Quinta-feira, Outubro 01, 2009

um dia destes agarro numa máquina fotográfica e vou para a rua recolher imagens.
com vida.

Sexta-feira, Setembro 25, 2009

"there is a light that never goes out"

quantenta e um

Quarta-feira, Setembro 16, 2009

encontrar a nossa cor.

nem que seja numa fotografia.

Quarta-feira, Setembro 02, 2009

PALAVRAS LOUCAS
ORELHAS MOUCAS
Associação de Teatro

apresenta
"CRÓNICA FEMININA"
de Laura Ferreira
“Gosto de raparigas. E das coisas delas… …ir aos pares à casa de banho,
ir às compras sem ter nada para comprar....
Gosto de mulheres baixas, altas, faladoras, silenciosas.
Eu sou gaja p’ra chorar aí uma vez por mês.
Gosto do cheiro da minha mãe!
- Achas que os sapatos de cunha favorecem as raparigas que têm as pernas grossas?
Gosto do vermelho da pele depois de um dia de praia…
Dança comigo em Espanha, em Tóquio, numa fila da VCI…
Eu adormeço sempre a pensar em coisas fúteis!... "

Num espectáculo ao jeito de uma crónica, queremos mostrar-lhe:
… como pensam as mulheres, porque choram, porque riem, porque se emocionam…
…de que falam quando vão aos pares à casa de banho, porque discutem com eles…
…porque são, no fundo, especiais…

Autoria e Encenação: Laura Ferreira
Com: Joana Melo Costa, Nanci Sousa, Gisela Baltazar, Laura Ferreira, Rosário Nascimento
Vídeo: Tiago Silva e Rui Ferreira
Desenho de som e música: monolab
Desenho de Luz: Luís Ribeiro

10 a 13 de Setembro / 21h45
Fórum Vallis Longus Sala das Artes
Avenida 5 de Outubro, s/n VALONGO


Preço dos bilhetes: 2,5 EUR
Disponíveis para venda, no local, a partir de 01 de Setembro
Nº telefone para reservas: 93 229 26 52/ 22 240 20 33
Reservas válidas por 48h
espectáculo para M/12 anos
plom@gmail.com

Quarta-feira, Agosto 05, 2009

férias


Férias quase à porta...

Com as férias à porta temos sempre alguma coisa para dizer às pessoas, no elevador: está quase, bem merecidas... agora que estão perto parece que o tempo não passa...

Eu própria já sinto o sabor delas, já as ouço ao longe a chamar, com voz de miúda...

o Photomaton vai entrar de férias comigo e voltará nos primeiros dias de Setembro.

Na mala levarei um caderno para escrever coisas.

No coração levo este meu tesouro e prometo voltar depressa.

A todos os que aqui costumam vir, o meu desejo de bom descanso.

Um beijo e um abraço. Até já.

Laura


Quinta-feira, Julho 23, 2009

9 to 5


era mais fácil usarmos uma farda à semana, para não ter que decidir o que se veste todos os dias.
eu já tive fases em que decidia na véspera o que vestir; deixava tudo dobradinho: calças, blusa, sapatos, pulseiras, carteira.
mas depois acordava de manhã e nunca me apetecia vestir isso e então deixei de escolher na véspera.
também já tive fases em que me deitava e detinha-me a pensar na toilette do dia seguinte. a maior parte das vezes adormecia e só tinha escolhido as calças. mas isto ainda me dava mais trabalho, na manhã seguinte, pois tinha de fazer um esforço para me lembrar o que tinha pensado na véspera (e esquecido, entretanto) e como acabava por nunca me lembrar, tinha de escolher outra vez.
hoje em dia penso enquanto tomo banho, depois do pequeno almoço.
não sei muito bem porque é que estou a escrever este texto, mas esta imagem fez-me pensar nos 5 dias da semana…

Quarta-feira, Julho 15, 2009

conversas de luz apagada (julho)

- não cheguei a dizer-te porque é que gosto de Junho… e já estamos em Julho.

- não queres dizer antes em Agosto e assim arrumas logo os 3 meses – gargalhada dele, alta, um bocado histérica.

ela olha-o. parada. suspira.

- pronto, pronto,… - diz ele com um beijo desajeitado e molhado, na face.

- olha lá…cuidado… pús creme na cara… - ela deita-se de barriga para o ar, meia afastada, mãos cruzadas na barriga.
(pausa).ela com os olhos presos no tecto. ele olha-a pelo rabo do olho.

- diz lá porque é que gostas de Julho…

- não te disse de Junho por isso também não posso dizer de Junho. as duas coisas estão ligadas. complementam-se.. – e volta-se para o outro lado. – até amanhã… - diz num fio de voz com os olhos bem abertos.

- não pensei que isto dos meses fosse assim uma coisa tão importante para ti, desculpa… - ele espera uma resposta que não vem. – aproxima-se dela. encosta um pé. depois as pernas. depois tudo.

- tu gostas de Junho e Julho e eu gosto de ti. – diz numa voz rouca. e a seguir perde-se no cabelo dela.

myspace

fot. laurie s.

tenho um caderno preto onde escrevo todas as noites quando já estou deitada
é tão giro escrever deitada
sem pinturas
quase sem luz sem ninguém sem reservas sem assunto
sim sem assunto sem saber o que vai sair
a mão corre desgarrada aos ziguezagues ao sabor do que penso
sem saber o que penso penso tudo misturado
parece que estou a fazer um bolo e os ingredientes são as palavras
os olhos fecham-se as palavras escorrem-lhe dos cantinhos
ah e também faço coisas gráficas assim uns desenhos que não lembram ao diabo
mas preciso preciso daquele momento meu
em que sou eu e o papel
num encontro apaixonado perfeito
que se consuma todas as noites e me faz adormecer de cansaço….

a rapariga que apanhava pancada porque gostava de arte e a rapariga solitária que descobriu o amor

fot. laurie s.

quando ela quis falar de arte a primeira vez com os pais eles deram-lhe um enxerto

e diz-se que foi a partir desse momento que ela começou a ficar estranha e a fazer coisas bizarras tipo comer batons e roubar sapatos dos mortos nas capelas e levá-los para casa
os pais viram-se gregos para que aquela menina endireitasse e não endireitou
e também não namorou nem casou
coleccionava tudo quanto era fotografias fazia recortes roubava revistas
chorava com filmes ficava embasbacada a olhar para as pessoas e gostava de raparigas
a mãe tinha um grande desgosto por ela gostar de raparigas mas ela gostava
e a sua maior paixão foi uma vizinha sozinha que tinha um cão que era cego
e ela a vizinha era tão tímida que quase nem falava e chamava-se Margarida
de maneira que as duas passavam a vida juntas e passaram a curta vida juntas
ela falava sobre arte e a Margarida ouvia
ela falava sobre sítios onde nunca tinha estado mas que conhecia dos livros e a Margarida deliciava-se
ela proferia declarações de amor decalcadas dos grandes clássicos do cinema e a Margarida ria e chorava ao mesmo tempo
amavam-se amavam-se muito.
diz-se que morreram juntas porque não quiseram morrer separadas
e fizeram-no à filme e deixaram um bilhete a dizer “nós amámo-nos muito, ouviram bem?”
e no papel a marca de baton vermelho das duas bocas sobrepostas
e quando as encontraram de mãos dadas mortas frias
tinham a pele branca e a boca vermelha
e estavam de vestidinho vermelho e saltos altos
e quem as conhecia disse oh se disse
que aquelas duas mulheres nunca tinham estado tão belas
e houve quem tirasse um retrato às duas mortas de amor e o guardasse
e o espolio extraordinário de um amor de tantos anos
de objectos dengosos fotografias delicodoces
filmes em vhs e cassettes de música amorosa
citações capazes de fazer chorar as pedras
desapareceu num ápice num instante
ninguém sabe como como pode ele ter desaparecido aquele espólio
mas ficou
ficou a imagem daquelas duas mulheres
de mãos dadas frias e muito tranquilas:
a que gostava de arte e apanhava pancada
a que falava pouco mas descobriu o amor.