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Quinta-feira, 2 de Junho de 2011

Imperdoável

Hamza Ali Al-Kateeb, um rapaz de 13 anos, foi torturado até à morte por polícias sírios há uns dias atrás. O crime: ter ido com a família a uma manifestação pela liberdade e democracia na Síria.
Além de torturado, partiram-lhe o pescoço, desfiguraram-lhe a face, queimaram-no com cigarros e dispararam-lhe balas no peito. No final, obrigaram os pais a assinar uma declaração de silêncio, quando nada sabiam do que se tinha passado com o seu filho.
Quando receberam o cadáver de Hamza, os pais pediram a um activista para filmar como estava e o video foi colocado no You Tube. Entretanto, apenas está acessível a adultos, dada a violência das imagens. Mas a mensagem ficou: é um limiar imperdoável aquele que foi franqueado pela ditadura síria. É verdade, todas as ditaduras têm como seu desporto favorito a tortura. Mas isto já está para além disso. Quando o esquecermos, será mais um passo rumo a um passado recente bem atroz.
Uma página no facebook relembra-nos isso.

Sexta-feira, 1 de Outubro de 2010

Em casa de ferreiro, espeto de pau

«Dono da Segway morre em acidente de Segway»

Sexta-feira, 21 de Maio de 2010

Até a morte era negócio (só mais um esforço: criem as farmácias sociais, há 10 anos no papel)




Terça-feira, 27 de Abril de 2010

Que a polícia aproveite este caso para rever procedimentos

«Rapper MC Snake baleado pela PSP em Lisboa não conduzia sob o efeito de álcool e drogas»

Domingo, 11 de Abril de 2010

Dupla maldição na Polónia

«A maldição de Katyn»

Domingo, 21 de Março de 2010

Corações brancos para MC Snake

«"Snake era clean, clean, 100 por cento clean", dizem amigos»

Actualização: «Um "momento de paz" para MC Snake»

Segunda-feira, 8 de Março de 2010

ONG's assumem novo compromisso de vigilância crítica

O recente suicídio duma criança de 12 anos no rio Tua, por agressão continuada de colegas de escola (bullying), foi o detonador duma inédita acção de solidariedade e crítica por parte dum conjunto de ong's portuguesas. Mais detalhes na carta aberta dirigida a várias entidades públicas, «Morreu para evitar agressão de colegas», subscrita pela Amnistia Internacional Portugal, AMI- Assistência Médica Internacional, Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, Margens- Associação para a Intervenção em Exclusão Social e Comportamento Desviante e OIKOS- Cooperação e Desenvolvimento.
Entretanto, foi aberto um inquérito policial, que finda amanhã.
Decerto também por influência da nova intervenção político-cívica de Fernando Nobre (não será por acaso que é a AMI a encabeçar a iniciativa), teremos mais destas acções no futuro próximo. Ainda bem! Venham elas, temos tudo a ganhar. Até para evitar as costumeiras reacções corporativas sem sentido, como a da Confederação de Associações de Pais, que se limitou a pedir a criminalização dos pais de crianças com mau comportamento, como se a coisa fosse tão simples.

Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

Da degradação das relações laborais

Um dos lugares essenciais do nosso futuro, da nossa sanidade e qualidade de vida - individual e colectiva - é o trabalho, a empresa em que se trabalha. Para se ter uma ideia de como a relação directa do indivíduo com a sua empresa é uma tendência mundial (onde os sindicatos, contratos colectivos e outros modalidades colectivas são cada vez mais hostilizados) e está a assumir facetas bem preocupantes, é imperdível esta excelente reportagem com o psiquiatra e professor Christophe Dejours, «Um suicídio no trabalho é uma mensagem brutal». O lado positivo do depoimento é que há empresas, incluindo multinacionais, que dão prioridade a um bom ambiente para os seus trabalhadores, tendo algumas delas conseguido tornar-se mais competitivas quando afastaram o mal-estar causado pela avaliação individual e optaram por outros métodos, que implicam cooperação, sinergias, mas, que de par, estimulam a confiança, a lealdade e a crítica aberta. Donde, a tendência dominante não é uma fatalidade, apenas uma má opção...

Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010

A velhice: o fim do fardo de Sísifo, segundo Joan Margarit

Num belo poema do catalão Joan Margarit, a velhice é vista como «uma espécie de pós-guerra».

Em entrevista que passou na RTP2 («Bairro Alto»), o poeta desenvolveu esta ideia interessante, que eu nunca topara. Para Margarit, a velhice é como se fosse a interrupção do mito de Sísifo, pondo fim à condenação pelos deuses de ter de empurrar sem cessar uma rocha até ao cimo duma montanha, donde a pedra voltava a cair, e assim indefinidamente.

Para os velhos cessou a canseira, a canseira da guerra, ou seja, o fardo do futuro. Já pouco haverá de futuro, sobrando o presente e o pretérito. Como ele diz na entrevista: «Ser velho é a vida deixar-nos com muito passado e muito pouco futuro, e o futuro é onde estão as cargas. [...] Acaba-se o futuro, o peso do futuro, esse peso tantas vezes inútil que a pessoa jovem e madura é tantas vezes obrigada a carregar como a pedra de Sísifo [...] Há um momento em que essa pedra desaparece. Esta idade é maravilhosa». Quanto aos refúgios (ou casas da misericórdia), os verdadeiros são poucos, e um deles é justamente a poesia. A entrevista pode ser acompanhada aqui, o poema a que aludo no começo vem transcrito em baixo.

Ser Velho

Entre as sombras daqueles galos e cães
dos quintais e currais de Sanaüja,
há um buraco de tempo perdido e chuva suja
que vê os meninos ir contra a morte.
Ser velho é uma espécie de pós-guerra.
Sentados à mesa da cozinha
em noites de braseiro a escolher lentilhas
vejo os que me amavam.
Tão pobres que no fim daquela guerra
tiveram de vender a miserável
porção de vinha e o casarão gélido.
Ser velho é a guerra já ter acabado.
Saber onde estão os refúgios, agora inúteis.

Casa da Misericórdia, Ovni, 2009

Domingo, 6 de Dezembro de 2009

Crónica duma morte anunciada

No regresso a Marrocos duma viagem ao estrangeiro Aminetu Haidar, activista pela autodeterminação do povo sarauí, escreveu num documento «Sara Ocidental» no espaço destinado à nacionalidade, território este sob ocupação militar marroquina desde 1975. Por causa disso foi detida pelas autoridades marroquinas, interrogada, privada de telefone e passaporte, e expulsa do país, juntamente com os seus filhos, tendo voado para Lanzarote, a ilha de Saramago. Como forma de protesto por não poder regressar à sua terra, iniciou uma greve de fome, no dia 14/XI. Ontem tentou regressar, mas foi novamente proibida. Irá prosseguir até ao fim, já o garantiu. Os médicos consideraram crítico o seu estado de saúde.

Perante isso, o premiê espanhol cometeu um duplo e grave erro: 1.º) rejeitou a intermediação por parte do rei espanhol; 2.º) em vez de recorrer à forte arma de pressão que seria a ameaça de boicote da admissão de Marrocos à UE, optou insensivelmente pela opção mais fácil: «“Às vezes, como é normal, surgem dificuldades, mas deve prevalecer o que é do interesse geral [para o país]”».

Resposta de Haidar: «“Volto a dizer, o Governo de Espanha é cúmplice de Marrocos e ambos os governos querem empurrar-me para a morte”, denunciou Haidar.».

É duma estupidez tamanha esta opção do governo espanhol. Zapatero irá pagar caro este erro tremendo.

Como diz o actor espanhol «Bardem: ’Si Haidar cierra los ojos, el Gobierno de España será verdugo’».

Terça-feira, 28 de Abril de 2009

A epopeia da pesca do bacalhau

Trabalho, epopeia, bacalhau: um fado português. Sobre esta relação, é imperdível o documentário The white ship. The Portuguese 1966 cod fishing fleet Grand Banks (1967), de Hector J. Lemieux e chancela da National Film Board of Canada. O barco que o cineasta acompanha é o Santa Maria Manuela, na campanha de 1966, pelo mares de Grand Banks (Este de Newfoundland, Terra Nova, Canadá) e Davis Straits (a Oeste da Gronelândia). Este filme foi premiado no International Festival of Films on People and Countries (La Spezia, Itália), em 1969.

Nb: cortesia de Miguel Soares; para uma versão em formato menor vd. aqui.

Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

Nova autópsia a Ian Tomlinson nega a sua morte por causas naturais

Uma nova autópsia a Ian Tomlinson, morto durante os eventos da cimeira G20 (tal como referi aqui), ditou que a sua morte foi provocada por uma hemorragia abdominal e não por causas naturais, como antes informara a polícia londrina (vd. inf. aqui). Esta encontra-se cada vez mais sob suspeita. O polícia que agrediu Tomlinson foi entretanto suspenso de funções.

Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

Ian Tomlinson, afinal, sempre foi agredido pela polícia londrina

Foi preciso a iniciativa da imprensa para se confirmar aquilo de que já se desconfiava: o cidadão Ian Tomlinson, que morrera de ataque cardíaco durante os protestos da cimeira do G20, foi agredido pouco antes de falecer pela polícia londrina. Tomlinson não era manifestante, estava a regressar do trabalho, uma banca de jornais na City londrina, quando passou por um dispositivo policial. Um dos polícias resolve dar-lhe bastonadas, sem que se perceba o motivo, pois a vítima limitara-se a caminhar para o seu destino. Nenhum dos outros polícias esboçou uma reacção de repúdio daquela violência despropositada. Este vídeo mostra como a vida duma pessoa pode ser tão insignificante para um poder cego e desumano. Após as evidências trazidas por outrém, o governo inglês lá concedeu os mínimos, uma investigação criminal.
Depois do assassinato inqualificável do electricista brasileiro Charles de Menezes, no rescaldo do ataque terrorista de 9 de Julho de 2006, repetem-se os desmandos policiais. É caso para dizer, onde pára o outrora aplaudido bobby inglês? Esfumou-se, com a bruma?

Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

Natureza vs. homem?

Não, ambas as partes. Sempre que um terramoto espalha a destruição, é quase certo ser isso que sucede. Desta feita, foi na região de Abruzzo, em Itália: morreram 150 pessoas, 1500 ficaram feridas e 70 mil desalojadas (estimativas provisórias).

Mas porquê humano? É simples. Porque o homem continua a construir habitação e estradas onde não deve, em locais inadequados (em leitos de cheia, etc.) ou habitações fragéis. Ou a não escutar a opinião dos peritos, como agora parece ter novamente acontecido.

Em 1755, Lisboa foi atingida por um dos maiores terramotos de sempre. Apesar do impacto, até muito recentemente (porventura, ainda hoje, parcialmente) nem todos os edifícios são anti-sísmicos. Ou seja, pode voltar a suceder uma catástrofe em Lisboa. Por muita tecnologia que tenhamos desenvolvido, a natureza ainda nos prega partidas.

Este é mais um dos milhares de terramotos que já sucederam, mas quando tal ocorre muitos de nós sentimo-nos mais pequenos e vulneráveis. Como se, subitamente, fossêmos obrigados a relembrar quão contingente é a existência. A existência humana.

Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007

Blogofrase da semana

A morte é o que nos faz esgalhar o carapau.

M. D., 2007 DC

Quinta-feira, 1 de Novembro de 2007

A morte aberta


«A ligação entre a morte e a comunidade é algo que os próprios minhotos sublinham repetidamente. Comentários como "ricos ou pobres, aqui somos todos iguais; acabamos todos no mesmo lugar" ou "nisto, pelo menos, somos todos o mesmo", são reacções padrão que escutamos sempre que o assunto da morte é aflorado ou sempre que passa um funeral.

É este também o significado do estado "aberto" da casa dos familiares do morto, que mantém as suas portas abertas durante os três dias de velório. (...) No contexto do enterro a "abertura" deve ser compreendida de um modo semelhante àquele que é utilizado para qualificar as pessoas. Por exemplo, quando um minhoto diz que alguém é um homem aberto, está a sugerir que o indivíduo em causa é sociável, aberto à sociedade».

João de Pina-Cabral, Filhos de Adão, Filhas de Eva. A visão do mundo camponesa no Alto Minho.