhas gamado o texto!). A do Salão do Porto fez-me lembrar montes de coisas dessa altura, acho que esse foi o melhor festival que fizemos cá! Está tudo muito porreiro, desde a história das calinadas (hehe) até às desventuras amorosas. O problema da BD autobiográfica é o de se descobrirem os podres todos: vodka na cona é naquela... mas cartões do PS?? arrggghh Hei, quando é que sai o próximo?? Rui Ricardo, ilustrador ... parecem polaroids dessa década. muito fumo de charros, mão morta, fantasias na carreira do 414? sem guita, música em altos berros, existencial. um trabalho interno rico e muito interessante que não começa nem acaba com este livro. in thefootballer-vs-thepugilist.blogspot.com ... it's crazy. I liked it. It is something in between Andrea Pazienza and Edika MP5, ilustradora italiana ... pura “BD Gonzo”, híbrida entre o egocentrismo de Hunter S. Thompson e a semi-psicopatia de Larry David David Soares, escritor ... gostei do livro, acho que foi mesmo boa ideia compilar tudo numa mesma edição. Apanhei uma valente gripe (...) e as primeiras gargalhadas, foram provocadas pela leitura de tiradas tuas decorrentes das vicissitudes da tua lúgubre existência. A “tua dor de braço” ser uma possível doença psicossomática resultante da tua timidez, quase que me deslocava os maxilares. Paulo, Division House MAS COM RESPEITO AO TEU LIVRO, ESTA LIDO E DIGERIDO. (...) FIQUEI COM BOA IMPRESSAO DO AUTOR. UMA PESSOA HUMILDE, QUE DEMONSTRA CUIDADOS MUITO HUMANOS NO TRACTO COM OS OUTROS, ESPECIALMENTE COM AS MULHERES; QUE DEMONSTRA INTERESSES ALTRIUSTAS PARA ALEM DO CULTO DA POPCULTURE, UMA GRANDE QUALIDADE EM DEGENERAÇAO NOWADAYS; QUE DEMOSNTRA SABER COMUNICAR-SE COM O MEIO FISICO E SOCIAL INTERCAMBIADO AS SUAS FRAILIDADES E DEBILIDADES (UMA VEZES MELHOR OUTRAS VEZES PIOR É CERTO), O QUE O MANTEM NUM PROCESSO CONSTRUTIVO DE AMADURECIMENTO E CRESCIMENTO EXISTENCIAL MUITO VALIOSO; ESSENCIALMENTE DEMONSTRA GRANDES QUALIDADES PARA DOMINAR UM TIPO DE DESENHO LIVRE QUE EU PARTICULARMENTE APRECIO EM CONJUNTO COM O SEU GREEDY MEAN WAY EM QUE SE AUTO-CRITICA TORNAM O TEMA "EGOCENTRISMO" MUITO INTERESSANTE IN A FUNNY WAY, E ATÉ EDUCATIVO, E A LEITURA VIVA, RICA E ...ESSENCIAL! VERA SUCHANKOVA ... Gostei muito do teu livro, o periodo em que foram escritas as tuas histórias corresponde à altura em que vivi em Lisboa e identifico-me com muitas das coisas de que falas(música, timidez, charros, copos, filmes....) André Ferreira, Ao Sabor da Leitura / Goran Titol ... Back then, the guy was young; he thought important to write down the names of fave bands as many times as possible (the way less creative colleagues do on schoolbags and tables (...) occasional innovative solutions in using and combining words and pictures, that several times reach across the standard comic language in Stripburger #48... Bom, o pacote chegou (...) Caí primeiro no seu porque foi uma surpresa, não esperava por isso, não sabia que você estava preparando um livro e é realmente muito bom, ainda estou nele. (...) parabéns pelo livro. Fábio Zimbres
...
Entretanto o pessoal começou a contar histórias de "coincidências das nossas vidas" que acho hilariantes - ler aqui a primeira.

Scorpio Rising : Transgressão Juvenil, Anjos do Inferno e Cinema de Vanguarda

eis um livro que deveria ter saído já à algum tempo na colecção THISCOvery CCChannel se em Maio deste ano não tivesse havido uma verdadeira "Kenneth Anger-Mania" (de repente toda a comunidade artística de Lisboa conhecia Anger!), graças ao ciclo dedicado ao autor na Cinemateca de Lisboa, Fundação de Serralves e Galeria ZDB, onde o artista norte-americano esteve presente
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Sinopse: Kenneth Anger é um realizador controverso, com múltiplas linhas de ambiguidade, numa teia de símbolos e significados, de paradoxos, de ícones, e de manipulação violenta do imaginário. Ondina Pires (ex-Pop Dell'Arte, The Great Lesbian Show), faz neste livro ensaístico uma reflexão riquíssima sobre vários aspectos da cultura underground do século XX. Embora se centre numa análise de um filme do mítico realizador este livro é muito mais do que isso, uma vez que todos os aspectos invocados no seu filme são explorados a fundo por esta autora. Temas como os gangues, a violência, o Cristianismo, o Nazismo, a máquina, a civilização motorizada, os Estados Unidos, a apropriação de imagens, o cinema, a banda desenhada, a velocidade, o século XX, são tratados de forma fecunda e multilinear. Este livro cativará todos os que se interessem pela cultura enquanto local de aparição de fenómenos extremos.
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capa de
João Maio Pinto, design por Ecletricks, prefácio por Carlos Vidal
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152p. 22x16cm, capa a cores
ISBN: 978-989-95447-3-4
PVP: 12€ (50% desconto para sócios, jornalistas e lojas)
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o livro encontra-se à venda no site da CCC, Two Tone Store, Leitura (Fundação Serralves), Cinemateca, Letra Livre, Cave, Casa Ruim, Fábrica Features, Matéria Prima, Flur e CDGO.com
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historial: lançado a 15 de Maio de 2009 na ZDB com a presença da autora, Carlos Vidal e Fernando Cerqueira, juntamente com o número nove da revista Acto

Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Big in Japan (II)

Serve este "post" para anunciar que esgotamos estes títulos de origem nipónica:
- Daisy et Violet de Takayo Akiyama deve ser a melhor coisa que a editora Cambourakis tem em catálogo tal o "non-sense" oriental que é impossível de decifrar embora dê bastante gozo acompanhar as duas irmãs siamesas. O estilo de desenho foge aos cânones que estamos habituados a vir do Japão. Talvez pela artista viver em Londres explique isso. O corpo dela está por lá, a cabeça é que ficou no Japão - imagem estranha, bem sei...
- Mademoiselle Takada de Kikuchi Hironori, pela Humeurs, que mete ao barulho uma velhota que vê espíritos de crianças mortas e o catano - "katano" podia ser japonês, não? Desconfio que seja outro japonês que tem uma parte do corpo no Ocidente, só não sei qual...

Terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Bordados em Crack

Eis um bizarro artefacto urbano criado no Crack 2009, com as participações em regime de cadáver-esquisito de Aleksandar Zograf, Nina Bunjevac, Vladimir Palibrk, Anna Ehrlemark e Franco Sachetti - alguns dos autores que estão na antologia Crack On - eu acho que fiz os dentes mas já não me lembro! Fizemos durante a tarde de sexta-feira (creio) a lápis no tecido que Gordana Basta bordou mais tarde.
Já agora recordo que já há poucos exemplares do livro e que a distribuição foi ainda mais limitada que o normal. Se estiver interessado só pode ir aqui.

Domingo, 27 de Setembro de 2009

Cereais CriCa?


Depois do vídeo, os cereais? Onde isto irá parar!?

Destruição em Cascais

A Chili Com Carne prepara uma nova antologia de banda desenhada para lançar ainda este ano - a ideia foi apresentada ontem, no Jardim Visconde da Luz em Cascais, no meio do caos das actuações de VRBLS e Feedback My Homeboy - concertos que decorreram pelas 18h. Desde as 16h, a CCC esteve no Jardim com as suas edições e dos seus associados (Bela Trampa, El Pep, Hülülülü, Imprensa Canalha, MMMNNNRRRG, Opuntia Books) para mostrar trabalho feito e explicar de forma pessoal o que se pretende desta nova antologia.



E foi "destroy"! No meio de uma feira de Eco-biológico da treta - pouca ecologia muito artesanato urbano vulgar - conseguimos as gentes de bem em Cascais contra nós, tendo até alguns chamado a polícia para investigar o ruído que se tocava no jardim Visconde da Luz. Como tudo foi feito nas maiores das legalidades, com todas as licenças exigidas, as tias tiveram de engolir. Assim conseguimos um público de gente estranha que nunca pode ver coisas estranhas numa vila dedicada ao turismo e cultura "clean". O começo desta sessão de fotos de tlm deste "post" começou por causa de um casal em euforia de narcisismo. Ele começou a tirar fotos da namorada em posições "sexy do calendário da oficina" com os VRBLS por detrás. Estranho? Mais virá...



Os Feedback my Homeboy em acção, pedais e distorção!



o seu público incluia os muito respeitáveis homens do lixo, o poeta Dionísio, uma velhota "freak-chic" que adorou as duas actuações (um concelho não pode viver só de Pimba e Rego), o Vice-Presidente Martins (da CCC! posto desta forma poderia ser da Junta de Freguesia bem sabemos), a Vogal Borges, um elemento dos The Sound of the Typewriters e...



um puto tótó mas com uma impressionante t-shirt dos Motorhead! Desconfiamos que ele não conheça os Motorhead nem que o possamos considerar público porque ele estava sempre a passar de bicla à frente da banda e em círculos pelo jardim...



eis uma foto com parte da Feira, da nossa banca e do Dionísio, um pai e filha (ela está escondida por detrás dele nesta foto) que se interessavam por bd e zines:



Os VRBLS em acção - ah! é verdade, os concertos como já repararam não foram acústicos, afinal, se o conceito é "Destruição" tinha de ser eléctrico, certo?



O público inclui uma bifa trintona, uma família montada em bicicletas, alguns junkies e uns betos que começaram à estalada. Cascais é demais!!! De certa forma, para mim, senti que tinha sido um regresso (com 10 anos de distância) a isto.



Resta dizer que apesar de esta acção de divulgação da Destruição ter sido pouco produtiva, já começaram a aparecer autores interessados na antologia, a saber: José Smith, Silas, Afonso Ferreira (com Nuno Saraiva?), André Coelho (com David Soares?),... esperamos pelos trabalhos!!!

Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Danke... Neurotitan

 

Pelos vistos é mais fácil ter destaque em Berlim, na excelente loja / galeria Neurotitan, do que em Portugal... Até livros em português são aceites!

Porno Tapados


Paloma Blanco fez a revista mais divertida dos últimos tempos! Pegou nas Ginas e Tânias de Espanha (revistas pornográficas para quem é da geração cyber-porno) e pintou por cima das gajas a exibir a genitalia ou dos gajos e das gajas no "malhanço". Assim, colocou a tipa em orgasmo total a estufar um frango (escrevo sem qualquer tipo de trocadilho ordinário, a sério!), o garanhão a lavar pratos, a sequência de duas lésbicas a tocarem instrumentos (vá lá, vá lá, vamos lá parar com essas piadolas! instrumentos musicais!), o "menâge-a-trois" numa séria sessão de leitura de livros, ou ainda um fornicanço foi transformado num senhor que fuma com ar muito inocente. Porno Tapados (Belleza Infinita; 2009) já vai na segunda edição, e chega a Portugal via Chili Com Carne (com carne? cheira a porno-chachada!). Se a Arte nos dias de hoje cansa de tão pouco divertida, tinha de haver alguém com ideias fixes. It's a dirty job,... oh não, querem piadas com "job", não é?
está à venda no site da  Chili Com Carne (20% desconto para sócios) - e já agora várias pessoas (das mais insuspeitas!) já levaram o seu exemplar!

Terça-feira, 22 de Setembro de 2009

Cambourakis


Já tinha dado a dica mas é oficial que temos o catálogo (cada vez menos) completo da editora francesa de bd Cambourakis - onde este ano, José Carlos Fernandes teve A Pior Banda do Mundo editada na língua do De Sade. 

pedidos via e-mail até conseguirmos colocar na shop da CCC.

Domingo, 20 de Setembro de 2009

Estudiosos del Tema


Conhecemo-nos no Crack, a ET, editora/ colectivo de Barcelona, com a qual trocamos as nossas edições. Assim trouxemos o seu catálogo completo em que se destaca La Cruda, revista cheia de pintura figurativa, ilustração pós-Pop e bd non-sense, em formato quadrado, impressa a cores, oferece sempre qualquer coisa no seu interior (um CD de música, um poster,...). De alguma forma lembra a antologia americana Blab mas com muito menos bd.

entretanto chegou-nos o zine-em-forma-de-jornal La Kruda #1 que podemos oferecer a quem comprar qualquer um destes títulos - escrever pedido para ccc@chilicomcarne.com. A oferta é limitada ao stock existente.

Big in Japan (I)

Na CHILI tínhamos uma secção intitulada de Big in Japan. Porquê? Bom... podem ler aqui uma explicação "silly-season" ou então a explicção práctica: pura e simplesmente porque fomos acumulando material de editoras com material nipónico. Entretanto com o espaço fechado começamos a "passar" este material para o site da CCC.

De todas a que se dedica a 99% do seu catálogo a publicar bd japonesa alternativa em França, é a Lézard Noir. E daqui, o nome que salta mais à vista é Suehiro Maruo, o mestre do ero-guro (erótico grotesco) dada a quantidade de títulos que se encontra nesta casa editorial. Conhecido no Ocidente pelas capas de Naked City, Maruo realmente merece ser conhecido mais do que isso. Em Portugal já não há desculpas... Mesmo para quem não gosta de ver cobras a penetrarem em todos os orifícios do corpo humano e outras perversões, podem sempre levar livros "limpos" (em duplo sentido) que Maruo ilustrou, um sobre exercícios no Outono e outro sobre o banho japonês.



Mas há mais livros pela Lézard Noir, como Ezumi de Daisuke Ichiba, um artista gráfico que está a fazer furor em França. Ou ainda Eiko de Akino Kondoh ou Mutant Hanako de Makoto Aida, ambos artistas plásticos que fazem bd de forma esporádica. O último em especial inclui uma bd (primeira imagem do próximo bloco) ao nivel de um Mike Diana de tão violenta e naíf que é.



Por fim, para além de bd e ilustração, a Lézard Noir também apresenta vontade de se dedicar à cultura japonesa, e daí que publique o catálogo Akai Hana de Yasuji Watanabe, fotógrafo dedicado ao Bondage e Fetiche, ou que reedite uma polémica bd vinda do final dos anos 70 e da famosa Metal HurlantPrisonnière de L'Armée Rouge de Romain Slocombe.


Sábado, 19 de Setembro de 2009

Humor(r)es


As edições Humeurs tem um catálogo de "humor negro" em que tanto podemos encontrar novos autores como velhos. Este ano a Chili Com Carne fez trocas com o seu editor Sylvain Gerand (ele próprio autor versátil já publicado em Portugal pela Opuntia Books) em que nos chegou o material mais visual e a inevitável antologia L'Horreur est Humaine.
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O que tem Poupées de Papier (2006) de Medi Holtrop e Appétit (ed. aumentada, 2004) de Willem em comum? 
Apenas uma coisa, os autores são mulher e marido, ambos pertencentes à geração Provo, consequentemente à do Maio de 68, e à loucura editorial das revistas Hara-Kiri e Charlie. Depois disso, cada um tem a sua voz: no caso dela, o trabalho dela tem um valor narcisista quase a roçar o freak, onde a autora norueguesa se representa sem pudor - muitas vezes nua - com orgulho no seu corpo velho, rodeada de obcessões fálicas, maternais (a lembrar Paula Rego) e mutações corporais. A dedicatória no livro a Topor não é inocente, porque se nota influências temáticas - influências ou zeitgeist? Willem é um ícone do humor gráfico europeu - até já foi publicado em Portugal embora suspeito que foi sem querer e claro, foi ignorado pela crítica e pelo público. O trabalho deste holandês é profundamente político, social e sexual. Quase que diria que é o avô dos Bazoukas, Dernier Cri e afins... Com dúvidas? É só espreitar este ARREPIANTE livro A6!
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Por fim, o tijolo L'Horreur est humaine #1 (2008) é uma segunda série já longe do formato mutante de zine que existiu no príncipio do milénio. E se nessa altura fotocopiada o "L'HeH" já esticava os limites do "fanzine médio" (um dos números tinha 400 e tal páginas!), a nova série é capa dura, livro cosido, uma fita-marcador, páginas a cores e todo o tratamento de luxo para ser uma antologia de referência - aliás, é de visitar o Ler BD para saber mais e de forma isenta.

descontos de 20% para sócios da CCC

Está quase... entregue!

a ideia demorou a concretizar-se mas lá caminhou e o cartão da Chili Com Carne já foi enviado para a maior parte dos sócios.

o modelo foi desenhado por João Chambel, foi impresso e cortado pelo José Feitor no Atelier de Santa Justa e Marcos Farrajota cuida da burocracia e decora os modelos de forma que se pareçam minimamente com os sócios - o que quer dizer que quase nunca corre bem. Se estes não forem os cartões mais bizarros da história do associativismo, então falhámos!

Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

O último fósforo

André Lemos, Filipe Abranches, Sílvia Rodrigues, Ricardo Martins, Margarida Borges, Jucifer, Marcos Farrajota, João Chambel e convidado especial Luís Henriques participarão numa das maiores mais pequenas exposições de ilustração. Não leram mal: 200 artistas estarão em The Last Match, exposição a acontecer em Riga (Letónia), em que os originais não são mais do que um cartão do tamanho de uma caixa de fósforos (imagem).
Esta iniciativa da revista Kuš! e do Latvian Center for Contemporary Art acontece entre 12 e 19 de Setembro, depois disso e já que a exposição cabe em 7 caixas de fósforos deverá andar pelo mundo fora. Quem sabe ainda chegue a Portugal...

Nazi Knife #4, 5

Jonas Delaborde; 200_?

Da fotocópia à antologia impressa (livro) parece ser este o caminho cada vez mais normal de algumas publicações como o caso do Nazi Knife que é um zine francês mas que reúne todos os "gráficos Noise" do planeta - e a analogia não é tosca porque muitos tocam em bandas Noise: John Olson e Alivia Zivich (Graveyards), C.F., James Ferraro e Spencer Clark (Skaters), Heath Moerland (Sick Llama), Andy Bolus (Evil Moisture), Nate Young (Demons), Dom Fernow (Prurient), Mat Brinkman, os polémicos Mike Diana e Stu Mead, Leif Goldberg... Fazendo deste zine uma "bíblia" de todo o movimento "undergráfico" e essêncial para quem gosta de desenho.

à venda no site da Chili Com Carne

Terça-feira, 15 de Setembro de 2009

A Norte tudo de novo...


Como já tinha referido aqui, a autora alemã Anke Feuchtenberger criou com o seu marido Stefano Ricci uma editora, a Mami, onde têm publicado trabalhos seus e também de alunos da Faculdade de Hamburgo onde Anke ministra um curso de ilustração e bd. Sem grande informação na Internet - e sem tempo para grandes discursos - escrevo apenas que chegaram Ich weiß de Birgit Weyhe e CandieColouredClown de Jul Gordon, belas edições: boas encadernações, boa escolha de papel e trabalhos de bd com impacto à primeira vista. O problema é que é preciso saber alemão para poder apreciar a primeira e 50% da segunda (algumas bd's estão em inglês)...


S! (com uma "coisa-acento" no "s") é uma mini-revista que era o Kus (que também tinha algo no "s"), novo conceito para tempos de crise, ou seja, reduziu-se para um formato A5 super-simpático completamente a cores onde convivem autores nacionais (continuando a Anete Melece a ser a autora mais interessante) e estrangeiros como Emilie Östergren (Suécia), Henning Wagenbreth (Alemanha - alguém se lembra do Salão Lisboa 2003?), Bendik Kaltenborn (Noruega) ou Nicolene Louw (África do Sul)... Sairam dois números entre Outubro 2008 e Fevereiro 2009.



Passados 10 números e 12 anos de actividade editorial, Tommi Musturi - um dos muitos autores de bd da Finlândia com talento e voz própria - cansou-se de editar o Glömp, projecto que começou como zine e passou a antologia. Como explicou quando esteve , para se despedir do projecto tinha de fazer algo de especial daí que GlömpX (Huuda Huuda; 2009) seja um livro saudávelmente pretensioso, querendo ser um marco na história das antologias de bd - o editorial do livro não deixa dúvidas em relação a isso fazendo um breve resumo dessa história. Apresenta-se em capa dura, todo a cores, com um CD banda sonora (Fricara Pacchu, Amon Düde & The Hoppo, Kiiskinen e Nuslux), e sobretudo e o que importa, um conceito de querer publicar e expor "narrativas em três dimensões". Ou seja, fugindo do tradicional "lápis + caneta sobre papel" (embora também haja situações dessas em alguns trabalhos), criaram-se bd's plasticamente diferentes do tradicional. Por exemplo, Hanneriina Moisseinen fez uma bd em bordados. Na exposição é preciso entrar numa tenda para poder ler a dita cuja - como poderam ver os que visiram a exposição que esteve patente na Bedeteca de Lisboa. Katri Sipiläinen criou um ambiente-escultura com alguns bonecos, esse ambiente fotografado tem uma carga cinematográfica e dramática fortíssima depois de composto em páginas de bd. Outras bd's são interactivas como a de Roope Eronen cujas tiras de bd podem ser lidas de formas diferentes com um sistema rotativo de paralelepipedos numa caixa - no livro, o autor (e o editor) oferece a hipótese (remota) de destruirmos o livro para recriarmos esses paralelepidos. Talvez nem tudo o que é apresentado na exposição seja competente - claro que não poderia ser - mas comparando com um projecto idêntico do passado, o Zalão de Danda Besenhada, os finlandeses sobretudo não se esqueceram de uma coisa, a bd no final é sempre transmitida via livro ou papel. E é aqui que não há falhas, o GlömpX merece um glorioso epitáfio na História da BD.

United Dead Artists


Chegaram no príncipio do mês os livros da U.D.A., ou melhor, os livros editados pelo grande Blanquet. Alguns já esgotaram nomeadamente "Callipyge" de Harukawa Namio e "Permagel" de Charles Burns
Foi rápido! Mas ainda podem pedir por e-mail à Chili Com Carne, os livros colectivos "Le tendon revolver" e "Le Muscle Carabine" e o monográfico "To kick a wind to" de Chris Hipkiss
Deo Gratias!

le best of Dernier Cri

Claro que o título deste "post" é uma parvoíce imensa por várias razões mas a principal é porque o colectivo de Marsenha produz tanto que qualquer tentativa de listagem seria fútil a não ser que eu fosse um cromo das listas... mas temos alguma palavra em relação a uma série de edições (acessíveis no site da Chili Com Carne) que são de tirar o fólego!


A começar por mongoloelektronoiz (2006) de Sgure que apesar de ser o título oficial (que está no site do LDC) não aparece em lado nenhum no objecto - o que aparece mais é a frase "Believe Black Metal", que ficamos a pensar que esse é que é o verdadeiro título. Livro com CD? Não! É um CD que está dentro de um livro impresso em serigrafia toda lixada, feito com vários foles no interior tornando o folheamento do livro algo tão caótico como as imagens e a música . Falando da dita suja, ela é Breakcore/ Noise/ Powertronics que usa e abusa de Techno Gabba, Frank Sinatra, Death Metal, desenhos animados e tudo o mais para fragmentar em faixas curtas na melhor tradição "Zorniana" e "Pattoniana". É para foder a cabeça enquanto as ancas dão o seu pezinhode dança! E tal a música é iconoclasta também o como o livro remonta (monta?) imagens para a bastardice serigrafada do LDC: "strippers" a parirem Aliens, cachorros de sapatilhas da moda, tudo em cores berrantes no registo neo(n)-escatológico.

Acid Arena (2008) de Dave 2000 deve ser o único livro de 3D em que me senti bem em ser idiota - tentei pegar / tocar as imagens que como toda a gete sabe não passa de uma ilusão óptica feita das separações do veremelho e azul. E também - e uma vez que não jogo seja o que for (cartas, jogos de computador,...) - não me sinto mal em estar viciado num jogo de computador super-parvo...
Antes disso, é de referir que com este título as confusões continuam: o livro é Acid Arena e o jogo de computador que o acompanha também se chama isso com o sub-título Monster Blast
Não sabe / Não responde. 
Só posso dizer que temos um dos livros do LDC mais alucinantes de sempre. O autor Dave 2000 é uma espécie de Fredox do digital, com todo o mau gosto implícito - não da escatologia mas sim dos truques do mundo digital, ou seja, excesso de imagens perfeitinhas e cheias de degradés e cores pirosas. Claro que depois lixa a coisa toda com a habitual fórmula "vexo & siolência" mas ainda assim o sabor do plástico está sempre lá. Mas desta vez usando a técnica do 3D os desenhos ganham outra dimensão (que piada!) de tal forma que ficamos mesmo sujeitos a imergir numa... realidade virtual (!) de mutantes excitados por  pornografia barata, genitais a derreter pixels e insectos esótericos para o século XXI. Um terror que se quer mexer para saber se é verdade. Errado!!! Como se costuma dizer para ver não é preciso mexer!!! E se aquilo fosse real de certeza que se apanhava uma valente  gonorreia cibernética.
O jogo de computador ainda é pior (ou melhor para quem quiser). A lógica é toda ela "Quake": andar a matar malta mutante ou ser morto - sendo também o jogador um mutante. Há mutantes vestidos de latas de cerveja e de outras formas fantásticas e xungas a darem tiros de arma lazer, caçadeira, mega-lazer... É preciso  gerir vidas e munição, o normal, excepto que aqui a dimensão pós-apocalíptica já está a niveis muito elevados de degeneração estética e moral. Literalmente é matar ou ser morto, tudo é rápido e quase nada faz sentido. Ultra-violência para queimados, sem dúvida, em especial num cenário, o "Plasma Freak", em que não há ponta por onde se pegue - literalmente!! Um tipo anda por lá a baloiçar (aos tiros, claro) de parede multicolor em parede multicolor. E claro morre antes de qualquer hipotese do pesadelo LSD ser passivel de ser assimilado.
O livro tem capa em serigrafia, o interior é impresso e é acompnahdo por óculos 3D. O jogo vem num CD e só dá para PC. Mais do que isto não posso ajudar.

O prometido "snif" ao "Japão paranóico" é por Shitknobs unideth (2008) de Miruki Tusko. Na realidade há um livro chamado Japon Parano (2008) que junta Daisuke Ichiba, Norihiro Sekitani, Takashinemoto, Ayano e Daisuke Tamano mas se o LDC pode confundir-nos porque não poderei fazer o mesmo?
E na verdade o autor nem se quer é japonês - é um  belga... Disfarça bem, não fosse uma série de tiques da nova geração "graphzine" europeia, onde podemos incluir o LDC ou os Opuntia Books: degeneração das figuras Pop, criações de espaços  abstractos, desenhos descontrolados como se fossem de criança, fascínio pelo Heavy Metal extremista... 
O Tusko, o que tem mais de piada é o uso de bonecada tosca com pinta oriental (não a bonecada óbvia tipo Manga!) que borra com cores pesadas e ajudadas com a impressão em serigrafia. O livro todo ele é serigrafado, diga-se. Como dizia, engana bem, podia passar por oriental... mas falta-lhe o Extremo Oriente!

ITO (2008) de Yann Taille é um livro que só podia ser feito depois do M.C. Escher e do Codex Seraphinianus... ou ainda, depois de Jim Woodring. Tudo a que temos acesso é "alien": o texto (uma linguagem encriptada?), as máquinas, os cenários, as formas de vida, o sistema...
Só há uma certeza, porque não é muito diferente da nossa vida terrestre: nascer, trabalhar, reproduzir e morrer... ou nascer, escola, trabalho, morte... Taille coloca as suas criaturas nesta direcção, ou na falta dela, porque as suas vidas são verdadeiros "loops" infinitos num sistema fechado e repressivo.
Capa em serigrafia. Belo livro!

Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Windigo

José Lopes
Doczine vol.2; 2006

A bd portuguesa é mesmo um oceano cheio de ilhas e ilhotas perdidas. Sem mercado os autores fazem os que lhe apetece porque nada têm a perder ou a provar. Acho que o único ponto negativo é quando os autores são bons nunca chegam a ser publicados em formatos profissionais para que pelo menos daqui alguns anos alguém possa dizer que o que se publicava de bd em Portugal não era só mediocridade estéril. Felizmente até tem havido livros para gente talentosa como a Ana Cortesão, Nunsky e Janus, ambos com trabalhos fabulosos mas pessoalmente incapazes de promoverem o seu trabalho. A juntar a esta lista temos o José Lopes - que por acaso o ano passado finalmente também foi publicado em livro - uma antologia, "4 Salas, 4 Filmes" pela Bonecos Rebeldes.
Foi na Feira Laica deste ano que apanhei a um euro este fabuloso zine seu - sim, a um euro! Acredito que ideia seja despachar exemplares de um título antigo mas ainda assim é um presente ao mundo esta bd de quase 70 páginas, em formato "comic-book". A estória é uma auto-ficção tendo como protagonista (a figura) do próprio autor num aparente relato quotidiano que acaba numa situação de "serial-killer" (asteca!). A narrativa e "découpage" lembram David Lapham (Stray Bullets), melhor elogio não poderia ser feito porque o trabalho é muito bem feito.

à venda no site da CCC

Brasil VI

Continua a senda por uma bd brasileira mais artística e menos "besteirol". A última tentativa chama-se Prego que contem "Quadrinhos, Arte Punk e Psicodelia"... menos mal para começar e nada mal depois de ler o zine.
Mantêm a "Alma Sacana" do zine brasileiro e da tradição safada da saudosa Animal (até recuperam o Jaca!!!) e Chiclete com Banana (referências imortais) mas estão no Espírito do Tempo com as suas  bd's porcas e mal-criadas e desenhos loucos espalhados pelo Design Punk (eles chamam Diagramação no Brasil!). Gostei especialmente da bd "brut" de Guido Imbroisi (no #2) e as colagens de Alex Vieira (cabeça do projecto) e Mário de Alencar - comparações a Max Ernst são inevitáveis porque ele foi o primeirão! 
Só as entrevistas é que são um bocado secantes mas deve ser o único ponto negativo deste projecto que desde do Outono de 2007 lançou cá para fora três números, onde se assiste a evoluções e crescimento - tanto que agora até já edita "flipbooks" e um "comic", Gente Feia na TV - este último tem um grafismo e ideias tão coladas ao Peter Bagge (e não só) que não me apetece bater no ceguinho.

à venda no site da CCC

We don't need no education...


Orang #6/7 (Reprodukt; 2006-08) é uma revista que foi criada por alunos do curso de bd/ilustração de Hamburgo. Agora que os alunos já saíram da vida escolar a revista não só se manteve como se posicionou para completar o triângulo das melhores revistas europeias de bd da actualidade - falo da Glömp (Finlândia) e da Canicola (Itália) - não sendo coincidência que artistas de uma revista são publicados nas outras duas. Pela Orang podemos encontrar Chi Hoi (de Hong Kong e que no ano passado a Canicola editou um livro seu), Moki (bonecada fofa), Tommi Musturi e as aventuras do seu Samuel (já editado do Mesinha #200 e com livro a sair este mês pela MMMNNNRRRG), Klass Neumann (com um jogo "oubapoano"), Till Thomas (já publicado em Portugal na Crica) ou do italiano Stefano Ricci (cada vez mais impressionante e que curiosamente vive em Hamburgo, onde também dá aulas)... A revista tem um formato quase quadrado e anda à volta das cento e tal páginas, algumas a preto e branco outras a cores. A política geral da revista deve ser uma espécie de "neu sturm und drang" tal é o urbano-depressivo irracional que emana nas suas páginas. O último número por exemplo tem como tema "The end of the world" (sim a revista apesar de estar em alemão usa o sistema de tradução para inglês no final da página)... um bocado tarde para "finais do mundo", não? A não ser que a paranóia de 2012 (ou é 2016?) esteja a atacar mais do que pensava...


Two Fast Colours #2 (M. Krause & M. Lenzin; Jul'08) é um zine A4 editado por duas estudantes do curso de bd da universidade de Hamburgo - uma turma posterior à Orang. Os trabalhos são ansiosos de provarem qualquer coisa, mesmo quando suspeito que possam ser exercícios do curso de bd como o da Martina Lenzin que explora o potencial meta-narrativo idêntico ao que Chris Ware mostrou em Quimby, the mouse mas ainda assim com um humor próprio. A publicação junta ainda alguns franceses como Quentin Vijoux, Morgan Navarro (provavelmente o autor mais excitante do catálogo Les Requins Marteaux) e Guillaumit. De recorte surrealista e pós-Pop eis um zine em que se sente frescura e que os estudantes alemães de bd sabem se mexer - ao contrário do que se passa em Portugal. Ah! Destaco a Jul que quase roça graficamente o Mike Diana embora o universo não seja o mesmo. A capa em serigrafia faz jus ao título do zine.

E no meio do turbilhão desta nova geração alemã de bd encontramos uma sempre renovada Anke Feutchtenberger cujo trabalho per se já está no patamar dos grandes artistas de bd mais influentes dos últimos 25 anos como Gary Panter, Charles Burns e Blanquet. Se soubermos que é professora no curso de bd e ilustração da Universidade de Hamburgo mais fácil será reparar que a sua influência não é apenas indirecta. Mais que uma autora influente se calhar também poderá ser uma professora influente e uma passagem de olhos pelas três revistas referidas acima percebe-se a sua marca na forma e no conteúdo, sobretudo nas novas autoras - que o diga Amanda Vähämäki portadora de uma voz muito segura mas que deve a Anke a inseminação estética. Cada vez mais virada para o desenho, recentemente cruzei-me com o livro wehwehwehsupertraene.de / lacrimella.de editado pela Mami (2008), que é a sua editora e do seu companheiro Ricci. Trata-se de um belo livro de desenhos de Anke feitos entre 2006 e 2008 e expostos na Galeria d406 (onde recentemente a Canicola fez uma exposição "vista" no seu "derradeiro número"). Assistimos a uma autora cada vez mais virtuosa no desenho a grafite e madura em que tenho a certeza que continuará a surpreender nos próximos anos.

E por falar em alunos e a iniciativa privada, em Angoulême vai-se criando um "cluster" de editoras de bd, algumas explorando o talento que sai do curso de bd como o caso da recentemente criada Scutella mas a maior parte são colectivos criados pelos alunos como a conceituada Ego Comme X ou a recente NA que lançou o jornal Modern Spleen. O jornal claramente inspirado no finlandês Kuti publica autores "dos quatro cantos" encontrando-se finlandeses, alemães (curiosamente alguns da Orang e Two Fast Colour) e a portuguesa Joana Figueiredo - e ainda de autores da Itália, EUA, França e Hong Kong. Claro que é mais fácil "fazer coisas" num país que tenha um mercado de bd como a França mas o que questiono é como ainda não saiu um zine que seja dos três grandes cursos de bd portugueses que existem?

à excepção do Modern Spleen (já todo oferecido), todos os títulos acima referidos encontram-se à venda pela CCC.

Domingo, 13 de Setembro de 2009

still spx stockholm...


Depois de alguns meses eis que descubro que o Christian da Reprodukt apanhou-me outra vez em fotografia, pelo menos desta vez não estou com ar de Domingo de manhã como da outra vez. Foi na SPX de Estocolmo e por acaso também era Domingo mas como não se curte em Estocolmo estou com um aspecto energético! + fotos e reportagem alemã aquiDankes very muchas!