portugal dos pequeninos
«Somos poucos mas vale a pena construir cidades e morrer de pé.» Ruy Cinatti joaogoncalv@gmail.com
20.1.12
ADIEU
Mega Ferreira foi substituído na presidência do CCB. Mais vale tarde que nunca. Mega ainda há bem pouco tempo anelava pelo regresso de Sócrates à pátria: não tinha dúvidas de que "o país precisa de pessoas como o anterior primeiro-ministro". Em compensação, a impunidade de anos e anos de mandarinato "cultural" permitiram-lhe "não lhe ocorrer" o nome do actual primeiro-ministro. M. Ferreira representa a pior soberba do chamado "meio" cultural português - a mania que a "cultura" tem "donos". Que coisa mais provinciana, dr. Mega. Adieu.
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A CAPITAL

Começa, com o cerimonial típico destes eventos (o famoso país de eventos que o Medeiros uma vez anunciou na televisão como uma das serventias para o nosso desenvolvimento e concomitante progresso), a "Guimarães 2012". É a terceira "capital" portuguesa da cultura depois de Lisboa e do Porto, em 2001, cujas peripécias iniciais não deixaram de ser deliciosas. Por natureza, desconfio sempre destes "eventos" e os prolegómenos desta "Guimarães" não foram propriamente os mais auspiciosos. São coisas que se sabe como começam mas raramente se sabe como e quando terminam. A Expo 98, por exemplo, parece que só agora começa a acabar. Mas ainda não acabou. E assim sucessivamente, como diria o saudoso César Monteiro que deveria adorar estes momentos de exaltação nunca se sabe bem de quê.
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19.1.12
COISAS QUE IMPORTAM
«Foram já alcançados progressos significativos na execução da agenda de transformação estrutural. Tal foi confirmado na segunda avaliação da missão da UE-FMI-BCE, que concluiu que o programa de reformas estruturais está globalmente no bom caminho. Desde essa data foram tomadas medidas adicionais de grande importância. Em algumas áreas, como na reforma do mercado de trabalho, fomos inclusive além dos compromissos assumidos no Programa de Assistência Económica e Financeira. Permitam-me referir algumas das iniciativas mais importantes adoptadas desde o início do Programa:
• Os direitos especiais doo Estado e as golden shares foram eliminados. A privatização da EDP foi concluída no final de Dezembro de 2011 (um pouco antes do prazo estabelecido) com a entrada de um grande investidor estratégico internacional – a China Three Gorges Corporation – que adquiriu 21,35% do capital social da empresa. A receita da privatização ascendeu a 2,7 mil milhões de euros (o que representa mais de metade do montante total de receitas do pacote de privatizações previstas nos Memorandos do programa MEFP/MoU). A operação decorreu de acordo com os mais elevados padrões de equidade e transparência. O processo para a privatização da REN está no bom caminho para a conclusão em Fevereiro de 2012. Estas duas operações, que tiveram lugar em condições particularmente adversas, são exemplos claros da competitividade real da economia portuguesa hoje.
• A reestruturação do sector empresarial do Estado está também em curso. Pretende-se com a reestruturação ajustar a dimensão do sector público de modo a assegurar a prestação de serviços essenciais à população, garantindo ao mesmo tempo a sustentabilidade financeira das empresas. A reforma é muito abrangente e contempla a redução do número de empresas públicas, a privatização e/ou a concessão, a harmonização das regras de governo das sociedades e de reporte de informação, a adopção de rigorosos mecanismos de controlo e correcção e diminuir o pesado encargo da dívida. O plano estratégico para o sector dos transportes representa um dos elementos mais relevantes do plano de reestruturação, dado o peso relativo das empresas deste sector. O objectivo é garantir o equilíbrio operacional até ao final de 2012, estando já a ser tomadas as medidas necessárias para tal.
• Um outro passo de grande alcance foi o acordo de concertação entre o Governo e os parceiros sociais sobre Crescimento, competitividade e emprego (assinado ontem). Este acordo ilustra uma vez mais o grau de consenso em Portugal em torno do Programa de Ajustamento. O acordo é muito importante. Em primeiro lugar, porque incorpora um vasto conjunto de alterações estruturais, em particular no mercado de trabalho, que irão contribuir para melhorar a competitividade da nossa economia. Em segundo lugar porque permite que isso seja feito num contexto de diálogo social e mostra que muito pode ser alcançado através da acção colectiva voluntária. Devemos orgulhar-nos desta capacidade.
• No que diz respeito à melhoria do quadro de desenvolvimento da actividade empresarial, a reforma do sistema judicial tem um carácter prioritário. Foi apresentado um conjunto de medidas concretas para acelerar a resolução das pendências em tribunais. Foi aprovada a Lei da Arbitragem para facilitar a resolução extrajudicial. Foi apresentada uma proposta de alteração do código da insolvência e recuperação de empresas, com enfoque na celeridade, simplificação e criação de uma fase extrajudicial de recuperação de empresas. Está já em fase de conclusão a proposta de revisão da Lei da Concorrência - harmonizada com o quadro jurídico da UE e que reforça o poder da autoridade da concorrência. Além disso, o novo tribunal especializado em concorrência, regulação e supervisão está prestes a entrar em funcionamento.
Portugal enfrenta uma grave crise económica e financeira. Esta crise é o resultado de desequilíbrios macroeconómicos e financeiros e de fragilidades estruturais acumuladas durante mais de uma década. O endividamento do sector público e do sector privado não financeiro atingiu níveis insustentáveis. O ajustamento da economia portuguesa é, por conseguinte, inevitável. Neste contexto, o Programa de Assistência Económica e Financeira dá-nos condições para uma correcção ordenada destes desequilíbrios e para recuperar a credibilidade dos mercados financeiros . Com os três pilares do Programa - consolidação orçamental, estabilidade financeira e reformas estruturais – Portugal será capaz de eliminar os seus desequilíbrios macro económicos e criar condições para um crescimento sustentado e para a criação de emprego . Não tenho dúvida que um ajustamento ordeiro é no melhor interesse de Portugal. »
Vìtor Gaspar, 19.1.12
• Os direitos especiais doo Estado e as golden shares foram eliminados. A privatização da EDP foi concluída no final de Dezembro de 2011 (um pouco antes do prazo estabelecido) com a entrada de um grande investidor estratégico internacional – a China Three Gorges Corporation – que adquiriu 21,35% do capital social da empresa. A receita da privatização ascendeu a 2,7 mil milhões de euros (o que representa mais de metade do montante total de receitas do pacote de privatizações previstas nos Memorandos do programa MEFP/MoU). A operação decorreu de acordo com os mais elevados padrões de equidade e transparência. O processo para a privatização da REN está no bom caminho para a conclusão em Fevereiro de 2012. Estas duas operações, que tiveram lugar em condições particularmente adversas, são exemplos claros da competitividade real da economia portuguesa hoje.
• A reestruturação do sector empresarial do Estado está também em curso. Pretende-se com a reestruturação ajustar a dimensão do sector público de modo a assegurar a prestação de serviços essenciais à população, garantindo ao mesmo tempo a sustentabilidade financeira das empresas. A reforma é muito abrangente e contempla a redução do número de empresas públicas, a privatização e/ou a concessão, a harmonização das regras de governo das sociedades e de reporte de informação, a adopção de rigorosos mecanismos de controlo e correcção e diminuir o pesado encargo da dívida. O plano estratégico para o sector dos transportes representa um dos elementos mais relevantes do plano de reestruturação, dado o peso relativo das empresas deste sector. O objectivo é garantir o equilíbrio operacional até ao final de 2012, estando já a ser tomadas as medidas necessárias para tal.
• Um outro passo de grande alcance foi o acordo de concertação entre o Governo e os parceiros sociais sobre Crescimento, competitividade e emprego (assinado ontem). Este acordo ilustra uma vez mais o grau de consenso em Portugal em torno do Programa de Ajustamento. O acordo é muito importante. Em primeiro lugar, porque incorpora um vasto conjunto de alterações estruturais, em particular no mercado de trabalho, que irão contribuir para melhorar a competitividade da nossa economia. Em segundo lugar porque permite que isso seja feito num contexto de diálogo social e mostra que muito pode ser alcançado através da acção colectiva voluntária. Devemos orgulhar-nos desta capacidade.
• No que diz respeito à melhoria do quadro de desenvolvimento da actividade empresarial, a reforma do sistema judicial tem um carácter prioritário. Foi apresentado um conjunto de medidas concretas para acelerar a resolução das pendências em tribunais. Foi aprovada a Lei da Arbitragem para facilitar a resolução extrajudicial. Foi apresentada uma proposta de alteração do código da insolvência e recuperação de empresas, com enfoque na celeridade, simplificação e criação de uma fase extrajudicial de recuperação de empresas. Está já em fase de conclusão a proposta de revisão da Lei da Concorrência - harmonizada com o quadro jurídico da UE e que reforça o poder da autoridade da concorrência. Além disso, o novo tribunal especializado em concorrência, regulação e supervisão está prestes a entrar em funcionamento.
Portugal enfrenta uma grave crise económica e financeira. Esta crise é o resultado de desequilíbrios macroeconómicos e financeiros e de fragilidades estruturais acumuladas durante mais de uma década. O endividamento do sector público e do sector privado não financeiro atingiu níveis insustentáveis. O ajustamento da economia portuguesa é, por conseguinte, inevitável. Neste contexto, o Programa de Assistência Económica e Financeira dá-nos condições para uma correcção ordenada destes desequilíbrios e para recuperar a credibilidade dos mercados financeiros . Com os três pilares do Programa - consolidação orçamental, estabilidade financeira e reformas estruturais – Portugal será capaz de eliminar os seus desequilíbrios macro económicos e criar condições para um crescimento sustentado e para a criação de emprego . Não tenho dúvida que um ajustamento ordeiro é no melhor interesse de Portugal. »
Vìtor Gaspar, 19.1.12
13.1.12
DOIS CONSELHOS
O primeiro, ao meu caro amigo dr. Guilherme Silva, para sugerir a pessoas como esta que, caso tenham uma, usem a cabeça. O segundo, ao Banco de Portugal que deve rever a "política" de manutenção dos subsídios quando é uma prestigiada instituição pública e o esforço (remoção dos 13º e 14º meses) foi exigido a todas as instituições públicas.
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Regime
12.1.12
FORAM SEIS
Não gosto de bola. Mas achei alguma piada que o novo presidente da Liga Portuguesa de Futebol tivesse sido eleito à revelia dos três clubes santarrões que apoiavam o derrotado. Por um voto se ganha, por um voto se perde. Foram seis.
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futebol
OS MALES DA EXISTÊNCIA
Aqui há uns anos fui a Queluz com um amigo - que entretanto deixou de o ser por decisão sua unilateral - assistir à feitura do primeiro número de uma nova revista. A coisa prolongou-se pela madrugada fora. Chovia à brava e foi muito divertido. Leio entretanto na Lusa que essa revista acabou. Lamento sempre o fecho de órgãos de comunicação social. Mas julgo que tal "mundo" devia reflectir sobre o que lhe está a acontecer. E se não souber reflectir, meta explicador.
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Teoria da acção comunicacional
EVITAR MEDIR AS COISAS BOAS PELO NÍVEL DA PORCARIA

«Quando nós estamos de longe, temos pelo menos uma possibilidade, que é escapar àquele problema que sempre existe de, no meio da floresta, não se ver floresta por causa das árvores. E também aos erros de perspectiva, que fazem a gente julgar que uma árvore pequenina que está ao pé de nós é muito grande, e que uma árvore muito grande que está longe de nós é muito pequenina. E é exactamente isso: quando a gente está de longe vê-se melhor, corrigem-se melhor as coisas. Além do mais, eu penso que [...] ninguém tem a obrigação de ser o registo civil de tudo que se publica num país. A gente tem sempre tempo de esperar algum tempo, de saber quem é que se afunda e desaparece, quem é que fica. E aqueles que ficam a gente vai ler depois. Não há necessidade de ler todas as semanas tudo o que se publica. Até porque eu acho [...] que todas as literaturas normalmente são feitas de obras notáveis e de obras relativamente medíocres. E se a gente passar todas as semanas a ler 80% de porcarias e 20% de obras boas, a gente acaba por medir as coisas boas pelo nível da porcaria, não é?». (Jorge de Sena, 1972) Estas percentagens aplicam-se a uma data de coisas hoje em dia. É mesmo de evitar medir as coisas boas pelo nível da porcaria.
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Jorge de Sena
11.1.12
10.1.12
ÉPOCA DE CAÇA

Não me recordo de, nas várias ocasiões - e foram muitas - em que o PS mandou no governo e no país (absoluta ou não absolutamente), ver tanto pernóstico a "exigir" que os maçons revelem que o são.
9.1.12
OPOSIÇÃO À TAPEÇARIA
Na livraria do Instituto Franco-Português adquiri, juntamente com o Dictionnaire Malraux, um livrinho de menos de 70 páginas com uma conversa entre Michel Foucault e Claude Bonnefoy. Foucault fala da sua escrita como qualquer coisa oposta à tapeçaria. Parece que adivinhava no que se viria a transformar a "literatura", os meios académicos, as relações em geral. Uns quatro anos antes desta conversa, por carta, o nosso Jorge de Sena escrevia ao também nosso Vergílio Ferreira; «E eu não me zango, meu caro, já me convenci de que [a] humanidade é irremediavelmente vil, com algumas horas bonitas de vez em quando, e não podemos exigir-lhe mais do que pode dar. A minha concepção dessa humanidade é mais ou menos esta: amemos quem aceitou partilhar a nossa solidão; usemos dos corpos que valha a pena aproveitar, sem os comprometermos com o nosso «espírito»; façamos aquilo que sentimos não poder deixar de fazer; e é tudo.» Qualquer coisa, em suma, oposta à tapeçaria.
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SERVIÇO PÚBLICO

Passou ontem, pela primeira vez, no National Geographic e vai continuar. «Hitler a cor, com a sua cor real, documentado com exactidão através de imagens originais, é algo que nos é muito mais próximo. Vemos que está próximo historicamente, que não é alguém de um passado remoto. Isto pareceu-me especialmente importante para os jovens, o preto e branco distancia.»
Adenda (via mail, do crítico televisivo Eduardo Cintra Torres): «A notícia do Público tem uma falsidade, julgo que motivada por pressa por ignorância. Diz que o documentário tem imagens raríssimas a cores quando, como a própria notícia afirma adiante, as tais fotografias são a preto e branco mas foram colorizadas pelos documentaristas. Isto é, foram falsificadas quanto à sua verdade histórica. Daí que sejam "raríssimas": não é costume aldrabar-se fotos históricas. Se pusessem o Bambi por trás do Htiler a série ainda tinha mais audiência jovem.»
Adenda (via mail, do crítico televisivo Eduardo Cintra Torres): «A notícia do Público tem uma falsidade, julgo que motivada por pressa por ignorância. Diz que o documentário tem imagens raríssimas a cores quando, como a própria notícia afirma adiante, as tais fotografias são a preto e branco mas foram colorizadas pelos documentaristas. Isto é, foram falsificadas quanto à sua verdade histórica. Daí que sejam "raríssimas": não é costume aldrabar-se fotos históricas. Se pusessem o Bambi por trás do Htiler a série ainda tinha mais audiência jovem.»
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8.1.12
A SOCIEDADE ANÓNIMA DE IRRESPONSABILIDADE ILIMITADA

«O anonimato só é aceitável quando visa proteger alguém da repressão sob qualquer forma. Só se justifica, em termos análogos a outros segredos – como o segredo de voto –, quando é condição do exercício, sem constrangimentos, da liberdade de opinião. Não deve servir para praticar ameaças, injúrias, difamações ou outras condutas criminosas. De facto, não se pode proibir a burka na rua e admitir aos anónimos que intervenham ilimitadamente no espaço público da internet. Aliás, os anónimos que reclamam essa liberdade e o acesso irrestrito a todos os segredos mantêm, contraditoriamente, o segredo sobre si próprios, negando às restantes pessoas o acesso às razões mais profundas do seu agir.»
Fernanda Palma, CM
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O CRIADOR E AS CRIATURAS
Aparentemente o ministério da Justiça "deve" dinheiro à Estamo barra Parpublica por causa de uns imóveis do Estado cuja venda ou arrendamento gerem. Conto sempre esta história. No dia seguinte a sentar-me na cadeira do conselho directivo do São Carlos, em 2002, recebi um telefonema do presidente da Parpublica a reclamar duas ou três rendas do Teatro Camões como se não estivéssemos todos dentro do mesmo "perímetro", o sustentado pelos contribuintes através do orçamento do Estado. Passaram estes anos todos e o Estado (de que as referidas empresas, em modalidade societária e através de indemnizações compensatórias, fazem parte) parece que continua refém destas suas maravilhosas criações. Quando é que o criador resolve, de vez, o "problema" das criaturas?
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DOS PEDREIROS LIVRES AOS ALARVES-LIVRES
«Só agora é que descobriram que há Maçonaria? É tão interessante Portugal! De repente, põem - se a discutir uma matéria velha como se fosse nova. É sempre assim. Só descobriram as PPPs há pouco tempo. Não conheciam, não faziam ideia. Da Maçonaria, também não. Nem sonhavam... Ao Sábado à noite, no meio do zapping, às vezes deparamo-nos com uns alarves (dois) a rirem do que não sabem, a falarem a sério do que desconhecem e a ofenderem quem os ignora. Hoje falavam do tema do dia com o mesmo ar alarve de sempre. Triste Portugal.»
Pedro Santana Lopes
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7.1.12
UM PAÍS SEM TRICOTEUSES

Visita a Penela. Um dia glorioso de sol, de ar puro e com gente boa. E chanfana, claro. Há outro país que se está muito adequadamente nas tintas para a tagarelice e para a mesmice. Deve deixar-se o "meio" entregue ao seu tricot inútil e seguir em frente. Penela aparentemente faz assim. E faz muito bem.
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Penela
6.1.12
PÉ DE ORELHA

Segunda-feira, Sarkozy e Merkel retomam as conversinhas a dois que tanto sucesso trouxeram à Europa em 2011. Entre Abril e Maio, os franceses escolhem o presidente, ou seja, a possibilidade de Merkel mudar de interlocutor. Todavia, e apesar da remoção abrupta de Strauss-Kahn (cem vezes melhor que o incumbente ou do que qualquer seu putativo sucessor), Sarkozy não deve ser subestimado. A Europa pode esperar.
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Europa
O GOSTO
«Os dez programas de televisão mais vistos em 2011 foram todos de futebol, com predomínio para os jogos da selecção nacional. A TVI liderou em novelas e "reality shows", mas a informação foi da RTP. A SIC conseguiu voltar ao segundo lugar e o conjunto dos canais do cabo estabeleceu-se como uma alternativa seguida por um quarto dos espectadores com acesso ao serviço de televisão por subscrição, praticamente já 70% do total do universo.»
Manuel Falcão, Jornal de Negócios
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SUCEDEU-ME A MIM

A converseta em curso sobre a Maçonaria recorda-me o verso famoso do Régio: "há, nos olhos meus, ironias e cansaços". Entrei para o o GOL (Grande Oriente Lusitano) em 1988 e cheguei a ajudar a fundar uma Loja, a Fénix, no ano seguinte. Não aqueci o lugar. Regressei mais tarde a uma outra Loja do GOL, no final dos anos 90, mas sinceramente não me recordo do seu nome mas percebi que já era outra coisa e que os "irmãos", não todos, pretextavam a Maçonaria para diversificados fins. Tive a honra, nessa altura, de participar numa sessão na Loja do Dr. Fernando Valle, em Coja. Mas voltei a não aquecer o lugar. Para usar o termo canónico, estou "adormecido" vai para quinze anos. A Maçonaria interessa-me no sentido que interessava a figuras como, por exemplo, Oliveira Marques ou o referido Fernando Valle. Julgo que os valores da liberdade, da igualdade e da fraternidade constituem património civilizacional indisputável e pacífico. Deploro que ramos "modernaços" da Maçonaria levem a que aquela apareça condenada na praça pública apenas porque alguns dos seus alegados membros a ela se juntaram a pensar noutras coisas que não nos seus ideais nobres. Da mesma forma que considero uma imbecilidade atacar a Igreja porque há membros seus que cometeram crimes de natureza sexual ou outra, ou as ordens de advogados e as magistraturas por albergarem putativos arguidos e réus. Este post do José António Barreiros, com uma ou outra nuance, e "obreiro" em efectividade de funções, vai no mesmo sentido. «O facto de a sociedade dos pedreiros-livres se prestar a conluio e a perversões é tão antiga como a sua existência. A sua defesa e os ataques contra ela são parte da História Contemporânea. Trata-se de uma entidade que já recebeu como irmão o ditador Augusto Pinochet e de que fizeram parte a quase totalidade dos Presidentes dos Estados Unidos da América e grande número de membros da Família Real Inglesa. Além de uma multidão de pessoas que, em termos de importância social, são nada. E gente decente que nada tira e tudo dá. Há nela de tudo. E há sobretudo quem esteja nela pelas mais díspares razões, incluindo as moralmente honestas. E quem a abandone pelos mais variados motivos, incluindo os miseráveis e até pela inconsciência de ter estado. E o seu contrário. Alexandre Herculano, ao ter saído, mal entrara, escreveu, em 1876: «Uma das minhas rapaziadas foi ser pedreiro livre. Não tardei a deixá-la (à Maçonaria). Achei a coisa mais inepta, mais inútil e muito mais ridícula que uma irmandade de carolas». Sucedeu a muitos.» Sucedeu-me a mim.
5.1.12
MOZART
Mozart. Requiem. Herbert von Karajan. Wiener Philharmoniker. Wiener Singverein. Anna Tomowa-Sintow, Helga Müller Molinari, Vinson Cole, Paata Burchuladze. 1986.
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UM FOCO

«Seria bom que em 2012 se conseguisse transformar a política num instrumento um pouco mais lúcido, eficaz, respeitado, e sobretudo mais focalizado no interesse comum. Porque é justamente isto que tem faltado: um foco que indique o essencial e o equacione com intuição, com conhecimento e com pedagogia.»
M. M. Carrilho, DN
M. M. Carrilho, DN
4.1.12
DECÊNCIA

Álvaro Santos Pereira - fora do ruído habitual e alheio a provocações - está a trabalhar, livre de obsessões "curto-termistas", no contexto complexo que assola a economia portuguesa. É bom que assim seja. Os problemas não se resolvem com espectáculo. Resolvem-se com seriedade, discrição e decência. É o caso.
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Governo Passos Coelho,
Álvaro Santos Pereira
3.1.12
METRO PORTELA
Uma boa notícia para Lisboa e para quem sempre contrariou a maravilhosa "ideia" de fechar a Portela para a transformar num belo jardim aos dispor das caganitas do melhor amigo do homem.
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aeroporto de Lisboa
2.1.12
ACORDO ORTOGRÁFICO?

Claro que não, salvo em documentos oficiais porque a "aparelhagem" já foi formatada. Aqui não entra. Como escreveu Sousa Tavares no Expresso (que pratica a coisa há muito tempo, mas nem ele, Mexia ou Cutileiro o fazem e não deve ser por acaso), «a história do acordo ortográfico é um exemplo brilhante de como, por passividade e deixar andar, se consuma um crime contra o património». Com a agravante que, dos oito países falantes da língua, apenas três ratificaram isto enquanto cinco continuam com o português - cito de novo MST - «que nós traímos».
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Contra a Literatice e Afins
1.1.12
«QUEREMOS CONTINUAR A VIVER DE CABEÇA ERGUIDA»

«A crise que Portugal atravessa é uma oportunidade para nos repensarmos como País. Orgulhamo-nos da nossa história e queremos continuar a viver de cabeça erguida. Durante muito tempo vivemos a ilusão do consumo fácil, o Estado gastou e desperdiçou demasiados recursos, endividámo-nos muito para lá do que era razoável e chegámos a uma “situação explosiva”, como lhe chamei há precisamente dois anos, quando adverti os Portugueses para os riscos que estávamos a correr. Agora temos de seguir um rumo diferente, temos de mudar de vida e construir uma economia saudável. Somos todos responsáveis. Esta é a hora em que todos os portugueses são chamados a dar o seu melhor para ajudar Portugal a vencer as dificuldades. Trabalhando mais e apostando na qualidade, combatendo os desperdícios, preferindo os produtos nacionais. Deixando de lado os egoísmos, a ideia do lucro fácil e o desrespeito pelos outros. Nenhum Português está dispensado deste combate pelo futuro do seu País.»
Cavaco Silva, 1.1.12
Cavaco Silva, 1.1.12
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Cavaco Silva,
Presidente da República
MATOS EM SÃO CARLOS
Auspiciosa a abertura do São Carlos em 2012. O "concerto de ano novo" demonstrou, uma vez mais, a qualidade dos corpos artístico-musicais do Teatro, a saber, a Orquestra Sinfónica Portuguesa (com uma saudação muito especial para a Irene Lima) e o Coro. E confirmou a Matos como uma grande intérprete mundial. Estão de parabéns o João Villa-Lobos e o César Viana enquanto responsáveis pela gestão da casa em tempos difíceis.
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Elisabete Matos,
Teatro Nacional de São Carlos
AO GRISO DE JANEIRO
Eu vi gelar as putas da Avenida
ao griso de Janeiro e tive pena
do que elas chamam em jargão a vida
com um requebro triste de açucena
vi-as às duas e às três falando
como se fala antes de entrar em cena
o gesto já compondo à voz de mando
do director fatal que lhes ordena
essa pose de flor recém-cortada
que para as mais batidas não é nada
senão fingirem lírios da Lorena
mas a todas o griso ia aturdindo
e eu que do trabalho tinha vindo
calçando as luvas senti tanta pena
Fernando Assis Pacheco
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poesia
31.12.11
UM PRINCÍPIO FELIZ DE ALGUMA COISA
Do fim, «o que resta é sempre o princípio feliz de alguma coisa.» (Agustina Bessa-Luís, 90 anos em 2012). É esse princípio feliz de alguma coisa que aqui fica como desejo fraterno e realista dirigido a todos os Leitores.
Clip: As vozes pertencem a Marilyn Horne e Joan Sutherland e a música é de Jacques Offenbach.
Clip: As vozes pertencem a Marilyn Horne e Joan Sutherland e a música é de Jacques Offenbach.
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2012
O EMBLEMA DA DECADÊNCIA

Durou até ao dia 21 de Junho. Se dependesse dele e dos seus acólitos, ainda hoje durava. Parecia qualquer coisa e acabou em coisa nenhuma. Sobraram dele uns quantos devotos medíocres acolitados em diversas instâncias de poder formal e informal. Dá-se por alguns (pelo seu confrangedor exibicionismo mediático que tem tanto de estúpido como de perigoso precisamente pela estupidez que exala) e dá-se menos por outros o que não quer dizer que sejam menos perigosos que os primeiros. A manha tem tantas fórmulas (más, evidentemente) como as do diabo. Pacheco, o Pacheco que tem dias, resume-o: «à volta dele o desastre absoluto», «mestre da propaganda, mestre no voluntarismo despesista, mestre no dolo, mestre na arrogância autoritária», «o seu nome tornou-se um insulto, cujo pathos ele renova com convicção e zelo, como nas declarações sobre a "gestão da dívida".» E Pulido Valente também: «o que admira neste homem é ele ter chegado a chefe de um grande partido e a primeiro-ministro. Tudo o resto se explica: a ignorância, a irresponsabilidade, o autoritarismo e a noção de que a política era uma forma de teatro. Mesmo assim, ganhou a confiança de gente que devia saber mais e os portugueses só correram com ele no último momento. Irá com certeza ficar como o emblema da decadência do regime.»
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José Sócrates
À ATENÇÃO DE UM RESIDENTE NA SIMPÁTICA VILA DA MARMELEIRA
«Criou-se, com o actual governo, a ideia de que ele teria um "défice de comunicação", explicando mal as políticas, etc. Não acho nada. Estamos é habituados a centrais de propaganda e governos que só pensam em enganar o povo. O actual governo é, nesta matéria, fiel à sua matriz liberal: apresenta as políticas e faz pouca propaganda delas, deixando a sociedade conflituar à sua vontade com ou contra as medidas. Ainda bem que há conflitos, ainda bem que há notícias deles, ainda bem que o governo tem deixado a sociedade dialogar sobre eles. A isto se chama democracia e liberdade. Esperemos que assim continue.»
Eduardo Cintra Torres, CM
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O TEMPO E OS FACTOS
O Diário de Notícias dá lastro a uma falácia que "indignou" duas ou três almas socialistas aparentemente não familiarizadas com o "memorando" que o seu partido assinou, em nome de Portugal, quando era governo em Maio. Sucede que não existe nenhum "novo acordo com a troika" que tenha retirado "mais poder aos sindicatos". Nada mudou nesta matéria entre Maio e o dia de hoje ou de amanhã. As "diferenças" sugeridas no artigo do jornal decorrem do "espírito" do "memorando", ou seja, já lá estavam. Vêm do tempo em que o PS negociou o acordo. O tempo, agora, passa muito depressa. Mas não convém que passe tão depressa que acabe por "passar" despercebido.
«NÃO FALARIAM DE ENSINO DURANTE UMA DÉCADA»
«Por que é que os milhões gastos na Educação mais avançada do mundo, com toda a panóplia de computadores e quadros interactivos, não fizeram o PIB crescer na última década? e 2 - Por que é que a distribuição maciça de diplomas o enorme aumento dos níveis de qualificação alcançado durante o Governo de Sócrates, e que maravilharam milhares de portugueses, não fizeram a economia avançar um cêntimo?»
David Levy, Lisboa ~Tel Aviv
David Levy, Lisboa ~Tel Aviv
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30.12.11
RENOVAÇÃO DA LÍNGUA DE PAU
Um "desejo" para o novo ano das televisões portuguesas consiste em que elas nos poupem a uma legião de comentadores onde todos dizem mais ou menos a mesma coisa, as mesmas banalidades, jornalistas ou não jornalistas. Ao menos renovem a língua de pau.
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29.12.11
UM DESTINO PORTUGUÊS

«É pena que Freud não nos tenha conhecido: teria descoberto, ao menos, no campo da pura vontade de aparecer, um povo em que se exemplifica o sublime triunfo do princípio do prazer sobre o princípio da realidade.»
Eduardo Lourenço (revisitado 33 anos depois em O Labirinto da Saudade)
Eduardo Lourenço (revisitado 33 anos depois em O Labirinto da Saudade)
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Eduardo Lourenço
28.12.11
DA VIDA DA LÍNGUA

Ontem à noite estive a ler algumas entradas do Dicionário de Camões coordenado pelo professor Aguiar e Silva. Belíssimo volume. Belíssimas entradas. O pior é o português acordográfico em que estão redigidas. Parece que "é a vida", como dizia o outro. Péssima (nova) vida.
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27.12.11
CAMINHOS E MÃO DE FERRO
Aparentemente a CP está cativa de mais de vinte sindicatos. O dos maquinistas decretou nova greve para dia 1 de Janeiro. Porquê? Porque quer que a administração renuncie ao exercício do seu poder disciplinar, tão legítimo como o exercício do direito à greve. Desta vez não é dinheiro (mais) ou regalias (ainda mais). Não. É uma pura "afirmação" pífia de força cujos principais prejudicados são os utentes. E duplamente. Desde logo, porque aqueles que precisam de recorrer ao transporte ferroviário (e os mandarins sindicais sabem perfeitamente que não são os abastados) ficam diminuídos na sua capacidade de circulação. Depois, porque são também os impostos destes clientes que financiam a empresa e estes devaneios irresponsáveis. Dá ideia que esta gente pretende, deliberadamente, acabar com a CP. Isto já não é um mero caso de caminhos de ferro. É um caso, ou não, de mão de ferro.
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