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Sábado, 27 de Agosto de 2011

Dois povos, dois Estados, dois países, agora!

Hoje o Conselho de Segurança da ONU se reuniu para discutir o apelo da Palestina para se tornar o 194.º país do mundo. No entanto, governantes de países de destaque ainda estão em cima do muro. Somente um esforço gigantesco da opinião pública pode mudar a situação.
A Avaaz fez um pequeno, mas emocionante vídeo [vd. em baixo] mostrando que essa proposta legítima é de fato a melhor oportunidade para acabar com o beco sem saída das infinitas negociações mal-sucedidas e abrir um novo caminho para a paz.


Se concordar com esta causa, pode assinar a petição que a ong internacional Avaaz lhe dedica.

Segunda-feira, 25 de Julho de 2011

Pela Palestina, pela paz, uma oportunidade histórica

Dentro de quatro dias, o Conselho de Segurança da ONU se reunirá e o mundo terá oportunidade de aceitar uma nova proposta capaz de reverter décadas de fracasso nas negociações para a paz entre Israel e Palestina: o reconhecimento da Palestina como Estado pela ONU.
Mais de 120 países do Oriente Médio, África, Ásia e América Latina já endossaram essa iniciativa, mas o governo de direita de Israel e os Estados Unidos opõem-se veementemente a ela. Portugal e outros importantes países europeus ainda estão indecisos, mas uma gigantesca pressão pública agora poderá convencê-los a votar a favor dessa importante oportunidade de dar fim a 40 anos de ocupação militar.
As iniciativas de paz lideradas pelos EUA têm fracassado há décadas, enquanto Israel tem confinado o povo palestino a pequenas áreas, confiscando suas terras e impedindo sua independência. Esta nova e corajosa iniciativa poderá ser a melhor oportunidade de impulsionar a solução do conflito, mas a Europa precisa assumir a liderança. Vamos construir um apelo global em massa para que Portugal e outros importantes países europeus endossem imediatamente a proposta de soberania e vamos deixar claro que cidadãos de todos os cantos do mundo apoiam essa proposta legítima, não-violenta e diplomática. Assine a petição e envie esta mensagem a todos os seus contatos:

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Israel e Palestina: o caminho da paz é difícil mas não inacessível

BandeirasIsraelPalestina Com os recentes acontecimentos no Irã, pouco ou quase nada se tem falado sobre as declarações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, admitindo a possibilidade da criação de um Estado palestino. Esta foi a primeira vez que Netanyahu falou oficialmente sobre a questão. O premiê também destacou que a solução para o atual conflito se baseia no “reconhecimento sincero” por parte dos palestinos de que Israel é "um Estado nacional judeu". E assim, solicitou ao mundo árabe que colabore no sentido de se encontrar soluções de paz para a região e acrescentou estar disposto a negociar em qualquer lugar: seja em Beirute, em Damasco e também em Jerusalém.

Por seu lado, a Autoridade Nacional Palestina (ANP) considerou que o primeiro-ministro israelense “bombardeou” os esforços de paz no Oriente Médio com o discurso que fez, onde colocou várias condições à criação de um Estado palestino. “Este discurso “bombardeia” todas as iniciativas de paz na região. Coloca entraves aos esforços que visam salvar o processo de paz num desafio claro à administração norte-americana”, disse o porta-voz da ANP, Nabil Abou Rudeina, que também criticou o fato de Netanyahu não ter excluído o congelamento dos colonos nos territórios palestinos. Enfim, membros do alto escalão do governo palestino disseram que a imposição de determinadas condições significa fechar as portas às negociações. Mas não descartam a abertura de conversações.

Já o Hamas, que até ontem se opunha frontalmente a abertura de diálogo parece ter mudado um pouco de ideia e se diz disposto a negociar. Claro que impondo condições. Em seu encontro com ex-presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, o chefe de governo do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, afirmou que “se existe um projeto realista para resolver a causa palestina com o estabelecimento de um estado nos territórios ocupados em 1967 (Guerra dos Seis Dias) e com plena soberania, nós o apoiaremos”. O problema é que Netanyahu não aceita sentar-se à mesa de negociação com representantes do Hamas.

Em síntese, vejamos o que quer cada uma das partes.

Israel:

- Um Estado nacional judeu.

- Jerusalém como capital indivisível de Israel.

- Reconhecimento de Israel como um Estado judaico

- A questão dos refugiados deve ser negociada fora das fronteiras de Israel

- Um Estado palestino desmilitarizado.

- Não será admitido qualquer pacto militar com o Hezbollah e com o Irã.

Autoridade Nacional Palestina:

- Retorno de Israel às fronteiras pré-1967.

- Divisão de Jerusalém entre os 2 Estados.

- Desmantelamento dos assentamentos.

- Uma solução para os refugiados.

Hamas:

- Exige sem pré-condição a volta de todos os refugiados.

- E aceita uma trégua com Israel por apenas 10 anos se os israelenses retornarem para as fronteiras pré-1967.

Seja como for, é possível agora ver uma luz no final do túnel no processo de paz para palestinos e israelenses. Claro que as negociações poderão ser tenazes por parte dos envolvidos, cada qual defendendo seus interesses. Mas não impossível. O importante é que sejam dados os primeiros passos ao encontro de soluções consensuais para a coexistência pacífica e duradora entre esses 2 povos. Se usarem do bom senso, esta possibilidade não será mais uma miragem no desertol. O campo será sempre fecundo pra quem sabe conviver harmoniosamente com as diferenças e delas fazer uma coexistência edificante.

Domingo, 10 de Maio de 2009

Imagem dominical

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Um grupo de meninas palestinas em missa dominical da Igreja da Natividade, considerada o local de nascimento de Jesus Cristo, em Belém (Cisjordânia). Belém é habitada por uma das mais antigas comunidades cristãs do mundo. A cidade é também a terra natal de Davi e onde ele foi coroado rei de Israel.

Imagem retirada daqui.

Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

Hamas e Fatah anunciam governo de unidade nacional (e reconstrução)

palestinos_bandeiraOs grupos rivais palestinos Fatah e o Hamas anunciaram ontem que formarão um governo de unidade nacional até o final do próximo mês. Serão criados 5 comitês responsáveis por tratar temas como segurança, reconciliação nacional, eleições, além de terem a missão de formar um governo de unidade aceito pela comunidade internacional. Tanto o Fatah quanto o Hamas libertaram seus prisioneiros ontem.

Apesar da diferença entre as 2 facções vir de longo tempo, ela se acirrou em 2006, quando o Hamas venceu democraticamente as eleições parlamentares. Mas o resultado não foi aceito por boa parte da comunidade internacional (leia-se UE, EUA e Israel), que exigiu do grupo o reconhecimento do estado de Israel. Para obter o tal reconhecimento, o Hamas então aceitou a divisão do poder com a tentativa da formação de um governo de unidade nacional com o Fatah.

O acordo não deu certo e as diferenças entre eles – o Fatah é mais moderado e reconhece Israel, por exemplo – acabou culminado em violentos confrontos nas ruas de Gaza, em 2007. Resultado: depois de muitas mortes, o Hamas assumiu controle total de Gaza e o Fatah, da Cisjordânia. Se naquela altura dividiram pra governar é chegada a hora de se unirem pra reconstruir todo o estrago feito por Israel. Mais.

Adendo - O Hamas rejeitou hoje (28) o pedido da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, para que reconheça o direito de Israel a um Estado e, em troca, seja reconhecido como representante do povo palestino. "É uma intromissão inaceitável nos assuntos internos palestinos", disse à imprensa o porta-voz do Hamas em Gaza, Ismail Radwan, em resposta à solicitação da ex-primeira-dama.

Segundo a secretária de Estado, que na segunda-feira inicia uma viagem oficial à região, para ser aceito pela comunidade internacional o Hamas precisa cumprir as três condições que lhe foram impostas em 2006 pelo Quarteto de Madri (EUA, Rússia, ONU e UE): reconhecer Israel, aceitar os acordos de paz assinados e abandonar a luta armada. Radwan respondeu hoje que o "Hamas permanecerá irredutível em sua postura de não reconhecer Israel e (de não aceitar) as condições do Quarteto". Fonte (EFE)

Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

“Israel está simplesmente lutando por sua liberdade e pela sobrevivência de sua gente. Não deseja destruir outro povo.” (???) - atualizado

israel Como não deseja destruir outro povo se já o faz há anos!? Pra tanto, basta lembrar que Israel não permite o retorno dos cerca de 4.000.000 de refugiados palestinos espalhados pela Jordânia, Egito, Líbano e alhures, vítimas da agressão militar e do expansionismo israelense. Enquanto isso, judeus originários de qualquer parte do mundo têm o direito de se estabelecerem no Estado de Israel (Lei do Retorno). Deixo aqui o meu ponto de interrogação, sr. Gilles Bernheim. Mais.

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ONU defende direito de palestinos fugirem para outros países

(É o que diz o Alto Comissariado para os Refugiados, António Guterres.)

É a sério isto ou querem tapar o Sol com a peneira? Creio que a ONU deveria defender de forma cristalina o direito de os palestinos terem um Estado livre e soberano, pra não precisarem se refugiar noutros países e nunca mais poderem voltar pra terra onde nasceram, se criaram e de onde estão sendo expulsos há anos, a exemplo do que já acontece com os quase 4.000.000 deles. Na foto, um grupo de refugiados palestinos, em 1948. Imagem retirada daqui.


Domingo, 4 de Janeiro de 2009

Em Gaza há amanhecer. Mas não sei se haverá o amanhã.

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Foto AP

Sábado, 3 de Janeiro de 2009

Agora 80% de Gaza depende de ajuda humanitária (atualizado)

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Ontem, milhares de pessoas protestaram no mundo todo contra os ataques israelenses em Gaza. Foram registradas manifestações no Oriente Médio, na Ásia, na África, em alguns países europeus e em São Paulo, onde um grupo de apoio à Palestina liderou uma manifestação promovida por diversas entidades sindicais, partidos políticos e instituições de defesa dos direitos humanos. Sem dar ouvidos ao mundo, a artilharia israelense bombardeou hoje a Faixa de Gaza, enquanto tropas e tanques faziam uma ofensiva terrestre. Assim, sobe pra mais de 460 o número de mortos e aproximadamente 2.300 feridos. Agora 80% da população da região dependente completamente de ajuda humanitária. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha denunciou hoje que, pelo segundo dia consecutivo, o governo de Israel impediu a entrada em Gaza de equipes médicas, apesar de ter informado com antecipação as autoridades de sua chegada. Fonte: ONU.

Fotos: Agência Estado, AP e Efe.

Domingo, 28 de Dezembro de 2008

Gaza pode ter sido vítima da política partidária israelense

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As 100 bombas lançadas pelos 60 F-16 israelenses, que mataram ao menos 230 pessoas e deixaram mais de 700 feridas, poderia ter motivação política? Como o Pedro Doria, eu não descarto esta possibilidade. Na última sondagem com vistas às eleições de fevereiro, o Kadima (de centro e no governo) ficaria com 26 das 120 cadeiras do Parlamento, enquanto o Likud (de direita e na oposição) arrebanharia 32. Antes, estavam praticamente empatados. E a melhor forma de se vencer eleição em Israel é não se mostrar fraco perante os "terroristas palestinos". Este foi o mais violento ataque de Israel à Gaza desde que foi conquistada na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Claro que é condenável as hostilidades do Hamas, com disparos de mísseis Qassam contra o sul de Israel. Mas também é condenável a reação desproporcional da Força de Defesa israelense contra os palestinos. Principalmente, se este ataque devastador teve "apenas" uma finalidade político-partidária, onde inocentes (crianças e mulheres) civis também se tornaram vítimas dessa monstruosidade. Só imaginar isso, seria nojento demais pra qualquer pessoa minimamente civilizada. Fonte.

Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008

Espírito Natalino (2) - the wall, a prenda israelense

palestino_noel_APPalestino vestido de Pai Natal protesta, em Belém, contra a “barreira de segurança” que vem sendo construída por Israel na Cisjordânia. Esta barreira nada mais é que uma tentativa israelense de tomar territórios nos quais pretende-se fundar um Estado Palestino livre e soberano.

Foto AP

Sábado, 1 de Março de 2008

Profecias que se auto-realizam


Ontem:
O Ministro da Defesa de Israel avisa que um Holocausto pode vir a abater-se sobre os Palestinianos.

Hoje:
Pelo menos 32 Palestinianos mortos, mais de 70 feridos por raides israelitas só no dia de hoje (sábado, 1 de Março). Pelo menos 60 Palestinianos mortos nos últimos quatro dias (dos quais fazem parte bebés e crianças).
Adenda: Ao fim do dia de ontem (sábado) o número de Palestinianos mortos acabou em 61.

Quarta-feira, 13 de Junho de 2007

40 anos de erros

A semana passada por ocasião dos quarenta anos da Guerra dos Seis Dias o Courrier International publicou um número especial com um excelente dossier sobre esse conflito e as consequências que teve para o Médio Oriente nos últimos quarenta anos. Sem re-inventar a roda este número traz uma visão algo nova (pelo menos para mim), e coloca a Guerra dos Seis Dias como momento fundador do confilto Israelo-Palestiniano como o conhecemos hoje. A estrondosa vitória de Israel em 1967 tornou-se no seu maior problema. Israel ocupou então os territórios palestinianos, podia depois ter trocado Terra por Paz mas ficou com a Terra. Não oferece qualquer contestação a necessidade que Israel tinha de fazer a Guerra dos Seis Dias para a sua própria sobrevivência naquele momento. A questão é a de saber o que fazer depois com a vitória. Os Partido Trabalhista, força política claramente dominante na altura, preferiu perseguir o sonho da Grande Israel, ocupou e começou de imediato a contruir colonatos (enganando o aliado americano, para depois fazer a política do acto consumado). A prazo não conseguiram nem a Grande Israel nem a Paz, o que ditou a destruição do próprio Partido Trabalhista e abriu a via para as forças políticas religiosas. Aliás o fenómeno simétrico aconteceu do outro lado, entre palestinianos como entre israelitas o conflito asfixiou os movimentos laicos e catapultou o extremismo religioso.
Do outro lado também abundaram os erros. Os países Árabes vizinhos nunca souberam (nel quiseram) negociar a Paz com Israel, nem os Palestinianos tão pouco. Arafat sempre foi muito mais um chefe de um movimento de resitência armada do que um Chefe de Estado. Nunca hesitou em comprar alianças e dividir as hostes para manter o poder (o que provavelmente não é alheio aos conflitos entre palestinianos que se vêm hoje).
Este número do Courrier International têm testemunhos dos que viveram a Guerra dos Seis Dias de ambos os lados. E sobretudo, o que apreciei bastante, apresenta opiniões de israelitas e palestinianos críticos para com o seu próprio campo. Como por exemplo o psiquiatra palestiniano Eyad Al-Sarraj que escreve um artigo de opinião defendendo que os palestinianos não aprenderam nada com os seus próprios erros, nem com as vitórias e derrotas de outros povos (como África do Sul e Argélia por um lado e Somália por outro). Apresenta também a visão de uma nova geração de historiadores do conflito. Por exemplo é Gershom Gorenberg, um desses historiadores, que refere que os Trabalhistas enganaram os governo americano com respeito aos colonatos, para levar a cabo a política do facto consumado.
No final a opinião consensual é, tragicamente, que nada de substanical mudou nos últimos quarenta anos. A Guerra dos Seis Dias criou um problema que persiste, sem melhorias e sem solução à vista. Para resumo vale a pena ler o editorial (na coluna da direita) de Philippe Thureau-Dangin, e este outro no The Economist a que o primeiro faz referência.