Perdoem-me o post não ter sido publicado ontem, mas estava impossível reunir todos os dados em tempo útil. Antes de mais, este post será longo, muito longo... O posto começou a ser escrito esta manhã e continuado à tarde depois de uma pausa para almoçar com a princesa* no Mac do Chiado:p
A nível nacional, a taxa de participação é de 36,96% o que torna evidencia a forma como os portugueses olham para a política e em especial para o Parlamento Europeu. O país, em especial os políticos, devem entrar em profundo debate e reflexão sobre estes números. Uma democracia não é sustentável com estas percentagens de abstenção. Há que flexibilizar o sistema eleitoral, de forma que os deslocados - estudantes, militares, trabalhadores, etc - possam votar. Falei com muitos lisboetas que foram passar o fim-de-semana ao Algarve e muitos que ficaram por cá a trabalhar e não foram à terra votar. No século XXI, no século da mobilidade o voto não pode ser tão imobilizado. Alguns orgulham-se de termos a Assembleia da República mais 2.0, mas temos um sistema eleitoral da idade da pedra. As prioridades do investimento...
As sondagens falharam redondamente, não voltarei a olhar para elas com os mesmo olhos. O preço das sondagens deve estar em saldo e os que trabalham nelas devem repensar toda a forma de estudo. As sondagens nunca irão previr resultados, mas não podem errar desta forma, quiçá influenciando decisões de voto.O PSD renasce em tempo recorde, fruto da dimensão que Rangel tomou. Paulo Rangel é hoje um nome incontornável da política no PSD e será sempre um nome para um hipotético governo ou sucessão a MFL. O PS perde em toda a frente. Sócrates fez bem a previsão, o eleitorado está à esquerda, mas falhou na solução. Vital Moreira não cativou votos à esquerda e perdeu à direita, foram os esforços da máquina socialista e a entrada em campanha de Sócrates que afastaram um cenário de completo naufrágio. A governação do país não será a mesma depois da noite de ontem.Apesar da vitória do PSD, foi a esquerda quem venceu. BE e PCP acima dos 20% e com 3 e 2 deputados respectivamente. Muda por completo o mapa político nacional. O CDS/PP contra todas as previsões garante dois lugares e dá novo folgo a Portas, no entanto, apesar da euforia, não deixa de ser uma derrota: quinta força política. Ainda a nível nacional: o MEP na primeira vez que vai a votos consegue 1,48%; o outro estreante o MMS não convence e fica abaixo de 1%; foram 164 mil os votos brancos, um número elevado (a sexta força política) que merece reflexão.Nos Açores...A abstenção foi a verdadeira vencedora, apenas 21,7% dos açorianos foram votar. Uma democracia não é viável com uma abstenção a roçar nos 80%. São muitos os açorianos que como eu não poderiam de forma alguma votar, o sistema eleitoral não favorece os Açores - uma região de grande mobilidade, onde há sempre partidas e chegadas. Não consigo compreender como querem que os jovens se interessem por política se não têm possibilidade de exercer este direito.PSD e PS foram os derrotados pela abstenção, o primeiro perde 4 mil votos e o segundo 12 mil votos (!). O PSD mesmo vencendo, não galgou eleitorado, ou seja, não estivemos perante avanços eleitorais, mas retrocessos. Muito provavelmente, estes números estão muito próximos dos núcleos duros de cada partido - o eleitorado base. Quem venceu estas eleições não foi quem convenceu eleitorado, quem foi mais além. Quem ganhou estas eleições foi quem consegui blindar-se melhor à abstenção e quem conseguiu menos erosão no seu partido. O PSD consegui-o com méritoAinda sobre a abstenção, nós açorianos andamos aqui meses a discutir lugares de açorianos ao PE, se ficavam em 5º ou em 6º. Andamos a exigir às estruturas partidárias nacionais lugares. Nem foram 50 mil os açorianos que votaram e colocamos dois representantes dos Açores no PE. A título de curiosidade, o último deputado a ser eleito para o PE, o 3º deputado do BE, consegue-o com 127274. Isto prova que os Açores além de não terem peso populacional suficiente para dois deputados no PE, ainda menos peso tem o número de votantes. Será muito difícil nas próximas eleições europeias os Açores terem candidatos próprios, não é com esta taxa de participação. O contributo do PSD/A e PS/A para a eleição do respectivo deputado açoriano é vergonhoso, o resultado dos Açores não ajuda nada na eleição da lista. Com estes números não temos nem peso, nem vontade de ter deputados açorianos no PE. Apontem o que escrevo, será muito difícil voltarmos a ter deputados açorianos no PE.Última nota sobre a abstenção, os dois maiores partidos parecem-me que não estão preocupados em lutar este monstro. Nas regionais o PS desvalorizou a abstenção e gritou vitória, apesar de ter perdido votos e ter uma representatividade real diminuída. Nas regionais, o PSD falou de abstenção até que se fartou, para não falar em derrota. Ontem, os papeis inverteram-se: O PSD desvaloriza a abstenção e grita vitória. Os 40% de votos do PSD nem representam 9% dos inscritos! O PS agora parece mais preocupado com a abstenção, para não se falar em derrota. Estas percentagens de abstenção são da exclusiva responsabilidade de PSD e PS, em vez de reflectirem sobre estes dados preferem gritar vitória quando ganham e falam da abstenção apenas para esconder a derrota. Ainda está para surgir o político que mesmo vencendo as eleições, assuma a derrota devido à abstenção!
Deixando a abstenção, vamos aos vencedores: Uma vitória importante para o PSD e que promete reunir ainda mais tropas sob a liderança de Berta Cabral. Na primeira vitória da nova liderança não pode ser esquecido o nome de Maria do Céu Patrão Neves que conseguiu convencer o partido. Perde 4 mil votos relativamente às últimas europeias e tem uma mera representatividade de 9% dos açorianos. Se Berta Cabral por si só conseguia reunir apoiantes e tornar o PSD/A mais forte, agora tornou-se verdadeiramente perigosa.
O PS tem uma derrota esmagadora, vence apenas no Corvo e nos concelhos que vence é por margens tangenciais. Perde 12 mil votos relativamente às ultimas europeias (!!!), perde oito ilhas relativamente às regionais. A pergunta é simples: A derrota deve-se a Luís Paulo Alves ou a Vital? A grande quota de responsabilidade cabe a Vital Moreira, foi difícil aos socialistas açorianos fazer campanha e certamente que foi desconfortável. No entanto, isto não retira responsabilidades a Luís Paulo Alves que perde p.e. na sua ilha, o Faial por 400 votos. Reafirmo o endorsement deste blogue, continuo a achar que Luís Paulo Alves é o candidato melhor preparado para representar os Açores no Parlamento Europeu, o que falhou foi mobilizar uma máquina de apoio e transmitir a mensagem.O CDS/PP mantêm uma marca interessante e mantem-se como a terceira força política regional. Contudo, o BE tem uma subida impressionante, mantendo-se a este ritmo tem fortes possibilidades de disputar o estatuto de 3ª. força política na região. Relativamente a 2004 triplica a sua votação. O BE foi o partido que venceu na medida que foi o que mais conseguiu galgar eleitorado - PSD; PS E CDS/PP viram o seu eleitorado fugir.A seguir ao BE, eu gostaria de fazer referência à esmagadora quinta força política regional, que derrota os que ficaram atrás, mas também os que ficaram à frente. 2522 votos brancos! Estes votos representam claramente que não se inserem no panorama partidário regional, um cartão vermelho aos partidos regionais.A CDU reafirma-se como quinto partido, parece indiscutível que não conseguirá disputar a quarta posição com o BE. Mais 600 votos do que em 2004, um bom resultado também. O MPT quase que triplica a sua votação, consegue 387 votos e é o primeiro dos pequenos. Um bom trabalho de Manuel Moniz. De seguida, uma surpresa completa para mim e a grande vitória moral para o MEP - 287 votos. Isto para um partido recém criado e sem candidato açoriano é um inicio prometedor. O PCTP/MRPP consegue os 283 que conseguiu em 2004, muito curioso. O PPM outro dos grandes derrotados, Paulo Estévão não consegue melhor que o MEP e PCTP/MRPP - que não tinham candidatos açorianos. Apesar de ter lugar na ALRAA e de ser hoje uma figura regional não vai além da 9ª posição. Isto apesar de ter conseguido mais 30 votos que em 2004. Quanto aos restantes partidos nada a acresentar. Para mais dados, podem encontrar via Zirigunfo um excelente quadro comparativo entre 2009 e 2004.
A nível nacional, a taxa de participação é de 36,96% o que torna evidencia a forma como os portugueses olham para a política e em especial para o Parlamento Europeu. O país, em especial os políticos, devem entrar em profundo debate e reflexão sobre estes números. Uma democracia não é sustentável com estas percentagens de abstenção. Há que flexibilizar o sistema eleitoral, de forma que os deslocados - estudantes, militares, trabalhadores, etc - possam votar. Falei com muitos lisboetas que foram passar o fim-de-semana ao Algarve e muitos que ficaram por cá a trabalhar e não foram à terra votar. No século XXI, no século da mobilidade o voto não pode ser tão imobilizado. Alguns orgulham-se de termos a Assembleia da República mais 2.0, mas temos um sistema eleitoral da idade da pedra. As prioridades do investimento...
As sondagens falharam redondamente, não voltarei a olhar para elas com os mesmo olhos. O preço das sondagens deve estar em saldo e os que trabalham nelas devem repensar toda a forma de estudo. As sondagens nunca irão previr resultados, mas não podem errar desta forma, quiçá influenciando decisões de voto.O PSD renasce em tempo recorde, fruto da dimensão que Rangel tomou. Paulo Rangel é hoje um nome incontornável da política no PSD e será sempre um nome para um hipotético governo ou sucessão a MFL. O PS perde em toda a frente. Sócrates fez bem a previsão, o eleitorado está à esquerda, mas falhou na solução. Vital Moreira não cativou votos à esquerda e perdeu à direita, foram os esforços da máquina socialista e a entrada em campanha de Sócrates que afastaram um cenário de completo naufrágio. A governação do país não será a mesma depois da noite de ontem.Apesar da vitória do PSD, foi a esquerda quem venceu. BE e PCP acima dos 20% e com 3 e 2 deputados respectivamente. Muda por completo o mapa político nacional. O CDS/PP contra todas as previsões garante dois lugares e dá novo folgo a Portas, no entanto, apesar da euforia, não deixa de ser uma derrota: quinta força política. Ainda a nível nacional: o MEP na primeira vez que vai a votos consegue 1,48%; o outro estreante o MMS não convence e fica abaixo de 1%; foram 164 mil os votos brancos, um número elevado (a sexta força política) que merece reflexão.Nos Açores...A abstenção foi a verdadeira vencedora, apenas 21,7% dos açorianos foram votar. Uma democracia não é viável com uma abstenção a roçar nos 80%. São muitos os açorianos que como eu não poderiam de forma alguma votar, o sistema eleitoral não favorece os Açores - uma região de grande mobilidade, onde há sempre partidas e chegadas. Não consigo compreender como querem que os jovens se interessem por política se não têm possibilidade de exercer este direito.PSD e PS foram os derrotados pela abstenção, o primeiro perde 4 mil votos e o segundo 12 mil votos (!). O PSD mesmo vencendo, não galgou eleitorado, ou seja, não estivemos perante avanços eleitorais, mas retrocessos. Muito provavelmente, estes números estão muito próximos dos núcleos duros de cada partido - o eleitorado base. Quem venceu estas eleições não foi quem convenceu eleitorado, quem foi mais além. Quem ganhou estas eleições foi quem consegui blindar-se melhor à abstenção e quem conseguiu menos erosão no seu partido. O PSD consegui-o com méritoAinda sobre a abstenção, nós açorianos andamos aqui meses a discutir lugares de açorianos ao PE, se ficavam em 5º ou em 6º. Andamos a exigir às estruturas partidárias nacionais lugares. Nem foram 50 mil os açorianos que votaram e colocamos dois representantes dos Açores no PE. A título de curiosidade, o último deputado a ser eleito para o PE, o 3º deputado do BE, consegue-o com 127274. Isto prova que os Açores além de não terem peso populacional suficiente para dois deputados no PE, ainda menos peso tem o número de votantes. Será muito difícil nas próximas eleições europeias os Açores terem candidatos próprios, não é com esta taxa de participação. O contributo do PSD/A e PS/A para a eleição do respectivo deputado açoriano é vergonhoso, o resultado dos Açores não ajuda nada na eleição da lista. Com estes números não temos nem peso, nem vontade de ter deputados açorianos no PE. Apontem o que escrevo, será muito difícil voltarmos a ter deputados açorianos no PE.Última nota sobre a abstenção, os dois maiores partidos parecem-me que não estão preocupados em lutar este monstro. Nas regionais o PS desvalorizou a abstenção e gritou vitória, apesar de ter perdido votos e ter uma representatividade real diminuída. Nas regionais, o PSD falou de abstenção até que se fartou, para não falar em derrota. Ontem, os papeis inverteram-se: O PSD desvaloriza a abstenção e grita vitória. Os 40% de votos do PSD nem representam 9% dos inscritos! O PS agora parece mais preocupado com a abstenção, para não se falar em derrota. Estas percentagens de abstenção são da exclusiva responsabilidade de PSD e PS, em vez de reflectirem sobre estes dados preferem gritar vitória quando ganham e falam da abstenção apenas para esconder a derrota. Ainda está para surgir o político que mesmo vencendo as eleições, assuma a derrota devido à abstenção!
Deixando a abstenção, vamos aos vencedores: Uma vitória importante para o PSD e que promete reunir ainda mais tropas sob a liderança de Berta Cabral. Na primeira vitória da nova liderança não pode ser esquecido o nome de Maria do Céu Patrão Neves que conseguiu convencer o partido. Perde 4 mil votos relativamente às últimas europeias e tem uma mera representatividade de 9% dos açorianos. Se Berta Cabral por si só conseguia reunir apoiantes e tornar o PSD/A mais forte, agora tornou-se verdadeiramente perigosa.
O PS tem uma derrota esmagadora, vence apenas no Corvo e nos concelhos que vence é por margens tangenciais. Perde 12 mil votos relativamente às ultimas europeias (!!!), perde oito ilhas relativamente às regionais. A pergunta é simples: A derrota deve-se a Luís Paulo Alves ou a Vital? A grande quota de responsabilidade cabe a Vital Moreira, foi difícil aos socialistas açorianos fazer campanha e certamente que foi desconfortável. No entanto, isto não retira responsabilidades a Luís Paulo Alves que perde p.e. na sua ilha, o Faial por 400 votos. Reafirmo o endorsement deste blogue, continuo a achar que Luís Paulo Alves é o candidato melhor preparado para representar os Açores no Parlamento Europeu, o que falhou foi mobilizar uma máquina de apoio e transmitir a mensagem.O CDS/PP mantêm uma marca interessante e mantem-se como a terceira força política regional. Contudo, o BE tem uma subida impressionante, mantendo-se a este ritmo tem fortes possibilidades de disputar o estatuto de 3ª. força política na região. Relativamente a 2004 triplica a sua votação. O BE foi o partido que venceu na medida que foi o que mais conseguiu galgar eleitorado - PSD; PS E CDS/PP viram o seu eleitorado fugir.A seguir ao BE, eu gostaria de fazer referência à esmagadora quinta força política regional, que derrota os que ficaram atrás, mas também os que ficaram à frente. 2522 votos brancos! Estes votos representam claramente que não se inserem no panorama partidário regional, um cartão vermelho aos partidos regionais.A CDU reafirma-se como quinto partido, parece indiscutível que não conseguirá disputar a quarta posição com o BE. Mais 600 votos do que em 2004, um bom resultado também. O MPT quase que triplica a sua votação, consegue 387 votos e é o primeiro dos pequenos. Um bom trabalho de Manuel Moniz. De seguida, uma surpresa completa para mim e a grande vitória moral para o MEP - 287 votos. Isto para um partido recém criado e sem candidato açoriano é um inicio prometedor. O PCTP/MRPP consegue os 283 que conseguiu em 2004, muito curioso. O PPM outro dos grandes derrotados, Paulo Estévão não consegue melhor que o MEP e PCTP/MRPP - que não tinham candidatos açorianos. Apesar de ter lugar na ALRAA e de ser hoje uma figura regional não vai além da 9ª posição. Isto apesar de ter conseguido mais 30 votos que em 2004. Quanto aos restantes partidos nada a acresentar. Para mais dados, podem encontrar via Zirigunfo um excelente quadro comparativo entre 2009 e 2004.
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