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Domingo, 2 de Outubro de 2011

Quem é mais expedito, Álvares Cabral ou a Rainha de Inglaterra?

É o Cabral, segundo a polícia brasileira e para mal dos nossos pecados, pois significa que o procurador-geral da República, autodenominado Rainha de Inglaterra, anda a engonhar e bem.
A história é simples: para resolver o caso da viúva assassinada em que surge envolvido o político luso Duarte Lima, a polícia brasileira solicitou à Procuradoria-Geral da República portuguesa a audição daquele político, então testemunha. O pedido foi feito por e-mail mas demorou 4 meses a ser respondido, e mesmo assim com má vontade. O procurador disse então a um jornal que ignorava um termo que aí vinha escrito, oitiva, que é um sinónimo de audição e é usado na linguagem jurídica no Brasil. É português e vem nos dicionários. A coisa foi tão ridícula que um polícia brasileiro desabafou o seguinte para a correspondente do Público, Alexandra Lucas Coelho: «É mais tempo do que Cabral levou a vir para o Brasil».

Sexta-feira, 2 de Setembro de 2011

Um stakhanovista inesperado

Ele foi o folhetim da semana, à míngua de revelações pelas bandas telenovelescas. Saiu, foi empurrado, fugiu, emboscado. A coisa tinha todo o suspense do mundo. A sombra pairava sob uma estrela.

Até que... Até que o mister tranquilidade veio dizer que a pessoa em causa desertara. Oh! Que coisa feia!!

Contudo, há algo de errado neste desfecho ingrato. A bem dizer, algo de deslocado. Na origem esteve uma genuína e indesmentível vontade de trabalhar em prol da pátria, ressoando a gesta produtiva dos stakhanoves de outrora.

Abelhinha workaholic, talvez. Agora, militar desertor? Vindo dalguém também conhecido por ser formiguinha no meio do campo?

Vá, revejam lá o guião, que a coisa está mal contada. Mereceis melhor.

Sexta-feira, 3 de Junho de 2011

A cozinha lusa em registo minimal-repetitivo

Podem ser dos melhores chefs portugueses da actualidade, mas as listas pessoais sobre os melhores 7 pratos da gastronomia portuguesa soam demasiado pelo mesmo diapasão. Tenho pena de o dizer, mas é assim.

A perdiz e o leitão à bairrada vem em todos, caramba (o cozido desaparece, asssim como as tripas, o cabrito, o borrego, a vitela, o arroz de pato...)! Nas sopas, a açorda alentejana intercala com o caldo verde: estou farto do caldo verde cheio de batata e chouriço, meus amigos! Como se não existissem outros sopas boas (gaspacho, sopa de peixe, de beldroegas, de feijão verde...); o pastel de bacalhau é quase o único petisco: que vergonha, então, não temos peixinhos da horta, enchidos, ovos mexidos, saladas de ovas e polvo...? Nos doces, vir em maioria pastéis de Belém e pastéis de Tentúgal, por muito bons que sejam, é quase um sacrilégio. Meus amigos, isso não é sobremesa, é apenas aperitivo de sobremesa! Seja em que cozinha for!!!

Terça-feira, 22 de Março de 2011

Sentido de Estado

Dado como desaparecido nos últimos meses, pede-se a quem der com o seu paradeiro o favor de contactar a República Portuguesa...

Sim, falamos dessa coisa que, outrora, encheu a boca dos auto-denominados «partidos da governação» (PS, PSD e CDS). «Sentido de estado»: é o último desaparecido em combate da política à portuguesa. Por causa disso, vêm aí eleições antecipadas e um agravamento da situação do país. Todos se ilibam de ter culpas, mas têm-nas e enquanto não o admitirem mais efeitos nefastos poderão produzir.

O PS por apresentar um PEC4 aos poderosos da UE sem previamente o ter debatido no órgão soberano, o parlamento. Foi imprudente e incorrecto. Deu assim pretexto a PSD e CDS para se afastarem ainda mais dum compromisso alargado para com a redução do défice e dívida pública e com reformas estruturais.

Não se compreende como, perante uma crise económico-social sem precedentes no país não tenham estes partidos criados condições para um sólido compromisso alargado. O mesmo é extensivo ao Presidente Cavaco Silva, que sempre se apresentou como institucionalista, moderador e promotor de equilíbrios e compromissos. Não se percebe a sua recente desculpa de impossibilidade de actuação devido à rapidez da crise, ilidindo a sua apatia no início da crise e os efeitos destrutivos do seu discurso anti-PS no reempossamento.

Os restantes partidos parlamentares também não saem bem na foto: centraram-se em excesso na crítica aos sucessivos PEC's, fingindo não querer ver a real dimensão da crise económica, não cuidando de tentar compromissos pontuais e em consolidar alternativas políticas concretas. As quais só recentemente começaram a aflorar (face a uma crise que já vai no seu 4.º ano!), e ainda assim com medidas completamente irrealistas, como o dum mega-plano ferroviário, comprometendo outras boas e necessárias medidas*.

Mas não devemos esquecer o quadro geral: os poderosos da UE são os principais culpados e podem estar a comprometer seriamente a coesão da União Europeia de modo estrutural. O alerta é recente e vem do investidor George Soros, alguém que sabe do que fala e tem escrito bastante sobre o tema da desunião europeia...

*É o caso do orçamento zero, da taxação da banca à taxa das pme's, da renegociação das parcerias público-privadas (o grande sorvedouro de recursos do Estado), a extinção dos governos civis e das empresas públicas.

nb: cartoon de Henrique Monteiro, retirada do blogue ironia d'estado.

Terça-feira, 8 de Março de 2011

Ah, grande Obikwelu: quantos partilhariam assim os holofotes?

Parabéns também a Naide Gomes! Ver mais em: «Francis Obikwelu ainda vale ouro aos 32 anos», por Luís Lopes.


Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010

1 de Dezembro, dia da restauração da dependência nacional

Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010

Afinal, também Portugal esteve sob ameaça

«EUA tinham planos para invadir os Açores em 1975», por Nuno Simas.

Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010

A ascensão duma editora portuguesa

Nasceu no Porto, em 1944, e é hoje a maior editora portuguesa, depois da aquisição da Bertrand.
Descubra os segredos do êxito nesta entrevista de Vasco Teixeira, responsável editorial da Porto Editora, a Luís Miguel Queirós.

Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

Pensando o elo complexo das identidades colectivas, para além da espuma dos dias

Para mais informações é favor ver o programa do evento.

Terça-feira, 26 de Outubro de 2010

Afinal, parece que não estamos assim tão mal, ó vozes da elite predadora

Sexta-feira, 8 de Outubro de 2010

Uma estreia auspiciosa

Pode não ter cheirado a arroz de marisco mas soube bem. Vencer os calmeirões vikings e, ainda por cima, de modo convincente não é canja. O homem do jogo foi Nani; contudo, tranquilizou mais a consistência dos sectores e omaior espírito de equipa. Parabéns ao novo seleccionador, o Paulo "Tranquilidade" Bento. Resta-nos apoiar e esperar que dure até ao final do Euro2012.

Terça-feira, 21 de Setembro de 2010

Boas práticas a nível local

Quinta-feira, 9 de Setembro de 2010

E 4 meses depois lá se concluiu o caldinho...

«Federação despede Queirós e convoca eleições»

Agora resta aguardar pelo novo cozinheiro. E que não nos dêem mais arroz de polvo. Queremos melhor. Marisco!

Quarta-feira, 4 de Agosto de 2010

O buraco negro do Google

Trabalho descartável, tendência lusa

«Portugal é o terceiro país da Europa com mais contratos a termo», por Ana Rute Silva

Terça-feira, 3 de Agosto de 2010

E já que é tempo de férias e viagem, eis outra boa exposição

Itinerário em 5 núcleos: 1. Turistas - o prazer e a arte de viajar; 2. A República e o turismo; 3. Turismo e identidade nacional: uma nova imagem para Portugal; 4. Os lugares turísticos e os projectos da República; 5. Férias em Portugal.

Local e prazos: Lisboa, no torreão nascente do Terreiro do Paço, até 26/X.

Cobertura pela imprensa («recortes») aqui.

Quinta-feira, 15 de Julho de 2010

Uma tarde no parlamento

O parlamento português discutiu hoje o estado da nação. Foi um debate interessante, confirmando a justa centralidade deste órgão no sistema político. Houve análises, farpas e números para todos os gostos.
O premiê escudou-se nas estatísticas favoráveis para 2006-9 (p.e, diminuição da pobreza e das desigualdades sociais) e daí não saiu. A oposição de esquerda (BE , PCP e Verdes) criticou a aliança do governo com a direita política, plasmada nos planos de austeridade que penalizam o trabalho, acentuam a assimetria com o capital e os favorecidos e agravam a crise económica e social. Mas a não apresentação de propostas concretas no debate acaba por penalizar estes 2 partidos, contribuindo eles próprios para a falta de pressão para convergências à esquerda, por falta de visibilidade das suas alternativas.
À direita, o PSD foi o primeiro a constatar o estado de denegação do governo face à realidade, e espera pelo desgaste da situação para se impor em eleições antecipadas, ou outras. O CDS reiterou o agravamento da carga fiscal para a classe média (situação única na Europa) e, a meio da tarde, pediu a demissão do governo e a formação duma grande coligação - consigo, o PS e o PSD -, ao estilo alemão. Uma proposta legítima, ainda que nunca tentada por cá, ao invés da Alemanha, onde é frequente.
Por seu turno, os media vão engrossando o cenário de eleições antecipadas após a eleição do Presidente da República. É outro cenário possível, caso o PSD chumbe o orçamento para 2011 e o PS resolva roer a corda. Mas também é possível que este governo continue até ao fim da legislatura*. Ou não?
Seja como for, deviam ser mais diversificados os cenários em cima da mesa... Será que Alegre pode ajudar a desbloquear maiores convergências à esquerda ou a sua margem de manobra limitar-se-á apenas à sua campanha presidencial? A ver vamos as cenas dos próximos episódios.
*alguns trunfos nesse sentido: o retomar do concurso da 3.ª travessia sobre o Tejo; os mil milhões de ajuda para as empresas conseguirem os apoios do QREN (dada a falta de crédito junto da banca...); e, se se confirmar, a esperada subida na arrecadação de receitas pelo Estado.

Quarta-feira, 30 de Junho de 2010

Adeusito!

Depois do desfecho desejado pelo mister (i.e., perder pelo mínimo possível, a seguir a ir a penalties), pouco resta a acalentar, a não ser o desejo que a estória não se repita, ainda que o mister se mantenha até ao próximo Europeu. Foi mauzote, não merecíamos tanto amedrontamento.
Queirós fez apostas de alto risco (dentro do seu conservadorismo em voga) e perdeu-as: insistiu em colocar um defesa central a lateral direito e foi por aí que sofreu o golo que ditou a derrota. Claramente, Ricardo Costa não tinha rotina nessa posição. Contra o Brasil podia arriscar isso, já contra os rojos seria demasiado. Então, o que estão lá a fazer os 2 laterais de raíz?
Depois, resolveu tirar o único ponta-de-lança, Hugo Almeida, quando ele estava a furar o cerco, colocando mais um médio em crise de inspiração. Resultado: a equipa encolheu-se e Portugal sofreu o golo de David Villa. Os espanhóis fizeram o seu jogo, mais bonito que o dos vizinhos, embora por vezes algo cansativo (às tantas perdíamo-nos nas fintas do carrossel rojo), e esperaram por um erro, o que surgiu mais cedo do que estariam à espera. E assim se concluíu o jogo.
É claro que nem tudo é responsabilidade do seleccionador, alguns jogadores estiveram abaixo do expectável, como Cristiano Ronaldo, que disse que ia explodir nessa competição e a única coisa que lhe vimos foi um tiro de pólvora seca. Manolo foi certeiro!
Hoje, o mister, na conferência de imprensa, voltou a repetir lugares-comuns dum yuppie encartado, esquecendo-se que já não estamos nesses tempos. Exige-se mais do que calculismo e boa retórica: temperança, risco, assunção de erros, qualidade actual em vez de cotação bolsista (leia-se, valor das transações) dos jogadores.
Enfim, resta-nos aturar este mister durante mais 2 anos... Haja saco...
ADENDA: acho que Queirós deve continuar (para que não haja dúvidas), embora seja mais responsável por erros clamorosos do que grande parte dos jogadores. Alguma continuidade é necessária para se poder avaliar o trabalho, seja de quem for.

Sexta-feira, 25 de Junho de 2010

Não se pescam trutas a bragas enxutas

Depois de 180 mins. desconsoladores, a fava saiu a Portugal.

A 1.ª parte desta peça decorreu à tarde, e quase deu para adormecer no início... Valeu a irritação e o bom tempo. Depois do intervalo, a coisa transmutou-se: sangue novo, mais acção, mais risco. Ainda assim, acabou tudo como começou: um nulo ditado pelos céus, só digno de desavergonhados empatas. A 2.ª parte, ao cair da noite, ditou o desfecho previsível: os encarnados ibéricos ganharam aos seus irmãos sul-americanos.

O mister luso está noutro campeonato, o dos que sofrerão menos golos e derrotas, de maneira que na próxima 3.ª feira os patrícios irão tercer armas com o pior adversário possível a seguir ao sol argentino: o toureiro espanhol, esse mesmo! A selecção que todos queriam evitar, excepto o sado-masoquismo fadista. É a dialética ibérica, agora, à força do pontapé.

50% de hipóteses? Depende, mais uma vez, dos soldados em campo e da táctica, caramba!!

PS: esta de Ronaldo ter sido escolhido pela 3.ª vez como o melhor em campo pela FIFA é sintomático - actores e ilusões, venham os cifrões.

Terça-feira, 22 de Junho de 2010

Por terra adentro...

Neste fim-de-semana Fausto Bordalo Dias desvelou a última das obras que compõem a sua trilogia da «gesta marítima». Num elenco de 22 canções, as primeiras 8 eram retiradas do novo álbum (Por terra adentro?), cabendo a cada um dos álbuns anteriores 7 canções (além dum encore final, «Navegar, navegar», e mais houvera se o artista não tivesse subtilmente assumido o seu compreensível cansaço).
O concerto foi uma oportunidade única para se ouvir novas canções que vão decerto entrar no ouvido, e para recordar aquelas que já fazem parte dum repositório de revisitação crítica da expansão marítima portuguesa da época moderna.
O programa pode ser consultado aqui. Para quem quiser ler uma crítica do espectáculo pode ir aqui ou aqui. Para matar saudades, músicas do cantautor aqui. E para quem quiser ecoar estas músicas antológicas pode consultar aqui as respectivas notações musicais.