Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012
Um Artigo Sobre o Ensino Superior no Blogue da Universidade de Aveiro
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Rui Baptista
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Passatempo conjunto "De Rerum Natura" / "Sorumbático"
O DRN, em mais um passatempo conjunto com o Sorumbático, oferece um exemplar desta obra ao melhor comentário que venha a ser feito até às 24 h do próximo dia 20 de Janeiro ao post intitulado «A Cidade dos Vampiros», que se pode ler [aqui].
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De Rerum Natura
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012
Fibonacci:O papel da Matemática em nossas vidas!
Veja também meu video no Youtube "Porque devo aprender a Matemática?"
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Helio Dias
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O VALOR DO ENSINO EXPERIMENTAL

Minha apresentação no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho do livro "O Valor do Ensino Experimental", publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos: aqui.
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Carlos Fiolhais
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A CIDADE DOS VAMPIROS

Minha crónica na última revista "C" (no desenho, traje dos estudantes de Coimbra no século XVI, segundo autores holandeses):
Coimbra mereceu honras de artigo recente no New York Times. Um jornalista norte-americano passou por Coimbra e escreveu uma curiosa crónica. Ficou sobretudo impressionado com o pitoresco dos estudantes de capa e batina, cuja aparência ele, neste tempo da Saga do Crepúsculo, não hesitou em designar de “vampiresca”. Com uma pitada de humor, acrescentou que nenhum deles lhe tentou sugar o sangue...
Tivesse, porém, o visitante vindo a Coimbra num século anterior, essa comparação não lhe teria ocorrido, até porque o Drácula de Bram Stoker só remonta a 1897. O austríaco Heinrich Friedrich Link, que visitou Coimbra em 1798, comparou o traje dos escolares ao dos padres. De facto, o hábito talar tem uma origem eclesiástica, devido à ancestral ligação entre a universidade e a igreja. Link afirmou que “as ruas estão permanentemente cheias dessas pessoas vestidas de negro que oferecem um aspecto triste e fradesco”. Não admira, por isso, que o Marquês de Pombal tenha, embora debalde, querido banir com o traje antigo e que, no início da República, a capa e a batina quase tenham sido proibidas.
No século XIX, o uniforme dos estudantes de Coimbra foi comparado com as vestes dos antigos alquimistas. Em 1842, o príncipe polaco Feliz Lichnowsky falou dos “estudantes, com um traje negro, em parte eclesiástico, em parte da idade média, como se fossem discípulos de Fausto ou de Paracelso”. E, na mesma linha, em 1866, o escritor dinamarquês Hans Christian Andersen comentou, após uma visita a Coimbra, que“o traje é pitoresco, lembra Fausto e Teofrasto”.
Estudei em Coimbra pouco após o luto académico de 1969, pelo que não usei capa e batina. Apesar de me parecer um vestuário um pouco quente para o Verão, nada tenho contra o seu uso por quem goste. Todos os visitantes estrangeiros que tenho guiado na Lusa Atenas me têm perguntado pela origem e significado do traje, pelo que não desprezo o valor turístico para a cidade dessa indumentária temporalmente exótica. Já, quanto ao resto do país, acho algo ridícula a imitação que escolas recentes têm feito das tradições coimbrãs, inventando trajes que nunca poderiam ter existido nessas instituições.
Não estranho, pois, a boa recordação que o traje de Coimbra deixa nos modernos visitantes. Mas há um passo da peça do New York Times que me chamou mais a atenção. O jornalista situa a cidade indiferentemente em dois lugares do tempo separados de três séculos e meio: “Igrejas antigas, praças pitorescas e a falta quase total de lojas internacionais podem fazer situar tanto a Alta como a Baixa na década de 1950 - ou na de 1590.” Tal significa afinal que viu, do ponto de vista arquitectónico, urbanístico e comercial, uma cidade parada no tempo. É um pouco injusto, convenhamos. O visitante podia ter referido, por exemplo, o Parque Verde, com o Pavilhão Centro de Portugal, ou o Pólo II da Universidade, com a sede da Faculdade de Ciências e Tecnologia. Mas é, convenhamos também, um pouco justo, já que à beira do Mondego, e pese embora o muito activo Departamento de Arquitectura, são raros os edifícios de traça contemporânea. Os vultos “vampirescos” dos estudantes seriam ainda mais impressionantes se, aumentando o anacronismo, os cenários fossem fachadas dos dias de hoje...
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Carlos Fiolhais
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Labels: cidades, Ensino Superior
O CENTENÁRIO DO TITANIC

Minha crónica publicada no "Sol" de sexta-feira passada (antes, portanto, do naufrágio do Costa Concordia nem Itália:
No próximo dia 14 de Abril, um navio de cruzeiro, com mail de mil passageiros a bordo, em trânsito de Southampton para Nova Iorque, parará nas águas gélidas do Atlântico Norte na posição de coordenadas 41° 43′ 55″ N, 49° 56′ 45″ W, onde, exactamente há cem anos, o RMS Titanic naufragou devido à colisão com um grande icebergue. Rezar-se-á uma oração pelas 1517 vítimas do acidente.
O Titanic Memorial Cruise recriará a viagem do que era, na época, o maior navio do mundo. As indumentárias da tripulação serão as da época, assim como as refeições e as músicas pela orquestra de bordo. Só o navio – o Balmoral – não será da época. Não haverá desta vez uma colisão como aquela que originou a inesperada tragédia. Algumas das razões da segurança das actuais viagens marítimas remontam ao inquérito efectuado logo após o acidente. De facto, essa investigação identificou factores que podiam ter evitado o desastre ou, pelo menos, minimizado os seus efeitos. Por exemplo, os passageiros de 3.ª classe morreram em percentagem maior que os das outras classes, porque, albergados nos níveis inferiores, não tinham acesso fácil aos botes salva-vidas, no nível superior. Aprende-se com os erros: As leis que presidem à construção naval melhoraram, os procedimentos de segurança foram reforçados (com a obrigatoriedade de salva-vidas para todas as pessoas a bordo) e até patrulhas de detecção e destruição de icebergs foram instituídas.
Uma das tecnologias que os navios modernos utilizam surgiu precisamente em virtude do desastre. Trata-se do sonar, o uso de ultra-sons para detecção de obstáculos graças ao fenómeno do eco. Já se sabia no século XIX que os morcegos tinham uma propriedade estranha: viam com os ouvidos! Mas só com as notícias do Titanic o meteorologista inglês Lewis Richardson se lembrou de criar um invento baseado no princípio que a evolução desenvolveu nos morcegos. O sonar haveria de ser aperfeiçoado durante a Primeira Grande Guerra para detecção de submarinos pelo físico francês Paul Langevin (o mesmo que teve em 1911 uma relação escandalosa com Madame Curie).
O desastre do Titanic continua a desencadear o uso de novas tecnologias. Foi assim que o oceanógrafo norte-americano Robert Ballard detectou em 1985 o sítio do naufrágio para a seguir efectuar uma campanha arqueológica, que permitiu resgatar objectos que têm andado pelo mundo em exposições. E é assim que, em Abril próximo, a recente tecnologia do cinema a três dimensões vai permitir estrear uma nova versão de um dos mais famosos filmes de sempre, o Titanic, de James Cameron, com Leonardo di Caprio e Kate Winslet nos principais papéis. Àqueles que não arranjaram lugares no Titanic Memorial Cruise resta-lhes a consolação de viverem a experiência multimédia no cinema.
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Carlos Fiolhais
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Labels: Tecnologia, viagens
Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012
I Colóquio de História da Alimentação na Antiguidade
Os temas da Alimentação, da produção alimentar e da gastronomia entraram, nos tempos recentes, entre os tópicos de discussão e de reflexão do homem comum, granjeando uma popularidade sem precedentes nos meios de comunicação e de entretenimento actuais.
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Helena Damião
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Labels: alimentação, História
Rousseau segundo Barzun: o Bom Selvagem como abstracção
Não dominando, com destreza de especialista, a obra de Jean-Jacques
Rousseau, tenho tido curiosidade e oportunidade de conhecer diversas leituras
que dela se fazem. Até ao presente, nenhuma me pareceu tão clara e precisa como
a que saiu da pena de Jacques Barzun. Em quatro páginas e meia, este professor
e historiador da aventura humana, que recentemente foi lembrado neste blogue, apresenta o filósofo, esclarece o seu pensamento, desfaz
equívocos. Fiquemo-nos por dois desses equívocos, que, aliás se interligam: o
Bom Selvagem, objecto deste post, e
a Recusa de Educação em «Emílio»,objecto de post seguinte.
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Sigamos, então, as palavras de Barzun.
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“Nos escritos académicos, bem como nos textos jornalísticos, o
nome de Rousseau e o adjectivo «rousseauniano» são utilizados para caracterizar
opiniões que ele jamais defendeu (…). Para que conste: Rousseau não inventou
nem idolatrou o «bom selvagem», não exortou ao «regresso à natureza», não
afirmou que o homem, tendo nascido livre e vivendo acorrentado, deve
libertar-se das suas correntes (…)”

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Helena Damião
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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012
"Todos têm direito à educação"
Ontem, numa entrevista de telejornal, perguntaram a uma professora universitária dum departamento de economia, ao que soube muito conceituado, em que é que aconselhava os portugueses a investir.
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Em casa própria, não; em educação, seguramente. Explicou com algum detalhe: a tendência é do Estado recuar nesta matéria, pelo terão de ser as famílias a garantir a educação dos seus filhos.
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E disse isto com muita segurança, sem uma nota de apreensão, sem mudar o tom de voz, sem deixar de sorrir.
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Foi sobretudo a forma do discurso que me levou a escrever este pequeno apontamento, para lembrar (será preciso?) que o direito à educação, com destaque para a educação escolar, constitui um passo civilizacional, que só foi possível darmos na Modernidade. Portugal deu esse passo mais tarde do que muitos países ocidentais, mas deu-o.
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"Todos têm direito à educação": é o que está consagrado na Constituição da República Portuguesa (Artigos 73.º e 74.º), e na Lei de Bases do Sistema Educativo, nas suas versões de 1986 e de 2005 (Artigos 2.º e 3.º). E já estava consagrado na Lei n.º 5/73, de 25 de Julho, mais conhecida por Lei Veiga Simão (Base II).
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O que se explica em todos estes documentos fundamentais é que, por questões de princípio, a sociedade assume a educação formal, para que nenhuma criança e/ou jovem fique privado de tal bem.
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Se por alguma razão a sociedade deixar de o poder assegurar, deve ser com um grande,um imenso, pesar que nos devemos referir a esse retrocesso, sobretudo se estivermos conscientes do que isso significa para cada um, para a própria sociedade e para a humanidade.
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Helena Damião
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Labels: direito, educação escolar
Domingo, 15 de Janeiro de 2012
“Para que serve a literatura” – 2
Em texto anterior reproduzi algumas perguntas formuladas por Antoine Compagnon (na imagem abaixo) que, no presente, se
nos impõem em torno da “relevância ou significância” da literatura na vida e,
mais especificamente, do seu lugar na escola, “onde os textos documentais
invadem o seu espaço, quando não o devoram” (página 20).
Inspirando-se em Zola, afirma que “a literatura constitui um exercício de pensamento e experiência de escrita”, que “corresponde a um projecto de conhecimento do homem e do mundo” (página 24).
“Lemos porque, mesmo se ler não é imprescindível para se viver, a vida se torna mais livre, mais clara, mais vasta para aqueles que lêem do que para aqueles que não lêem" (página 24). "Com a literatura (…) o exemplo substitui a experiência, para inspirar máximas gerais ou, pelo menos, uma conduta em conformidade com tais máximas” (página 31).
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“Ela liberta o indivíduo da sujeição às autoridades, pensavam os filósofos. A literatura é de oposição: ela tem o poder de contestar a submissão ao poder. Enquanto contra-poder, ela revela toda a extensão do seu poder quando é perseguida” (página 32).
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“A literatura, enquanto instrumento de justiça e de tolerância, e a leitura, enquanto experiência de autonomia, contribuem para a liberdade e para a responsabilidade do individuo, valores esses, das Luzes, que presidiram à fundação da escola republicana” (página 31). A “literatura, simultaneamente sintoma e solução do mal-estar na civilização, dota o homem moderno de uma visão que vai além das restrições da vida diária" (página 33).
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“O poeta e o romancista dão-nos a conhecer o que estava em nós, mas que ignorávamos por nos faltarem as palavras” (…) “dispõe do poder (…) de desvendar uma verdade não transcendente, mas latente, presente em potência escondida fora da consciência, imanente, singular e até então inexprimível” (página 35-36).
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Por tudo isto e muito mais, Compagnon defende que “urge fazer novamente o elogio da literatura, protegê.-la da depreciação, na escola e no mundo” (… ) Enquanto fonte de inspiração, a literatura ajuda o desenvolvimento da nossa personalidade ou à nossa ‘educação sentimental’ (…) Ela permite aceder a uma experiência sensível e a um conhecimento moral (…). Já que o próprio da literatura é a análise das relações sempre particulares que unem as crenças, as emoções, a imaginação e a acção, ela contém um saber insubstituível, circunstanciado e não resumível acerca da natureza humana, um saber das singularidades” (página 31).
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"A literatura deve, desde logo, ser lida e estudada pelo facto de proporcionar um meio – alguns dirão mesmo o único – de preservar e de transmitir a experiência dos outros, os que estão afastados de nós no espaço e no tempo, ou que divergem de nós pelas condições de vida.”
Em suma, remato eu, “a literatura é um exercício de pensamento; a leitura, uma experiência dos possíveis” (…) ela resiste à estupidez não com a violência, mas antes de forma subtil e obstinada" (página 49 e 48).
Referência completa:
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Helena Damião
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SORRIA!
A alegria evita mil males e prolonga a vida (William Shakespeare)
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Helio Dias
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Labels: divulgação da ciência
Alves Redol - Horizonte Revelado
Informação chegada ao De Rerum Natura.
que terá lugar de 19 a 21 deste mês de Janeiro,
na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e no Museu do Neo-Realismo, que fica em Vila Franca de Xira.
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Helena Damião
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Labels: literatura
"Para que serve a literatura?"
Trata-se duma lógica que não interessa a muita gente. Não interessa, por
exemplo, a Antoine Compagnon, professor de Letras do Collège de France, que
procura, em particular, o sentido da Literatura.
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Helena Damião
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Labels: literatura, Livros
Sábado, 14 de Janeiro de 2012
JACQUES BARZUN FEZ 104 ANOS!
Post de António Mouzinho:
O historiador Jacques Barzun, nascido a 30 de Novembro de 1907, fez há pouco mais de um mês 104 anos. Francês, foi para os E.U.A. em 1920, vindo a naturalizar-se e aí fazendo a sua intensa vida de pensador, historiador e professor, sempre com enfoque no espírito humano.
Quem tenha a curiosidade de o ver entrevistado a 12 de Setembro de 2010 (com quase 103 anos…), pode usar a ligação aqui.
Há mais registos na internet; este passa por ser a conversa pública mais recente, pelo que pode satisfazer uma curiosidade: como é que conversa?
Encerrou o milénio, em 2000, com o livrinho From Dawn to Decadence — 1500 to the Present; 500 Years of Western Cultural Life. Na minha edição tem quase 900 páginas: New York: Perennial, 2001.
Foi-me oferecido por um amável e atento genro canadiano; há uma edição portuguesa de 2003, na Gradiva, igualmente gorda: «Da Alvorada à Decadência—De 1500 à Actualidade; 500 Anos de Vida Cultural do Ocidente».
Dele diz Gertrude Himmelfarb: «From Dawn to Decadence é uma memória pessoal, espirituosa, erudita, arrojada e, acima de tudo, sábia, do passado meio milénio. A leitura faz-se até ao fim com interesse redobrado, voltando-se então atrás repetidas vezes, para saborear novamente passagens favoritas da obra.»
Deixou para trás homens da «Nova» História. Não foi campeão de nenhuma das modalidades desportivas mais esotéricas praticadas por colegas com paixões estatísticas, analíticas, annalíticas, psicanalíticas, sociológicas, antropológicas, marxistas (e, seguramente, mais três ou quatro). Utilizou, no entanto, tudo aquilo que julgou pertinente numa História narrativa, de estrutura «tradicional». Neste momento, está igualmente a deixar para trás os colegas Pós-modernos. O tempo passa; os colegas vão-se gastando… os movimentos idem.
Assim sendo, arrisca-se a estrear o Pós-pós-modernismo; de raiz tradicional.
Estamos, por conseguinte, de parabéns.
Ao historiador, veementemente, vida e saúde!
António Mouzinho
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De Rerum Natura
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Labels: historia
Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012
VIDEO: Aquecimento Esclarecido
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David Marçal
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Labels: alterações climáticas, ambiente, humor, Teatro
A Investigação Científica e os Cérebros de Galinha
“O melhor conselho que já ouvi para um jovem cientista foi-me dado por um dos meus mentores: ‘Jovem, tome cuidado, não vá você encontrar o que procura’” (Ralph Gerard, “O Homem e a Ciência do Homem”).
Um comentário do leitor Joaquim Manuel Ildefonso Dias leva-me a dirigir-lhes estas palavras iniciais: cá estamos nós,novamente, a dialogar com enorme prazer meu pela forma como expõe os seus argumentos,as sua dúvidas, as suas inquietações. Argumentos e dúvidas que inquietam quem não vive de certezas inamovíveis, qual rochedo de Gibraltar, ou anda ao sabor de opiniões alheias.
Em comentário ao meu post “Quem tem medo de uma Ordem dos Professores?” (10/01/2012) , coloca este leitor em confronto duas atitudes profissionais de dois matemáticos e investigadores portugueses com perspectivas diferentes: emigrar ou ficar no país, referindo-se, respectivamente, à professora Irene Fonseca e aoProfessor José Sebastião e Silva. No que se refere aquela escalpeliza ela as diferenças entre a investigação científica que se pratica nos Estados Unidos e em Portugal,numa entrevista por si dada a um jornal nacional, em início deste mês, aquando de passagem pelo seu país para passar as festividades natalícias.
Nela, apresenta, esta investigadora a trabalhar no outro lado do Atlântico, um rol de razões para não voltar a Portugal, de que destaco: 1. Tempo para investigar; 2. O facto da administração Obama que, apesar da crise económica do país, ter aumentado o orçamento para a ciência; 3. Apesar dos cortes orçamentais feitos na terra do “tio Sam” ter a National Foundation sido poupada.
Pelo contrário,Portugal, por muito que custe dizer e mais em aceitar, em vez de apoiar os seus cientistas, um capital com juros garantidos, ainda que à la longue, mais se preocupa com as suas clientelas partidárias atribuindo lugares de destaque (ou até sinecuras chorudas), ainda que sem generalizações abusivas, a verdadeiros “cérebros de galinha”. Repare-se que as bolsas atribuídas a quem se dedica à investigação são escassas e mal remuneradas,quase diria, com um certo exagero, dando, tão-só, para o pão do dia-a-dia esem garantia de continuidade. Depois, e julgo que foi Otto Glória, treinador do Benfica na década de 50, quedisse que “sem ovos não se fazem omoletas”. Ou seja, sem laboratórios devidamente equipados e pessoal bem pago é muito difícil fazer obra de jeito. A propósito, li algures, em idos tempos, que uma boa biblioteca exige ao lado uma boa cozinha porque nem só do espírito vive o homem, hoje, despojado do dualismo cartesiano.
Compreendo e concordo com as objecções que são feitas pelo leitor acerca desta questão que se coaduna, todavia, com a actual filosofia, espelhada em textos legais, da Comunidade Europeia de livre circulação de pessoas e bens e, mais do que isso,para utilizar um lugar-comum, na aldeia global em que o mundo se tornou e na visão materialista da sua gente para quem o ter se sobrepõe ao ser, - outro lugar-comum.
De tudo isto, relevo, transcrevendo-o, o final do comentário deste leitor:
“O Professor José Sebastião e Silva, -o maior matemático português, mundialmente conhecido – também teve convites para leccionar nas melhores Universidades do Mundo, inclusivamente dos EUA, e a resposta dele foi:“Tenho de ficar. Não posso deixar estes rapazes e raparigas ao abandono, sozinhos naquilo que comecei …”. Referia-se à remodelação do ensino da Matemática, então em curso.
Por isso, os argumentos que os Sr(s) “cérebros” invocam deveriam ser para regressar de imediato, e não o contrário, não é assim, Professor Rui Baptista?”
Pois é, mas, como nos ensinou o vate, “mudam-se os tempos,mudam-se as vontades”. O humanismo do Professor José Sebastião e Silva, por este leitor enaltecido, e nunca será demasiado enaltecê-lo, dá o retrato de uma ilustre plêiade (que infelizmente se contam pelos dedos) de homens deste torrão natal que, ainda hoje, não se ajoelham aos pés do trono em vassalagem ao rei Midas.Felizmente que eles ainda os há neste país, por vezes, tão ingrato para quem não devia e tão grato para quem o não merece.
Sinais dos tempos e de uma sociedade que corre o risco de ser vítima da decadência romana sem ter conhecido sequer o apogeu de uma cultura grega. Depois a utopia, como li algures, é um sonho por realizar. Enfrentemos, pois, a realidade nua e crua sem perder o dever de nos manifestarmos porque, como escreveu Miguel Torga, “o homem quando perde a capacidade de se indignar perde a própria razão de ser”!
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Rui Baptista
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Labels: Ensino
Química das coisas boas: castanhas assadas
O odor das castanhas assadas e o fumo que sai dos assadores nas ruas não deixa ninguém indiferente. No entanto, só há relativamente pouco tempo alguém se lembrou de analisar o cheiro das castanhas assadas.1
As castanhas são um fruto muito rico em hidratos de carbono, especialmente amido e sacarose, tendo, comparativamente, poucas proteínas e gorduras. Nestas últimas são significativas as quantidades dos ácidos linoleico e alfa-linolénico, os quais contribuem para a prevenção de doenças cardiovasculares. São também relevantes as quantidades dos aminoácidos livres, asparagina, e ácidos glutâmico e aspártico e, ainda, do ácido gama-aminobutírico, um neurotransmissor importante.2
No processo de assar as castanhas, o aquecimento acelera as reacções de Maillard entre aminoácidos e açúcares, além de desidratar e polimerizar ligeiramente estes últimos, originando a cor amarela dourada tão agradável à vista e o sabor delicioso. O calor provoca também a formação e libertação de compostos voláteis de odor característico. Embora não seja possível atribuir o cheiro das castanhas assadas a um composto ou grupo de compostos em particular,1 o odor é inconfundível.
A análise química1 revela que para o cheiro das castanhas assadas contribuem os compostos: gama-butirolactona, gama-terpineno, furfural, hexanal, benzaldeído e 4-metil-2-pentanona, entre outros em menor quantidade. Uma mistura muito complexa que é um prazer reencontrar todos anos em cada magusto.
1 Volatile compound analysis of SPME headspace and extract samples from roasted Italian chestnuts (Castanea sativa Mill.) using GC-MS, Krist S, Unterweger H, Bandion F, Buchbauer G, Eur Food Res Tech, 219 (2004) 470-473.
2 Uma revisão da composição nutricional e vantagens para a saúde das castanhas pode ser encontrada na referência: Composition of European chestnut (Castanea sativa Mill.) and association with health effects: fresh and processed products. De Vasconcelos MC, Bennett RN, Rosa EA, Ferreira-Cardoso JV, J Sci Food Agric. 90 (2010) 1578-89.
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Sérgio Rodrigues
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Labels: castanhas assadas, química




