[uma associação de ideias sacada ao Ricardo]
[o título longo do post é retirado de FMI de José Mário Branco]
«O presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, disse hoje que o primeiro-ministro demissionário e secretário-geral do PS, José Sócrates, não é criticável pela "lata que tem", mas sim o povo português por "enfiar" os "barretes" dele.» (da Lusa)
Diz o senhor, um dia depois de reconhecer que "não tem dinheiro para mandar cantar um cego", mas continua a querer inaugurar tudo até Outubro.
«Miguel Marujo concluiu hoje a sua primeira Meia Maratona. Foi aliás a sua primeira prova, após ter começado a correr há 3 meses atrás. Esta seria uma história como tantas outras, em que quase todos nos revemos. Mas se eu começar por lhe dizer que o Miguel há pouco mais de 2 anos atrás pesava 170 Kgs, a coisa muda de figura.»
«Finlândia: Nacionalistas recusam entrar na coligação governamental após confirmação de apoio a Portugal» (título da Lusa)
«PSD quer desempregados a fazer trabalho gratuito três dias por semana»: Um dia posso explicar aos moedinhas e catrogueiros e leitinhos deste partido que o desempregado só ganha aquilo que descontou e que já é humilhado como se fosse um arguido com termo de identidade e residência... E ainda não percebem eles porque estão mal nas sondagens?!
Luís, longe de mim ter a verdade. Não tenho uma verdade conveniente. Menos ainda beata, apesar de perceber o tirocínio que tentas fazer por não esconder a minha fé e por dela fazer acção cívica e política. Santinhos, beatices e imaculadas deixo-as para quem invoca a senhora de Fátima em luta contra o Prestige. Mas bastaria saberes de que se cose a minha fé e as palavras que leio e que me guiam, para não ires por aí.
Não detenho a verdade, mas ao contrário do que dizes não acho que a minha verdade só é boa se for de acordo com o meu voto, ou se só ganhar a minha cor. Acho sempre que o povo (peço desculpa pela linguagem esquerdalha) tem razão mesmo quando vota em Cavaco, e sabe deus como eu não gosto de Cavaco. Não lhe chamo estúpido, ao povo, claro, só porque votou assim. Mas isto sou eu. A verdade, lá está, não a tenho, já o teu post é um despejar de palavras contra, sem argumentos. Os meus estão lá bem escritos. A 6 de Junho, veremos que argumentos terão razão.
«O Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) decidiu abrir um inquérito contra três agências de "rating" internacionais, depois das queixas apresentadas por quatro economistas, confirmou a Procuradoria-Geral da República (PGR). No início de Abril, os economistas José Reis e José Manuel Pureza, da Universidade de Coimbra, e Manuel Brandão e Maria Manuela Silva, do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), pediram a abertura de um inquérito contra as agências, alegando que estão a cometer crime de manipulação do mercado.» (da Lusa)
Há um detalhe nesta notícia, que escapa a muitos, porventura a 99% dos seus leitores: pelo menos, três destes quatro economistas são católicos, que se assumem como tal e que fazem dessa condição parte activa da sua intervenção cívica e política. E rompe com aquela estranha ideia que os católicos se reconhecem apenas numa Escola de Gestão da Católica, que até é escolhida pelo Financial Times como uma das 50 melhores do mundo - sim, na difusão de uma ideologia que espezinha o próximo.
Não é um Verão quente, daqueles que uns e outros louvam ou desprezam, conforme a sua ideologia se adeque ou não a 1975. É o Verão quente que se instalou nestes dias estranhos de Abril e Maio, com chuvas que lavam a terra quente, dias de sol que se apagam num vento fresco. E neste quotidiano instala-se o calor de palavras supostamente duras, mas em que lendo bem nas entrelinhas apenas se vai formatando a ideia de um centrão salvífico (com pendor para a direita), e que fora dele não há nada. Há. É preciso é saber não nos afogarmos na ideia única. Romper o calor.
Ao contrário de Teixeira dos Santos, falso ministro de um governo dito socialista, o eleitor do PS gosta de acreditar que há soluções governativas de esquerda. No actual quadro, em que as sondagens dão um bloqueio a qualquer solução de direita e um empate técnico que obrigará qualquer vencedor (PS ou PSD) a entender-se com outros, talvez valesse a pena à esquerda ensaiar pontes que até aqui têm sido impossíveis. Um PS sem Sócrates não é solução para um entendimento com PSD e CDS, como sonhou no Verão passado Paulo Portas; deve antes ser um PS que procure o BE e o PCP para soluções de um arco de governação à esquerda. Como Lisboa já teve, com tão bons resultados.
A cegueira lusitana transparece entre corporativos incapazes de aceitarem uma crítica e reconhecerem um erro, delapidando o que diziam ontem com os factos de hoje e atacando supostas e fantasiosas secções laranjas de jornais porque, no fundo, apenas desejam um jornalismo acéfalo que não questione e que seja pé de microfone das suas ideias e líderes. E porque apenas desejam manter um estado de coisas que seja o dos seus. Do outro lado, há alberguistas que derramam raiva a uma só pessoa, como se os seus não tivessem pactuado e assinado de cruz todos os documentos que insistem em atacar, escondendo que os passos a dar são a destruição do que vai restando de um certo estado social, para os entregar a uma agenda ainda mais neoliberal. Depois ficam muito admirados com as sondagens.
O engraçado disto vai ser ver estes dois grupos arregimentados num bloco central de governação depois de 5 de Junho, obrigados a entenderem-se, roídos de ódios. E querem que se aceite isto como inevitável.
Teixeira dos Santos veio ontem saudar o facto de PS, PSD e CDS serem "parte da solução". O ministro mentiroso (mentiu no PEC I, PEC II, PEC III e no PEC IV) que abriu portas a uma morte lenta do Estado Social, que tornou cada exercício de contas numa mera retórica ilusória, de um governo dito socialista, veio saudar a solução do PSD e CDS, que aplaudem com indisfarçável vigor a liberalização excessiva de sectores da economia e da sociedade que os portugueses não votaram em 2009. E Teixeira dos Santos ataca o BE e o PCP por serem "parte do problema", mantendo o País "num PREC permanente", quando o natural seria um ministro dito socialista tentasse governar à esquerda, com quem está à esquerda.
O problema é que mais uma vez Teixeira dos Santos mente. Com os dentes todos, a parte do problema é ele - e as suas políticas mentirosas. Os sacrifícios que ele pede (mais uma vez) aos portugueses são aos mesmos de sempre, a quem é fácil obrigar a pagar a factura. O ministro que é o problema devia ter vergonha na cara e pedir desculpa.
Bater com a porta é desnecessário, apesar de agora ter montado uma campanha do ministro bom face ao primeiro-ministro mau e de andar a deixar escapar que está em colisão com Sócrates. Não: Teixeira dos Santos é um ministro péssimo que está em rota de colisão com o País.
Votar à esquerda (esquerda, esquerda!) não é delírio, nem utópico: é definirmos as nossas políticas, é defendermos que temos uma palavra a dizer - e não nos imporem soluções inevitáveis, neoliberais e de empobrecimento deste país!
É pecado ouvir cicutas socráticas travestidas de momentos quase gloriosos e catroguices epistolares de que eles nos pouparam grandes desforços: o FMI aterrou na Portela, remember?!
Alguém que explique a Eduardo Catroga o que é o e-mail?
Finalmente, comecei a escrever no Blogue de Esquerda. É passar por lá e ler os outros. Eu, por enquanto, servi-me da inteligência de outros, para dizer de mim.
Não se lamenta, impossível lamentar a morte desta besta. Não se festeja: o mundo não ficou melhor ou pior. E 10 anos de luta contra o terrorismo produziram mais binladenzinhos do que era suposto.
«A partir de hoje e até à próxima sexta-feira, dia de 6 de Maio, o Blogue de Esquerda acolhe a primeira «Semana do Blogger Convidado».
Estarão a blogar connosco Ana Gomes (Causa Nossa), Miguel Cardina (Arrastão), Mariana Mórtagua (Adeus Lenine), Tiago Mota Saraiva (5 Dias), Tomás Vasques (Hoje há Conquilhas), Palmira F. Silva (Jugular), Paulo Guinote (Educação do meu Umbigo), Nuno Ramos de Almeida (5 Dias) Miguel Vale de Almeida (Jugular), Vítor Dias (O Tempo das Cerejas) e Miguel Marujo (Cibertúlia).»
(A ver se a Marta não se arrepende do convite que me fez.)
O segurança reconhecia à funcionária da Porto Editora:
- nunca vim cá em lazer, só em trabalho.
Abriu hoje a feira do livro, ainda pela manhã. Vizinho, não me fiz rogado e dediquei-lhe a hora do almoço, qual incrível rapaz que comia livros. As primeiras impressões são as de sempre: pavilhões ainda fechados, muitas barracas ainda em fase de instalação, o mapa da feira que ainda não existe ("só amanhã"), catálogos também adiados e os livros do dia cada vez menos visíveis, duas feiras-praças (da Leya e da Porto Editora) dentro da feira e um corredor-pavilhão (da Babel) que capta a atenção mas poderá afunilar em dias de enchentes. Há cupcakes, mas as pipocas estavam fechadas, a pita shoarma continua demorada e as farturas ficam para melhores dias. O calor era muito, apesar de todas se terem distraído com a meteorologia quando saíram de casa. O gelado estava com gelo a mais e o rapaz afinal não devorou livros. Guardou-se para um dia mais composto - porque há muitos livros em destaque a lembrarem-nos que o FMI anda aí, e isso, meus caros, não sei se é o melhor marketing para a feira.

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