Blog mantido por Ricardo Clara e Nuno Reis com todas as estreias em cinema e filmes novos. Críticas e crónicas de António Reis, César Nóbrega e Filipe Lopes.
Ainda a propósito dos problemas de "A Serbian Film" pelo mundo fora, perguntámos aos nossos leitores o que tinham a dizer quanto à censura. Os resultados foram um pouco desequilibrados e a censura perdeu em quase todos os grupos.
Inspirado pelo visionário do nome Morgan Spurlock, anuncio que a minha ida a Cannes aceita financiamento.
Não percam uma oportunidade dourada de estarem representados em Cannes. Seja um jornalista a cobrir o festival ou um seleccionador de filmes a explorar o mercado, onde mais conseguiriam alguém com a minha experiência?
Mesmo se os filmes não lhes interessam, por uma módica quantia (dinheiro ou serviços) a vossa marca/empresa será visivelmente referida em todos os posts de cobertura do festival. Glamour e publicidade misturados num blog de elevada tiragem.
Enviem as vossas propostas para o endereço de email no fundo do blog. Excepto por conflito de interesses, do blog ou pessoais, todos são bem-vindos.
Sugestões de serviços que podem pagar: estadia (600 a 3000€ dependendo da distância), viagem (300€ avião + autocarro), cartão para o mercado (cerca de 300€), refeições (50€/dia).
Antes que me esqueça, eis a fonte de inspiração:
"The Greatest Movie Ever Sold" de Morgan Spurlock
Spurlock reinventa o documentáio. Um documentário sobre publicidade e colocação de produto que foi financiado recorrendo a publicidade e colocação de produto desde o poster até ao filme em si.
Com a estreia do filme a acontecer um pouco por todo o mundo neste final de Março, esta deverá ser a última curta de Ben Hibon a aparecer online. Já salivo a pensar nos extras do DVD...
Tenho passado os dias e as noites a ver filmes de Woody Allen. Março tem sido recheado de obras variadas, mas nenhuma se aproxima do que este trailer sugere que será o próximo filme dele. As honras de abertura em Cannes e o regresso às filmagens marcadamente europeias podem fazer deste filme uma boa compensação para quem teve de ver o anterior dele.
Dentr de uma semana a cidade de Barcelone receberá pela terceira vez a rodagem de um filme da saga REC. Paco Plaza desta vez por conta própria tem sete semanas para fazer o primeiro capítulo e explicar o que se passou com a niña Medeiros em "[REC] Genesis".
A produção está mais uma vez nas mãos da Filmax, mas o protagonismo mudou para Leticia Dolera e Diego Martin. Curiosamente ela já participou na sátira a "REC" em "Spanish Movie". Jaume Balagueró é produtor criativo porque os quatro filmes terão de funcionar como um e assim poderá dar a sua opinião a qualquer momento, papel que Plaza deverá ter no último filme, Apocalypse. Elisa Salinas é produtora associada e Luis Berdejo foi o co-autor com Paco Plaza.
O filme é bastante aguardado por todo o mundo e já está vendido para cerca de vinte países, incluindo Portugal, EUA, Japão, Austrália e os principais mercados europeus.
Na sexta temporada dos Simpsons, Lisa cruzou-se com uma rival. Um dos jogos que fazem é criar anagramas de nomes que caracterizem a pessoa.
Alison: It's great of you to come over, Lisa. I really want us to be friends. Lisa: You're a wonderful person. Taylor: Hi, Lisa, I'm Alison's father, Professor Taylor. I've heard great things about you. Lisa: Oh, really? I -- Taylor: Oh, don't be modest. I'm glad we have someone who can join us in our anagram game. Alison: We take proper names and rearrange the letters to form a description of that person. Taylor: Like, er...oh, I don't know, uh...Alec Guinness. Alison: [thinks] Genuine class. Taylor: Ho ho, very good. All right, Lisa, um...Jeremy Irons. Lisa: [looks with consternation] Jeremy's...iron. Taylor: Mm hmm, well that's...very good...for a first try. You know what? I have a ball. [pulls one from his pocket] Perhaps you'd like to bounce it?
Para Jeremy Irons parece que não há mesmo nenhum anagrama interessante, mas na busca por um descobri anagramas muito interessantes para várias estrelas.
Aos clássicos Alec Guiness Genuine Class Jeremy Irons Minor Jersey Clint Eastwood Old West Action
Juntaria Tom Cruise I'm so cuter Martin Scorsese I Scare Monsters OU Screen is a storm Patrick Stewart A Crap Trek Twist Mel Gibson Big Melons OU Bong Smile Howard Stern Wonder Trash OU Retard Shown
Comparemos o casal romântico do clássico "Casablanca" com o casal romântico do moderno "Twilight". Ingrid Bergman é Dream Bringing e Humphrey Bogart é Hyper thug Rambo ou Bath Grumpy Hero. Kristen Stewart é Wet stinkers rat e Robert Pattinson é On brattiest porn. É um pouco injusto, mas dá para rir.
Mas o pior que já vi foi mesmo Leonardo Di Caprio que ou fica Periodic Anal Odor ou Adored. I Crap in loo.
Se as previsões de cataclismo se confirmarem temos pouco mais de ano e meio para ver cinema. Supondo que o mundo não acabará, teremos alguns filmes para ver em Dezembro de 2012: "The Hobbit" de Peter Jackson, "The Life of Pi" de Ang Lee, "Superman: Man of Steel" de Zack Snyder, e "Lincoln" de Steven Spielberg. Quase todos esses com novidades.
Hobbits
Depois de vários impedimentos e problemas como indecisão quanto ao realizador, greves da indústria neo-zelandesa, uma úlcera de Jackson e finalmente um terramoto nas redondezas, "The Hobbit" começou sem novas situações de perigo. A New Line registou os títulos que deverão ser oficializados como parte 1 e 2 da mais recente adaptação de um livro da saga LoTR, “The Hobbit: There and Back Again,” e “The Hobbit: An Unexpected Journey” ou “The Hobbit: The Unexpected Journey”.
Aqui está a foto do elenco no arranque.
De Peter Jackson a divertir-se com o seu brinquedo favorito, as adaptações multimilionárias de Tolkien.
Foi anunciada a actriz escolhida para fazer de Lois Lane. Entre todas as nomeadas, a preferida de Snyder foi Amy Adams que nunca foi considerada favorita. A actriz que este ano conseguiu a terceira nomeação para o Oscar de actriz secundária junta-se portanto a um elenco que conta com Henry Cavill, Kevin Costner e Diane Lane.
Branca de Neve Lda.
Há uma versão a sair nesse mês - "Snow White and the Huntsman" - com Kristen Stewart, Charlize Theron e talvez Michael Fassbender como caçador porque Viggo Mortensen em princípio deve sair para filmar no mesmo período Superman (quem disse Hobbit?). O realizador é Rupert Sanders.
Falando do conto da Branca de Neve que estreia em Junho de 2012, Julia Roberts é a bruxa, Arnie Hammer foi confirmado como caçador, e Saoirse Rohan é apontada como a princesa. O realizador é Tarsem Singh.
Há uma semana Simon Pegg e Nick Frost lançaram a comédia alienígena "Paul" nos EUA. Para celebrar isso deram à popular colecção College Humor uma adaptação muito característica de "Star Wars".
Já o novo filme também se passa no deserto e tem criaturas estranhas, e as semelhanças devem acabar por aí.
“Piercing 1” foi o grande vencedor da competição de longas-metragens de animação, realizada nos ímpares da Monstra, Festival de Animação de Lisboa. O filme de Liu Jian aborda os dramas de algumas zonas urbanas, fazendo um retrato da China actual. Foi produzido com apenas 100 mil dólares e Liu Jian é o autor completo do filme, tendo animado, realizado e produzido sozinho. “Piercing 1” venceu vários prémios internacionais, incluindo o Cinanima.
Para o público do festival português, o melhor filme apresentado a concurso foi "O Mágico", do realizador francês Sylvain Chomet, já distinguido este ano com o César e nomeado para um Óscar.
A música que o compositor cubano Bebo Valdés compôs para "Chico & Rita", de Ravier Mariscal e Fernando Trueba, foi eleita a melhor banda sonora e “Life Without Gabriela Ferri” de Pritt Pärn, de nacionalidade estónia, recebeu o prémio especial do júri.
Na competição de curtas-metragens de estudantes, a realizadora eslovaca Veronika Obertovà ganhou o prémio do júri com “Villiam”. Entre as curtas portuguesas a concurso destaque para “Cozido à Portuguesa” de Natália Andrade, considerada a melhor na categoria.
Este ano a competição do festival abrangeu também as curtíssimas, dedicada a filmes com menos de 2 minutos, incluindo qualquer género de animação e publicidade. A realizadora húngara Borbála Tomp venceu para a categoria de melhor curtíssima com”Agobago's Dream” e, na categoria de curtíssimas portuguesas, Teresa Cortez ganha com “The Skin on Me”.
Da parceria entre a Monstra e o programa da RTP2 “Onda Curta” surtiu ainda, como habitualmente, uma selecção de curtas que levam esta noite para casa o Prémio Onda Curta.
Hoje, os filmes premiados poderão ser vistos às 17h30 (Selecção de Curtas Vencedoras) e 21h30 (“Piercing 1”, Liu Jian), no cinema S. Jorge e às 19h (“Piercing 1” de Liu Jian) no Cinema City Alvalade . A programação da 10ª edição da Monstra, que teve como país convidado a Holanda e uma importante retrospectiva do cinema de animação japonês, termina às 21h45 com “Tales from Earthsea” de Goro Miyazaki, filho do famoso realizador japonês Hayao Miyazaki.
MONSTRA 2011 | LISTA DE VENCEDORES
Competição de Longas (Júri: Georges Sifianos, Monique Renault, Pedro Serrazina, Piotr Dumala, Manuel Tentúgal)
Melhor Longa-Metragem - Prémio do público - O Mágico, de Silvain Chomet
Melhor Banda Sonora - Chico&Rita, Ravier Mariscal, Fernando Trueba
Prémio Especial do Júri - Life Without Gabriella Ferri, Pritt Pärn
Grande Prémio MONSTRA-RTP2 – Melhor Longa-metragem - Piercing 1, Liu Jian
Competição Curtas de Estudantes (Júri: Loic Burckhardt, Maurício Squarisi, Virgílio Almeida) Melhor curta portuguesa: Cozido à Portuguesa, de Natália Andrade Melhor curta: Villiam, de de Vronika Obertova Melhor curta – Prémio do Público – Swimming Pool, de Alexandra Hetmerová Menções Honrosas: The Gallery, Robert Proch (Polaco) Like Mother, Like Daughter, Alexandra Lukina White no White, Samo (Anna Bergamnn) Escape his Stare, C. Chen Prémio Núcleo de Animação de Campinas: Conquistador Descobre, Ana Reis, Cláudio Sá, Tatiana Duarte
Competição Curtas de Estudantes (júri Jovem) (Júri: Filipa Correia de Sousa, Silas Silva, Cátia Patrício, Diogo Borges, Catarina Vilelas Filipe, Laura Carreira) Melhor Curta de Estudantes Portuguesa - Journey to the Sunflower Field, de Alexandre Siqueira Melhor Curta de Estudantes - Peacock Eye, de Geralando Infuso Menção Honrosa: Villiam, de Vronika Obertova Loom, I. Brunck, J. Bitzer, C. Letay
Competição Curtíssimas (Júri: Marina Grossman, Jacques Drouin, Rita Sá) Melhor Curtíssima - Prémio do Público - Videologic, de Donato Sansone Melhor Curtíssima Portuguesa - The Skin on me, de Teresa Cortez Melhor Curtíssima - Agobago's Dream, de Borbála Tomp Menção Honrosa: Videologic, de Donato Sansone White Tape, de Michal e Uri Kranot
Prémio Onda Curta (Júri: João Garção Borges) Mobile, by Verena Fells Aleksander, by Remy Dereux, Maxime Hilbon, Juliette Klauser, Raphaelle Ranson, Luise Seynhaeve Plato, by Léonard Cohen Stanley Pickle, Stanley Picule, by Victoria Matuga Matatoro, by Raphael Calamote, Mauro Carraro, Jeremy Pasquet Hezarfen, by Ari Tolga, Romain Blanchet, Remy Hurlin, Georges Huang The Gallery, by Robert Proch
De um cineasta que nos brindou com obras tão emblemáticas quanto "The Addiction"; "The Funeral" ou "Bad Lieutenant", e que com o seu universo de álcool, drogas, sexo, corrupção e crime criou o inconfundível estilo Ferrara, o que se poderia esperar? A idade prega destas partidas e Ferrara não resiste à tentação da nostalgia. Porqu "Chelsea Hotel" não é apenas mais um dos hotéis sem alma das grandes cidades, ele é o hotel da boémia nova iorquina, um ícone para os artistas e uma lenda viva onde as paredes transpiram aquelas pequenas histórias que fazem parte da História. Cantado por Leonard Cohen entre centenas de outros autores, local de estadias breves ou de moradas prolongadas de gente como Janis Joplis e Milos Forman, não admira que as paredes deste hotel tenham assistido a momentos íntimos únicos, pedaços de vida já famosa.
Na sua sobriedade de documentário, o que interessa a Abel Ferrara é captar o espírito do tempo que se perdeu e para isso presentear-nos com alguns dos famosos clientes deste hotel, cada um deles por si só uma personalidade da cultura. Desde Walter Cronkite, um jornalista que criou história, a William S. Burroughs, um dos mais fascinantes vultos da contra-cultura americana dos anos 60 que inspirou entre outros Cronenberg para "Festim Nu", sem esquecer Dennis Hopper, um dos seus frequentadores mais exuberantes, numa playing list invejável.
O tempo e a idade podem pesar a Ferrara numa altura em que a sua truculência cinéfila parece estar num parêntese criativo, mas a velhice tem destas vantagens. Quando se conviveu com a nata da cultura e se fez parte da história deste hotel, seria imperdoável não deixar para os vindouros esta visão intimista e picaresca de um marco de Nova Iorque. Como cantava Cohen "I remember you well in the Chelsea Hotel, you were famous and your heart was a legend".
Título Original: "Chelsea on the Rocks" (EUA, 2008) Realização: Abel Ferrara Argumento: Abel Ferrara, David Linter, Christ Zois Intérpretes: Abel Ferrara, Milos Forman, Adam Goldberg, Ethan Hawke, Shanyn Leigh, Dennis Hopper, Bijou Phillips Música: Robert Burger Fotografia: David Hausen, Ken Kelsch Género: Documentário Duração: 88 min. Sítio Oficial:http://www.chelseaontherocks-themovie.com/
Segundo informações da SciFiWorld começou ontem a rodagem de um remake do mítico "Plan 9 From Outer Space". Costumo dizer que quando um filme é bom não vale a pena mexer, mas neste caso digo precisamente o oposto. O filme é tão mau, para quê tentarem fazer melhor?
Haverá alguém capaz de enfrentar múmias e dinossauros no mesmo dia? Sim, mas não é Lara Croft nem Indiana Jones, é Adèle Blanc-Sec. Alguma jornalista que faz o que bem lhe apetece, sendo capaz de tudo por uma grande notícia? Sim e não é Lois Lane, mas Adèle Blanc-Sec. E além disso terá ainda tempo para ser uma irmã carinhosa, e personalidade (e um toque de arrogância) para suportar agentes da polícia e presidentes? Mas, claro, afinal de contas é Adèle! A maior defensora da lei quando lhe convém, também a ignora se lhe apetecer porque, acima de tudo, está a obrigação de fazer o que é correcto.
A adaptação da BD para cinema fez-se numa altura em que "Tintin" ia ter o mesmo tratamento. Os dois maiores jornalistas e aventureiros francófonos competem numa luta desigual porque o belga tem mais livros e muitos mais leitores. Por isso a tarefa deste primeiro filme era criar um novo público, encontrar seguidores onde eles não existiam. Luc Besson e o seu enorme talento para descobrir estrelas colocou a menina da meteorologia como a maior heroína francesa de ficção. Foi uma aposta ganha porque ao óbvio charme se junta um perfil adequado para ser Adèle e - mérito da actriz ou da direcção - tem a personalidade forte e o humor sarcástico e requintado que era requerido. A capacidade de produção quase ilimitada de Besson deu ao filme recursos que uma normal produção europeia não teria.
A história combina os primeiros livros da saga. Quem os conhece dispensa apresentações. Quem não conhecer não precisa de saber mais do que as linhas iniciais, desde que entrem preparados para um filme divertido e despretencioso de género fantástico onde tudo pode acontecer. Adèle tem muito humor, tem uma personalidade característica e terá ainda muitas aventuras. Com o resto da saga Adèle juntar-se-á ao leque de personagens eternas de Besson como Nikita, Léon e Mathilda, ficando apenas a faltar uma catch phrase ao nível de uma "Multipass!".
Título Original: "Les aventures extraordinaires d'Adèle Blanc-Sec" (França, 2010) Realização: Luc Besson Argumento: Luc Besson (baseado nos livros de Jacques Tardi) Intérpretes: Louise Bourgoin, Mathieu Amalric, Gilles Lellouche, Jean-Paul Rouve, Jacky Nercessian, Nicolas Giraud, Laure de Clermont-Tonnerre Música: Eric Serra Fotografia: Thierry Arbogast Género: Acção, Aventura, Fantasia, Mistério Duração: 107 min. Sítio Oficial:http://www.adeleblancsec-lefilm.com/
Arrancou o SHOTS 2011, um dos festivais de cinema mais longos e com maior capacidade do mundo. É longo porque os filmes ficam disponíveis durante meses. E o limite de espectadores é o que o servidor suportar porque todos os filmes podem ser vistos online.
Quem quiser enviar filmes tem até dia 31 para o fazer. Eis o regulamento.
Organizado pela revista SciFiworld, o SHOTS 2011 tem como júri as seguintes personalidades: Ángel Sala (director do festival de Sitges) José Luis Alemán (realizador de "La Herancia Valdemar" 1 e 2) Manuel Carballo (realizador de "Exorcismus - La Possession de Emma Evans") Miguel Ángel Vivas (realizador de "I'll See You In My Dreams" e "Sequestrados") Ángel Agudo (realizador de "El Hombre que Vio Llorar a Frankenstein")
Excepto pelo injustamente acusado, estiveram todos no Fantas deste ano e estas são algumas das obras que eles terão de ver.
Os nossos amigos do Klowns Asesinos enviaram a sua colaboradora Penélope Callau para cobrir o Fantasporto. Esta noite finalmente publicaram a entrevista feita ao director do Fantas, o nosso António Reis.
Penélope Callau: Como está a correr o festival deste ano? António Reis: Acho que muito bem, porque os filmes são muito interessantes. Temos quatro secções competitivas no festival: Fantástico, Orient Express, Semana dos Realizadores e Cinema Português. Temos convidados interessantes, que são muito divertidos e sobretudo temos um ambiente de festa, as pessoas falam e discutem os filmes, falam com os realizadores e isso é importante, além disso, estamos a mostrar o melhor da cidade do Porto, uma bela cidade para visitar e onde é agradável estar e fazer filmes.
PC: O público pode interagir com os realizadores? Sim, quando quiserem. Seja na sala ou no lobby onde todos se encontram, entre as sessões, nas conferências de imprensa se houver público, ou em entrevistas particulares se não o houver, isso é muito interessante. Melhor é, por exemplo, quando o público ia conversar com o realizador de "A Serbian Film" para tentar perceber as motivações, e o problema da censura e como foi recebido em San Sebastian e Sitges...
PC: Mas em San Sebastian acabaram por não a projectarem. AR: Mas se recebeu o prémio especial pelo menos o júri viu-a e tudo isso resultou em propaganda para o filme. É curiosa a reacção do público ao ver o realizador, uma pessoa tão amável, afável e que faz um filme tão provocador.
PC: Sim, realmente é simpático e jovem. AR: Sim, muito jovem.
PC: E tu o que pensas de "A Serbian Film"? AR: Vejo-o como uma metáfora da Sérvia e foi útil ouvir a explicação do realizador. O público, viste como reagiu ao filme, saíram desconfortáveis, também incomodados, mas especialmente desconfortáveis, algumas pessoas saíam brancas e acredito que isso é importante. Não é um filme passivo em que os espectadores se ficam pela cadeira, aqui querem saber o que se passa, mas estão incomodados e isso é bom para o filme. E para o festival, claro, é excelente publicidade. Quanto piores as reacções, melhor para o festival.
PC: Não houve problemas com o filme? Em Espanha teve sérios problemas com a censura. AR: Não, os portugueses são muito... não temos problema de censura e fiquei espantado porque não sabia que se poderia fazer isso em Espanha. Quando falei com o realizador em Cannes e lhe perguntei se havia uma versão censurada, porque corria um rumor de que existia, disse-me que não, que era a versão normal e passamos esse filme. Sei que não é para todos os públicos e não sei se terá distribuição em Portugal, mas penso que em DVD terá um bons resultados. Agora se me perguntas se é um grande filme, não, acho que é um filme para prémios especiais como em San Sebastian, é um filme especial para um prémio especial.
PC: Olhando para trás recordas-te de alguma edição do Fantasporto que tenha sido especial para ti? AR: Sim, quando fizemos 25 anos foi uma edição especial pela quantidade e pela fama dos convidados. Ou por exemplo quando esteve Wim Wenders a apresentar o filme, tivemos que fazer a conferência de imprensa no Grande Auditório porque havia demasiada gente a querer assistir. Muitos eram estudantes de Barcelona que tinham vindo apresentar os seus filmes - todos os anos apresentamos curtas vindas de diferentes sítios e nesse ano veio uma escola de Barcelona - e foi incrível a reacção, o debate... Wim Wenders é m homem muito calma, que fala muito pausadamente, mas foi uma conferência incrível. Considero os convidados a parte fundamental de um festival porque filmes podes ver em todo o lado, já os convidados é mais difícil. O Porto é diferente dos festivais maiores, porque, por ser mais pequeno, os realizadores estão mais próximos e por isso é mais agradável. Nâo há a pressão de Cannes ou a pressão de Sitges, é tudo mais relaxado e por isso os realizadores têm mais tempo livre e são mais amáveis.
PC: Como fazem a selecção dos filmes? Há muitas propostas? AR: Temos três tipos de programação: -a que nós fazemos em festivais, como Cannes e Sitges, que são fundamentais, ainda que Sitges seja mais importante porque está mais próximo do nosso festival. -os filmes que nos enviam, são centenas de DVD's e isso é um problema porque a maioria não interessa. -e depois temos amigos que nos dizem, como uma tal Penélope Callau que nos enviou "Brutal Relax", e isso é muito importante porque quando conhecemos as pessoas sabemos que quando nos enviam um DVD é porque o filme merece ser isto e por isso é que a seleccionamos e muito bem seleccionada na minha opinião. Fazemos estes três tipos de selecção e depois vemos o que pode ou não vir.
PC: Podias mandar uma saudação a todos os cinéfilos do género e aos seguidores do nosso portal? AR: Claro, saudações desde o Festival Fantasporto a todos os seguidores da magnífica página KlownsAsesinos.com e a todos os cinéfilos. Se para o ano nos quiserem fazer chegar curtas interessantes, têm aqui a nossa representante na Catalunha, Penélope Callau (penelope ponto callau arroba klownsasesinos ponto com), que nos fará chegar os vossos filmes.
PC: Muito obrigado e boa sorte para o próximo festival. Foi um prazer poder falar contigo e estar neste magnífico festival. Até para o ano!
José Padilha está a seguir o trajecto de cineastas como Fernando Meirelles e Walter Salles e a deixar-se tentar por uma carreira internacional. O convite que lhe fizeram foi o mesmo com o qual levaram o realizador de "Turkish Delight" e "Soldier of Orange" para Hollywood. Tal como Verhoeven, Padilha foi convidado a dirigir "Robocop". O filme que lhe deu projecção foi obviamente "Tropa de Elite" com que ganhou o Urso de ouro. Aqui voltará a falar de algo diferente do polícia normal. Murphy pode não ser do BOPE, mas é meio homem, meio máquina, inteiramente polícia.
Foi-lhe dado todo o tempo que desejar para aprovar o argumento (a ser escrito por Josh Zetumer) e recolocar Robocop nas ruas de Detroit. Pelo menos as campanhas de marketing vão ser sangrentas.
Ironicamente Padilha estudou política internacional pelo que se deve conseguir mover e sobreviver no cinema americano. Esperemos que este grande salto seja apenas o primeiro passo.
Uma curiosidade: Aronofsky esteve ligado ao projecto até à falência da MGM.
O protagonista do filme de Padilha, Wagner Moura, também está de malas feitas para ir para norte. Vai ser o vilão no filme "Elysium" de Neill Blomkamp. Esse filme passa-se cem anos no futuro, noutro planeta, e terá uma forte metáfora político-social como "District 9". Possivelmente será algo no estilo de os extraterrestres atacarem a humanidade para nos ensinarem a viver em paz entre nós. Citando o realizador "será violento, muito violento e espero que único".
"El Orden de las Cosas" de César Esteban Alenda e José Esteban Alenda
A propósito de "Camino", descobri uma curta-metragem protagonizada por Manuela Vellés (a filha mais velha) e que tem Mariano Venancio (o pai) como secundário. A curta-metragem está disponível online e recomendo o visionamento. Podem comprá-la em DVD no site oficial.
Se acham a actriz familiar e não viram "Camino" - pecado! (da distribuidora que só o exibe em Lisboa)- é porque a viram "Sequestrados" no Fantasporto. Para não dizerem que é sempre a vítima, eis uma curta que vi em Sitges onde ela entra num registo diferente. Pessoalmente acho um encanto, mas não encontro ninguém que concorde comigo.
Não há mais filmes dela disponíveis, mas para não deixar as coisas a meio, eis os trailers de todso os restantes trabalhos dela.
"Caótica Ana" de Julio Medem
"Avevamo vent'anni" de Ivan Silvestrini
"La Unión" de Carlos A. Sambricio
"Retornos" de Luis Avilés
Tem em pós-produção uma curta-metragem de título "Amor Sacro" (mais informações aqui). Estejam atentos que é uma das grandes esperanças do cinema espanhol.
Vencedor claro dos Goya em 2009, onde conquistou prémios para melhor filme, realizador, argumento e três de interpretação, "Camino" chega a Portugal dois anos e meio depois da estreia mundial. Neste caso não fez grande mal porque é um filme que resiste bem aos anos. O tema é a religião e o fanatismo. Não aquele fanatismo que causa guerras pelo mundo fora, mas o que vitima pessoas escondido dentro de casa.
Camino é uma rapariga na pré-adolescência. Esta naquela fase em que quer fazer muitas actividades e a mãe tem de impor limites para não prejudicar os estudos. Até que de repente Camino descobre ter um problema de coluna e é operada. A uma operação sucede-se outra, e outra, é internada num hospital, mudada para outro... A família está em desespero, mas Camino mantêm-se calma, porque ama Jesus. Este é o retrato de uma família que se vai deteriorando subjugada à Opus Dei, onde há uma criança a morrer, a mãe quase deseja que ela morra, o pai sofre e a irmã é como se estivesse morta.
Exibido em antestreia no Fantasporto há três semanas, este é um filme a que não se fica indiferente por culpa dos actores. O pai (Mariano Venancio) com quem nos solidiarizamos é um herói por tudo o que faz e sofre. Depois há a mãe (Carme Elias) que nos apetece esbofetear por tudo o que faz as filhas passarem. Finalmente e principalmente porque Camino (Nerea Camacho) é uma criança adorável e uma actriz fenomenal. A dor e o amor que transmite são tão reais que por vezes nos esquecemos que é apenas um filme e parece ser mesmo o sonho de uma criança. E um segredo que apenas o pai e o espectador partilham é que não passa de um mal-entendido. Este filme é um ataque ao fanatismo e à protecção irracional que arruina vidas. É um elogio ao amor inocente e à alegria de viver. Manipula-nos contra a Opus Dei e contra o extremismo. Nunca deixa de transmitir a sensação de dor que os intervenientes sentem e tem cenas docemente cruéis cirurgicamente colocadas para causar lágrimas. E mesmo sabendo que não passa de propaganda e que nos quer influenciar, é uma receita que funciona e que se aplaude.
O cinema agora é tão usado como ferramenta de marketing e manipulação que criamos defesas. Digo que vou ser manipulado com enorme gosto porque "Camino" é um filme que tenciono rever muitas vezes pela técnica, pela história e pelas interpretações. È um grande filme e tudo o resto, incluindo o tema, é acessório.
Título Original: "Camino" (Espanha, 2008) Realização: Javier Fesser Argumento: Javier Fesser Intérpretes: Nerea Camacho, Carme Elias, Mariano Venancio, Manuela Vellés, Lucas Manzano Música: Rafael Arnau Fotografia: Alex Catalán Género: Drama Duração: 138 min. Sítio Oficial:http://www.caminolapelicula.com/
Este fim-de-semana quem tiver filhas adolescentes deve estar prestes a passar por uma das maiores torturas que o ser humano já enfrentou.
Pessoalmente preferia lutar amarrado contra todos os Expendables a passar um minuto numa sala com o filme "Justin Bieber". A quem não tiver opção digo apenas "boa sorte"... Outra coisa, também há em ver~sao 3D para poderem ver o penteado a balouçar.
Manuel despede-se das rotinas da sua vida lisboeta e embarca numa caravela portuguesa do séc. XV governada pelas leis da pirataria. Uma traição a bordo desencadeia uma série de acontecimentos terríveis que o protagonista atravessa sem beliscar os seus princípios morais. Primeira longa-metragem de João Nicolau, que co-assina o argumento com Mariana Ricardo. Estreou mundialmente em Veneza e, em Portugal, no Estoril Film Festival. João Nicolau apresenta-o como "um filme de aventuras e pirataria passado nos dias de hoje. Um filme musical que aborda e saqueia utopias. Um itinerário da perdição."
"À procura de mim no meio dos outros" é um concurso de curtas-metragens de animação dirigido a todos os alunos e respectivos professores do 1º e 2º Ciclo do Ensino Básico.
Este concurso, com inscrições prévias abertas até 15 de Abril, procura incentivar a produção de filmes de animação pedagógicos dirigidos a crianças e produzidos com o seu apoio em torno da questão da identidade. Para além de alunos e professores, também poderão participar jovens e adultos desde que, na sua equipa, integrem pelo menos uma criança (com idade compreendida entre os 8 e os 12 anos).
Pretende-se contribuir com esta iniciativa para o desenvolvimento de competências pessoais, sociais e técnicas induzidas pela reflexão em torno do tema da identidade. Quem sou eu? Quem é o outro? Será que eu posso existir sem o outro? Serão as semelhanças mais importantes que as diferenças? Estas são algumas das questões que poderão servir de base ao desenvolvimento destas curtas-metragens. A aptidão mais importante deste concurso não é a perícia técnica de professores e alunos, mas sim o seu talento em contar uma história, a história de alguém ou algo que, para se encontrar, precisa dos outros - precisa de outros espelhos para além do seu. Podem fazê-lo de uma forma tão simples quanto o pensar na história, ilustrá-la (desenho, modelagem, colagem,...), fotografá-la (imagem a imagem) e editá-la. O importante é a imaginação.
Os filmes devem estar terminados até 5 de Julho próximo, altura em que a organização fará a selecção dos filmes que irão ser exibidos em sessão especial no AVANCA 2011. O filme premiado será exibido em 2012 na Conferência Internacional do SHARP.
Esta é uma iniciativa do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas e do Cine-Clube de Avanca / Festival Internacional de Cinema AVANCA 2011, no âmbito do projecto europeu "Sharp: a platform for SHaring and Re/Present", coordenado pela Universidade de Pavia (Itália). As informações sobre este concurso estão disponíveis em www.eunomeiodosoutros.blogspot.com
O Festival AVANCA'11 é uma organização do Cine-Clube de Avanca e Câmara Municipal de Estarreja com o apoio do ICA / Ministério da Cultura, Instituto Português da Juventude, Região de Aveiro, Região de Turismo do Centro, DeCA / Universidade de Aveiro, ESAP, ESAD, Junta de Freguesia, Agrupamento de Escolas e Paróquia de Avanca, para além de várias entidades locais.
A futura Academia Portuguesa de Artes e Ciências Cinematográficas, que deverá ficar formalizada entre finais de Abril e começo de Maio, pretende aproximar o cinema português do público, premiar a produção nacional e promover estudos e trabalhos sobre o sector.
«É também um voto de confiança no cinema português e que os agentes estejam mais unidos do que separados», explicou o produtor Paulo Trancoso, que acalentava há vários anos a ideia de criação de uma academia.
Portugal dá assim os primeiros passos para constituir uma organização que já existe em países como os EUA, Reino Unido, França e Espanha, que atribui prémios às produções anuais que são estreadas no país, atribuindo Óscares, BAFTAs, Césares e Goyas, respetivamente.
Até ao momento a academia tem cerca de 150 inscrições para futuros membros, como Manoel de Oliveira, Maria de Medeiros e Joaquim de Almeida, assim como agentes de todas as áreas do setor - do guarda-roupa ao técnico de som - e espera atingir os 200 para avançar com uma assembleia constituinte e aprovar os estatutos.
A Academia Portuguesa das Artes e Ciências Cinematográficas será uma associação cultural sem fins lucrativos para promover o cinema português dentro e fora de portas.
«Queremos que o público se reveja no seu cinema e que os profissionais sejam reconhecidos», sublinhou Paulo Trancoso.
Em 2012 já deverão ser atribuídos os primeiros prémios da Academia, mas o nome oficial do galardão está ainda em discussão.
Fonte: Lusa
Aplaudo esta iniciativa que só peca por tardia. Para conseguirem 200 pessoas será difícil serem selectivos e portanto todo o universo cinematográfico nacional vai estar representado, para o bem e para o mal. Quanto a prémios o ideal seria nomearem-nos após as grandes figuras do cinema nacional.
Por trás de um grande cavalo por vezes há uma grande mulher
Secretariat é um nome terrível para um cavalo. A menina Tweedy queria chamá-lo Big Red e tentou registar esse nome, mas foi recusado assim como muitos nomes a seguir por já ter existido um cavalo com esse nome. Depois de dez nomes recusados foi proposto Secretariat e o nome estava livre, vá-se imaginar porquê. O tempo veio a provar que Big Red precisava de um nome único porque este animal ia fazer o que nenhum anterior tinha conseguido. Ia ser o maior cavalo de corridas de sempre.
Penny Chenery tinha uma vida sossegada como doméstica. as filhas estavam-se a tornar numas hippies, mas essa era a sua única preocupação. Até que a mãe falece e tem de voltar à quinta onde cresceu. Mais do que o choque de perder a mãe ou rever a família, é a criação de cavalos que lhe capta o interesse. Nunca esqueceu os tempos passados nas cavalariças, mas começa a sentir uma necessidade de lá voltar. Com a incapacidade mental do pai vai acabar por ter de pegar nas rédeas do negócio e vendê-lo para acabar com as dívidas e perder tudo, ou arriscar o que não tem para talvez conseguir um milagre. Um lançamento da moeda vai tomar a decisão por ela. Para formar a sua equipa procura os melhores. Não quer os que são campeões, quer os que nunca desistiram. E para marcar o seu lugar num mundo de homens compromete-se a conquistar as três maiores provas com um cavalo que ninguém queria.
Os cavalos de corrida estão fartos de dar origem a filmes. A adaptação de Secretariat demorou, o que vai contra a história do cavalo que teimava em ser primeiro. Mesmo vindo depois de tantos concorrentes e sendo a história sobejamente mais conhecida (pelo público-alvo, os americanos de meia-idade), "Secretariat" aguenta-se nas patas do início ao fim. Excepto pelos excelentes momentos em que chamam a patroa pelo nome de solteira, a dualidade família/negócio é tocada demasiado ao de leve, mas tudo mais do ponto de vista humano está recomendável. Do ponto de vista desportivo mantém a adrenalina ao rubro e o suspense elevado. A parte financeira é uma assombração que tarda a conseguir afirmar-se como membro integrante da história, mas quando é precisa é com números de respeito para impressionar. O filme tem um bom elenco, uma história cativante e resulta muito eficaz. As duas horas que demora são uma surpresa porque se vê com gosto e parece acabar demasiado depressa.
Título Original: "Secretariat" (EUA, 2010) Realização: Randall Wallace Argumento: Mike Rich (baseado no livro de William Nack) Intérpretes: Diane Lane, John Malkovich, Dylan Walsh, Margo Martindale, Nelsan Ellis, James Cromwell, Scott Gleen Música: Nick Glennie-Smith Fotografia: Dean Semler Género: Desporto, Drama, Família, Histórico Duração: 123 min. Sítio Oficial:http://disney.go.com/disneypictures/secretariat
Uma noite Paul Haggis acordou com suores frios. Tinha tido um pesadelo em que a sua lápide dizia «Paul Haggis, criador de "Walker, Texas Ranger"». Decidido a fazer algo maior do que essa série começou a escrever para cinema. Excepto por um filme nos anos 90, a sua carreira cinematográfica arrancou em 2004 com "Crash" que acabou por vencer Oscar de filme e argumento. Enquanto filmava "Crash", tinha outro argumento em mãos para o qual convidou Clint Eastwood para ser o protagonista. Eastwood pediu para realizar e "Million Dollar Baby" venceu o Oscar para Melhor Filme. Colaboraram juntos no díptico filme de "Iwo Jima", entretanto Haggis revitalizou a saga James Bond e fez "In the Valey of Elah" entre outros filmes menores. Num espaço de 7 anos conseguiu um lugar cativo entre os grandes do cinema. Por isso as expectativas eram grandes para este "The Next Three Days".
Russell Crowe volta a caminhar no limiar da criminalidade. John, um professor casado e com um filho, tinha a vida perfeitamente normal até a polícia lhe entrar pela casa dentro e levar a mulher presa como suspeita de homicídio. O filme foca-se no equilíbrio precário entre a vida caseira, a vida profissional e a vontade de tirar a mulher da prisão. Seja legalmente, ou doutra forma qualquer. E isso, claro, sem incomodar a criança.
Que se desengane quem for ver o filme pela acção, isso é apenas um detalhe na história. Quem quiser aprender a planear uma evasão deve voltar a ver "Prison Break" porque aqui finalmente tratam o espectador como uma pessoa com miolos e simplesmente dizem "o que é preciso saber está online". Aos anos que esperava esse respeito vindo de um filme! A parte mais importante é a evolução da personagem que Crowe interpreta. John nunca deixou de cumprir os seus deveres de pai e marido, mas criou na sua mente e na sua sala um espaço para a estratégia criminal. A sua dificuldade em praticar o mal é tão grande que dá pena e por isso é tão realista. Já o pequeno Luke é deixado em paz, a crescer numa infância problemática sem mãe. As restantes personagens que orbitam em torno destes dois são meras marionetes de uma vida simulada, à espera de um dia em que tudo volte a ser como dantes.
Esta é uma história sobre amor, confiança e desespero, que resiste equilibrada entre a plausabilidade de um crime e a criatividade de um filme. São duas horas muito bem passadas ao som de Elfman, com um elenco de luxo e onde nem tudo é previsível. Exactamente o que andava à procura.
Título Original: "The Next Three Days" (EUA. França, 2010) Realização: Paul Haggis Argumento: Paul Haggis, Fred Cavayé, Guillaume Lemans Intérpretes: Russell Crowe, Elizabeth Banks, Ty Simpkins, Olivia Wilde, Brian Dennehy, Liam Neeson Música: Danny Elfman Fotografia: Stéphane Fontaine Género: Crime, Drama, Romance, Thriller Duração: 122 min. Sítio Oficial:http://www.thenextthreedaysmovie.com/
Vem aí uma nova revista de cinema em português de seu nome Empire.
A Goody vai lançar em Abril uma edição portuguesa da Empire. A revista de cinema abre um novo segmento na oferta da editora que publica as revistas T3, B-Gamer, Playstation Revista Oficial, entre outras. “Consideramos que existe uma necessidade não coberta pelas actuais publicações e porque a Empire é uma revista única, excepcional e que, por essa razão, está de acordo com o perfil dos projectos que lançamos no mercado nacional”, justifica ao M&P Fernando Vasconcelos, assessor da administração. “Revistas com este tipo de perfil têm potencial para conquistar e reter leitores. Há sempre planos para publicações que tenham características semelhantes à Empire no que diz respeito à sua qualidade”, continua o responsável, justificando esta aposta.
Sara Afonso é directora da revista mensal liderando uma equipa de três pessoas a full time, não havendo previsões quanto ao número de colaboradores. “Não temos a pretensão de fazer uma revista melhor do que a melhor revista do mundo. Como tal mais relevante do que a percentagem do conteúdo nacional é saber até que ponto este conteúdo vai tornar a revista adequada ao mercado português”, afirma Fernando Vasconcelos. “Desse ponto de vista não haverá qualquer concessão. A revista será totalmente localizada e adaptada por uma equipa especializada e 100 por cento dedicada ao projecto. Para quem não saiba que se trata de um licenciamento não será pela existência de conteúdo não adaptado que o vai percepcionar. Se quiser falar em percentagens, no mínimo, estamos a falar de 30% de conteúdo nacional”, adianta o responsável quando questionado sobre a produção de conteúdo nacional.
O título, que tem origem no Reino Unido, foi licenciado à Bauer Media e dirige-se a um público maioritariamente classe A, B e C1, interessado em lazer, entretenimento e tecnologia. O título tem uma tiragem de 30 mil exemplares e um preço de capa previsto de 3,95 euros. A impressão é da Sogapal e a impressão da Logista.
A Première, título editado pela Multipublicações, é o único dedicado exclusivamente à temática de cinema editado no mercado português. A revista fechou o ano com uma média de circulação paga de 8.815 exemplares. Questionado sobre expectativas de venda em banca, Fernando Vasconcelos comenta: “A Empire é a revista de cinema mais lida em todo o mundo. É uma revista impar e como tal os seus objectivos só podem ser de liderar as vendas no segmento. Temos expectativas de vendas entre 12 mil a 15 mil exemplares por mês.”
Para ser repetitivo: Vem aí uma nova revista de cinema em português de seu nome Total Film.
“Não é mais uma revista de cinema. É a revista de cinema.” É desta forma que Luís Mesquitela Lima dá conta do nascimento previsto para 1 de Abril da Total Film, licenciamento da Future trazido para o mercado português pela recém-criada editora Edimovie. Luís Mesquitela Lima, durante mais de três anos à frente da direcção comercial da revista Première (editada pela Multipublicações), é um dos três sócios da nova empresa (acumulando com a direcção comercial), do qual também faz parte Mário Oliveira (ex-Singer) e um terceiro, que preferiu não revelar. Cada sócio detém partes igualitárias no projecto. O acordo com a Future é de três anos.
À Multipublicações, a nova editora foi buscar o chefe de redacção da Première, Francisco Toscano da Silva, que assume a direcção da revista mensal. Nuno Antunes é o chefe de redacção que terá, explica o sócio da editora, ”, cinco colaboradores externos, bem como um conjunto de “colunistas residentes”. O realizador António Pedro Vasconcelos e o actor Miguel Monteiro (que até recentemente foi director da Première) são os dois nomes avançados nesta fase por Luís Mesquitela Lima. A revista terá ainda mensalmente um colunista convidado “do mercado” (DVD e distribuição), assim como uma personalidade fora deste universo que irá dar conta d’os Filmes da Minha Vida. Na primeira edição, revela o responsável, é assinada por Pedro Passos Coelho.
A direcção de arte é de João Artur Peral, profissional que assumiu recentemente o cargo de director criativo na Brandscape.
A chegada da nova revista de cinema surge no mesmo mês em que a Goody já anunciou ir lançar no mercado a Empire, tal como noticiou o M&P. Luís Mesquitela Lima não se mostra receoso, dizendo acreditar que em Portugal “há 20 a 25 mil pessoas que estão dispostas a pagar por uma boa revista de cinema”, referindo como mais-valia a aposta na comunicação do lançamento da revista. “Ao que sei nada está a ser preparado com esta dimensão” [nos concorrentes], assegura. Expresso, Visão, Sábado, Correio da Manhã, Record, Jornal de Notícias, Diário de Notícias e Diário Económico, bem como montras e salas de cinema são os meios em que a campanha de comunicação (criada internamente) estarão presentes. A agência de comunicação Ipsis também irá assegurar a comunicação do lançamento. O projecto, incluindo comunicação, envolveu um investimento total, a preços de tabela, de “praticamente” 350 mil euros.
A Total Film terá uma tiragem de 20 mil exemplares, 132 páginas e um preço de capa de 2,95 euros. A impressão é da Sogapal e a distribuição é da Vasp. Nos planos da editora não está o lançamento de novos títulos. “Esta é uma editora de um título só”, frisa.
Como resposta a Premiere será diferente já a partir do próximo mês.
A Revista Premiere vai promover algumas alterações na sua estrutura e conselho editorial. Os objectivos desta mudança prendem-se “com a vontade de recuperar a mística da revista, mantendo a sua originalidade, paixão pelo cinema e humor, com alguns regressos anunciados e novas secções”, explica a publicação.
A revista vai sair para as bancas com mais conteúdos e informação, produzidos pela equipa que criou no passado a alma da Premiere. A direcção editorial da revista continua a cargo de Jorge Paixão da Costa. Jorge Pinto, que colabora com a revista Premiere desde o lançamento da II Série na Multiplicações, vai assumir a função de director de redacção. A revista continua a contar com a colaboração de Mário Augusto, João Lopes, Rui Brazuna, Bruno Ramos, Basílio Martins, Sérgio Dias Branco, Inês Mendes e Luis Salvado.
O conselho editorial vai contar com a presença da realizadora Margarida Cardoso, que realizou, entre outros, “Costa dos murmúrios”, em 2004, com Beatriz Batarda e Filipe Duarte. Margarida Cardoso junta-se assim aos restantes membros deste conselho composto por André Taxa, Lúcia Moniz, Luis Reboredo Mota, Manuel Damásio, Mário Augusto, Paulo Trancoso e Vera Pinto Pereira.
A Premiere é uma revista mensal com uma tiragem de 17 mil exemplares e está no mercado português desde Outubro de 2008. O projecto gráfico continua a ser liderado por Bernardo Ferraz da DesignGlow.
E em Maio celebraremos o aniversário da MagazineHD.
O número 1 da revista Magazine.HD surgiu nas bancas a 29 de Abril, com uma tiragem de 15.000 exemplares, na data do lançamento em blu-ray e dvd do emblemático Avatar de James Cameron, filme que deu rosto á sua primeira capa.
Está nas bancas no dia 1 de cada mês ao longo dos seus 11 edições mensais, incluindo um número duplo Julho / Agosto e ainda nos principais cinemas Lusomundo, a um preço promocional de 1€ na aquisição de 2 ingressos.
“A caminho de outra dimensão”, mensalmente e por apenas 2,95€, ao longo das suas 84 páginas a Magazine.HD privilegia, entre as várias formas de entretenimento, conteúdos nos novos formatos do universo digital, como o HD (Alta Definição), o 3D e o "video on demand", tendo Televisão, Cinema, DVD e Blu-ray na primeira fila.
Inserida no novo grupo editorial e-motions, a Magazine.HD dirige-se a todo o agregado familar, num segmento exigente e educado, tanto masculino como feminino, ajudando-o a divertir, informar e emocionar-se com conteúdos de qualidade, incluindo os formatos emergentes HD, 3D, Video On Demand, Streaming, entre outros.
A nova revista conta liderar em televisão, vídeo e cinema, apostando nas novas tecnologias e competir, como alternativa em high tech, jogos para consolas, música, kids e no cartaz selectivo de espectáculos.
Tendo estabelecido uma parceria com a equipa Take cinema magazine - revista mensal online da 7ª arte, que conta com mais de dois anos de actividade, a Magazine.HD é desenvolvida por uma experiente equipa redactorial com especialistas em cada uma das suas áreas.
A Magazine.HD apresenta-se nas principais redes sociais, como o Facebook e o Twitter e tem como sítio oficial www.magazine-hd.com.
Finalmente temos a Take que regressou recentemente, sem a obrigatoriadade imposta pelos assinantes, nas com uma tiragem ilimitada, sempre acessível, gratuita, com imensos passatempos e as parcerias mais estratégicas. E se não a quiserem em formato digital, é parcialmente impressa na MagazineHD.
Se formos comparar a presença online, a Premiere não existe e a MagazineHD, apesar de estar muito razoável, ainda tem muito a aprender. A Empire virá com a estrutura da original ou criará algo próprio? Só o tempo dirá.
Pergunto-me onde há público para tanta revista. É que cada uma espera 15000 leitores e provavelmente falam todas das mesmas pessoas. A não ser que façam grandes promoções (leia-se edições que valham a pena de filmes realmente bons) não se pode dar 3 ou 4€ mensais por cada. Lembrem-se que estamos em crise e ler na net ainda é de graça (se tiver de apertar mais o cinto coloco uma SCUT à entrada do Antestreia para pagarem o que antes era gratuito). Há 3 anos não havia nada e agora cinco, tanta fartura! Aposto que as novidades editoriais não acabam por aqui. Alguma outra revista que gostassem de ver editada em português?
Mais um mês passado, mais uma árdua tarefa. Na verdade foram duas árduas tarefas, mas falemos de uma de cada vez.
A primeira lista do mês era para trabalhos daquele grande senhor de nome Ingmar Bergman. De uma lista com mais de 60 filmes realizados foram escolhidos os melhores. Era uma lista impossível de fazer, mas que mesmo assim foi feita.
Fala-se de fazer novos filmes e séries sobre o universo "Blade Runner". Como é óbvio o conhecimento actual em alguns campos supera o que a ficção-científica dos anos 80 imaginava. Eu pergunto-me se no futuro os replicantes conseguirão reproduzir micro-expressões e se isso não bastaria para os detectar. A Tyrell Corporation devia contratar o Lightman Group. Seria bem mais seguro do que fazer interrogatórios tradicionais.