Sábado, Janeiro 21, 2012

Da série "Frases que impõem respeito" [689]


Tenho pena de si, Álvaro.
      Miguel Sousa Tavares, hoje no Expresso, num artigo intitulado E os patrões, Álvaro?, no qual confronta o acordo de concertação social com a natureza do patronato que nos calhou em sorte

Agora já são as agências de rating que nos dizem que a crise não é portuguesa

Pedro Adão e Silva, Matar o mensageiro:
    “No fundo, é-nos dito [pela Standard & Poor’s] que a Europa não compreendeu a crise, que não vale a pena continuar a individualizar casos, como se não houvesse risco sistémico, e que, enquanto não existir uma resposta conjunta, a sucessão de pacotes de austeridade limitar-se-á a empurrar todas as economias para uma espiral depressiva. Para a S&P, a Europa parece ter assinado um ‘pacto de suicídio’.

    (…)

    A questão só pode ser uma: não terá chegado a altura de deixarmos as colagens às posições alemãs e de nos alinharmos politicamente com os nossos parceiros naturais, os que enfrentam problemas semelhantes? Que as agências de ranng possam dar um contributo para esse objetivo, não deixa de ser irónico.”

Sobre o regabofe

• Clara Ferreira Alves, À Dra. Cristas, cristãmente:
    «Os tempos estão duros. Ia eu a passar no Chiado depois de magro repasto com um amigo meu desempregado, quando reparei que nas magnânimas palavras de Vexa, passadas a título do probo “Jornal de Negócios”, “Águas vão ter 30 lugares vagos para conselhos de administração”, cito. É muito lugar. E como Vexa não pode preenchê-los todos com distintos autarcas do PSD, nem ‘vices’ do PSD (elenco de ilustres desconhecidos que todos os dias cresce) nem demais amigos do CDS, lembrei-me de mim, e se puder ser, já agora, do meu amigo.

    (…)

    Ora como as Águas ainda não têm acionistas mas, quando Vexa as privatizar, passarão a ter, e havendo grande hipótese de serem os passarões do costume, mais o contribuinte que os resgata, ou seja, todos nós, não vejo necessidade de me desqualificar por não ser escolha dos “acionistas”.»

Os sinais e as molas de viragem

Ricardo Costa, Os sinais e as molas de viragem:
    ‘Não sei a que “sinais de viragem” se referia Vítor Gaspar na quinta-feira. Mas admitindo que o ministro das Finanças não se estava a referir a sinais ocultos, os tais sinais de viragem são as emissões de dívida pública que o Estado português fez na quarta-feira.

    (…)

    É importante que o Governo não nos distraia com pontos de viragem que não existem. Portugal está a tentar descolar da Grécia, mas esse objetivo ainda não está cumprido. Mais grave, esse objetivo não pode ser garantido por uma consolidação orçamental brusca. Essa consolidação é apenas a primeira etapa. A única coisa que nos fará descolar estrurura]mente da Grécia e entrar na carruagem da Irlanda é um crescimento constante. Ora, desse crescimento ainda não há qualquer sinal à vista.’

Outro candidato natural do PSD (3)

Viegas queria manter Mega mas a escolha foi Graça Moura, lê-se hoje no Público, que informa ainda de que a recondução de Mega Ferreira lhe chegou a ser comunicada pelo próprio Francisco José.

Naturalmente, o núcleo duro dos estarolas teve de convocar o Francisco José e explicar-lhe a política:
    V. Ex.ª julga que é secretário de Estado da Cultura por ter escrito uns livros policiais ou por ter participado na arruaça que culminou na antecipação das eleições? Olhe, então, para o curriculum do Graça Moura, veja nunca regateou esforços e diga-nos se se lembra de alguém mais caceteiro do que ele.

A Standard & Poor's fez-nos um grande favor

Nicolau Santos, A Standard & Poor's fez-nos um grande favor:
    ‘Ora eu, que me tenha fartado de perorar contra as agências de rating, penso que, desta vez, a S&P’S nos fez um grande favor. Com efeito, pela primeira vez, uma agência coloca as coisas como elas devem ser colocadas, desmentindo as inúmeras e míopes declarações de vários dirigentes europeus, que nos andaram a embalar com a história que estávamos perante uma crise da dívida soberana dos países da periferia. Do que se trata, diz, preto no branco, a S&P’S, é de um problema da zona euro e não deste ou daquele país. E se é um problema da zona euro, então as decisões nacionais, sendo importantes, não são suficientes para desatar o nó górdio da questão. Só medidas supranacionais podem salvar o euro.

    O segundo favor que a S&P’S nos faz é criticar frontalmente a estratégia assente apenas no pilar de austeridade que tem vindo a ser defendida por Merkel e Sarkozy para resolver a questão. É verdade que a S&P’S e as suas duas irmãs (Moody’s e Fitch) são de uma enorme hipocrisia, porque em 2008 aplaudiram que os Estados inundassem as economias de dinheiro para salvar os bancos; mas em 2009, com a casa a salvo, exigiram draconianas medidas de austeridade para reduzir os défices orçamentais, entretanto criados por aquele efeito; e agora, como se nada se tivesse passado, vêm dizer que a austeridade só por si não conduz a lado nenhum. Como diria o Eça, é preciso topete! Mas de qualquer modo, este é o reconhecimento de que esta política de estrangulamento das economias e dos povos europeus (e com muitos a aplicar a mesma receita ao mesmo tempo) só pode conduzir àquilo que está anunciado: de um crescimento estimado de 1,9% para a zona euro em 2012 passámos num ápice para uma recessão estimada de 0,3%’
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Perplexidades de sexta-feira

1. João Gonçalves não abocanhou o CCB.
2. Cavaco ainda é presidente.

Sexta-feira, Janeiro 20, 2012

Cavaco Silva diz que 12 mil euros não lhe chegam para as despesas do mês




A sério, Cavaco Silva, que prescindiu do vencimento de Presidente da República por o montante das duas pensões que aufere ser superior, disse hoje que “tudo somado não dá para pagar as despesas” que tem.

Augusto Santos Silva...

... no Facebook:
    'Ora bem: hoje estou com sentimentos desencontrados.
    Por um lado, tristeza. Estão desaparecidas em parte incerta, há meses, entidades cujo simples nome constituía promessa de felicidade. Por exemplo,
    1. A ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, agora reduzida à enésima tentativa canhestra de alterar o arrendamento. E:
    2. O secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação (já viram? Num só só homem, empreendedorismo, competitividade e inovação; haveria recessão que resistisse a este nome?).
    Depois, sinto-me cada vez mais limitado nas minhas capacidades. Então,
    3. Há sete meses que vive nas Necessidades, mas nem sei quem é, nem sei o que faz, nem sei para o que serve uma subsecretária de Estado Adjunta do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros!
    Todavia, o dia também foi de alegrias:
    4. Alegria por um regresso: o retorno de Torres Couto ao espaço público, e logo directamente para a gloriosa galeria dos que afiançam que vem aí o fim do mundo.
    5. E alegria por uma permanência: José Manuel Fernandes continua a desmascarar o totalitarismo socrático com uma mestria inigualável. Agora, foi a denúncia do controlo directo sobre a cobertura da actualidade política pela Lusa. Estão a ver: o editor de política até veio depois a ser assessor de imprensa do dr. Passos Coelho - logo, Sócrates controlava a informação da Lusa. Genial, não é?'

Outro candidato natural do PSD (2)

Alguém que afirma (como o CC anotou aqui) que Portugal é um “país de abjecta subsidio-dependência e de calaceiros profissionais" - ou melhor, diz mesmo que Portugal é um "não-país" - vai ser presidente do CCB.

PS — Sobre o Vasco Graça Moura também vale a pena lembrar isto.
    Pedro T.

Outro candidato natural do PSD



O Governo afastou António Mega Ferreira da presidência da do conselho de administração da Fundação Centro Cultural de Belém e entregou a sinecura a Vasco Graça Moura. Aos 70 anos, Graça Moura é convocado a liderar “um novo ciclo de desafios para o cumprimento do serviço público do CCB na área da cultura”, nas palavras sempre lúcidas do Francisco José.

Graça Moura levará consigo Dalila Rodrigues, cujo curriculum é pontuado pelos problemas que criou no Museu Nacional de Arte Antiga e na Casa das Histórias Paula Rego, tendo em ambos os casos sido demitida.

O CC está em condições de divulgar, em primeira mão, extractos do discurso de Graça Moura na cerimónia de posse como presidente do conselho de administração da Fundação CCB. Sabe-se que Moura pretende dar um ar da sua graça logo a abrir o discurso:
    “ (…) podemos enumerar: a natureza calaceira dos portugueses; o seu feitio de incumpridores relapsos; a sua irresponsabilidade nas exigências desenfreadas; o corporativismo imperante nos sectores sócio-profissionais [sic]; os péssimos níveis de qualificação escolar e profissional; a iliteracia generalizada e irremediável; uma certa propensão para a estupidez e a crendice fácil que explica algumas vitórias eleitorais socialistas; a desagregação e desprestígio de todos os sistemas de autoridade democrática; o arrastamento intolerável da administração da justiça que nos torna uma vil caricatura do Estado de Direito; a neutralização do papel das famílias que são cada vez menos as células-base da sociedade; a falta de coragem e discernimento de alguns sectores da classe política, que não sabem pensar a mais de três meses de prazo e sempre de olho posto na comunicação social... Enfim, a juntar a isto, a crise de todos os valores éticos, identitários e culturais, o espírito de eleitoralismo permanente em que os detentores do poder político vivem, dos governantes aos autarcas, a pilhagem do aparelho de Estado pelos boys, a promiscuidade entre os grandes interesses económicos e a actividade política - e estou longe de ter esgotado um quadro que nos transformou num país sem alternativas e sem saída.

    O regime democrático deveria aprender a pensar-se a partir da única metáfora que seria válida para o mudar nas eleições: a vassourada. Mas talvez ninguém ouse fazê-lo, porque os arranjinhos, os compadrios, o nacional-porreirismo, a falta de nervo, intervêm infalivelmente num país que não chegou a consolidar-se como comunitário e agora enfrenta uma Europa de construção cada vez mais problemática.

    Portugal está uma porcaria.’
E, já agora, fique-se a conhecer o parágrafo final do discurso de Moura, onde volta a dar um ar da sua graça:
    “A vida dos portugueses é, e vai continuar a ser, uma verdadeira trampa, mas eles acabam de mostrar que preferem chafurdar na porcaria a encontrar soluções verdadeiras, competentes, dignas e limpas. A democracia é assim. Terão o que merecem e é muitíssimo bem feito.”
É esta a escolha da maioria de direita para o CCB.

A palavra aos leitores — “A banca e os outros”

De e-email enviado por João C.:
    «Volto a dizer que é uma bênção ler a última página do diário El País, nomeadamente com Juan José Millás (escrevendo hoje sobre Desgobierno):

      ‘En efecto, del Costa Concordia se decía lo mismo que de nuestra banca: primero, que era imposible que un buque de esas características se hundiera; segundo, que, de hundirse, era imposible, dados sus modernos sistemas de salvamento, que hubiera víctimas; tercero, que, de haber víctimas, la primera sería el capitán. Pero resulta que se hundió, que hubo víctimas y que el capitán salió por piernas abandonando a los pasajeros a su suerte.

      Nos dijeron que era imposible que nuestra banca tuviera problemas; que, de tenerlos, era imposible que hubiera víctimas; que, de haberlas, las primeras serían sus directivos. Pero nuestra banca tuvo problemas, hubo víctimas y los directivos fueron los primeros en abandonar la nave con indemnizaciones millonarias. La diferencia entre un asunto y otro es que el capitán del Costa Concordia está preso mientras que los capitostes de los bancos encallados o hundidos se encuentran en paradero desconocido, disfrutando del dinero que se llevaron al tiempo de gritar sálvese quien pueda.

      Dinero de nuestras comisiones, claro, pero no solo de ellas. Durante los llamados años de bonanza vendieron productos bancarios incomprensibles a personas que confiaron en el director de la sucursal de su barrio y que ahora han perdido todos sus ahorros; concedieron a sus clientes más vulnerables créditos que no podrían devolver a sabiendas de que no los podrían devolver, prevaricando hasta el paroxismo, signifique lo que signifique paroxismo; sobrevaloraron los inmuebles por los que se otorgaban las hipotecas, infravalorándolos luego a la hora de ejecutarlas. Realizaron, como el capitán del Costa Concordia, todas las maniobras desaconsejadas por los manuales de navegación y fueron los primeros en ocupar los botes salvavidas. Fiscales, jueces, defensores del pueblo, ¡suban a bordo y hagan algo, coño!’»

Da importância das redes sociais



Deu ontem brado: um despacho assinado por dois membros do Governo continha um estratagema para pagar, à socapa, os subsídios de férias e de Natal a uma pessoa contratada para um gabinete governamental.

A circunstância de esta situação ter sido muito falada nas redes sociais levou o Governo a agir de imediato. Hoje, é publicado, num suplemento à edição do Diário da República de ontem, um novo despacho (o n.º 793-B/2012, assinado e publicado no mesmo dia) a suspender, durante a vigência do “Programa de Assistência Económica e Financeira”, o pagamento, nos meses de Junho e Novembro, de outra “mensalidade” “a título de abono suplementar”.

Moral da história: eles andem aí.

«Agora, subitamente, a crise passou a ser "internacional", passou até a ser "do euro" e - vejam só! - tornou-se "sistémica"»

• Pedro Silva Pereira O discurso do método:
    ‘Vale a pena sublinhar, porém, o primeiro de todos os argumentos invocados pelo Ministério das Finanças para criticar a decisão da Standard and Poor's de baixar o ‘rating' de vários países da zona euro. Diz o Ministério das Finanças, logo a abrir o seu comunicado, que a decisão corresponde a uma "quebra metodológica significativa", na medida em que "a S&P parece ter substituído a sua análise individualizada por país por uma análise sistémica baseada na área do euro", o que conduz a avaliações que não reflectem adequadamente "as realidades nacionais".

    Para o Governo há, portanto, um problema de "método": a S&P é criticada por baixar o "rating" de Portugal e de vários outros países em função de uma "análise sistémica" referente à "área do euro". É difícil imaginar pior razão para fundamentar a crítica. O que a S&P questiona, em primeira linha, é a insuficiência das respostas europeias à crise e a sua insistência numa austeridade que a agência considera cada vez mais "contraproducente", com consequências que atingem a "área do euro" no seu conjunto - e cujo impacto se reflecte nos ‘ratings' a atribuir. E esta é uma análise absolutamente certeira: a resposta europeia tem estado manifestamente aquém do necessário. Melhor faria o Governo em invocar esta análise em defesa de uma resposta diferente e mais equilibrada da zona euro a esta crise, em termos que melhor sirvam os interesses nacionais e os interesses do projecto europeu.

    Mas não. Sempre fiel à doutrina Merkel, o Ministro das Finanças resolveu escrever no mesmo comunicado exactamente o contrário: as decisões tomadas na cimeira do euro, diz ele, "abrem caminho ao desenvolvimento dos mecanismos necessários para superar a crise" e "assegurar o regresso a uma trajectória de crescimento e de criação de emprego na área do euro" (sic).

    Este "discurso do método", perfilhado pelo Ministro das Finanças, não é só o sinal de uma dúvida metódica quanto à verdadeira natureza sistémica desta crise. É pior do que isso: é o sinal claro de uma filosofia errada.’

"O que vai levar a economia a bater no fundo"




Daniel Amaral, O desperdício:
    ‘Esta imagem caótica que hoje em dia reflecte a economia portuguesa levou-me a alargar a análise ao conjunto da zona euro e também aos EUA, o que o leitor poderá acompanhar através dos gráficos abaixo. Até meados de 2008, quando a crise se iniciou, o PIB efectivo e o PIB potencial eram de valor mais ou menos equivalente, o que parecia correcto. Mas a seguir foi o caos: hoje, a Europa e a América estão abaixo do potencial, Portugal está à beira da ruptura e a Grécia não tem solução.

    É um mau prenúncio. Com um PIB potencial que há vários anos não cresce, o nosso PIB efectivo deverá situar-se este ano 5% abaixo daquele potencial, o que reflecte uma enorme subutilização da capacidade produtiva. Em condições normais, o que faria sentido era estimular a procura, interna e externamente, através de políticas que nos levassem a utilizar toda a capacidade disponível. Mas aquilo que nos impuseram foi ainda mais austeridade, o que vai levar a economia a bater no fundo.’

"Nada se pode fazer a um Presidente que viola a sua jura solene"

Fernanda Câncio, Questão de constituição:
    ‘É claro que cabia a Cavaco, que fez questão de dizer que os cortes põem em causa a equidade fiscal - ou seja, ferem o princípio da igualdade e portanto são inconstitucionais -, enviar o Orçamento para fiscalização preventiva (coisa que só o PR pode fazer). Não o fez. Isto não só significa que mesmo reputando os cortes de inconstitucionais Cavaco os acha necessários e portanto concorda com eles, como também que incumpriu gravemente o seu dever. Mas contra isso batatas: nada se pode fazer a um Presidente que viola a sua jura solene. A Constituição não prevê sanções para isso (e devia). Resta pois, porque o TC não pode de motu proprio analisar diplomas (outra coisa a pensar), a possibilidade de um grupo de deputados - ou o provedor de Justiça - solicitar a fiscalização.

    É isso ou aceitar que a proposta de revisão da Constituição que Passos apresentou e meteu na gaveta perante a reação adversa da maioria dos portugueses é posta em prática sem sequer ir a votos no Parlamento; que o regime em que vivemos desde 1976 acabou sem um ai. No país em que, diz um estudo recente, só 56% defendem a superioridade da democracia, que haja quem por ela se atravesse - quem, constitucionalmente, não seja capaz de a trocar por outra coisa qualquer.’

"Aquilo em que sempre fomos bons: trabalho barato e desregulado"

Manuel Esteves, Acordos tripartidos, perdas unilaterais:
    'E, depois, [Passos Coelho] deveria ter explicado aos portugueses que, ao terem menos dias de descanso e menos domínio sobre os seus horários, vão ter menos tempo para si e para a sua família. E também que ao terem menos direitos e garantias no trabalho, muitos poderão ter de exercer as suas funções de uma forma menos digna.

    Com este acordo, Portugal regressa ao passado para tentar resgatar uma competitividade perdida. E vai procurá-la naquilo em que sempre fomos bons: trabalho barato e desregulado.'

Quinta-feira, Janeiro 19, 2012

Estamos melhores após o chumbo do PEC 4?

Juros portugueses continuam a bater recordes a dez e cinco anos.

A secção laranja está nos detalhes



As principais nomeações da clientela até são referidas no artigo do DN. Onde a porca torce o rabo é na quantificação das nomeações. Veja-se o “critério” adoptado pelo DN:




Para além dos boys que andam com o cartão de militante na lapela, o DN inquiriu os restantes nomeados?

E por que aceitou, sem pestanejar, os dados fornecidos pelo Governo como ponto de partida?

Basta ver que, na súmula do artigo que está online, o jornal assume no texto que “pelo menos 74 (cerca de 40%) dos escolhidos têm ligações ao PSD ou ao CDS”, mas na manchete sustenta que “ 40% das novas nomeações têm ligação a PSD ou CDS”.

A secção laranja do DN já nem precisa de trabalhar. Guarda-se para as manchetes.

A palavra aos leitores

Enviado pelo Nuno:

Quer ver como o Governo dos estarolas está, sub-repticiamente, a abrir a porta ao pagamento dos subsídios de férias e de Natal sob outra designação?


Leia-se o n.º 3 do despacho reproduzido acima: “Nos meses de Junho e Novembro, para além da mensalidade referida no número anterior, será paga outra mensalidade de € 1.575,00 (mil quinhentos e setenta e cinco euros), a título de abono suplementar.” [via Azeredo Lopes no Facebook]

Escrutínio da administração pública?

A motivação política é óbvia.”

Quando os estarolas estão a regularizar as transferências do partido para o Estado


O jovem Carlos Sá Carneiro abandonou a advocacia e juntou-se à trupe dos estarolas quando ela se alçou à São Caetano. Após as eleições legislativas, este jovem advogado rumou, com Passos Coelho, para São Bento.

Hoje, o Diário da República publica dois curiosos despachos de Passos Coelho:
    • No primeiro, exarado a 10 de Janeiro do corrente ano, procura-se “legalizar” a situação de Sá Carneiro, tendo, agora, sido incumbido de realizar tarefas no período entre 21 de Junho e 30 de Novembro de 2011;
    • No segundo despacho, de 9 de Janeiro, é nomeado assessor com efeitos a partir de 1 de Dezembro de 2011.
Esta forma atabalhoada de regularizar a situação dos funcionários do PSD que transitaram para o aparelho de Estado tem o seu lado cómico, suscitando algumas questões:
    • Como é que o primeiro despacho de Passos Coelho tem uma data posterior à do segundo despacho?
    • Se, só a partir da publicação do despacho, Sá Carneiro pode ser remunerado, é o PSD que lhe vem pagando o ordenado (apesar de estar a exercer funções no gabinete de Passos Coelho desde 21 de Junho de 2011), fazendo-se agora um acerto de contas entre São Bento e a São Caetano?
    • Estando atribuída por lei a remuneração dos adjuntos dos gabinetes ministeriais, mas não a dos assessores, qual vai ser a remuneração de Sá Carneiro, que o despacho não fixa?
Até nestas questões (e a procissão ainda vai no adro) se vê como os estarolas estavam preparados para governar o país.

O estado da arte



Recebido por e-mail

A palavra aos leitores

O leitor Vítor C., fazendo referência “ao maravilhoso mundo novo, de progresso e desenvolvimento, do governo do Passos à retaguarda”, chama a atenção para uma das consequências do acordo de concertação social: “Crianças podem ficar sozinhas em casa ao sábado por falta de respostas, alertam pais”.

Um despacho hilariante (ou a transparência das nomeações de que fala Passos Coelho)


Senhor Ministro da Saúde, esta adjunta do Gabinete de V. Ex.ª é autorizada a fazer exactamente o quê?