22 Janeiro 2012

comunhão

Até aqui eu tenho invocado o personalismo como uma característica central da cultura católica. Eu pretendo agora introduzir uma outra - o sentido de comunidade ou comunhão. Como sempre, o meu objectivo é laico - tem a ver com a Economia -, e não tem quaisquer pretensões teológicas.

O personalismo católico - a ideia de que cada um tem uma relação pessoal e única com Deus - está na base da ideia de diferença e de diversidade, que é uma das marcas distintivas da cultura católica. Porém, se não fôr exercido em comunhão com os outros, conduz à pior foma de individualismo, que é a ideia que cada um é diferente dos outros, quando afinal são todos iguais. Foi por esta via que seguiu o protestantismo.

Eu tenho uma relação pessoal com Deus, que é única, e é isso que me torna diferente dos outros. Os outros pensam o mesmo acerca de si próprios e da relação que cada um mantém com Deus. Porém, se eu, e cada um dos outros, nos fecharmos nesta relação, e não a comunicarmos uns aos outros, que garantia temos nós que elas não sejam, afinal, todas iguais?

Para que o personalismo seja a fonte formadora da diferença e da personalidade, cada pessoa precisa da companhia dos outros, precisa de estar com os outros, e de falar com eles, porque só aí ela pode definir e avaliar as suas diferenças em relação aos outros. Nunca o conseguirá ficando sozinho a falar com Deus. É por isso que, para o catolicismo não há relação com Deus, por mais intensa ou profunda que seja, que possa dispensar inteiramente o contexto comunal. A cultura católica possui um grande sentido de comunidade.

Ao contemplar a história de Portugal, eu fico com o sentimento que os melhores períodos foram aqueles em que os portugueses estavam animados de um grande sentido comunitário e, embora eu não seja um historiador, toda a lógica aponta para isso. Os portugueses têm uma cultura universal, não existe talento no mundo que algum português não tenha. Quando estão juntos, eles são o mundo, não há nada de que não sejam capazes. Conseguem tudo, às vezes até parece milagre.

Pelo contrário, quando as circunstâncias da vida e as instituições (partidos políticos, separação de poderes, concorrência económica, etc.) os separaram, e os dividiram, nunca conseguiram fazer nada. Sozinhos são insignificantes - eles próprios se vêem como insignificantes e, por isso, se desvalorizam mutuamente -, e Portugal vai ao fundo. Como agora.

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O Rei

Portugal é um país de cultura católica.

Nesta fase de crise nacional, onde tudo ameaça ruir, desde o sistema político ao sistema económico, qual o regime político (ou económico) que a Igreja ou a doutrina Católica teria para recomendar? Todos, todos os que existem no mundo e mais aqueles que entretanto possam ser inventados. Mas nenhum em particular.

A respostas parece excessivamente vaga. Todos e nenhum. Todos porque o catolicismo é uma filosofia de tudo, considera que em tudo, todas as pessoas, todas as coisas, todas as obras humanas, sejam elas físicas ou do intelecto - como por exemplo, um regime político -, existe um toque (graça) de Deus. Nenhum em particular, porque todas as pessoas são diferentes, todas as comunidades humanas são diferentes umas das outras - o personalismo católico - e, portanto não existe um regime político (ou económico) único que sirva igualmente a todas.

Aquilo que a Igreja nos recomendaria é que olhássemos para dentro de nós próprios, enquanto comunidade com características únicas e distintivas - a comunidade dos portugueses -, em lugar de andar por aí a imitar os outros, e víssemos quais eram verdadeiramente as nossas tradições: "As vossas tradições estão na vossa história.Vejam a vossa história que já tem quase 900 anos, vejam qual o regime político sob o qual conseguiram tirar melhor partido de vós próprios, aquele sob o qual tenham conseguido os maiores feitos e o maior bem-estar para todos e até, talvez, tenham sido a admiração do mundo. Escolham esse regime e, depois, adaptem-no às condições da vida moderna".

Seria assim. E fica assim também respondida a questão que desde há vários dias deixei em suspenso. Quem, em Portugal, deve escolher o primeiro-ministro? O povo? Não. Um conselho de sábios? Também não. A Tradição? Sim. E o que é que isso significa?

O Rei. Se ele próprio quiser ter funções executivas, será ele o primeiro-ministro. Caso contrário, designa outro.

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play-off

Lá consegui levar a equipa ao play-off, evitando a despromoção automática.
Como o objectivo era estrangeiro - o play-off -, esforcei-me mais.
É por isso que eu agora ando mais pelo Algarve.

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o Chico Timoneiro

As instituições parecem estar a entrar agora numa fase acelerada de degradação. O fim do regime parece aproximar-se. Os trabalhadores já não estão contra os patrões mas contra os próprios trabalhadores. E o Presidente da República vai perder o respeito da população a uma velocidade acelerada. É que esta instituição - a República -, não é propriamente da nossa tradição. Os mortos não devem estar a lamentar esta investida contra o Presidente que, de resto, ele bem merece. É um extremista, colecciona reformas do Estado como eu coleccionava cromos de futebol na minha criancice.

O que estará, por exemplo, a dizer disto o Chico Timoneiro?

Os mortos não falam? Falam, falam ... falam através de nós.

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inspiring

Dutch teenager Laura Dekker has sailed into harbour on the Caribbean island of St Maarten - becoming the youngest sailor to complete a solo circumnavigation of the world.

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21 Janeiro 2012

colonialistas

Tinha eu acabado de redigir o post anterior quando vi aqui na margem direita do PC o título de um post que me interessou no blogue "Delito de Opinião". Fui ver. É este.

Ele ilustra à perfeição a natureza da cultura protestante. Atribui aos católicos os defeitos que ela própria tem, e chama a si as qualidades que pertencem aos católicos.

Então, a Inglaterra tem uma colónia em território argentino (também tem outra em território espanhol), e os argentinos é que são colonialistas?

Isto precisava de um vigoroso combate intelectual. Eles estão a abusar, na realidade, eles andam a abusar há séculos. Mas combates intelectuais por parte dos católicos ... só se fôr uns com os outros... e quem fica a ganhar é o inimigo.

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o ouro

A cultura católica parece ter, pelo menos em algumas alturas, uma enorme facilidade em entregar o ouro ao bandido. Mas eu ainda não compreendi porquê. Então se o bandido fôr estrangeiro, até lhe leva o ouro a casa. Abandonam facilmente aquilo que é seu, entregam de mão-beijada aquilo que lhes custou séculos a fazer.

Todo o crédito pelos desenvolvimentos da modernidade está hoje em dia nas mãos dos estrangeiros (protestantes), mesmo se foram invariavelmente os católicos a lançarem as bases desses desenvolvimentos.

Já, em tempos, um historiador observou que no século XIX as colónias espanholas da América Latina caíam como fruta madura nas mãos de qualquer grupo de rufias que decidisse organizar-se. E as nossas não foi muito diferente, com o 25 de Abril.

Trago desde há dias um tópico no espírito que tenho de ir investigar. Em criança eu era um grande adepto do futebol, talvez até uma fanático do Benfica. Lia tudo sobre futebol e dessas leituras ficou-me a certeza que o futebol tinha sido inventado pelos ingleses. Ainda agora fui à internet, e lá está, o futebol foi inventado pelo ingleses.

Pois bem, eu hoje tenho a certeza que o futebol não foi inventado pelos ingleses. Terá sido inventado em algum país católico, provavelmente a Itália. Eu acredito que tenham sido os ingleses a promover o futebol no mundo, porque os católicos não conseguem promover coisa nenhuma e entregam facilmente o ouro ao bandido. A própria palavra por que o desporto é conhecido no mundo (foot ball) tem origem inglesa. Mas não foram eles de certeza a inventá-lo. Também o vinho do Porto é conhecido no mundo por Port wine.

Tenho alguns indícios. Qual é o melhor clube do mundo, o clube com o mais extenso currículo? É o Real Madrid. E por países? É o Brasil. E o melhor jogador de sempre? Para mim é o Maradona, e depois o Eusébio, ao lado do Pelé. E o treinador com o melhor currículo no mundo? Apesar de ser novo e de estar ainda longe de terminar a carreira, é bem capaz de ser já o Mourinho. Então a protestantada inventa o futebol e depois são os católicos que são os melhores na coisa?

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não inventaram nada

"A Ética Protestante goza de um estatuto quase sagrado entre os sociólogos, mesmo se os historiadores económicos rapidamente invalidaram a monografia surpreendentemente não-documentada de Weber, sob o argumento irrefutável de que o desenvolvimento do capitalismo precedeu a Reforma Protestante.

Assim, Hugh Trevor Ropper explicou que «a ideia de que os capitalismo industrial de larga escala era ideologicamente impossível antes da Reforma é negada pelo simples facto de que ele já existia. Apenas uma década após a publicação de Max Weber, o célebre Henri Pirenne, inventariou uma vasta literatura que «estabelecia o facto de que todos os aspectos essenciais do capitalismo - iniciativa individual, avanços no crédito, lucros comerciais, especulação, etc. - se podem encontrar a partir do século XII nas cidades-república da Itália - Veneza, Génova e Florença.

Uma geração mais tarde, o igualmente célebre Ferdinand Braudel lamentou-se que "todos os historiadores se têm oposto a esta ténue teoria (a Ética Protestante, de Weber), embora não tenham conseguido libertar-se dela de uma vez por todas. Ela é claramente falsa. Os países do norte apenas tomaram o lugar que antes tinha sido longa e brilhantemente ocupado pelos antigos centros capitalistas do Mediterrâneo. Eles não inventaram nada, quer em tecnologia, quer em técnicas de gestão».

Mais ainda, durante o seu período crítico de desenvolvoimento económico, os centros do capitalismo no norte da Europa eram católicos, não protestantes. A Reforma religiosa ainda estava muito distante."

(Rodney Stark, The Victory of Reason - How Christianity Led to Freedom, Capitalism and Western Success, New York, Random House, 2005, pp. xi, xii)

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uma cultura de mulher

Peter Seewald: "Se bem compreendi, o centro da Igreja não é o Vaticano, nem o papa, mas uma mulher ..."

Papa Bento XVI: "A identificação da Igreja com uma mulher remonta aos tempos mais remotos do Antigo Testamento ... em Maria concretiza-se o que é a Igreja. E o significado teológico de Maria representa-se na Igreja ... Maria é a Igreja em pessoa; e a Igreja é, na sua totalidade, aquilo que Maria, na sua pessoa, antecipou...

Penso que esta redescoberta da relação entre Maria e a Igreja, da personalidade da Igreja em Maria ... é uma das descobertas mais importantes da teologia do século XX".

(ibid., p. 300)

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de radical

Peter Seewald: "Também faz parte evidente da missão da Igreja o espírito de contradição e de denúncia. Graças a ele, a Igreja tem algo de rebelde, de radical e de inadaptado..."

Papa Bento XVI: "A prontidão para a oposição e a resistência é indubitavelmente uma missão da Igreja ... Lembremos a profecia de Simeão. Referindo-se a Cristo, disse que este seria um sinal de contradição. E recordemos as palavras do próprio Jesus: «Não vim para trazer a paz, mas a espada»"
(Peter Seewald, Deus e o Mundo (A Fé Cristã Explicada por Bento XVI - Joseph Ratzinger, uma entrevista com Peter Seewald), Lisboa: Ed. Tenacitas, 2005, p. 303)

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Sagres



Recentemente, estive na ponta de Sagres. Estava uma linda manhã de sol e isso permitia ver a vastidão do mar que se estendia para sul e oeste. Todas as outras vezes que lá tinha estado tinham sido em dias com nevoeiro.

A pergunta que, naturalmente, me ocorreu, foi: "Por que é que Sagres se tornou um local tão importante e simbólico dos Descobrimentos portugueses?".A resposta estava ali à vista, olhando para o mar a sul.

As expedições portuguesas partiam normalmente de Lisboa, e rumavam a sul seguindo paralelamente à costa portuguesa e depois, paralelamente à costa africana. A ida era fácil, mas o regresso, seguindo a mesma rota em linha recta, mas agora de sul para norte, era penoso, porque os ventos eram imensamente adversos.

E foi por isso que, mais tarde, os portugueses descobriram um truque, que é hoje uma banalidade para quem viaja da Europa para a América, ou inversamente: a viagem para cá demora menos tempo (cerca de um hora, talvez um pouco mais), do que a viagem para lá. Uma corrente de ventos fortes sopra da América em direcção à Europa, ajudando o avião ou o navio.

Por isso, em lugar de regressarem de sul para norte, paralelamente à costa africana, os navegadores portugueses passaram a deixar-se descaír primeiro para ocidente, e depois regressavam a Portugal com o vento pelas costas. Foi numa dessas descaídas que terão avistado pela primeira vez o Brasil. Mas isto só aconteceu mais tarde.

De início, o regresso era feito subindo a costa de África. E era penoso. É natural que, já no final da viagem, existissem muitas emergências a bordo, doentes, falta de mantimentos, velas danificadas, rombos no casco, e nalguns casos os portugueses eram perseguidos por piratas (os holandeses e os ingleses eram especialistas nesta arte). E foi assim que Sagres se tornou importante.

O primeiro ponto de Portugal, para quem vem da costa de África é Sagres. Acontece que o mar é ali recortado por rochas que formam pequenas e acolhedoras baías. E ao olhar para o mar a sul é possível imaginar ainda hoje o comandante da nau a dizer para o timoneiro: "Oh Chico encosta aí ... encosta já aí ... isto já é Portugal. Pede já um médico que o Manel está a morrer".

Depois, nesta cultura muito pessoalizada, havia a saudade e a expectativa do regresso. Pois quem quisesse esperar os navegadores, onde quer que eles estivessem no mar a sul, estava mais próximo deles estando na ponta de Sagres.

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À parte o príncipe

Tocqueville prossegue este texto a identificar as "razões escondidas" (no Catolicismo, as verdadeiras razões estão sempre escondidas, nunca à superfície) por que os católicos eram os mais republicanos e os mais democratas de todos os americanos.

Começa por procurar desfazer um preconceito: "Eu penso que está errado quem considera que a religião Católica é uma inimiga natural da democracia. Pelo contrário, entre as várias doutrinas cristãs, o Catolicismo parece ser uma das mais favoráveis à igualdade de condição. Para os católicos, a sociedade religiosa é composta por dois elementos: padres e povo. O padre é educado acima dos crentes; todos os outros abaixo são iguais".

E depois explica por que é que o Catlocismo é assim igualitário: "Em matérias de dogma, a fé Católica põe todos os intelectos ao mesmo nível; o sábio e o ignorante, o génio e o homem comum; todos têm de subscrever os mesmos detalhes da fé; pobre e rico têm de seguir os mesmos preceitos, e ela impõe as mesmas obrigações sobre os fortes e os fracos; não admite qualquer compromisso com nenhum dos mortais, e, por isso, aplicando o mesmo padrão a cada ser humano, mistura todas as classes da sociedade aos pés do mesmo altar, precisamente como elas estão misturadas aos olhos de Deus".

E conclui assim: "O Catolicismo pode induzir os crentes à obediência, mas não os prepara para a desigualdade (...). O Catolicismo é como uma monarquia absoluta. À parte o príncipe, as condições são muito mais iguais aí do que nas repúblicas".

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a mais republicana e democrática

"A maior parte da América inglesa foi povoada por homens que, tendo rejeitado a autoridade do Papa, não reconheciam nenhuma outra supremacia religiosa; eles trouxeram, portanto, para o Novo Mundo uma Cristandade que eu posso apenas descrever como democrática e republicana; este facto favoreceu singularmente o estabelecimento de uma república temporal e a democracia. Desde o início, a política e a religião estavam de acordo, e desde então nunca mais deixaram de estar.

Há cerca de cinquenta anos atrás, a Irlanda começou a enviar uma população Católica para os Estados Unidos. O Catolicismo americano também fez os seus convertidos. Existem agora nos Estados Unidos mais de um milhão de Cristãos professando as verdades da Igreja Romana. Estes católicos são muito leais à sua fé e cheios de zelo e ardor nas suas crenças. Não obstante, eles formam a mais republicana e democrática de todas as classes nos Estados Unidos. À primeira vista isto pode parecer surpreendente, mas um pouco de reflexão facilmente identifica as suas causas escondidas. (...)".

(Alexis de Tocqueville, A Democracia na América, 1835).

Neste pequeno excerto, o Tocqueville menciona, provavelmente sem o pretender, algumas características da cultura católica. A primeira é a sua capacidade de adaptação. Os católicos irlandeses não foram para a América idos de um país democrático (certamente que não no sentido americano do termo), e muito menos republicano. Mas rapidamente absorveram as instituições e a cultura que encontraram - republicanismo e democracia - e a integraram na sua própria cultura.

A segunda característica é ainda mais curiosa, que é a de quererem sempre ser mais papistas que o Papa - a característica que, em última instância, conduz alguns ao extremismo. Os católicos não apenas integraram rapidamente o republicanismo e a democracia na sua cultura, como se tornaram os mais republicanos e os mais democratas de todos os americanos, isto é, os mais americanos entre os americanos.

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Pertegal

Num post anterior deixei em aberto a resposta à questão: mas, então, como se devem escolher os governantes, a começar pelo primeiro-ministro, num país católico?

Pelo regime de democracia, não. Isso é para os protestantes, que são todos iguais. O povo e a democracia escolhem um qualquer, e num país protestante qualquer um serve, porque cada um é praticamente igual aos outros.

Num país católico é diferente, são todos diferentes e, mais importante ainda, existem extremistas. Ainda lhes sai na rifa um extremista, um fulano com a mania das grandezas que só pensa em TGV's, em aeroportos e em pôr Pertegal a abastecer o mundo de energia eólica, enquanto o país vai à falência; ou um maníaco das pensões, que gosta é de acumular pensões de reforma umas atrás das outras. Ou ainda outro que só pensa em mulheres, veja-se o que aconteceu aos italianos. E o que dizer dos venezuelanos? Os brasileiros, há poucos anos elegeram o Lula, que era uma extremista. Correram sérios riscos, mas acabaram por ter sorte. Ele lá ganhou juízo.

O ponto importante é este: pôr o povo a escolher num país de tradição católica é um grande risco. O povo, que é um colectivo, e portanto não é uma entidade racional, escolhe um qualquer um. E ninguém sabe o que é que vai sair na rifa.

E se fôr um conselho de sábios a escolher? Pior ainda, aí a probabilidade é ainda maior de escolher um extremista. Com o seu sentido da perfeição, ainda escolhem um padre (a figura-mor do extremismo), um santo, uma imitação de Cristo, sem mesmo se lembrarem de que Cristo nunca quis governar coisa nenhuma ("O meu Reino não é deste mundo").

Então, quem deve escolher?

A Tradição.

A Tradição? E isso é democrático?, perguntarão os maníacos da democracia, os quais existem sobretudo em países católicos, porque a mania é uma forma de extremismo. É, é mesmo o mais democrático processo de escolha que se conhece, porque na tradição até os mortos falam. E votam.

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não é católico

A população mundial é de 6000 milhões de pessoas.

Os principais países, em população, são:

1. China - 1336 milhões

2. India - 1186

3. EUA - 309

4. Indonésia - 234

5. Brasil - 194

A China e India perfazem quase metade da população mundial, e juntando os EUA - 3 países apenas - perfazem mesmo metade.

Se a comunidade universal fosse também uma comunidade política, seria a democracia moderna de sufrágio universal o seu regime político?

Não. Acabaríamos todos a viver sob leis reflectindo as tradições chinesas ou indianas, ou as duas.

Havia de ser bonito.

A democracia não é um regime político católico (universal). É um regime paroquial, serve para uma certa porção do mundo e, mesmo aí, é preciso que as pessoas sejam todas iguais, ou quase.

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Cavaco Silva declarou mais de 140 mil euros de pensões em 2009.

"Devo receber 1300 por mês, não sei se ouviu bem 1300 euros”, disse Cavaco aludindo à pensão da CGA. Além disso, terá direito à pensão do BdP. "Tudo somado não dá para pagar as despesas".

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20 Janeiro 2012

2 meses 2

Mário Monti é primeiro-ministro há 2 meses. Hoje, apresentou um vasto programa de liberalização para permitir o crescimento económico.
PPC é primeiro-ministro há 7 meses e os portugueses continuam à espera.

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o padre católico

A cultura católica não é uma cultura generalizadamente de extremistas. É uma cultura que tolera os extremistas (e até aquela espécie refinada de extremistas que se chamam fanáticos), e até certo ponto os encoraja. E é nisto que ela se distingue da cultura protestante.

Exemplos de extremistas em Portugal? Estão por aí a cada esquina, nós estamos de tal forma aculturados a eles, que nem nos damos conta. Por exemplo, Otelo Saraiva de Carvalho, ainda por cima sendo um militar, com aquilo que desde há tempos anda por aí a dizer em público, há muito que estaria na prisão em qualquer país de cultura protestante por constituir uma ameaça à ordem social estabelecida.

Não se pense, porém, que o extremismo só existe na política ou no futebol. Existe em todos os aspectos da vida, na arquitectura, na arte, na justiça, na economia, nas relações entre sexos. Berlusconi, por exemplo, é um extremista nas relações com mulheres e nunca seria tolerado como primeiro-ministro num país protestante. Existe, em cada um de nós, uma tendência para ser um extremista em algum aspecto da nossa vida. É o resultado do personalismo católico.

Um certo escritor britânico, um dia, ao visitar Madrid, ficou muito chocado com um mendigo que lhe pediu esmola, exibindo ao peito um cartaz que dizia: "Por favor, dê-me uma esmola. Deus fez-me assim, sem vontade de trabalhar". Este extremista da mendicidade estava perfeitamente de bem com Deus.

Se reparar nos detalhes, vai ver que as dificuldades que hoje sentimos na economia (e na justiça e por aí adiante) são o resultado do extremismo. Extremismo a fazer auto-estradas, extremismo a fazer centros culturais e centros comerciais, extremismo no número de ambulâncias em cada localidade, extremismo a consumir, extremismo na assistência social, extremismo nas urgências e outros serviços dos hospitais, etc.

E qual é a figura paradigmática do extremista na cultura católica? É o padre católico, que, por seu turno, procura ser uma imitação de Cristo. Tudo naquela figura, desde a forma como se veste até ao código de vida a que voluntariamente se submete, é extremismo.

E que mal tem o extremismo? Tem males e tem bens. Um dos seus principais efeitos é o de agitar permanentemente as consciências e, por isso, ser uma ameaça permanente à ordem social vigente. Ao consentir o extremismo, o catolicismo é uma cultura revolucionária (não esqueça que mesmo a revolução protestante foi iniciada por uma padre católico). Compare, nos dois últimos séculos, o número de revoluções que foram feitas em países protestantes com o número delas em países católicos. Só Portugal é bem capaz de ter mais revoluções do que os países protestantes todos juntos.




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extremistas

O que é que terá levado os países protestantes do norte da Europa praticamente a erradicarem o catolicismo dos seus territórios? Que medo lhes mete o catolicismo?

E mesmo a Inglaterra, que se afirma a campeã da liberdade e cujo anglicanismo é, apesar de tudo, mais próximo do catolicismo do que o luteranismo ou o calvinismo, o que é que a levou a proibir o catolicismo por mais de um século, mesmo nas suas colónias do Novo Mundo, os EUA e o Canadá?

O que é que leva ainda hoje a Inglaterra que, não é de mais insistir, se afirma a campeã da liberdade moderna, o que é que a leva a proibir que o seu primeiro-ministro ou o seu rei sejam católicos?

Que medo metemos nós, os católicos - espanhóis, portugueses, italianos... e, em última instância, a própria Igreja Católica - a esta gente, que espécie de desconfiança é que lhes inspiramos?

Têm medo dos extremos e, em particular, da personificação dos extremos que só a nossa cultura católica permite, e que a deles proibiu. Têm medo dos extremistas.

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sem asas

Baptizar uma criança na cultura católica é dar-lhe entrada na cultura mais universal que existe, a mais ampla de todas, pôr-lhe à disposição todas as opções que existem no mundo. E se alguma ainda não existe, e ele a descobrir, ainda vai ser aplaudido.

Pouco interessa que um dia, por sua livre iniciativa, ele se declare ateu, judeu, mormon ou monge dos Himalaias. Quem é que se vai importar com isso num país de cultura católica, como Portugal, ou a Itália, ou a Espanha? Ninguém. Até lhe vão achar graça: "Olha, a Cristina Keller agora diz que é judia...".

Mas se a cultura católica é a mais ampla que há, porque é a única verdadeiramente universal, então qualquer outra cultura - e, em particular, a cultura protestante, que é a que mais me interessa aqui considerar - é uma cultura restritiva. Ela não fornece, ela não pode fornecer às pessoas que nasceram sob ela, e que eventualmente foram baptizadas nela, um leque de opções tão vasto como aquele que é oferecido pela cultura católica. Algumas coisas hão-de estar proibidas, o seu espaço de liberdade é menor. Daí o proibicionismo protestante.

E, na realidade aquilo que o protestantismo fez, ao recusar a ideia do personalismo católico, não foi abolir todas as diferenças. Foi abolir as diferenças mais gritantes entre as pessoas, foi abolir os extremos. Em termos de uma distribuição normal, o protestantismo cortou-lhe as abas e diminui-lhe a curtose, isto é, tornou a distribuição mais estreita e, por isso, mais igual. Existem diferenças entre as pessoas e as coisas num país protestante, mas não existem diferenças extremas, como num país católico.

Compare a Suécia com Portugal, países aproximadamente iguais em termos de população, um profundamente luterano, outro profundamente católico. Não há extremos na Suécia, não existe pobreza extrema nem riqueza extrema, os edifícios obedecem todos à mesma linha, existem auto-estradas, mas não a servir qualquer terreola. Pelo contrário, em Portugal, vê-se pobreza extrema e riqueza extrema, e todos os graus intermédios; há edifícios para todos os gostos e feitios, às vezes na mesma rua; existem auto-estradas caríssimas a servir qualquer terreola.

O protestantismo é o catolicismo sem abas, ou talvez melhor, sem asas. Desconfio que é uma cultura que nunca voará.

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não dá

Uma moeda comum - o euro -, igual para todos os países da Europa?

Para os Prots isso funciona porque a sua cultura é baseada na igualdade.

Para os Cats não dá porque a sua cultura é baseada na diferença. Tem de ser uma moeda diferente, e diferente para cada um deles.

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Vítor Gaspar: "Podemos estar a aproximar-nos de um ponto de viragem".

Portugal to need "debt haircut" as economy tips into Grecian downward spiral.

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causas da decadência do Ocidente

Entrevista com Dambisa Moyo.

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19 Janeiro 2012

também temos disso



De todos os episódios intelectuais que me levaram à conclusão que Portugal é um país que tem tudo, um verdadeiro mundo em miniatura, aquele que recordo com mais prazer é o da Cristina Keller. Eu não sei bem por onde começar, porque as coisas já se passaram há vários anos, mas para os leitores novos do PC eu resumo brevemente a história.

A Cristina Keller é uma jovem mulher portuguesa de vinte e muitos anos. O apelido Keller é judaico, e estrangeiro, fazendo as delícias de qualquer português que se preze - ter um apelido estrangeiro e possuir raizes judaicas. (Mais tarde, apesar de judia, e também ateia, mas talvez por o seu nome próprio ser cristão, ela viria a tornar-se deputada ao Parlamento português por um dos distritos mais católicos do país).

A Cristina Keller tem um amigo americano, conhecido por JCD (o seu verdadeiro nome é John Culvert Dwight), de Austin, no Texas. O JCD é uma rapagão, como convém a um americano, mas um pouco inseguro. Em particular, ele acha que o acrónimo por que é conhecido, JCD (em estrangeiro, Jay Cee Dee, lê-se: Jei Ci Di) é muito efeminado, e anda à procura de um nome mais viril.

Ora, sucede que, há muitos anos, o avô materno do JCD, de nome Henry Culvert, tinha recebido no seu rancho do Texas, onde ainda hoje esta família de cowboys se entrega à criação de touros, uma delegação de gaúchos das Pampas da Argentina, que vinham aprender na América as tecnologias mais recentes para a criação e tratamento de touros.

Desde criança que o JCD se habituara a ouvir o avô contar histórias memoráveis desse dias passados no seu rancho com os gaúchos argentinos. E muitos deles tinham nomes ou apelidos terminados em ón, como Esteban Calderón, que possuía uma fazenda onde criava touros em San Antonio de Aresgo, arredores de Buenos Aires.

De tanto ouvir falar o avô, o JCD acabou por se convencer que um nome verdadeiramente viril era assim um nome terminado em ón, em lugar do seu efeminado Jei Ci Di. E assim partiu para a Argentina à procura de arranjar um nome forte e masculino, de preferência terminado em ón. Combinou as coisas com a família Calderón e até conseguiu que a sua amiga portuguesa, Cristina Keller, fosse também convidada. Certo dia, o JCD partiu de Austin, Texas, com destino a Buenos Aires, e a Cristina Keller partiu da Chamusca, Ribatejo, um dia depois, com o mesmo destino.

Havia já mais de duas semanas que estavam ambos instalados no rancho da família Calderón. O Señor Calderón tinha uma filha, de nome Estela. A sua esposa chamava-se Mercedes. Um daqueles dias decidiram ir jantar a um restaurante do centro de Buenos Aires. Eram quatro, Estebán Calderón, a sua filha Estela Calderón, o JCD e a Cristina Keller. A senõra Calderón decidira ficar em casa, alegando afazeres domésticos. É aqui que começa a parte relevante da história. (Veja aqui em estrangeiro).

Desde o início, que a conversa foi dominada pelos homens, e o tema eram os touros. O Señor Calderón dizia que os melhores criadores de touros no mundo eram os gaúchos argentinos. O JCD não podia concordar mais, e a par dos gaúchos só havia uma outra espécie de homens no mundo suficientemente bravos para lidar com touros - os cowboys do Texas.

Enquanto a conversa decorria, a Cristina Keller ia tentando dizer timidamente que "Nós lá em Portugal também criamos touros", mas ninguém lhe ligava. À medida que o Señor Calderón e o JCD avançavam na conversa, agora promovida a golpes de vinho tinto das Pampas, o Señor Calderón exaltando os talentos dos gaúchos na criação de touros, e o JCD o dos cowboys, a Cristina Keller ia-se tornando cada vez mais impaciente e metia tímida, mas reiteradamente, a colherada: "Nós lá em Portugal também temos disso". Mas ninguém lhe ligava.

Até que a certa altura, já no fim do jantar, e depois de beber muito vinho tinto das Pampas, o JCD perdeu a paciência com as constantes impertinências da Cristina, "Nós lá em Portugal também temos disso", e resolveu confrontá-la. Como era possível que um país que ninguém conhecia, como Portugal, que ele situou no Médio Oriente, criasse touros e tivesse criadores de touros, ainda por cima tão bravos como só cowboys e os gaúchos poderiam ser?

Era tudo o que a Cristina Keller queria, que lhe dessem atenção. Tirou da mala uma fotografia que, por momentos, manteve oculta na mão. E a tampa saltou-se. Sim, em Portugal havia criadores de touros, homens valentes que faziam tudo aquilo que os cowboys e os gaúchos faziam. Chamavam-se campinos e eram da sua terra, o Ribatejo. Não só criavam os touros, como domavam os touros, falavam com os touros, reconheciam direitos humanos aos touros, e ainda faziam aquilo que mais nenhuns criadores de touros no mundo conseguiam fazer, nem mesmo os gaúchos e os cowboys. Até davam beijos aos touros. E mostrou-lhes então a fotografia do primo, que era chefe de fila do Grupo de Forcados Amadores da Chamusca, a fazer uma pega de caras numa tourada em Santarém. Foi o silêncio à volta daquela mesa. Ninguém podia acreditar. Era como se fosse um milagre. Até beijavam os touros.

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Vale o mesmo

Foram vinte e seis anos a receber dinheiro da UE (primordialmente da Alemanha) para a formação profissional e as infraestruturas com vista a colocar-nos ao nível dos países da UE e também da Alemanha em termos de produtividade. Hoje, a produtividade dos portugueses é 2/3 da média europeia e metade da produtividade dos alemães, e a cair. (cf. aqui).
A lógica económica elementar sugeriria que a moeda portuguesa valesse 2/3 de uma moeda única europeia e metade de uma moeda que fosse exclusivamente alemã. Mas não vale. Vale o mesmo. Como é que alguém ainda acredita que esta avenida tem saída permanece para mim um mistério.

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Amarante



A descoberta que fiz há semanas de que a cultura católica é uma cultura de tudo e a cultura de maior liberdade que existe, e que, Portugal, sendo um país profundamente católico, é um país de tudo, um verdadeiro mundo em miniatura, deu-me uma satisfação tão grande que é difícil descrever. Como é que a felicidade pode chegar através de uma ideia ainda me custa a crer. Pôs-me num novo patamar, a partir do qual eu estou agora convencido de que vou conseguir ver mais longe.

Demorei anos a lá chegar e recordo alguns episódios intelectuais dessa longa estrada. Um deles aconteceu há cerca de dois anos. A minha filha S. telefonou à mãe de Madrid, onde trabalhava, a dizer-lhe que ia mudar de emprego. Tinha decidido aceitar uma proposta de uma empresa farmacêutica em Friburgo, na Suíça. Eu não uso telemóvel e quando a mãe me passou o telefone e eu ouvi a história, concordei que, em termos financeiros, a proposta era muito tentadora, mas preveni-a que ia mudar de uma grande cidade, Madrid (uma cidade que, diria eu hoje, é o mundo) para uma parvónia.

Eu conhecia razoavelmente bem a Suíça, mas não a cidade de Friburgo. Porém, não tive hesitação em chamar a Friburgo uma parvónia, mesmo sem a conhecer, porque todas as cidades suíças são parvónias, mesmo as maiores. Tome o caso de Genève. Quando se lá chega, parece impressionante, uma cidade moderna, aberta, grandes avenidas, lojas exibindo tudo quanto é bom, um altíssimo nível de vida. Mas experimente ir para lá viver. Passado um mês começa a sentir que está isolado do mundo, aquela sensação espiritual de fecho que é característica das parvónias.

Eu fui então para o computador informar-me sobre Friburgo na Wikipedia, enquanto na sala ao lado a minha mulher fazia o mesmo mas através do Google Images. Na Wikipedia eu soube que a cidade tinha 70 mil habitantes, e que dá o nome a um cantão católico da Suíça. Curioso, Friburgo (literalmente, Cidade Livre) é uma cidade católica no meio da muito calvinista Suíça. Fiquei feliz por saber, o choque cultural para a minha filha não seria tão grande. No sul da Alemanha, a pouca distância da fronteira com a Suíça, existe também uma cidade com o mesmo nome. Fui ver. Também esta Cidade Livre (Friburgo) é católica, dentro da muito luterana Alemanha. Curioso, mais uma vez. Nesta região do mundo, que foi o palco das mais violentas guerras religiosas, as Cidades Livres (Friburgos) são católicas. E nós, portugueses, rodeados de catolicismo a cada esquina, andamos a procurar a Liberdade no estrangeiro.

Entretanto, a minha mulher, depois de ver imagens de Friburgo, já me tinha informado do lado: "Olha, isto é Amarante". Fui ver as imagens e confirmei. No nosso espírito, anossa filha iria mudar-se de Madrid para "Amarante". Mais tarde, visitando a cidade, voltei a confirmar. Há partes da cidade que fazem lembrar Amarante. Hoje diria, claro que há, em Portugal há de tudo, é preciso é procurar. Até a parvónia de Friburgo. (Aproveito para esclarecer um possível mal entendido: a comparação termina aqui, porque Amarante, ao contrário de Friburgo, não é uma parvónia. O que é que existe de essencial no mundo que não exista também em Amarante, ou que não se arranje rapidamente? Nada.)

Enfim, duas conclusões. Primeira, as Cidades Livres (Friburgos) do centro da Europa são católicas. Segunda, tudo o que existe no mundo existe em Portugal, pelo menos num cheirinho. Até Friburgo.

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Comunidade Universal

Igreja (do grego ekklesia, comunidade) Católica (do grego katholicos, universal) significa Comunidade Universal. Se a Igreja se apresentasse ao mundo sob a designação de Comunidade Universal, em lugar da mais enigmática designação de Igreja Católica, tudo seria mais simples, em particular para compreender a sua verdadeira natureza. Mas isto faz parte da cultura católica, uma cultura fundada em ideias simples mas revestidas de uma capa de complexidade.

O que significa ser católico, que significado pode ter para um homem ser nascido e baptizado na cultura católica? Significa que a sua casa é o mundo e que todos os homens são seus irmãos (iguais, pares). Este homem vive em qualquer parte do mundo, porque qualquer parte do mundo é a sua casa. Ele aceita tudo aquilo que há no mundo, porque tudo aquilo que há no mundo é parte da sua casa. Ele é curioso por tudo aquilo que existe no mundo, porque descobrir uma coisa nova no mundo é descobrir uma novidade em sua própria casa. Ele aprecia tudo aquilo que há no mundo, nas maiores diferenças e variedades, e não exclui nada - coisas, pessoas ou ideias - porque excluir alguma coisa seria amputar uma parte da sua própria casa. É o homem mais livre do mundo, porque quem é que não se sente livre na sua própria casa?

É este tipo de homem católico, e muitas outras características se lhe podiam apontar. Curiosamente, o católico típico (e também o português típico) nem sequer é um homem. É uma mulher. O catolicismo é uma cultura feminina, os seus maiores valores (abertura de espírito, gosto pela diferença, tolerância pelos outros, sentimento de liberdade, etc.) existem muito mais na natureza de uma mulher do que na natureza masculina.

Agora, se você vai ou não à missa, se é hindú, muçulmano, mormon ou ateu, isso não é muito importante, a gente aceita-o na mesma. Porque pessoas como você existem aí aos magotes por esse mundo fora, e, por isso, pertencem também à Comunidade Universal (isto é, à Igreja Católica).

É esta parte laica do catolicismo, que constitui um território imenso e que está todo praticamente por explorar. Se eu tivesse de começar de novo a minha carreira académica de economista, dedicava-me inteiramente a uma parte deste imenso território - a economia do catolicismo. Não estou é certo que encontrasse lugar em alguma Faculdade, mesmo da Universidade Católica.

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não é necessário ir ao estrangeiro

O Público de hoje dá conta do drama de 40 mulheres solteiras que tiveram de ir a Espanha para ser inseminadas.  Drama tanto mais pungente quanto sabemos bem que de Espanha: "Nem bom vento, nem bom inseminamento".

Felizmente, o problema pode passar a ter solução através do novo serviço "O teu Pai". Uma rede que permite conectar raparigas solteiras que pretendem ser inseminadas com rapazes que têm, na dispensa, o material necessário para o efeito.

Até lá, um amigo meu está disposto a sacrificar-se para tapar qualquer falha urgente (no máximo sigilo).
Podem contactá-lo para:
camandrodealuguer@gmail.com


PS: Por favor, enviem fotografia.

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não estão preparadas

Imaginemos que num país longínquo as mulheres deixavam de ser obrigadas a andar de burka.

Os amigos da liberdade diriam:
- Fantástico, até que enfim!
Os inimigos da liberdade diriam:
- Agora é que vamos ver como é que as tipas se vão ataviar. Como é que vão usar esta nova liberdade. Atendendo a que não têm bom gosto... vamos é cair em exageros. Qualquer dia começam a fumar e a conduzir.

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anti-business

É aqui que entram os chefes, os empresários e os patrões. A concertação social deu-lhes os meios que eles sempre reivindicaram, nunca mais poderão queixar-se se não de si mesmos. Ou são bons gestores, ou são maus gestores. E tendo em conta o estado das nossas empresas, a sua fragilidade financeira, a observação de que os trabalhadores portugueses trabalham bem no estrangeiro e em multinacionais, as expectativas estão baixas. A nossa capacidade de gestão é genericamente fraca. Temos muitos chefes incultos, gestores que não imaginam como se motiva, lidera, envolve e premeia, empresários muito pouco exigentes em relação a si mesmos. Todos eles estão hoje radiantes mas ficarão preocupados se a sua própria incompetência se tornar visível. É também por isso que esta reforma é boa, porque separará os bons gestores dos empresários duma figa.

PS: Os trabalhadores portugueses que emigram não são os mesmos que ficam. Ou são?

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18 Janeiro 2012

que seja o Estado

Os portugueses, através da sua iniciativa espontânea, não sabem promover os seus produtos no estrangeiro, por forma a vendê-los em massa. Este é ponto assente. Por outro lado, Portugal necessita urgentemente de exportar mais, se pretende sair do fosso em que se encontra e que cada dia se torna mais fundo. Que fazer, então, resignarmo-nos à nossa incapacidade?

Não. Este é um exemplo acabado daquela configuração do Estado que é própria da nossa tradição católica - o Estado subsidiário. Então que seja o Estado a fazê-lo. Como? De todas as formas que sejam economicamente viáveis, incentivando cooperativas de comercialização, promovendo turisticamente o país no estrangeiro, etc..

O Turismo, em particular, é a nossa principal indústria exportadora e a que tem maior potencial, representando cerca de 6,5% do PIB, embora, devido ao euro, tenha vindo nos últimos anos a perder c0mpetitividade internacional. Há vinte anos Portugal era o 14º país do mundo a receber mais turistas, o que é extraordinário para um pequeno país. Agora é o 21º, ainda bom mas claramente a perder terreno. O Turismo é a única actividade exportadora que consegue oferecer aos estrangeiros aquilo que de mais singular e importante Portugal tem para lhes oferecer - tudo.

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relevância pública

Quando afirmo que, hoje em dia, em Portugal, nas faculdades de economia, direito, ciência política, sociologia, etc. só se ensina protestantismo, eu não me refiro apenas às universidades públicas e privadas. Está incluída a Universidade Católica.

Este estudo, por exemplo, conduzido pela Faculdade de Economia da Universidade Católica, é um exemplo acabado. O estudo trata a actividade económica informal indiscriminadamente como se fosse um crime e inventaria 61 medidas (nem menos, sessenta e uma) para o combater.

Num país de tradição católica, com o seu personalismo, a maior parte das relações económicas são uma emanação de relações pessoais, de família, de amizade, etc. É diferente num país protestante onde, na ausência do personalismo católico, e assentando na ideia de que as pessoas são aproximadamente todas iguais, se concluem negócios com qualquer um e de uma maneira que é igual para todos. A relação típica de negócios num país protestante é impessoal (foi com este, podia ser com outro), portanto estandardizada e facilmente intitucionalizável.

É diferente num país católico como Portugal. A relação de negócios é frequentemente pessoalizada (é assim com este que é meu primo, mas seria diferente com outro), por isso, dificilmente estandardizável e institucionalizável. Existem também, obviamente, negócios estandardizados e institucionalizados em Portugal, como a banca, seguros, cadeias de distribuição, etc. Na realidade, existe de tudo, de um extremo ao outro do espectro, e em todos os graus intermédios.

Mas precisamente porque existe de tudo, é preciso que uma análise da economia informal discrimine o que é informalidade aceitável e o que é informalidade inaceitável, em lugar de criminalizar generalizadamente todos aqueles que se dedicam a actividades económicas informais. O conceito relevante, aquele que estabelece a fronteira, é o conceito de relevância pública.

Que relevância pública tem a D. Maria que, no fogão da sua cozinha, faz as bolas de berlim que se vendem na pastelaria da sua prima lá na terra? Nenhuma. Que relevância pública tem a actividade do Sr. Francisco que todos os dias se mete no seu barco a remos e vai pescar sardinhas ao largo, as quais depois vende na tasca do Sr. Luís, cujo pai já era amigo do pai do Sr. Francisco? Nenhuma. Nem sequer se trata de negócios. Trata-se de actividades de subsistência.

A importância que é dada no estudo da Universidade Católica à economia informal interessa sobretudo ao Fisco e à Segurança Social, eventualmente também à ASAE. Mas que volume de impostos espera o Ministério das Finanças obter da actividade económica da D. Maria ou da do Sr. Francisco? Absolutamente irrelevante. E quanto à qualidade das bolas de berlim da D. Maria, e das sardinhas do Sr. Francisco, que pode interessar à ASAE, a melhor garantia é que não se conhece ninguém lá na terra que tenha morrido por comer umas ou outras.

Nas circunstâncias económicas actuais, em que as pessoas perdem os empregos em negócios institucionalizados, sobretudo nas cidades, e não arranjam outros, muitos regressando à sua aldeia ou terra natal, a única maneira de muitos portugueses sobreviverem vai ser por recurso a actividades informais, cultivando um terreno que possuem lá na terra, prestando pequenos serviços à margem do fisco, etc. Este é o pior momento de todos, ainda por cima sem discernimento, para as autoridades andarem a perseguir a actividade económica informal.

Porém, se o Fisco, a Segurança Social e a ASAE perseguirem a D. Maria e o Sr. Francisco, aquilo que vão fazer é acabar com as bolas de berlim da D. Maria e as sardinhas do Sr. Francisco os quais, em alternativa, vendo-se impedidos de fazer aquilo que sempre fizeram, provavelmente se vão candidatar a um subsídio qualquer de sobrevivência. Quem beneficia com isto? Ninguém.

É claro que, se a D. Maria passar a fazer bolas de Berlim para todas as pastelarias da terra, e o Sr. Francisco passar a pescar sardinhas para todos os restaurantes da cidade, adeus informalidade. O negócio passa a ter relevência pública, tornou-se impessoal. Agora, precisa de ser institucionalizado, pagar impostos e contribuições à segurança social e submeter-se à fiscalização das autoridades do país. Mas só passando esta fronteira.

Até lá não podem ser considerados criminosos económicos nem evadidos fiscais. Portugal é um país católico, uma cultura que é altamente pessoalizada, e por isso sempre possuíu, possui e há-de possuír um amplo sector de economia informal, em comparação com aquele que existe em qualquer país protestante onde, dada a sua cultura, qualquer tipo de actividade económica informal pode, com razão, ser considerada ilegal, um crime económico ou fiscal.

Em suma, a Universidade Católica tratou o muito católico Portugal como se fosse um país protestante. Com estas ajudas, Portugal não precisa de importar ideias protestantes. Elas já cá estão. Até na Universidade Católica.

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pedir autorização

Muito pior do que o sector da economia, está hoje em dia o sector da justiça em Portugal. Recentemente em conversa com um juiz, ele contou-me alguns dos condicionalismos legais inerentes ao exercício da sua função. Houve um que me deixou pasmado, como se eu ainda pudesse ficar pasmado com o que oiço e vejo diariamente na Imprensa acerca da justiça em Portugal.

Supunhamos que eu cometi um crime grave, e que fui apanhado pela polícia. Decido confessar o crime e assino a confissão por baixo, com todos os detalhes. A confissão é enviada para tribunal juntamente com todo o processo. Pode o juiz considerar a minha confissão como elemento bastante da prova do crime? Não, não pode. Tem de me pedir autorização. Se eu disser que não ou ficar calado, a minha confissão não pode ser utilizada no processo. E se não existirem outros elementos de prova, eu saio de lá absolvido, como se fosse um santinho.

As coisas na Justiça chegaram a este ponto. Não é possível fazer justiça. E isto é assim porque nas últimas décadas, em lugar de se seguir a tradição portuguesa (e católica), se andou a imitar a tradição germânica (e protestante) do Direito, precisamente essa que tem as suas origens no Kant. E tudo isto em nome da liberdade. Mas quando já não é possível fazer justiça, a liberdade é para quem? Para quem se conseguir safar.

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I.

Pior do que a bajulação por todas as coisas estrangeiras, é a bajulação pelas ideias estrangeiras - dizia eu recentemente ao Joaquim, enquanto a mulher dele também me escutava.

Eu gosto de pensar, Joaquim, como é que o Kant seria considerado, se tivesse escrito tudo aquilo que escreveu, tivesse vivido exactamente como viveu, mas só com uma diferença - se, em lugar de ter nascido em Koningsberg, tivesse nascido em Amarante. Como é que ele seria considerado lá na terra? Eu sei. Seria considerado o tolinho da terra. Pois bem, não faltam por aí portugueses, pessoas frequentemente inteligentes, a fazer doutoramentos sobre o Kant e a dissertar sobre as ideias do Kant. Até as leis que hoje se fazem em Portugal são, em última instância, baseadas nas ideias do Kant.

E voltando-me para a I., continuei. Eu gostava de saber a sua reacção se um dia o Joaquim escrevesse um texto semelhante a qualquer dos textos que o Kant escreveu e lho desse para ler. Estou a imaginar o que diria: "Oh Joaquim, mas tu enlouqueceste? É assim que tu ocupas o tempo, em lugar de me ajudares a trazer as compras do supermercado? Se nem eu te consigo perceber ... tu deita-me já isso para o lixo antes que alguém veja... ainda vão dizer que estás maluco...". E com razão, acrescentaria eu.

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nada disto

Qual é a tradição jurídica portuguesa, qual é o enquadramento jurídico onde os portugueses se sentem bem e funcionam melhor, quais as suas características essenciais?
A resposta está sugerida aqui.
São duas as características principais desse enquadramento jurídico.
Primeira, as leis mais importantes já estão feitas há muito, porque são baseadas na tradição, e tudo o que é preciso é retocá-las para as ajustar aos tempos modernos. Não são precisos legisladores, mas um homem ou um grupo de homens que saibam interpretar a tradição e ajustá-la à modernidade.
Segunda, os portugueses devem abster-se de legislar, de criar legislação no sentido definido pelo Hayek - normas visando atingir fins específicos. Enquanto legisladores são péssimos e enquanto cidadãos detestam obedecer a legislação, porque nada disto está na sua tradição.

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qualquer um

Admitamos que uma sociedade protestante, de onde está ausente a característica cultural do personalismo católico, e as pessoas são, e se vêem a si próprias, como sendo praticamente todas iguais, começa de novo e se põe a questão acerca do modo como escolher os seus líderes políticos, por exemplo e para começar, o primeiro-ministro.

Quem escolher e como escolher?

Quem escolher? Qualquer um porque, sendo eles praticamente todos iguais, cada um desempenhará o lugar de modo semelhante ao que faria qualquer outro.

E como escolher, pode o método de decisão ser a democracia, ser o povo a fazer a escolha? Sim. O povo vai escolher qualquer um e, como já se viu, qualquer um serve.

E se a sociedade fôr católica, as respostas mantêm-se? Não. Longe disso. Numa sociedade católica as pessoas são muito diferentes umas das outras, existe de tudo ao longo de um espectro muito amplo, desde pessoas de altíssima categoria ao seu exacto oposto. Aqui não pode ser qualquer um. A questão agora é muito mais complexa.

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Obama has no dreams

Opponent of war and advocate of civil liberties.

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ironia

O primeiro presidente negro dos EUA vai ficar na história como o político que acabou com o direito a um julgamento justo. Doravante muitos norte-americanos deixarão de ter o seu "day in court".

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slip into tyranny

The president’s widely expanded view of his own authority to detain Americans indefinitely even on American soil is for the first time in this legislation codified in law. That should chill all of us to our cores.

The founders wanted to set a high bar for the government to overcome in order to deprive an individual of life or liberty. To lower that bar is to endanger everyone. When the bar is low enough to include political enemies, our descent into totalitarianism is virtually assured. The Patriot Act, as bad as its violation against the Fourth Amendment was, was just one step down the slippery slope. The recently passed National Defense Authorization Act continues that slip into tyranny, and in fact, accelerates it significantly.


Ron Paul

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U. S. Constitution

Sixth Amendment - Rights of Accused in Criminal Prosecutions

In all criminal prosecutions, the accused shall enjoy the right to a speedy and public trial, by an impartial jury of the State and district wherein the crime shall have been committed, which district shall have been previously ascertained by law, and to be informed of the nature and cause of the accusation; to be confronted with the witnesses against him; to have compulsory process for obtaining witnesses in his favor, and to have the Assistance of Counsel for his defence.

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Médicos portugueses procuram emprego em França.

Ministro anuncia renovação de contratos de médicos cubanos.

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imensamente sedutora

Tenho um desafio para o PA. Imagine um grupo de protestantes, fora dos seus países, mas alegadamente a representá-los numa assembleia num país neutro. Chamemos-lhe UE. Na mesma assembleia está também um grupo de católicos, também fora dos seus países na mesma função. A todos se pede que trabalhem em conjunto em prol desse tal país neutro que é de todos e de nenhum. O que vai sair daqui?

(Miguel, na caixa de comentários aqui).

Inicialmente, este país será governado por protestantes.

Os católicos dividem-se imediatamente estabelecendo diferenças de opinião que, em breve, os levará a rivalidades e até a ódios insanáveis. Pelo contrário, os protestantes manter-se-ão consensualmente unidos na sua posição. Quando chegar a altura de votar, não só os protestantes votam todos no mesmo sentido, como ainda terão os votos de alguns católicos, que preferem dá-los aos protestantes do que a algum católico rival.

Por isso, no princípio, serão os protestantes a governar e a mandar. Os católicos ficarão na oposição e, nessa condição, vão boicotar todas as leis feitas pelos protestantes, não de modo organizado, mas individualmente, um boicota uma lei outro boicota outra, um invoca uma excepção aqui, outro mete uma cunha acolá, tornando a vida dos governantes protestantes um inferno.

A prazo, haverá relações interculturais, e serão os católicos a promovê-las, porque os protestantes não são dados a isso: almoçaradas, casamentos, festas, caçadas, peladinhas, tudo. Literalmente tudo. Quando um protestante tiver um desejo impossível, um católico vai dizer: "A gente arranja isso", e arranja mesmo. os protestantes, que não acreditam em milagres, vão ver que afinal eles existem.

A pessoalidade dos católicos, o calor humano que eles põem nas relações, até as razões humanitárias que inventam para obterem uma excepção à lei ou meterem uma cunha (coisas que, em princípio, os protestantes detestam), os vinhos e as comidas, os locais aprazíveis para viver e conviver, o clima permanente de festa, a sua capacidade para se sacrificarem por uma pessoa de quem gostem (por exemplo, um doente, uma criança ou um velhinho protestante), a sensualidade das suas mulheres (os protestantes até vão ficar de olhos em bico), e também dos homens, tudo isto , com o tempo, vai amaciar e, no fim, seduzir os protestantes.

Este país vai acabar católico. Acaba-se a distinção entre católicos e protestantes, porque entretanto já se misturaram todos - primeira característica católica. Cada um acaba a invocar ter uma religião com base no Cristianismo, ou não ter nenhuma, e quase todos dirão mal dos padres e da Igreja Católica - segunda característica católica. E por aí adiante.

A cultura católica é uma cultura imensamente sedutora. É uma cultura de mulher. Quem melhor para seduzir e, no fim, para mandar?

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17 Janeiro 2012

acreditar, até ao fim














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é assim, é complicado

Imagine que alguém está em casa, que a noite já vai longa e, subitamente, dá pela falta de tabaco, cerveja ou vodka, os primeiros itens aconselhados aos pioneiros na distribuição. Agora imagine que no bairro vizinho, ou mesmo do outro lado da cidade, você tem um destes produtos para lhe vender e até se disponibiliza para ir a casa entregar em mãos num abrir e fechar de olhos. Pois bem, basta aceder a www.atuamae.org, fazer login no Facebook e acertar a entrega com quem faz a encomenda.
“Se aceitar um pedido de 3 cervejas, 1 maço e uma pizza congelada, supondo que com as cervejas lucras cerca de 0,7 com cada, com o maço 1,5 euros e com uma pizza dois euros, faz 5,6 euros no total. E se tiver sorte é a um vizinho seu, dois quarteirões ao lado, nem leva mais de 15 minutos.” E escusado será dizer que ainda lucra, claro, e que essa margem de lucro, combinada entre ambas as partes, vai direitinha para quem distribui os artigos. Na vez seguinte, pode ser o distribuidor a precisar de um desenrascanço, seja ele em fase lunar ou em plena luz do sol, o que para muitos poderá afigurar-se como uma fonte de rendimento alternativa.
Uma ideia catita, apenas com um senão. Esta actividade parece-me ilegal. Ninguém pode andar por aí a "armazenar", transportar e vender tabaco e bebidas, por exemplo, sem um montão de papéis - alvarás, licenças, guias de transporte, facturas, contabilidade organizada, etc.

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Assembleia da República

Daqui resulta que Portugal, um país de tradição católica, para ser livre não precisa da Assembleia da República para nada. A pouca legislação que há a fazer pode ser feita pelo Governo. Abolir a Assembleia da República, ou reduzi-la a funções meramente decorativas reunindo uma vez de três em três meses, é meio caminho andado para tornar Portugal um país melhor e mais livre, porque mais conforme à sua tradição. É tudo tão simples na tradição católica, embora a simplicidade esteja sempre escondida sob uma capa de aparente complexidade.

Revolucionário? Claro, mas a filosofia católica é bem capaz de ser a filosofia mais revolucionária que existe no mundo e, ao mesmo tempo, a mais conservadora. Nisto consiste o seu segredo, é capaz de ser uma coisa e, ao mesmo tempo, o seu exacto oposto, e ainda todos os graus intermédios. A filosofia católica é uma filosofia de tudo.

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diferença

Uma das principais diferenças entre o protestantismo e o catolicismo é que o protestantismo aboliu o personalismo, a ideia de personalidade, segundo a qual as pessoas são essencialmente diferentes umas das outras, substituindo-a pela ideia de que as pessoas são essencialmente todas iguais umas às outras.

Em qual de dois países - um país protestante ou um país católico - existe mais liberdade? Experimente ir viver para um país protestante (v.g., Suécia) onde as pessoas são praticamente todas iguais umas às outras, e portanto se comportam da mesma maneira, e experimente ser diferente. Vai ver o que lhe vai suceder.

Pelo contrário, faça a mesma experiência indo para um país católico, um país cuja cultura é baseada na diferença, que aprecia a diferença, e então se você conseguir ser diferente de todos os outros, constituindo uma novidade, ainda melhor. Você vai ser objecto de admiração. Não só é livre para fazer tudo aquilo que quiser como os outros ainda lhe batem palmas.

A liberdade está no catolicismo, que exalta a diferença, não no protestantismo que exalta a igualdade.

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cara

Para ilustrar aquilo que escrevi anteriormente, gostaria de invocar o tema da liberdade e o economista F. A. Hayek, um economista pelo qual eu já tive grande consideração, mas que diminuiu consideravelmente com o tempo.

Numa das suas principais obras, às vezes considerada a sua obra máxima, "Law, Legislation and Liberty" ("Lei, Legislação e Liberdade"), Hayek propõe-se avaliar qual o quadro jurídico conducente a uma sociedade livre. Começa por distinguir entre Lei (uma norma geral e abstracta) e Legislação (uma norma que visa atingir fins espécíficos, como a "lei" do salário mínimo). Chega à conclusão de que para uma sociedade ser livre 1) a Lei deve ser baseada na tradição; 2) a Legislação deve ser inexistente (ou reduzida ao mínimo).

Aquilo que resulta daqui é que uma sociedade livre não precisa de orgão legislativo. Tudo o que precisa é de alguém que interprete a tradição e a faça lei.

Original? Há quem ache que sim e eu também já achei. Hoje não acho. É bastante banal.

Olhe para a organização da Igreja Católica, a Cúria Romana. Não tem orgão legislativo e todas as suas leis, que constituem o chamado Direito Canónico, são baseadas na tradição. O Papa é o garante e o intérprete da tradição. Tanto trabalho do Hayek para chegar a uma conclusão óbvia e que já estava descoberta há séculos.

A liberdade está no catolicismo? Claro que está. E, no entanto, desde o 25 de Abril que os portugueses andam à procura da liberdade no estrangeiro, imitando instituições do protestantismo. Está-lhes a sair cara a procura.

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ainda lhe acontece

Eu não estou certo de conhecer todas as razões por que os povos de cultura católica desvalorizam tudo aquilo que é seu e, em particular, a doutrina que sustenta a sua própria cultura. Mas uma delas é seguramente a extraordinária ignorância que os povos de cultura católica têm acerca do que é o catolicismo.

Quando se fala em catolicismo, mesmo a maior parte das pessoas educadas associam-no imediatamente à religião, e só à religião. Mas o catolicismo é muito mais do que isso, é uma cultura, uma filosofia de vida. Todas as culturas têm por base uma religião, e assim acontece também com a cultura católica. Mas a cultura extravasa a religião, traduzindo-se nas ideias que as pessoas possuem acerca da vida, e das finalidades da vida, na forma de se relacionarem umas com as outras, nas instituições propícias à sua vida colectiva, na maneira de arranjarem a sua economia, a sua justiça, o seu Estado, etc.

É neste campo, no campo do catolicismo laico, digamos assim, que existe um enorme trabalho de investigação e divulgação a fazer por parte dos chamados cientistas sociais, politólogos, economistas, juristas, sociólogos, e que em princípio competiria às Universidades fazer. Qual é a organização económica que emana da cultura católica, a organização da justiça, a configuração do Estado, quais as instituições de ajuda aos pobres conformes a esta cultura? Porém, em todos estes campos, aquilo que se ensina presentemente nas Universidades portuguesas é importado do estrangeiro e do protestantismo.

Por onde estudar estas matérias? Não, não precisa de ler as Escrituras, nem sequer o Novo Testamento. Senão, ainda lhe acontece como ao José Rodrigues do Santos e fica convencido que, entre a apresentação de dois Telejornais, descobriu um nova interpretação de uma passagem das Escrituras - diferente, para melhor, daquela a que chegaram milhares de homens de primeira categoria intelectual, ao longo de mais de dois mil anos, dedicando-se exclusivamente ao estudo das Escrituras.

A cultura católica tem a vantagem, talvez única no mundo, de estar codificada. O livro-base é o Catecismo. As leituras complementares são as Encíclicas que desde 1890 têm sido dedicadas a matérias sociais e que, no conjunto, representam a chamada Doutrina Social da Igreja. Um pouco de teologia também não faz mal. O principal autor moderno nesta matéria é, naturalmente, o Papa.

Ah, e não esqueça: pense pela sua cabeça. A melhor maneira de um homem ser capaz de pensar pela sua própria cabeça é isolar-se. E meditar. Não leia em demasia. Quem lê em demasia acaba invariavelmente a pensar pela cabeça dos outros.

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ideias

Se Portugal conseguisse exportar mais resolveria todos os problemas económicos e financeiros que, lenta mas seguramente, nesta via sem esperança que está a ser seguida, acabarão por o sufocar. Existem, porém, duas dificuldades de monta. A primeira é o euro, que torna todos os produtos nacionais exorbitantemente caros no estrangeiro. A segunda é mais importante, é cultural, aquela tendência dos portugueses para desvalorizarem tudo aquilo que é seu, pessoas, coisas e ideias. Nas condições presentes, o ónus económico desta característica da sua cultura católica é extraordinário.

Se os portugueses são os primeiros a falar mal das suas coisas, como é que podem esperar que os estrangeiros as comprem? Num post anterior referi dois produtos portugueses que são praticamente universais, o vinho do Porto e o vinho Mateus Rosé. Disse então que o vinho do Porto não foi, nem poderia ter sido, promovido no mundo pelos portugueses. Foi pelos ingleses. E quanto ao vinho Mateus Rosé referi que, quando fosse feita a sua história, de certeza que se haveria de descobrir que a sua promoção no mundo não foi feita por portugueses, mas por estrangeiros. A história, afinal, está feita. O vinho Mateus Rosé tem 66 anos de idade, vende-se em 125 países e foi promovido pela família van Zeller, da Sogrape, um apelido que não é propriamente português de gema.

O vinho do Porto e o vinho Mateus Rosé ilustram, de resto, à perfeição, essa tendência cultural dos portugueses para desvalorizarem tudo aquilo que é seu. Quantos portugueses apreciam o vinho Mateus Rosé ou mesmo o vinho do Porto? Entre-se num restaurante português e observe-se o número de portugueses que estão a beber Mateus Rosé ou Porto. Na realidade, o Mateus Rosé, talvez mais do que o Porto, são vinhos que os portugueses desprezam. Em relação ao primeiro existe mesmo quem considere que "aquilo não é vinho".

Compreende-se perfeitamente que um povo de cultura católica admire e valorize tudo aquilo que é estrangeiro. Muito mais difícil de compreender é a tendência para esse povo desvalorizar tudo aquilo que é nacional e, portanto, seu. Eu ainda não descobri se esta característica é inerente à cultura católica, ou meramente conjuntural. Tendo a pensar que é inerente à cultura católica e, sendo esta uma cultura racional, deve existir uma razão. Mas eu ainda não a descobri. E se as coisas são assim com o vinho são muito piores com as ideias que sustentam essa cultura.

As coisas podem, no entanto, estar a mudar. O Papa Bento XVI sabe perfeitamente que a Igreja comunica mal a sua mensagem e tem dado uma imensa importância à área da comunicação. Ainda há dias, um bispo português foi nomeado para uma comissão pontifícia para a comunicação da Igreja. O Papa sabe que não basta possuir a verdade, é também preciso fazê-la chegar às pessoas. Mas até para isso, para promover o catolicismo, foi necessário a Igreja Católica ir buscar um Papa a um país protestante, na realidade à pátria do protestantismo, que é uma cultura extraordinária a promover aquilo que é seu, e , em primeiro lugar, as suas ideias. A tal ponto que até consegue promover ideias falsas.

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lol

Banco central entende que corte de vencimentos seria violação grave do Código de Trabalho.

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16 Janeiro 2012

do Marítimo



"R., - disse eu recentemente ao pai do T. - inscreve já o teu filho no Futebol Clube do Porto, que é o clube do pai e o clube da sua terra. Não cometas o mesmo erro que eu cometi, que dei aos meus filhos liberdade para escolherem o clube. Tu escolheste bem, escolheste o clube da tua terra. Mas o teu irmão foi uma desgraça. Ainda recentemente ele se me queixou, desalentado, que o clube dele não lhe consegue dar uma única alegria. Eu senti-me culpado. Eu devia tê-lo inscrito ou no meu clube, que é o Benfica, ou, mais provavelmente, no clube da sua cidade, que é o Porto. Foi um erro de pai. Não caias no mesmo erro, inscreve já o T. no FCP, senão ainda lhe acontece como ao teu irmão, torna-se adepto do Sporting...".

O R. acenou afirmativamente com a cabeça, sorriu e acrescentou: "Ou pior ainda: do Marítimo...".

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em cheio



O baptizado do T. já tem dia e lugar marcado. Será a 21 de Julho, dia do seu primeiro aniversário, no Estreito de Câmara de Lobos, a terra natal da mãe.

Lá estarei. E com imensa alegria. O baptizado católico é um acontecimento cultural cheio de significado. Por norma, é feito antes que a criança tenha qualquer espécie de entendimento. São os pais, secundados pela família alargada e pela comunidade de amigos, a escolher por ela a sua cultura ou religião. A mensagem é clara: "A tua cultura ou religião é a católica. Para já, tens uma. Se um dia quiseres escolher outra, ou nenhuma, é lá contigo".

A escolha por parte dos pais é meramente aparente ou simbólica porque, no fundo, também não foram eles a escolher a sua cultura ou religião católica. No fim, quem acaba a decidir pela criança é uma longa linha dos seus antepassados que começa nos pais, e regredindo, passa pelos avós, bisavós, trisavós, etc. É a tradição. É como se os mortos tivessem voz: "Olha lá, oh T., tu és um dos nossos e vais ser como nós".

Esta mensagem sugere, à primeira vista, que os antepassados estão a condicionar a vida do T., para além do que é razoável, roubando-lhe todas as possibilidades de escolha. Mas tratando-se de um baptismo católico, que é uma cultura de tudo, aquilo que o "... e vais ser como nós" significa é que o T. vai poder ser na vida tudo aquilo que ele quiser ser, que nós estamos cá para o apoiar.

A ideia de que uma criança não deve ser baptizada, porque isso lhe retira a liberdade de escolha, e que se deve aguardar que ela atinja a maioridade para que seja ela própria a decidir a religião ou cultura que quer adoptar, é uma ideia importada do protestantismo e que, naturalmente (por ser estrangeira) tem alguma corrência entre nós. A verdade, porém, é que um jovem de dezoito anos, mesmo com trinta, não sabe escolher uma religião ou cultura. A esmagadora maioria das pessoas nem aos setenta é competente para fazer uma tal escolha. Para escolher uma religião ou cultura, uma pessoa precisa de comparar e, para comparar, ela precisa, em primeiro lugar, de ter uma. Alguém tem de escolher por ela.

Eu gosto de imaginar o que seria Portugal dentro de uma geração se se desse às crianças portuguesas a liberdade para serem elas a escolher a sua cultura ou religião quando atingissem a maioridade. Haveria portugueses de todas as religiões ou culturas possíveis e imaginárias, e dentro de cada religião ou cultura, de todas as tonalidades ou variantes possíveis. Quanto mais não fosse, por isso, o país continuaria a ser católico (universal), mas seria impossível viver nele.

É claro que daqui por alguns anos eu estou a imaginar o T., adolescente ou jovem adulto, a criticar os padres e a Igreja, a dizer mal dos portugueses e de tudo o que é português, e a exaltar os estrangeiros e tudo aquilo que é estrangeiro. Nesse dia, eu não lhe vou responder porque ele não estará ainda em condições de compreender. Vou sorrir para dentro e pensar: "Abençoado aquele dia na Madeira em que te baptizámos católico. Acertámos em cheio. Porque tu, com essa conversa pindérica acerca dos padres e da Igreja, da miséria dos portugueses e da grandeza dos estrangeiros, só demonstras, afinal, que és um genuíno católico. De gema.".

Ou talvez um dia os pais lhe mostrem este post do avô.

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