Sexta-feira, 6 de Janeiro, 2012


Depeche Mode, Behind the Wheel

Não são segredo, tenho que pensar como os expurgar, não é fácil viver esta vida boa.

… quanto desfrutar de uma bela leitura enquanto o sol vai dourando o dia, o céu e nos limpa a alma do que lá não se deve acumular. Não há que hesitar, porque é balsâmico. A vida virtual é apenas isso mesmo, virtual. E a realidade, pá? Nada de confusões…

… contra as nomeações partidárias. Acho mesmo que houve um tempo, no século passado, em que um jornal muito independente se teria atirado a um catroga e a uma cardona como gato a bofe fresco. Agora todos estão mais velhos e ajuizados.

Que saudades daquela juventude e independência na postura. Agora são todos economistas e consultores de coiso. Ou fazem diplomacia económica e já não se incomodam de cumprimentar as gargantas do governo chinês.

Aquele presidente que presidiu hoje foi demais,  a esta hora está d’avental a fazer a figurinha. Pim!

Acho que muita gente já reparou que nos últimos tempos, quer em círculos políticos próximos do governo, quer na blogosfera alaranjada, quer ainda em algumas criaturas comentadeiras, renasceu aquele discurso anti-profes que caracterizou a permanência do engenheiro no poder.

Começam a notar-se demasiado as semelhanças. Aquelas que eu vi, em devido tempo, no lançamento do livro da pseudo-Pasionaria da Educação cá do burgo. As afinidades mal (in)confessadas. Houve momentos em que pensei que talvez tivessem compreendido o erro mas, já se sabe, com umas quantas viagens à Órópa há quem se deslumbre e pense que se elevou acima de. O deslumbramento provinciano é pior que o provincianismo assumido.

Mas voltando à postura acintosa anti-profes…

É um erro.

Poderia desenvolver, mas fica a ideia para que a possam digerir. Uma simples tentativa para que percebam que ou resolvem os vossos demónios ou acabarão consumidos. Como o(s) outro(s).

Quem é amigo, quem é?

Ainda se lembram dele por lá:

A PSP de Beja está há seis meses a pagar renda pelo aluguer de uma antiga escola da cidade para onde irá transferir as esquadras e que ainda não ocupa “por falta de um cabo de rede informática”.

“Há seis meses que estamos à espera da ligação da rede informática e a pagar a renda” mensal à Câmara e ainda “não ocupamos as instalações” da antiga escola básica do Salvador “por falta de um cabo de rede informática de 50 metros”, disse hoje o comandante da PSP de Beja, superintendente António Viola da Silva.

Só uma pergunta… e os que os impede de ir a uma loja (não maçónica) comprar o raio do cabo?

Já assentou a poeira dos tempos da CGD? Isto é que é um abrir de portas

Celeste Cardona a caminho do conselho geral da EDP

Para quando a nomeação da Cinha? Por uma questão onomástica…

E que nome vamos escolher…

A CRISE: DE QUE REALIDADE FALAMOS? (I)

Uma das coisas que mais me chama a atenção, e por vezes me choca, é a dissonância entre a narrativa dominante acerca da crise – montada pela nomenklatura que gravita em torno da actual maioria, dos seus aparelhos partidários e das suas tertúlias blogosféricas – e as narrativas da população, ou talvez melhor ainda, a narrativa do senso comum sobre a crise, sobre viver a crise, viver na crise.

O modo como as pessoas vêem e interpretam a sua situação, a situação política, económica e social, leva-as a estruturar a sua experiência de vida numa narrativa mais ou menos coerente e consequente. Acontece, porém, que essa “legibilidade”, mau grado as aparências, nunca é um critério neutro ou fortuito, depende de um combate ideológico mais ou menos declarado, de uma correlação, de uma tensão de forças mais ou menos visível, até se precipitar numa composição que aspira à hegemonia.

Por exemplo, imediatamente após o 25 de Abril, o facto de ter sido o PCP a conseguir impor logo na rua a narrativa mais eficaz e convincente para explicar a situação – a que provavelmente não seria alheio o simplismo ideológico da sua formulação esquemática e maniqueísta, com impacto facilitado junto de uma população não politizada – foi decerto o resultado, ainda que contingente (ou não estivéssemos perante um processo revolucionário), de uma série de factores bem determinados (organização e ideologia consolidadas, experiência militante de combate político, capacidade instalada, no terreno e entre os actores principais, etc.), e que condicionou em grande medida, naquela altura, aquilo que ficou sendo a perspectiva da “realidade” para uma boa parte da população.

A “legibilidade” da situação supõe dois planos que se justapõem: um primeiro, em que se verifica uma relação de rivalidade entre a diversidade de narrações/descrições em presença, relação que redunda em concorrência e que acaba com a vitória da narrativa que se mostra mais adequada ou competente para exprimir a realidade extra-discursiva; e um segundo, o mais interessante, em que se observa que essa relação é circular e centrípeta, ou seja, que é a narrativa que configura em grande medida o quadro de inteligibilidade dos acontecimentos, que acaba por ser ela a dizer o que deveremos experimentar e tomar como sendo “a realidade”.

O discurso neoliberal que pontifica no espaço público, e que nos parece por vezes tão chocantemente desfasado da realidade quotidiana vivida pela população, talvez não se deva tanto a uma posição de simples “má-fé” (excluindo, obviamente, os casos manifestos de estratégias de manipulação propagandística), como à circunstância de o seu “regime de verdade” exprimir a actual articulação de forças entre o poder (o bloco político-ideológico maioritário) e o saber (articulado no discurso mediático dominante rendido aos termos do determinismo economicista) e, portanto, desse discurso aparecer munido de códigos de leitura que o fazem olhar e interpretar a “realidade” de uma forma ideologicamente predeterminada, dando a impressão de que tais observadores pensam, exprimem e vivem uma “realidade outra”.

Como notava Nietzsche, uma força vai até onde pode, até onde choca e se debate com outra(s). Onde está então a outra força, as outras forças, que impeçam aquela narrativa de se tornar hegemónica, inescapável?…

Farpas

O Sol desvenda hoje os cromos que fazem (ou faziam) parte da agora tristemente conhecida Loja Mozart. Como já escrevi há pouco tempo, andamos pelos corredores do arrivismo político-empresarial. Gente chegada há pouco à vida e a querer ascender rapidamente através de atalhos.

Do pouco que conheço da Maçonaria mais tradicional e histórica, pelo menos daquela que leva os seus princípios a sério, julgo que se devem sentir envergonhados por darem albergue a esta gente, como outrora foi dado a quem andou em torno da Moderna.

António Arnaut articula de forma clara aquilo que eu penso serem os efectivos princípios maçónicos e que não aprendi a ler O Símbolo Perdido do Dan Brown.

A bem da transparência convém dizer que devo algumas das minhas primeiras publicações em História ao meu ex-professor António Reis, alguém que chegou a grão-mestre do GOL, embora pense que nessa altura não teria sido ainda iniciado em tais lides, assim como orientador da minha tese de mestrado foi o professor Oliveira Marques, assumido maçon, com o qual colaborei numa investigação publicada

Por isso mesmo estou à vontade para dizer que sempre fui por eles tratado de forma exemplar, nunca tendo sido condição para esses trabalhos qualquer ligação minha ao que fosse, até porque nunca me apeteceu, e tive a sorte de não necessitar, de trabalhar em quaisquer obras.

E porque pessoas inteligentes percebem rapidamente quem se anda a colocar a jeito e à espera de.

Poderia dizer o mesmo em relação a pessoas ligadas ao Opus Dei, mas não é isso que está agora em causa.

Dito tudo isto, não posso também deixar de dizer que as bruxas existem mesmo.

 

Sobre a Reforma

Após meia dúzia de anos de serviços dedicados, o meu velho (pelos padrões informáticos) portátil foi declarado em estado comatoso, hoje, pelas 14.35. A placa-mãe está madrasta e, de tantos trabalhos, está meio curto-circuitada. À imagem da natureza humana, ainda pode ter momentos de lucidez mas serão cada vez mais curtos.

Agora é assim: «Qual é a marca das tuas mamas?»

Pst!, se forem destas, mude-as.

Só espero que não sejam muito tementes a Deus..

Nos últimos dias, três meninas de 5, 7 e 9 anos, filhas de uma família carenciada de pais separados, têm sido proibidas de almoçar na escola de Carvalhos de Figueiredo (Tomar) porque têm uma dívida para com a associação de pais.
A mãe, desempregada e sem transporte, não tem alternativa senão dar o almoço às suas filhas na rua, com a ajuda de uma amiga.
O pai das meninas veio hoje de propósito do norte do país para resolver o problema e a polícia foi chamada à escola para dissuadir eventuais conflitos.
Pelo que apurámos, o director do agrupamento de escolas Santa Iria, Paulo Macedo, já deu ordens para que as crianças almoçassem na escola a partir de amanhã, mas a mãe terá de trazer os pratos e os talheres de casa porque a associação de pais recusa-se a prestar o serviço alegando falta de pagamento.
Um caso chocante para o qual tentámos obter mais informação junto do agrupamento de escolas e da associação de pais mas que até ao momento não se mostraram disponíveis.

Um país de albinos.

E viva a sociedade civil!

O ano de 2012 promete mais deste tipo de crueldade estúpida.

… a burrada ainda vai ter mais actos, temos cá produtores de novelas.

[televisão digital a pé]

Por exemplo, que não tem nada a ver, a PT holandesa que veja nos arquivos apagados quantas vezes não conseguiu instalar um telefone em dois anos! Se eu colocasse uma luzinha vermelha - já estava.

Espreitar os títulos da imprensa económica pela manhã.

ao retiro – após vinte e oito léguas de sete de nevoeiro. Já fui espreitar as estrelas e elas aindam lá “estão”, assim como a paz no fluxo da alma.

Invejo-me.

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