Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Apenas mais um #2

Um: escrevi disto como quem lê isto. Um artigo sobre Girls a perseguir a pópe sonhadora e os pores-do-sol em São Francisco. Como já interroguei antes, será a pópe arte? A canção faz parte da vida? Sim, com certeza. A vida será feita de canções mas muito mais que isso. Hierarquias ou teorias dos conjuntos. Dois: o disco é um bom disco, pleno de sonho e de exercício de memória. Um conjunto de canções que recorda os primeiros tempos do rock, a pópe dos anos 60 e o shoegaze do final dos anos 80 dos grupos do Reino Unido. O vídeo que acompanha a mensagem demonstra a última parte da equação anterior e deste modo faço as pazes com a maioria e com a luz da manhã.

Domingo, 4 de Outubro de 2009

Prioridades

Quando não se compra o bilhete a tempo os bilhetes podem esgotar. Aconteceu-me na última semana com o concerto de Quinta-Feira na Zé dos Bois. Ainda fiquei na lista de espera, mas por não ter a certeza que entraria fiquei a descansar depois de uma semana de baixas tensões. Logo, não assisti ao concerto de Fuck Buttons. A minha relação com esta banda ficou no primeiro disco. Um disco interessante com barulho do bom. O segundo ainda não ouvi. É consequência de existirem prioridades. Primeiro os nossos, obviamente. Depois, se sobrar tempo, os outros. Infelizmente as prioridades dos restantes parecem ser outras.

Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Garagem da Rua das Chagas



Os Velhos. Da direita para a esquerda, Sebastião, P. Lucas, Francisco Xavier e Zé Preguiça.

Quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

Apenas mais um

Caro Adriano, tiras-me as palavras da boca. Sobre o Album de Girls, que mostra bem hoje que um "bom" número no sítio "certo" faz disparar a notoriedade de uma banda. É que é mesmo como dizes, o disco incita à criação e não à adoração. Por aqui é cada vez mais difícil adorar a sério alguma coisa. Sejam os antigos, sejam os novos. A vida acima disto sempre. Girls é bom, claro. Canções de fazer amor. Na vertical ou na horizontal. É apenas mais um. Mais um criador, um bom criador de canções, daquelas que já ouvimos desde sempre. Como qualquer disco com algum sol feito na Califórnia. Em Lisboa, como o Outono comprova, também há sol.

Terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Clássico do Hip Hop #7

Em 2009, Jay-Z já ultrapassou Elvis Presley no número de álbuns lançados a chegar ao primeiro lugar da tabela de vendas nos Estados Unidos. O relevo não irá para este facto nesta entrada. O relevo irá para o tema "Hard Knock Life (Ghetto Anthem)", presente no terceiro disco de Jay-Z, estabelecido no subterrâneo com Reasonable Doubt e dando um passo para o predomínio com o segundo disco. O terceiro disco é algo inconstante, por isso mesmo uma grande canção destaca-se ainda mais. Aproveitando uma amostra do tema com o mesmo nome do musical Annie e com a produção de 45 King, a canção é incrivelmente simples mas de uma eficácia atroz. Por direito próprio e para sempre no salão da fama do género e possivelmente tão grande como "Love Me Tender".



Artista: Jay-Z
Faixa: Hard Knock Life (Ghetto Anthem)
Álbum: Vol. 2... Hard Knock Life
Ano: 1998
Verso: From standin on the corners boppin
to drivin some of the hottest cars New York has ever seen

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Sábado, 26 de Setembro de 2009

Estilo de vida

Sair do trabalho, na zona dos Anjos, para ir até ao Chiado assistir ao concerto de Blues Control. O trânsito caótico de uma sexta-feira à noite e decidimos estacionar na zona do Rato. Saímos e caminhamos a pé pela rua com mais charme de Lisboa, o conjunto Escola Politécnica, Dom Pedro V, São Pedro de Alcântara, Misericórdia, Alecrim. É precisamente no miradouro de São Pedro de Alcântara que paramos. Olhamos e descemos ao jardim dos bustos. Sentamo-nos enquanto a miúda do quiosque escolhe os temas que escutamos: Daft Punk, Phoenix, Empire of the Sun. Subimos e seguimos até ao Museu do Chiado. Assistimos primeiro à instalação sonora e visual da Tropa Macaca e depois à enorme lição ao vivo de Blues Control. O caminho de volta é feito com um disco na mão com a capa mais fixe do ano. No bairro não se conseguia passar tal era a multidão. Estilo de vida ou apenas mais uma noite vulgar na nossa cidade.

Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Sem ortodoxia

Sem tirar nem pôr, não tenho a mínima dúvida ao afirmar que a banda Diabo Na Cruz será próxima coisa grande nesta terra de loucos que estão certos. A mistura tradição que desagua no róque independente da escola portuguesa dos anos 00 tanto dará para o menino mais estudante dançar como para a rapariga de gancho em vias de extinção dizer que não gosta, para depois entrar no baile. A grande banda está já reunida e o trintão Cruz convocou o Fachada, o Barata, o Pinheiro e o Gil para a grande fanfarra. E atenção, o fonograma não contém ortodoxia cristã. Assim, sem ortodoxia.

Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Hipnagogia e Hauntologia

Existem poucas coisas que leio até ao fim. Uma das últimas coisas que li até ao fim foi o artigo na revista The Wire sobre Hypnagogic Pop escrito por David Keenan. Uma das mais interessantes reacções ao já famoso artigo na revista The Wire está aqui. O interessante aqui é ver como Simon Reynolds tenta desconstruir a etiqueta aparentemente criada naquele artigo a favor da sua etiqueta, a Hauntologia. Será então a Hipnagogia hauntológica ou a Hauntologia hipnagógica? A tentativa de explicar movimentos e criações sonoras dá nisto: artigos e opiniões a ler para no momento a seguir deitar fora. As etiquetas são lixadas.

Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

Norte de África

E hoje Portugal sentiu Os Golpes. A Antena 3 e seu programa da manhã dedicou um espaço a um pequeno concerto da banda em versão acústica. A iniciativa partiu dos bons amigos da outra margem, o Barreiro Outras Músicas e o Tiago Sousa. Ao escutar os arranjos das canções lembrei-me imediatamente do Cantigas do Maio do José Afonso e da produção do José Mário Branco. Portugal já merecia outro momento destes há quase quarenta anos. Os Golpes vão estar no próximo dia dezoito no Auditório Municipal Augusto Cabrita no Barreiro, num festival que inclui nomes como Carminho, B Fachada, Tó Trips, entre outros. Bom dia Portugal, bom dia Açores e Madeira, bom dia norte de África.

Terça-feira, 15 de Setembro de 2009

Passatempos

Os novos passatempos destes tempos passam por listar tudo o que tenha a ver com a música e com as canções. Já não bastavam as listas do fim do ano, como agora começam a existir listas do meio do meio do semestre para eleger os melhores cinquenta da década passada a criar listas que passado uns dias já não terão interesse algum. Deste lado prepara-se o regresso aos discos. Reuniões com bandas, estratégias de lançamento, tele-discos e afins. O que interessa é olhar para o futuro e não para o passado. E o futuro, como se sabe, não vem em nenhuma lista.

Domingo, 13 de Setembro de 2009

O Traço Singular

Setembro marca também o regresso aos concertos de uma forma mais regular. Ontem, no Maxime, Os Pontos Negros regressaram a Lisboa depois da passagem por diversos festivais de Verão. Daqui da Ribeira agradece-se a dedicatória na canção em que se canta "mostra-me o teu traço singular, aquele que mais quero vislumbrar". O exemplo está dado e será com o vosso exemplo que iremos largar amarras e partir em direcção ao presente da música pópe portuguesa. O traço singular de cada uma das bandas do nosso tempo já não se apaga e com o tempo só irá tornar-se mais marcado e mais forte.

Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

Almada Negreiros



Começar
Almada Negreiros (1968/69)
Painel gravado em pedra
Átrio de entrada do edifício principal da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal

Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

O Verão Azul

O Verão teima em chegar ao fim. No fim não irá acabar. Até estar tudo gravado e preparado para apresentar ao público, a banda-projecto pode acabar, pode renascer, pode modificar-se, pode até mudar de nome. Tudo acontece porque nada acontece. Se nada acontece os substantivos voam e aterram noutras paragens. Por isso o substantivo encontrado é o reflexo do tempo presente e é muito melhor. Em breve a banda-projecto deixará de ser projecto e passará a ser uma banda. Antes que o Verão acabe e venham as outras estações do ano.

Sexta-feira, 4 de Setembro de 2009

O Verbo e as Paisagens

Dois discos novos para uma entrada pela porta grande em Setembro: Logos e Landscapes. Atlas Sound e ducktails. Bradford Cox e Matthew Mondanile. Antes de escutar os dois discos é forçoso olhar para as capas. Duas ideias diferentes mas o conceito por trás do resultado tem uma semelhança: a queimadura das imagens. Na capa de Logos, Bradford Cox queima a cara. Na capa de Landscapes, Matthew Mondanile queima o fundo por trás das inevitáveis palmeiras. O verbo e as paisagens marcam o regresso à palavra e ao espírito do sonho.

Terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Sala-quarto de ensaio

A sala-quarto de ensaio montada a preceito tem ajudado bastante na conclusão dos arranjos. Está montado um quadrado. Num dos lados, ao fundo junto à janela, a maquinaria informática e o sequenciador dos efeitos mais a mesa de mistura. No lado direito, como quem está de costas para a janela, o sistema de som com sub-grave ligado ao computador pessoal. No lado esquerdo o sintetizador Juno-60 e em frente, no último lado do quadrado, uma velha aparelhagem com quatro colunas para emitir o som do sintetizador. À nossa volta muitos brinquedos. Por isso surgiu a marcha maléfica da feira popular, que irá ficar para sempre presa a esta sala-quarto de ensaio.

Domingo, 30 de Agosto de 2009

Esse momento

As palmeiras esperam os arranjos dos instrumentais e das vozes. Neste momento já está muita coisa definida mas ainda há muito por decidir. Sem qualquer espécie de pretensiosismo, apenas a intenção de fazer deste o nosso tempo, vamos definir o resto enquanto mergulhamos naquela piscina. As notas serão desconhecidas, o estudo aproximado, o esculpe incalculado. A pedra está já pronta e as amostras funcionarão como base para construir e edificar aquilo que se convencionou chamar canção. O golpe é dado naquele momento. Aquele momento que define tudo. O momento chegou. Esse momento.

Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Disco Disco Disco #4

E ao quarto disco disco disco presta-se homenagem ao enorme Giorgio Moroder. Já o tinha referido na terceira entrada dedicada à bola de espelhos e derivados, mas agora é a solo. Como vou de férias é necessária banda sonora que acompanhe este curto período de banhos nas falésias algarvias. Nada melhor que recordar a película O Expresso da Meia-Noite e a sua música. Giorgio Moroder, o responsável original. Por isso o vídeo que acompanha a entrada tem imagens do filme. Tema escolhido: "Chase". Um exemplo das infinitas possibilidades da junção dos sintetizadores e das batidas para produzir cosmicidade.


Artista: Giorgio Moroder
Faixa: Chase
Produtor: Giorgio Moroder
Ano: 1978
Facto: "Chase" faz parte do disco Midnight Express, que ganhou o Óscar para melhor banda sonora em 1979.

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Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009

Nomes de bandas

Enquanto não vou de férias crio mais bandas imaginárias na minha cabeça. As bandas do presente estão aí no lado direito do vosso ecrã e terão novidades até ao fim do ano. As outras bandas ainda estão na minha cabeça. Mas confesso que gostaria de as registar já, para ter exclusivo dos nomes. Grande parte do interesse de uma banda está no nome. E como ainda são ideias precoces ainda não arrisco a partilhá-las por aqui, até por que estou sempre a desafiar toda a gente a começar bandas e ainda me roubavam os nomes.

Sexta-feira, 14 de Agosto de 2009

Coração de Cristal

Será o teledisco do momento. Chegou ao Gorilla vs. Bear via Fader, que estreou o vídeo, e dois dias depois chegou à Pitchfork. Maior publicidade não poderá haver, logo chegou aqui à Ribeira das Naus. O vídeo contém excertos do filme "Coração de Cristal" e mostra imagens da actriz Tawny Kitaen apaixonada pelo rapaz de cristal, Lee Curreri, o Bruno Martelli do "Fama". Tawny Kitaen, "Here I Go Again", Whitesnake, procurem. O teledisco é para o lado A do EP Call & Response de Memory Cassette, que contém a "Surfin" e a "Body In The Water".

Terça-feira, 11 de Agosto de 2009

Sudoeste ao longe

Não fui ao Sudoeste este ano e por isso perdi a primeira aparição do Giro. No jornal dizem que os concertos terão sido uma espécie de epifania. Isto é: a compreensão da essência ou significado de algo. Mesmo ao longe eu acredito. Não só pela minha experiência passada, mas sobretudo pelos vídeos e fotografias que germinam em catadupa pelas ferramentas de redes sociais internáuticas. Aquele palco foi iluminado. Abençoado com toda a certeza. E mais um pormenor: há cada vez mais gente em palco. As epifanias sempre foram um privilégio de poucos. No futuro seremos cada vez mais em palco e cada vez menos na plateia.

Sábado, 8 de Agosto de 2009

Homens Loucos

Séries, histórias divididas em vários episódios com uma linha temporal definida, com o mesmo elenco, personagens com os quais o público se pode relacionar, uma época, um local, vários locais, planos, cortes. Cada vez vejo menos séries e raramente acabo uma. Só vejo o Seinfeld. Vi hoje um episódio de uma série passada no início dos anos 60 e gostei dos balões da festa e da brilhantina no cabelo. Fui investigar e chama-se Mad Men. Homens Loucos. Está bem. Escreve-se que é o sucessor d'Os Sopranos. Vi alguns dos oitenta e seis episódios. O Tony morre no fim, certo?

Quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

Clássico do Hip Hop #6

Constituídos por Havoc e Prodigy, os Mobb Deep são responsáveis por um dos discos de Hip Hop que mais escutei até agora. The Infamous, o disco, não perdoa. A negritude da produção funde-se com a nitidez das letras originando canções de pura emoção e dureza psicológica. A minha escolha para ilustrar esta descrição passa por "Survival Of The Fittest", cuja descrição no tubo é clássico de Queensbridge. Há dúvidas? Produzido por Havoc, registo a sobrevivência do mais adaptado à sub-urbanidade de uma grande cidade dos E.U.A.



Artista: Mobb Deep
Faixa: Survival of the Fittest
Álbum: The Infamous
Ano: 1995
Verso: We livin this til the day that we die
Survival of the fit only the strong survive

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Sábado, 1 de Agosto de 2009

Não vale nada

A arte não vale nada. Se fosse esta a frase central desta película era provável que não tivesse adormecido. Adormeci e não vi o fim e por isso não sei se o filme era bom ou mau. Vi o meio do filme e o início. O fim não vi. Adormeci. Mas no jornal dizem que é bom. O meio foi bom. Espanha, Madrid, os quadros, os instrumentos, os truques, as danças, os corpos a dançar, deitados, nus. Emoção à flor da pele da pálpebra dos olhos que fecham antes do filme chegar ao fim. A película e esta forma artística está morta e a arte não vale nada.

Quinta-feira, 30 de Julho de 2009

Figurantes

Trabalhar em Lisboa no Verão dá direito a assistir a concertos gratuitos de bandas que passado um dia estão a tocar em Paredes de Coura. Festival que é transmitido na rádio de alcance nacional para todo o país. A mesma banda que dá um concerto para cerca de duzentas pessoas e a seguir para mais umas milhares. Os três mil figurantes que antes eram duzentos e depois são só dois. É como dizes, The Strange Boys é aquele som mesmo do interior dos Estados Unidos, mesmo profundo, texano mesmo. Trabalhar em Lisboa no Verão e não ir a um festival fora da cidade é ser figurante durante o resto do ano.

Segunda-feira, 27 de Julho de 2009

Piscina com palmeiras

Sexta-feira, 24 de Julho de 2009

Os pobres de espírito

Serão os pobres de espírito os responsáveis de uma nova antiga forma de olhar para o futuro. Os proletários das novas fábricas de produção em série em que a voz substitui as mãos e presta um serviço. São úteis, ajudam e procuram solucionar. Combaterão o conservadorismo reinante, o doce sossego do assento em frente ao ecrã do computador pessoal. Queimar tempo só pelo prazer de queimar o tempo de quem produz, cria e visiona. Por isso é cada vez mais difícil sair desse conforto. Na direcção oposta, os pobres de espírito trabalham e investem. Os pobres proletários da revolução em marcha.

Quarta-feira, 22 de Julho de 2009

Ultra-Romântico-Realistas

Este será o nosso tempo. Esse momento aproxima-se como a parede-muro de um carro com um piloto com o capacete dourado em chamas. À medida que as ideias se concretizam surgem ainda mais ideias que nunca serão realizadas porque existe um critério. Tem de existir um critério. Viver esta vida, mas com critério. Ultra-critério. Aceitar o que nos rodeia e integrar, transformar, reciclar, construir até tudo voltar ao mesmo sítio. Os antigos estão à nossa espera. À espera de nós, os ultra-romântico-realistas.

Segunda-feira, 20 de Julho de 2009

Caracteres e jornalismo

Já entrei na fase das bandeiras brancas e por vezes também é preciso destacar pela positiva o que se escreve sobre discos ou pessoas dentro da fronteira da esfera furiosa. O Miguel Arsénio fala sobre o primeiro disco dos Smix Smox Smux. E fala bem. Concordo com o tom e com todos os caracteres utilizados. O Luís Filipe Rodrigues traça um perfil do João Coração, o nome artístico do Daniel. É uma importante peça jornalística, quiça histórica, sobre alguém que esteve na origem do início da explosão daquilo que se convencionou chamar o renascimento do roque português. Também estive lá.

Sábado, 18 de Julho de 2009

A Era Moderna

O Verão é deles. O Verão é d'Os Velhos. Os Velhos são a banda que eu invejo mais neste momento. São novos, são bons e são a juventude de Lisboa com a electricidade toda ligada. Correm a pé por Lisboa, sobem e descem as colinas desta cidade. Esta bela cidade é toda deles. Lisboa é d'Os Velhos. "A Era Moderna" inicia-se agora e o Verão nunca mais será um lugar vazio de amor.

Não sabes onde é que vamos jantar
Tu já não sabes a que miradouro me vais levar
E eu tenho-te aqui no peito a arder
Terça-Feira, Feira da Ladra
E tu não estás a ver a quadra
E eu tenho que te ensinar a ler

A cantar p'ra chamar o Verão
Chamada pr'ó coração
Eu não sei se a canção é uma de sim ou não
Nunca vi o autocarro passar à frente dos bois
E o eléctrico é o estado que vem depois

O Sol vai chegar à cidade
Desaperta os cordões
Não interessa a idade
Ao alto os corações

Não sabes onde é que vamos comer
Ah, tu tens a cama arder e não vês a chama

Cantar p'ra chamar o Verão
Chamada pr'ó coração
Eu só sei que a canção vai em forma de oração
Nunca vi o autocarro passar à frente dos bois
E o eléctrico é o estado que vem depois

O Sol vai chegar à cidade
Desaperta os cordões
Não interessa a idade
Ao alto os corações

Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Férias

Férias. De volta em volta canto as férias do Corpo Diplomático. Férias dirigidas ao volante perigoso do meu carro status transit. Já não preciso de a escutar continuamente no leitor de faixas áudio multimédia. Sou um turista em Portugal, acelero na cultura C. Desço a avenida grande, sem separador no meio, até chegar à praça central. De um lado a Liberdade e do outro o Parque. Faça férias portuguesas, um país ao seu dispor, divirta-se enquanto rouba. Férias grandes.

Domingo, 12 de Julho de 2009

Nos bastidores

A fronteira que separa as bandas e o público é sempre maior num festival de Verão. O palco é mais alto e existem grades. Cria-se uma maior distância entre a banda e o público e isso contribui para aumentar a separação entre as pessoas das bandas e o público. Eles estão ali em cima e nós cá em baixo. Por isso ter acesso aos bastidores elimina esta fronteira e vê-se tudo de trás. A banda está ao nosso nível. Só quando se regressa ao lado do público é que a banda cresce e se mitifica. Se a fronteira cai entende-se que tudo ali é apenas espectáculo. Nos bastidores os Klaxons maquilham-se, os Crystal Castles jantam e os TV on the Radio conversam e tiram fotografias.

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Desenho e Recorte

Daqui a umas horas em Algés e amanhã no Porto. A maratona do Roque continua e a procura incessante de novas descobertas também. Estou a explorar a maralha do outro lado norte do Atlântico que a malta da Filho Único, do Barreiro e da Zé dos Bois gosta de trazer até à nossa margem. Dos Sic Alps aos Skaters. Skaters e relacionados. Acabei nos ducktails. Para saber muita coisa sobre ducktails basta carregar nesta ligação. Há disco homónimo lançado este ano. Uma maravilha. Haverá outro longa duração nos próximos tempos a editar na Olde English Spelling Bee. A canção "Landrunner" fará parte deste próximo longa duração e o teledisco trabalha desenho, cortes, recortes e exigiu muitas horas de montagem.

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Uma Nova Ordem

Um dos ensinamentos pessoais que levo desta aventura que iniciei há quase dois anos é a ideia que existe um antes e um depois do começo desta empresa. À minha volta quase tudo mudou. Desiludi-me com uns, surpreendi-me com outros. Ganhei e perdi. Se não fosse tão transparente e tão impulsivo seria mais calculista e mais frio. Das minhas fraquezas fiz as minhas forças. Com elas lutei por fazer chegar ao resto aquilo em que acredito. Está desbravado o caminho e agora vem aí mais gente. Não esquecerei esta frase: "Para um novo movimento, uma nova crítica". Ela não apareceu em nenhum jornal ou webzine, vem de sítios mais democráticos e com mais visão. A nova crítica é Uma Nova Ordem.

Sábado, 4 de Julho de 2009

Época Estival

A procura de amostras continua imparável. Já há matéria prima e letras escritas para gravar três canções completas. Para os arranjos e para o resto das ideias são precisos ensaios na preparação das sessões de gravação. Nesta preparação incluem-se os jogos melódicos das vozes, a duração e sequência de cada amostra, os efeitos a utilizar e a adição do sintetizador. Também é preciso integrar a peça mais importante do puzzle: o sequenciador. Depois de estar gravado é preciso misturar as pistas. Pistas misturadas e as canções estão feitas. Vão ser três até ao fim do Verão que esta época estival é dedicada à produção.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Disco Disco Disco #3

Será o clássico dos clássicos, a faixa que domina a pista sempre que é escutada. Como qualquer clássico é uma tentação e será sempre um dos discos vinil em pré-escolha porque nunca se sabe quando é que é preciso agitar de novo a pista de dança. Donna Summer é a rainha do Disco e neste single contou com a dupla de produtores Giorgio Moroder e Pete Bellotte para produzir diamante. A canção que foi considerada no momento que foi editada como o futuro da música de dança. Ainda agora será futurista. Toda a canção é baseada em sintetizadores, tem batida quatro por quatro, a voz de Donna Summer e coros. Um marco para a história da música electrónica. Não há videoclipe, devido a restrições de direitos autorais, logo há vinil a girar.



Artista: Donna Summer
Faixa: I Feel Love
Produtores: Giorgio Moroder e Pete Bellotte
Ano: 1977
Facto: "I Feel Love" é samplada na faixa "Future Lovers" de Madonna no álbum Confessions on a Dance Floor.

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