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Terça-feira, 14 de Setembro de 2010

UE avança judicialmente contra expulsão de ciganos por Sarkozi

Sexta-feira, 9 de Julho de 2010

Um delicioso post cabalístico

Esqueçam o texto alvo de decifração e seu autor, o que interessa mesmo é o resto:
«A cabala decifrada», por Morgada de V.

Domingo, 14 de Fevereiro de 2010

O submundo de que se alimenta a xenofobia

«Revolta de imigrantes deixa Milão em clima de guerrilha»

Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010

A deriva filo-fascista ainda mal começou...

Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Um discurso perigoso de Sarkozy

Num texto publicado no «Le Monde» (ver aqui), Nicolas Sarkozy pronuncia-se sobre a interdição dos minaretes na Suíça num tom ilusoriamente moderado e potencialmente perigoso. O perigo consiste em três confusões que fortalecem a extrema-direita.
Em primeiro lugar confunde a legitimidade do referendo em França sobre a Constituição europeia em 2005 com a legitimidade de um referendo sobre a construção de edifícios religiosos de uma minoria. E acusa os críticos do referendo suíço de «desconfiarem do povo». A minha resposta é simples: no primeiro caso os franceses pronunciaram-se sobre um texto que iria afectar a sua vida. No segundo caso a maioria dos votantes decidiu sobre a vida religiosa de outras pessoas. Invocar o povo para confundir os dois casos é desonesto. O povo deve decidir sobre o que lhe diz respeito. Pelas mesmas razões acharia bem, ainda que não seja costume, que o «povo» de uma religião (uma comunidade religiosa) decidisse por voto como é que devem ser construídos os seus edifícios religiosos. Absurdo é que decida como devem ser construídos os edifícios de outra comunidade menos numerosa.
Em segundo lugar expõe uma bizarra concepção de direitos humanos. Sarkozy escreve do seguinte modo o seu ponto de vista: «Les peuples d'Europe sont accueillants, sont tolérants, c'est dans leur nature et dans leur culture. Mais ils ne veulent pas que leur cadre de vie, leur mode de pensée et de relations sociales soient dénaturés. Et le sentiment de perdre son identité peut être une cause de profonde souffrance.» O direito humano que preocupa Sarkozy é o dos povos europeus conservarem a sua identidade naturalmente acolhedora e tolerante. Qualquer pessoa que estude a História da Europa na primeira metade do século XX, incluindo a do regime de Vichy, não conseguirá engolir esta visão. A tolerância europeia foi o resultado de uma Guerra Mundial, não brota como as flores nos prados. Pior ainda é Sarkozy não associar os sentimentos de perda de identidade e os sofrimentos respectivos às mudanças sociais, à crise económica, às mutações tecnológicas, mas referir a questão apenas do contexto da presença em França de minorias religiosas – neste caso um eufemismo para o islão.
Em terceiro lugar, a sua crítica à «ostentação e provocação religiosa» e o seu apelo a uma prática religiosa discreta esconde uma discriminação. Por que raio é que um minarete há-de ser «ostensivo» e uma peregrinação a Lourdes não? Sarkozy usa a «identidade nacional» da França para definir o que é religiosamente correcto. E para deslocar o debate de questões económicas e sociais para o da imigração e da relação com minorias religiosas. Onde é que eu já li isto?

Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Identidade Nacional: Proponho que se discuta o caso dos polícias que andavam a roubar imigrantes legais

A França está em pleno debate sobre a identidade nacional, o grande debate de toda a sociedade que Sarkozy desejou, e que o seu ministro da imigração e identidade nacional (sic) tornou realidade (sobre o que já escrevemos aqui no Peão . A coisa está deveras interessante. Para começo de conversa, o ministério da identidade nacional enviou umas circulares com instruções sobre o que se devia discutir no tal grande debate nacional, e lá constava a relação entre a imigração clandestina e a delinquência (toda a gente sabe que esses malandros vêm para cá só para roubar, mas vindo do ministério tem outra legitimidade); só que depois o tal tema desapareceu dos documentos oficiais, como quem não quer a coisa. É o actual ministro, Besson, a seguir as pisadas do seu antecessor, Hortefeux, que acha que um árabe numa reunião do seu partido é uma coisa boa, quando há muitos árabes juntos é que é um problema; mas depois também veio dizer que não disse aquilo que tinha dito. Neste debate lá está também, como não podia deixar de ser, o presidente da junta, na circunstância de Gussainville - uma terriola com 40 habitantes -, eleito pela UMP de Sarkozy, que acha que este debate é essencial porque "está na altura de reagir, pois que senão vamos ser todos comidos" porque eles são "já 10 milhões pagos por nós para não fazerem a ponta dum corno"; está bom de ver, este também não é racista (vale a pena ler a justificação que faz jus ao velho "pior a emenda que o soneto"). Vá-se lá saber porquê há quem no próprio partido da maioria ache que a coisa não está a correr bem e se distancie da iniciativa.

Ora, se é para discutir a relação entre a imigração e a criminalidade eu sugiro humildemente que se discuta este caso ocorrido a semana passada em Paris, que demonstra definitivamente que existe uma relação causa-efeito entre imigração e criminalidade: dois polícias da secção encarregue da imigração ilegal entram numa loja de telemóveis, propriedade de imigrantes, sob pretexto de levar a cabo um controlo de identidade, e de passagem pela caixa dão uma baixa no imigrante. Podem ver o vídeo aqui em baixo, e sim, são mesmo polícias, no exercício das suas funções, sigam o link para ler a história toda.


Domingo, 17 de Maio de 2009

Jornada europeia pelos direitos dos imigrantes

Esta tarde, realiza-se uma jornada pelos direitos dos imigrantes em vários países europeus. As manifestações decorrerão  em Espanha, França, Hungria, Itália, Luxemburgo e Portugal (aqui começa às 15h, no Martim Moniz).

A jornada terá como divisa «Não à Europa da vergonha» e 4 reivindicações principais:
- pela regularização d@s indocumentad@s;
- pelo direito de voto;
- contra a Directiva das Expulsões e o Pacto Sarkozy;
- contra a xenofobia e a política do bode expiatório.

Esta é uma iniciativa da Pontes e não Muros, rede de mais de 300 organizações voluntárias europeias e africanas, cujo Manifesto por uma outra política imigratória será enviado aos candidatos às eleições europeias e que pode ser consultado e subscrito (para organizações) no respectivo site. O site disponibiliza ainda uma análise das políticas migratórias europeias. A carta aberta sobre políticas de imigração, lançada no passado 6/V pode ser subscrita por qualquer interessado, através do email cartaabertaimigracao@gmail.com.

A jornada vem na sequência dum Sommet Citoyen sur les Immigrations, de 2008, e da presença no Fórum Social Mundial, de 2009.

Como dizem os promotores: «A União Europeia continua encerrada numa visão repressiva, eurocêntrica e redutora das migrações. O controlo das fronteiras e a perseguição dos/as imigrantes indocumentados/as, tornaram-se as palavras de ordem das políticas migratórias na EU, como bem o demonstram a Directiva das Expulsões e o Pacto Sarkozy. Em tempo de crise, o/a imigrante tornou-se um bode expiatório, uma receita populista, conveniente para atrair votos e fazer os votantes esquecer os falhanços das políticas económicas e sociais».

Quinta-feira, 26 de Março de 2009

A extrema-direita vai mostrando as suas garras

Le Pen e o Holocausto como detalhe da II Guerra Mundial. Nada de novo: apenas mais uma a juntar à sua já extensa colecção de execráveis bojardas retóricas. Em crescendo?

Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

Humanidade sem raças?

Humanidade sem raças Este é o título do livro onde o geneticista Sérgio D. J. Pena desmistifica o conceito de “raças, cujos excertos destaco. "Não existem 'raças' humanas.Elas são produto da nossa imaginação cultural, um conceito empregado não só para estudar populações, mas também para criar esquemas classificatórios que parecem justificar a dominação de alguns grupos por outro”(...) “A Bíblia nos apresenta os Quatro Cavaleiros do Apocalipse: Morte, Guerra, Fome e Peste. Com os conflitos na Irlanda do Norte, em Ruanda e nos Bálcãs, no fim do século passado, e após o 11 de Setembro, a invasão do Afeganistão e do Iraque e os conflitos de Darfur no início do século 21, temos de adicionar quatro novos cavaleiros: Racismo, Xenofobia, Ódio Étnico e Intolerância Religiosa.” Leia aqui a resenha e o livro poderá ser comprado aqui.

Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

Sexo: Feminino. Nacionalidade: Brasileira.

schafe Foram justamente estes dados do bilhete de identidade que levou a advogada brasileira a ser cruelmente torturada por um grupo de skinheads neonazistas suíços. Paula Oliveira estava grávida de 3 meses de gêmeas e terminou por perder os bebês. Depois de ser barbaramente agredida a socos e chutes por mais de 15 minutos, cortaram-lhe o corpo inteiro com estiletes a até “escreveram” em sua barriga e pernas a sigla SVP (Scheiz Volks Partei – em português, Partido Popular da Suíça). Este partido é composto por grupos de ultradireita e xenófobos e centra toda a sua campanha eleitoral em temas populistas, onde o imigrante do país é seu principal alvo de ataque. Mais detalhes e imagens desta selvageria aqui.

Imagens: Um dos cartazes de campanha eleitoral do SVP, onde uma ovelha negra é expulsa do país por outras brancas, com o texto: "Pela expulsão de estrangeiros criminosos. Criar Segurança". Infelizmente, este não é um ato isolado de xenofobia. Abaixo, um vídeo sobre a onda de xenofobia e racismo que se alastra pela Europa.

Adendo - Finalmente um jornal europeu escreve sobre o assunto: Este episódio está a gerar alguma tensão diplomática entre a Suíça e o Brasil. Ainda de acordo a agência noticiosa brasileira, o caso ganhou contornos políticos depois de a cônsul-geral do Brasil em Zurique, Vitória Clever, ter constatado que a polícia local não abriu nenhuma investigação ao sucedido nem sequer tentou identificar os autores do ataque.



Domingo, 12 de Outubro de 2008

Por uma Europa hospitaleira

Este é um post de divulgação duma acção de protesto em Lisboa contra o reforço da Europa fortaleza, por uma Europa hospitaleira, que saiba acolher para além dos turistas (vd. aqui). O cartoon foi escolhido por mim.
"JORNADA DE ACÇÃO
Pela regularização dos(as) indocumentados(as), contra a onda xenófoba e contra o Pacto Sarkozy
Associações convocam jornada de acção para domingo, 12 de Outubro, às 15h, no Martim Moniz
Nos dias 15 e 16 de Outubro, o Conselho Europeu reunirá os chefes de Estado e de governo dos 27 para ratificar o "Pacto Europeu sobre Imigração e Asilo", aprovado no conselho de ministros realizado a 25 de Setembro. O Pacto proposto por Nicolas Sarkozy, no contexto da presidência francesa da União Europeia, visa definir as linhas gerais da UE nesta matéria e assenta em cinco pontos fundamentais: organizar a imigração legal, priorizando a adopção do “cartão azul”, para recrutamento de mão-de-obra qualificada; facilitar os mecanismos e procedimentos de expulsão e estabelecer nesse sentido parcerias com países terceiros e de trânsito; concretizar uma política europeia de asilo; reforçar o controlo das fronteiras; proibir os processos de regularização colectiva.
Depois da aprovação da Directiva de Retorno, com o voto favorável do Governo português, estas medidas representam mais uma vergonha para a Europa. O tratamento securitário das migrações, a definição de critérios discriminatórios para acesso ao trabalho, o aprofundamento da criminalização da migração, da militarização e externalização das fronteiras através do FRONTEX e a perseguição dos(as) cerca de 8 milhões de indocumentados(as) que vivem e trabalham na Europa - a quem é oferecida a expulsão como única saída -, são medidas que visam consolidar uma Europa Fortaleza, da qual não podemos senão nos envergonhar.
Em Portugal, a recente onda de mediatização da criminalidade e as recentes declarações de responsáveis governamentais que trataram os(as) como imigrantes bodes expiatórios para o aumento da criminalidade, abrem espaço para as pressões xenófobas e racistas, e criam um ambiente propício para a desresponsabilização do Governo. Em causa está a necessidade de regularização de dezenas de milhares de imigrantes que defrontam sérias dificuldades em regularizar a sua situação.
São homens e mulheres que procuraram fugir à miséria, fome, insegurança, obrigados a abandonar os seus países como consequência do aquecimento global e outras mudanças climáticas, ou que muito simplesmente tentaram mudar de vida, mas a quem não foi reconhecido o direito a procurar melhores condições de vida. Tratam-se de pessoas que não encontraram outra opção senão o recurso à clandestinidade, muitas vezes vítimas de redes sem escrúpulos, e que se confrontam com uma lei que diz cinicamente que "cada caso é uma caso", fazendo da regra a excepção e recusando à generalidade dos(as) imigrantes o reconhecimento da sua dignidade humana. Destaque-se a situação dos imigrantes sem visto de entrada, a quem a lei recusa qualquer oportunidade de legalização.
Solidários(as) com a luta que se desenvolve na Europa e no mundo contra as politicas racistas e xenófobas, também por cá vamos lutar pela regularização de todos imigrantes, sem excepção, cada homem/mulher - um documento. É uma luta emergente contra as pretensões de expulsão dos(as) imigrantes, contra a vergonha de uma Itália que estabelece testes ADN como instrumento de perseguição dos ciganos(as), contra as rusgas selectivas, arbitrárias e estigmatizantes, contra a criminalização dos(as) imigrantes, contra a ofensiva das políticas securitárias e racistas, alimentadas pelo tratamento jornalístico distorcido feito por alguns meios de comunicação social. Cientes de que está criado um ambiente de perseguição aos imigrantes na Europa, e rejeitando as pressões racistas e xenófobas dos Governos de Sarkozy e Berlusconi, organizações de imigrantes, de direitos humanos, anti-racistas, culturais, religiosas e sindicatos, decidiram marcar para o próximo dia 12 de Outubro, domingo pelas 15h, no Martim Moniz, uma jornada de acção pela regularização dos indocumentados(as), contra a onda de xenofobia e contra o Pacto Sarkozy.
ORGANIZAÇÕES SIGNATÁRIAS: Acção Humanista Coop. e Des.; ACRP; ADECKO; AIPA – Ass. Imig. nos Açores; APODEC; Ass. Caboverdeanade Lisboa; Ass. Cubanos R.P.; Ass. Lusofonia, Cult. e Cidadania; Ass. Moçambique Sempre; Ass. dos Naturais do Pelundo; Ass. dos Nepaleses; Ass. orginários Togoleses; Ass. R. da Guiné-Conacri; Ass. Olho Vivo; Ass. Recr. Melhoramentos de Talude; Ballet Pungu Andongo; Casa do Brasil; Centro P. Arabe-Puular e Cultura Islâmica; Colect. Mumia Abu-Jamal; Khapaz – Ass. de Jovens Afro-descendentes; GAIA - Grupo de Acção e Intervenção Ambiental; Núcleo do PT-Lisboa; Obra Católica Portuguesa de Migrações; Solidariedade Imigrante; SOS Racismo."
Nb: na imagem, cartoon de Oscar Banegas (in blogue Humorgrafe, 21/VI/2008).

Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

Extrema-direita checa paga bilhete aéreo a ciganos. Mas só de ida.

O Partido Nacional checo, de extrema-direita, dará gratuitamente passagens de avião aos membros da comunidade cigana para deixarem a República Checa, mas só na condição de que não retornem ao país antes de 2010. “O Partido Nacional comunica à comunidade cigana estabelecida na República Checa que está disposto a apoiar financeiramente a saída de todos e cada um dos ciganos do país”, diz o comunicado. Mais...

Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007

Parlamento da Suíça veta racista Blocher

O ministro racista da Justiça e da Polícia da Suíça, Christoph Blocher, não conseguiu ontem, em primeira votação, reunir os votos necessários no Parlamento para ser reeleito como membro do governo. Os parlamentares elegem hoje os sete membros do Executivo suíço, com a dúvida sobre se Blocher poderá ostentar o cargo de ministro por mais quatro anos. Na primeira votação, a ultranacionalista União Democrática de Centro (UDC), partido de Blocher, obteve 111 votos dos 246 legisladores que integram o Parlamento. No plenário houve momentos de tensão quando a esquerda festejou com gritos o resultado. Espero que o Parlamento suíço tenha juízo e rejeite o nome deste xenófobo definitivamente. Já há muitos canalhas no poder espalhados mundo afora. Os suíços não precisam de mais um.

Adendo:

Ufa! Agora é definitivo. Depois de 15 anos no poder, o homem forte da direita ultranacionalista, Christoph Blocher , foi finalmente expulso do governo suíço. Os imigrantes agradecem. Bye, bye cão-raivoso! Mais informação aqui.