Vivemos, há algum tempo, como que semi-adormecidos, quando não em estado de sonambulismo profundo. Algo nos embaça a visão e nos impede de ver que estamos, provavelmente desde os primeiros momentos de vida, crescentemente aprisionados nas engrenagens e repetições de nossas próprias máquinas, sujeitados a seus ritmos não-humanos, imersos em suas vibrações e hipnotizados pela velocidade crescente dos fluxos materiais e semióticos que estranhamente nos unem a elas.
O compositor brasileiro Eduardo Reck Miranda esteve no fim do Verão de 2003 em Portugal, a convite do Festival de Música Electroacústica música viva que decorreu em Coimbra – Capital da Cultura. Não apenas apresentou uma peça sua, Pythagorean Choral, como deu um curso de síntese do som e técnicas composicionais e ainda participou no Simpósio Internacional Música & Ciência. Actualmente, Reck Miranda é director de Investigação e Música Assistida por computador na Universidade de Plymouth, no Reino Unido, e professor adjunto de Inteligência Artificial e Música. — Entrevista por João Urbano
O texto que se segue é uma tradução de uma tradução e vai começar a ser lido
FICÇÃO
Entrevista a John Holland
John Holland esteve em Lisboa para dar uma palestra no decurso da Experimenta Design [2004]. Holland é o autor de duas ideias brilhantes: os algoritmos genéticos e os sistemas classificadores. Por coincidência entrevistámo-lo no mesmo hotel onde tínhamos conversado com Inman Harvey. —entrevista por Paulo Urbano e João Urbano
«O Laboratório Invisível» reúne as últimas obras criadas no âmbito do projecto BLINDSPOT, iniciado em 2004, por Herwig Turk em co-autoria com Paulo Pereira. BLINDSPOT visa criar objectos e dispositivos artísticos que procuram problematizar o valor simbólico da percepção enquanto parte integrante e contaminante dos processos de construção do conhecimento científico.
Cecilia Diaz-Isenrath, Emerson Freire e Pedro P Ferreira
A Ciência representaria hoje, no senso comum, o caminho confiável na busca incessante pelo conhecimento último (codificável), não-hierárquico (buscando diferenças de grau de uma quantidade homogênea) e não-propagandístico («objetivo»). E a imagem do «aparato» científico ainda tem forte poder nesse sentido. Para Laramée, porém, nem Arte nem Ciência devem servir como tiranos de alguma verdade. Em realidade, ela quer mostrar a característica de infinita recombinação contida nas experimentações e nos processos, comuns à Arte e à Ciência.
Proponho algumas perguntas que, não sendo rigorosas nem bem articuladas, podem estimular o diálogo online na NADA. São, portanto, perguntas para as vossas perguntas. São perguntas que tentam pensar e que, eventualmente, se apresentam já desfeitas pela sua própria tensão.
Esta é uma exposição cujo tema principal é a meteorologia. Não é a primeira vez que o nosso trabalho se apropria desta matéria. Já em projectos anteriores se pode sentir um certo ambiente fenomenológico que se refere ao ar. No entanto, parece ser adequado esclarecer de que forma este conceito é tornado complexo na obra para propormos uma exposição que se autonomiza dos projectos anteriores sem deles estar desagregado.
Como irão ver o texto começa com uma evocação, isto parece ser
necessário quando o escritor desconfia que o sucesso, ou o inevitável
fracasso, passa por outras palavras ditas com algum ilusionismo da
certeza.
O projecto Decon utiliza métodos e materiais de biotecnologia como artmedia
para criação de réplicas de quadros geométricos de Mondrian em
meio de suporte para crescimento de bactérias. As cores desses quadros
serão progressivamente degradadas por bactérias Pseudomonas putida.
«O niilismo que nos afecta confunde-se com o ser e com a sua forma redonda desprovida de arestas. A sua metáfora mais poderosa é o "mundo". Provém daí o paradoxo do niilismo ctónico: constituindo a aparente
superação da visão platónico-niilista do mundo, ele manifesta, na
realidade, a superação da necessidade metafísica de dar uma
"verosimilhança" ao ser, ou seja, do seu devir-mundo.»
A domesticação de robôs... Inman Harvey é um investigador
inglês da Universidade de Sussex na área da
robótica evolucionária. Os engenheiros evolucionários não projectam os
sistemas nervosos dos robôs, estes desenvolvem-se autonomamente através
de algoritmos inspirados na teoria da Evolução. Harvey é redondinho e
bom conversador, fala devagar. A entrevista durou exactamente o tempo
de um charuto. —entrevista por Paulo Urbano e João Urbano
Silva Carvalho (não confundir com Armando Silva Carvalho) sendo de longe o mais poderoso, conceptualmente inovador e desafiante escritor ou escrevinhador, como gosta de intitular-se, do Portugal contemporâneo, tem merecido uma atenção e recepção nulas. Pura e simplesmente não existe. A sua inexistência talvez seja consequência dos seus livros, tão exigentes, serem o reverso do que por cá se faz há dezenas de anos. Trata-se de uma escrita anti-poética ou de uma outra poética em que o documental se precipita no conceptual. Em suma, um híbrido. A porética contra a poética. A literatura contra a literatura.—entrevista por João Urbano
Ficção sobre o projecto os Colombines. Estes são micropintores muito simples e puramente reactivos que pintam uma tela virtual utilizando uma paleta com preto e branco. Distribuo os pintores numa tela vazia e estes vão movimentar-se, largando um rasto de tinta até preencherem completamente a tela.