Sexta-feira, Janeiro 20, 2012

Bendit vs Viktor Orban 

Grande Bendit.


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Quinta-feira, Janeiro 19, 2012

Arroz Doce 


A minha coluna de hoje no jornal As Beiras.

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Nebulosa Helix 



A Helix é uma nebulosa planetária situada na longínqua constelação do Aquário, a cerca de 700 anos-luz do nosso Sistema Solar. Imagem do ESO.

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Quarta-feira, Janeiro 18, 2012

Beigbeder um escritor quase não traduzido 

Na sua edição de Dezembro a revista Ler dedica uma secção a escritores não traduzidos para português, na sequência de mais um Nobel da Literatura atribuído a um escritor praticamente desprezado pelas nossas editoras. Preparava-me para acrescentar Beigbeder a essa lista, quando descubro que há 10 anos atrás a Editorial Presença publicou o original 99 Francs com o título "14,99€ - A Outra Face da Moeda". O seu estilo auto-ficcional, libertino e intelectual é lido e traduzido nos países balticos, Rússia e na conservadora Turquia. A sua obra já deu origem a dois filmes, o novíssimo "L'amour dure trois ans" e o espirituoso "99 Francs" com Jean Dujardin. Mas Frédéric Beigbeder apresenta alguns inconvenientes para os nossos editores: não é marialvista, não escreve sobre sopas de peixe com leite de mamas, não se leva a sério e goza a fundo consigo mesmo (esta o macho luso não perdoa). É pena, passa-nos ao lado a prosa de um escritor que descreve intencionalmente o seu tempo, que vive a fundo o seu tempo, que gosta do seu tempo, que descreve o mundanismo dos nossos dias, uma espécie de Balzac do século XXI, enfim um escritor que daqui a 200 anos será apreciado por transmitir um retrato fiel das vivências da nossa geração.

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Terça-feira, Janeiro 17, 2012

Patriotismo é pedir recibo 

Um país como o nosso que exporta tantos produtos interessantes (da cortiça ao vinho) e com qualidade, confesso que me dá asco essa conversa do "compre nacional". Se os outros países fizessem o mesmo íamos lavar os pés com vinho e deixar o CDS cortar rente os sobreiros que Nobre Guedes e Assunção Cristas pouparam. Separo esta questão do debate muito válido de taxar produtos em função da distância onde foram produzidos, por razões ecológicas.

Se quisermos ser uns grandes patriotas o melhor serviço que temos a fazer pelo país é pedir SEMPRE o recibo. Mas aí o patriota que há em nós perde logo a mesma garganta que se inflamou com o slogan "compre nacional". Em publicação recente, o Observatório de Economia e Gestão de Fraude estima em cerca de 42,7 mil milhões, ou 24,8% do PIB, o volume da economia paralela em 2010. A média estimada da economia paralela entre os países da OCDE é de 16,4 % do PIB. Se estas transações pagassem um imposto médio de 20% no nosso país, o défice em 2010 teria sido de 2,8% em vez de 8,6%. É esta a dimensão do roubo.

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Sexta-feira, Janeiro 13, 2012

Dumpingo Doce 

Tal como denunciei ontem no As Beiras, o Pingo Doce (e não só) faz dumping de preços de produtos de primeira necessidade. Eis aqui a prova numa intervenção realizada hoje pela ASAE. Agora que Soares dos Santos foi ingrato e fugiu para a Holanda é que as autoridades portuguesas se lembraram de intervir...

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O cartoon da semana 



Por Mix & Remix publicado no L'Hebdo

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Quinta-feira, Janeiro 12, 2012

Pingo Amargo 

A vitimização ensaiada por Soares dos Santos no caso Pingo Doce só convence quem não conhece as práticas hegemónicas dos grandes grupos de distribuição. Os pequenos e médios comerciantes locais já se habituaram a lutar contra legislação que favorece os amplos horários de abertura das grandes superfícies, contra o dumping de preços em produtos de primeira necessidade compensados por serviços e rendas de lojas, contra a chantagem para redução das margens dos produtores e contra a influência destes grupos nos grandes partidos. Ao apoiar candidaturas políticas, os batalhões de advogados destas empresas influenciam a parte do programa político que lhes diz respeito. Recentemente condenado por planeamento fiscal abusivo, o patriota Soares dos Santos é ironicamente o maior importador do setor.

Publicado hoje no jornal As Beiras.

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Terça-feira, Janeiro 10, 2012

Pingo Pong 

O Fernando Campos sobre o caso Pingo Doce no Sítio dos Desenhos.

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Segunda-feira, Janeiro 09, 2012

Pesados cortes na ciência 

(publicado no Esquerda.net)

Esta semana foram anunciados cortes de 39% no orçamento para 2012 da Fundação para a Ciência e a Tecnologia - instituição que tem a seu cargo a atribuição de bolsas individuais e de projetos científicos. Ao contrário do que foi anunciado estamos claramente perante um orçamento desadequado à continuidade de uma investigação de qualidade e em quantidade para responder às exigências das nossas empresas e da indústria nacional. Um orçamento tão reduzido limitar-se-á a financiar algumas ilhas que perderão a ligação aos restantes grupos de investigação perdendo-se massa crítica para concorrer a projetos internacionais e para manter a participação em instituições internacionais como o ESO, o CERN, a ESA ou o Acelerador Europeu de Sincrotrão. Desta forma, as consequências deste corte contrariam o apelo do governo a concorrer a projetos europeus para compensar a escassez de financiamento.

Os projetos europeus têm taxas de aprovação inferiores a 10%, onde primam centros de investigação dos países europeus de maior dimensão onde existem autênticas agências apenas dedicadas à redação dos extensos e herméticos formulários europeus de candidatura. Se esta é a via escolhida, então no mínimo o ministério deveria promover a criação de gabinetes dedicados à redação de projetos europeus. Com o amadorismo que reina na máquina burocrática da maior parte das nossas instituições muita investigação de qualidade ficará logo pelo caminho na altura do preenchimento do formulário.

O mais perturbador é a absoluta falta de estratégia do ministério num momento de profunda crise, momento em que a ciência poderia ser um dos principais motores para sair da crise. Enuncia-se como estratégia ministerial a promoção da excelência. Promover a excelência não é estratégia nenhuma em si, qualquer ministério da ciência sério procurará promover a excelência. Para onde vai a ciência nacional? Como a investigação realizada nas universidades poderá ser mais eficaz na sua ligação à sociedade e ao tecido empresarial? Qual a importância a dar à investigação fundamental e à inovação? Como promover a investigação nas empresas privadas? São questões que ficam sem resposta. Há uma abstração total do potencial científico do país, fica-se com a sensação que a investigação é um fardo para este governo e só não se desiste por completo de financiar a ciência porque isso teria repercussões internacionais sérias, inclusivamente no seio da comissão tripartida que nos está a emprestar dinheiro.
A governação do país vai numa direção e no meio científico cada um segue para seu lado, em passeio aleatório.

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Sábado, Janeiro 07, 2012

Pezinhos 

A minha coluna no jornal As Beiras da passada quinta-feira.

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Sexta-feira, Janeiro 06, 2012

O que é que eu posso fazer pelo meu país? 



Esta entrevista de Alexandre Soares dos Santos é um festival de grandes lições de moralismo que se resume nesta frase:
"...temos que olhar para nós e perguntar o que é que eu posso fazer pelo meu país".

Mas há outras muito boas:
- "Há toda uma maneira de estar na sociedade que tem que mudar", sem dúvida diria eu;
- Soares dos Santos queixa-se que "o Estado tem que pagar tudo, não se pode tocar no serviço nacional de saúde". Foi com este sistema tão perverso e universal que a taxa de mortalidade infantil em 30 anos passou do terceiro-mundismo para um valor melhor que os EUA, onde vigora a filosofia de Soares dos Santos;
- Propõe "reguladores [da iniciativa privada] não nomeados por partidos políticos (...) um sistema [de regulação] com gente, imparcial, competente e conhecedora". Ora um sistema de reguladores não nomeados pelos eleitos e conhecedores, que tal os regulados regularem-se a si próprios? Ou numa versão imparcial, pagos pelos regulados, assim tipo a relação imparcial entre a Arthur Andersen e a ENRON;
- "O país tem que ser mais eficiente, tem que trabalhar mais horas". Errado! Para o país ser mais eficiente tem que trabalhar melhor por unidade horária. Tsk, tsk, isto dá chumbo na escola secundária.
Aqui para aderir ao movimento Boicote ao Pingo Doce.

PS- As "entrevistas" de José Gomes Ferreira têm muito que se lhe diga, lá iremos um destes dias.

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Quinta-feira, Janeiro 05, 2012

Sahida 


No que se define hoje como território nacional já se falou celta, latim, galego-português e apenas no reinado de Afonso II se escreveu o primeiro documento oficial em português. Em 1882, no ano em que foi colocada esta placa junto ao Elevador do Bom Jesus de Braga era assim que se escrevia saída: sahida. O primeiro acordo ortográfico entre a Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras entrou em vigor em 1911, tendo eliminado o h em posição medial do verbo sair, no seu capítulo III:

III - [letra h em posição medial]
É eliminada a letra h do interior de todos os vocábulos portugueses, com execpção do seu emprêgo, como sinal diacrítico, nas combinações ch, lh, nh, com os valores que as seguintes palavras exemplificam, e únicamente para êles: chave, malha, manha. Portanto, escrever-se hão, sem o h, inibir, exortar, etc., e, semelhantemente, sair, coerente, aí, proìbir, etc.


O novo acordo começou a ser trabalhado em 1985, há mais de 25 anos. Neste acordo mudam de grafia 2 703 palavras. No Brasil mudam 1254 (~ 1% do total das palavras) e perde-se um acento: o trema. Nos restantes países de expressão portuguesa mudam 2 264 palavras (cerca de 1,75% do total).
A partir de agora escrever-se-á por aqui segundo as regras do novo acordo ortográfico. Ouvi e li especialistas, uns contra outros a favor. A favor ouvi argumentação muito bem fundamentada e contra o acordo ouvi sobretudo muita descarga de fígado contra o multiculturalismo, o "dantes é que era bom" e histórias de sofisticada intriga internacional. Pessoalmente preferia que a nossa língua adotasse regras semelhantes ao castelhano, italiano, alemão e línguas eslavas, em que não há ambiguidades entre a escrita e a fonética. Demos um passo nessa direção mas ainda estamos longe. Do ponto de vista estético tenho mais reservas, faz-me confusão escrever ótimo em vez de óptimo, apesar de já ter interiorizado quando escrevo em língua italiana - a herdeira direta da nossa língua mãe, o latim - a escrita de ottimo e de Egitto. Dou razão a um amigo italiano especialista em latinas, quando me relembra que o português e o romeno são as línguas latinas mais conservadoras.

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Quarta-feira, Janeiro 04, 2012

Telemóvel para vítimas de violência conjugal 

Volto ao assunto da violência doméstica.
Em França e Espanha está a ser utilizado há mais de um ano um telemóvel para mulheres vítimas de violência conjugal. Destinado a prevenir ataques após a separação de casais com historial de violência doméstica, este telefone portátil é equipado de um botão muito acessível que após premido mais de três segundos entra em modo voz alta e simultaneamente liga a uma central de urgência especializada no apoio às vítimas de violência conjugal. Este sistema já permitiu a intervenção rápida da polícia em várias centenas de casos nos dois países referidos.
Isto dava um jeitão por cá.

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Quem mais precisa 


A minha coluna da passada quinta-feira no jornal As Beiras:

Os sacos de plástico que pendem das mãos são de um supermercado de produtos baratos, os carros estacionados de baixa cilindrada, em segunda ou terceira mão. Estamos longe das fantasias do CDS, dos beneficiários de rendimento mínimo com piscina e Mercedes à porta. Neste bairro social do concelho da Figueira, os habitantes cuidam da amostra de jardim que torna mais ameno o espaço entre as caixas de betão onde vivem. São simpáticos com os vizinhos e transeuntes, mas poderiam não ser dada a elevada taxa de desemprego e de abandono escolar. Vem-me à memória os tempos em que vivi perto de uma violenta cité francesa.
Investigue-se até às últimas consequências a Figueira Domus, proteja-se quem denunciou e tentou mudar más práticas, mas não percamos de vista quem mais precisa.

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Domingo, Janeiro 01, 2012

O Esquerda Republicana 

Fui um dos ultimos a embarcar no ER (Esquerda Republicana), ha mais de um ano e picos. Depois de outras experiencias bloguisticas, devo dizer que me sinto especialmente bem neste blogue criado pelo Ricardo Alves. Dizer que me sinto bem, nao é sinonimo de dizer que me sinto confortavel. As minhas costelas europeista e ambientalista desencaixam frequentemente no puzzle do ER. E nos bastidores a malta pega-se e pega-se bem. Mas mesmo nessas pegas eu aprecio algo que depois tambem transparece no palco principal. É um sentido critico muito frontal, nem sempre facil de digerir, mas que é do mais salutar exercicio intelectual. Tambem gosto da forma como se evita a facil tentacao da fulanizacao e as coleras histericas tao amigas dos contadores de cliques. O Esquerda Republicana com este perfil nunca pode ser lider de audiencias, mas esse premio deixamos para o Quim Barreiros e o Tony Carreira.

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Sábado, Dezembro 31, 2011

Porque o mundo vai acabar em 2012 


Terça-feira, Dezembro 27, 2011

Klepsydra de Ouro 2011: Rafael Marques 

Distingue-se aqui com a Klepsýdra de Ouro a personalidade do ano. Distingue-se a imensa coragem e o excelente trabalho de investigação de Rafael Marques. Isto é mais forte do que a Primavera árabe. Trata-se de um homem só contra um regime assassino e corrupto. Em "Diamantes de Sangue" (Tinta da China, 2011), Rafael Marques denuncia os esquemas de corrupção que envolvem as mais altas esferas do poder em Angola, bem como as empresas e entidades estrangeiras que com ele negoceiam. Na região do Cuango, para benefício dos que exploram os diamantes, as populações são mantidas em condições de quase escravatura, sendo torturadas, assassinadas, roubadas e impedidas de manter quaisquer actividades de auto-subsistência. As autoridades e o governo ignoram os crimes, as forças armadas e polícias são não só coniventes como também protagonistas desses crimes (sic).

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Segunda-feira, Dezembro 26, 2011

A tortura colectiva continua na Coreia do Norte 

Desde a morte de Kim Jong-Il, a tortura colectiva a que o Partido Comunista da Coreia submeteu os coreanos nao conhece limites. Depois da imposicao de ignobeis choros mal ensaiados, seguem-se os passarinhos que prestam homenagem a Kim Jong-Il.
A semana passada a direccao do PCP num exercicio de benovolencia com um dos maiores criminosos do mundo - na Coreia do Norte morre-se de fome, mas ha dinheiro para armas nucleares - expressou as suas condolencias pelo falecimento de Kim Jong-Il. Na mesma semana em que se opos ao voto de pesar pelo falecimento de Vaclav Havel. Duvido que a esmagadora maioria dos simpatizantes e militantes do PCP se revejam nisto.

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Sábado, Dezembro 24, 2011

E porque hoje é 24 de Dezembro 



É um excelente dia para assinar a Petição Em Defesa do Hospital Distrital da Figueira.

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O Homem das Cavernas 

O meu artigo da passada quinta no jornal As Beiras.

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Quinta-feira, Dezembro 22, 2011

Premiar os culpados da crise 

Depois de Mario Draghi, Mario Monti e Lucas Papadémos (ex-Goldman Sachs), mais um cargo político europeu importantíssimo atribuído a um quadro oriundo de uma das empresas financeiras responsáveis pela crise mundial: Luís de Guindos (ex-Lehman Brothers) é Ministro da Economia do governo Rajoy. Não há vergonha na cara.

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Quarta-feira, Dezembro 21, 2011

O Universo em raios X 

O Universo visto numa banda de raios X (entre 50 e 100 keV). Observação INTEGRAL.

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Terça-feira, Dezembro 20, 2011

Homenagem a Havel 

Václav Havel (lê-se Vatslav, c=ts) é sobretudo sinónimo de coragem. Contra o regime comunista legitimado pelos tanques soviéticos, Havel foi reunindo em torno de si de uma forma mais ou menos caótica dissidências várias da sociedade checoslovaca que agrupava desde católicos a trotsquistas, apesar da permanente perseguição e das passagens pela prisão de que foi alvo. Quando a URSS começou a vacilar, foi com a mesma coragem que Havel apareceu nas primeiras linhas da contestação, quando ainda era incerto se uma nova vaga de tanques soviéticos pudesse voltar a intervir ou não.
Todos estes episódios são relatados com muito humor nas memórias de Havel, "To the Castle and Back", sobretudo quando descreve o estoicismo burocrático dos funcionários do PC checo bem como os delírios fanáticos dos ultraliberais que seguem o actual presidente Václav Klaus.
Mas Havel, é também um exemplo de um grande europeísta, daqueles que fazem falta na Europa nos dias de hoje. O seu primeiro discurso perante o Parlamento Europeu em 1994 não poderia ser mais actual. Havel apela à construção de uma Europa mais forte, simplificando os tratados numa constituição clara (pag. 18) e à eleição directa pelos cidadãos europeus de um presidente que substituiria as presidências rotativas (pag. 19).
Havel, o checo enfezado que costumava passar férias no Algarve, vai deixar muitas saudades.

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Segunda-feira, Dezembro 19, 2011

Há mar e mar 

Publicada da passada quinta-feira no jornal As Beiras.

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Sexta-feira, Dezembro 16, 2011

Mão leve 

130 casos de violência doméstica no concelho da Figueira levados a tribunal nos últimos 7 anos. De fora está a grande maioria que nem sequer é objecto de queixa. Portugal continua a ser aquele país bizarro em que a casa é mais perigosa que a rua.

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Terça-feira, Dezembro 13, 2011

O Xerife de Nottingham 


(foto BBC)

David Cameron recusou-se a aceitar a medida de aplicação de uma taxa de transacções financeiras na UE, aquela que foi talvez a medida mais interessante negociada na cimeira da passada semana. Cameron mostrou-se muito preocupado com o seu impacto na City, cujas actividades contribuem para cerca de 10% do PIB britânico e que representam cerca de 75% das operações financeiras de toda a Europa. Mas a City é também uma das principais responsáveis pelo caos que se instalou na economia mundial desde 2008, é de longe o sítio na Europa onde mais se roubou empresas, cidadãos e estados, e que mais contribuiu para fomentar o desemprego na UE. Apesar de a crise atingir fortemente o Reino Unido (cerca de 450% do PIB de dívida pública+privada), não é por isso que nos últimos anos correctores e quadros de empresas financeiras da City deixaram de apostar milhões em corridas de cavalos e em viaturas de luxo (duas modas da City).
O Xerife de Nottingham não é ingrato, não morde a mão dos cortesãos que o levaram ao poder.

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Segunda-feira, Dezembro 12, 2011

Mais cortes em grandes projetos europeus de investigação 

(publicado no portal Esquerda.net)

Depois de cortes anunciados nos orçamentos do CERN, do Acelerador Europeu de Sincrotrão, da Estação Espacial Internacional e do futuro telescópio espacial James Webb (estes sobretudo da parte dos EUA), segue-se agora a intenção da Comissão Europeia em retirar do orçamento da União Europeia o projeto ITER e o programa GMES.

No caso do ITER (International Thermonuclear Experimental Reactor:Reator Termonuclear Experimental Internacional) justifica-se a decisão com as derrapagens nos custos de um projecto que inicialmente se estimou em cerca de 5 mil milhões de euros em 2006 e que se estima agora em cerca de 15 mil milhões de euros. O ITER tem como objectivo produzir energia através da fusão nuclear (em vez da fissão dos reactores das centrais nucleares) e é financiado conjuntamente pela UE (União Europeia), os EUA, a China, a Índia, a Rússia, a Coreia do Sul e o Japão. A contribuição da UE no período compreendido entre 2014 e 2020 eleva-se a cerca de 2,7 mil milhões de euros.

O GMES (Global Monitoring for Environment and Security: Monotorização Global para o Ambiente e a Segurança) será uma constelação de satélites europeia que observará a superfície da Terra e a atmosfera em contínuo auxiliando os serviços meteorológicos de toda a Europa de modo a que estes prestem informações mais precisas aos cidadãos, a empresas e a instituições. Esta constelação será também especialmente vocacionada para detectar indicadores das alterações climáticas: risco de inundações, erosão dos solos e da costa, colheitas e recursos piscícolas, poluição atmosférica, gases de efeito de estufa, icebergs e glaciares. O custo total do GMES é de cerca de 5,8 mil milhões de euros.

A Comissão Europeia propôs a reposição do financiamento do ITER e do GMES através de novas organizações europeias financiadas directamente pelos estados membros e apenas em parte pela UE. Oito estados membros, entre os quais a Alemanha, a França e a Itália protestaram contra a comissária responsável pela investigação, Máire Geoghegan-Quinn, invocando que esta decisão atrasaria os referidos projectos e comprometeria a sua coordenação, colocando em risco a sua continuidade. Mas o mais grave é que estas políticas de cortes cegos da Comissão Europeia ignoram por completo as potencialidades da ciência para a resolução da crise, para a criação de novas tecnologias, novas empresas e criação de emprego qualificado, contrariando os chamados Objectivos de Barcelona que definem as linhas directoras do investimento em ciência na Europa. Lamentavelmente, esta Comissão considera mais a ciência como um problema do que propriamente uma solução para tirar a Europa da crise.

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Domingo, Dezembro 11, 2011

Ronaldo mais simpático que Messi 








O cronista Roustan do jornal L'Equipe decidiu investigar quem é mais simpático: Ronaldo ou Messi? Entrevistou colegas, ex-colegas, técnicos e jornalistas que conhecem ambos os jogadores e as opiniões foram quase unânimes: Ronaldo ganha claramente neste confronto. Apesar de no terreno Ronaldo ferver em menos água que o argentino, para além de revelar falta de maturidade quando provocado (e provocações a Ronaldo não faltam), o resultado favorável a Ronaldo não me surpreende e demonstra que a imprensa quando quer sangue, obtém sangue.

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Quarta-feira, Dezembro 07, 2011

Dupond & Dupont 


Esta edição do programa Política Mesmo da TVI24 com Henrique Neto e Tiago Guerreiro é um exemplo perfeito dos "debates" na televisão portuguesa que abundam desde que começou a crise das subprimes. As opiniões dos participantes sobre a economia são coincidentes, a ideologia é a mesma e as soluções propostas são redundantes: o Estado deve ser reduzido ao mínimo; a austeridade é que é bom; e as culpas do sistema financeiro na crise são sempre minimizadas. Melhor só mesmo Medina Carreira que faz de Dupond e de Dupont simultaneamente, mas em versão rasca e populista.

Já escrevi que precisávamos de um canal de televisão gerido por profissionais de esquerda, eventualmente com a direita intelectual. Precisávamos de uma televisão plural, feita por todos aqueles que não cedem ao pimba, ao facilitismo, ao sensacionalismo e aos exemplos rasca dos programas de variedades da vida real que bombardeiam diariamente os nossos jovens. O canal ARTE já se estendeu a vários países europeus. Poderia ser por aí que as nossas ondas hertezianas começassem a ser mais bem tratadas.

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Terça-feira, Dezembro 06, 2011

Não havia necessidade... 

É preciso afirmá-lo com clareza. Quem tem responsabilidades de decisão política (Governo, Presidente da República e Câmara Municipal) pouco ou nada fez para evitar o encerramento dos estaleiros ou para encontrar uma solução alternativa de reconversão a outras actividades industriais. O mais perturbador é que isto ocorre em pleno debate da presidência sobre a importância da chamada economia do mar. Ouvimos do mesmo na Figueira, inclusivamente aldeias do mar, etc. É sem dúvida uma retórica bonita, e é uma via de desenvolvimento muito válida como já repetidamente escrevi, mas quando chega à hora da verdade a "economia da terra" (a dos mercados) liquida totalmente a economia do mar.

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Segunda-feira, Dezembro 05, 2011

Politiquement Correct 

Não sou grande fã do Bénabar, mas desta vez faço a minha vénia a este "Politiquement Correct"


Bénabar: Politiquement Correct

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Sexta-feira, Dezembro 02, 2011

Adesao da Croácia à UE 

Está decidido, a Croácia será o 28º país membro da União Europeia em Julho de 2013. É uma bela notícia para a UE, em tempos em que a CDU de Merkel decidiu encalhar toda a União.

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Quinta-feira, Dezembro 01, 2011

Mondego 

"Mondego" de Daniel Pinheiro

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