Confiro a filmografia de John C. Reilly, são já dezenas de títulos, dos quais terei visto uns vinte e tal, mas estranhamente só me lembro bem dele nos filmes de Paul Thomas Anderson. Se um grande
leading man consegue «nunca chocar com a mobília», um grande «secundário» sabe
confundir-se com a mobília. É o caso de Reilly, um «actor de composição» confiável, tranquilo, discreto, atreito a personagens humanas e decentes. Julgo que é o seu aspecto físico que determina que tenha feito tantas comédias, mas não penso nele como um comediante. Agora que a sua notoriedade aumentou um pouco, com os últimos filmes de Lynne Ramsay e Polanski, espero que lhe ofereçam papéis mais substanciais, onde a fragilidade dos virtuosos esteja mais exposta e se manifeste naquele rosto inchado de bonomia e cansaço. Papéis como o do «agente Jim Kurring», que há onze anos aprendi de cor ainda antes de ter visto
Magnólia: um polícia que perde a arma, a única coisa que não podia perder, que perde a dignidade, até a reencontrar quando se confessa a uma mulher que também perdeu tudo. Papel que ainda hoje me deixa comovido e grato.