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Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

- divagações sobre umbigos...e coisa nenhuma-


umbigo sempre me pareceu desobrigado de funções , tão logo cumpridas as serventias , ligamentosustentos de úteros - crias.
posto lá, meio do caminho , entre peitos e ventres , parada de nada.
pode até servir na hora de adulos,confesso porém, tenho preferências por outras partes, onde melhores gostos, sinto , ao ser tocada.
descubro então que umbigos, podem virar começo , meio, fim...para algumas criaturas.

tudo ali:
- termina
- principia.

gênese e apocalipse.
os umbigantes carregam ouro ( de tolo) no mal- dito,em estufamentos do falso orifício.
por tal, nenhuma intervenção, seja via-alma, seja via-veias , no referido, atua.
pior, criaram anti-corpos ,resistentes a qualquer antídoto, tão grave o estado de umbiguite adquirido.
de sintomas fortes, a olho nu, percebido.
os portadores de umbiguite somatizam também poderites, sentem-se donos de mundo, independente do encurtado de seus solos-miúdos.
nos olhos, carregam pedras de vidro, delíriorgulho.
nas mãos erguem tratados, sem firma, sem testemunhas,escritos de próprio punho.
papéis sem valia.
como seqüelas do mal que padecem, esperam, todos se rendam a seus pés( de barro), feito seguidores e servos.

passo por eles, rezo-me.
se ...nos deparamos frente à frente, por descuido ou acaso, invoco todos os santos, imploro milagres, escolho a melhor oração, nas precauções .
sei lá ...se mal contagioso.
vai que o vírus é de expansão?

levanto cruz, derramo sal, espalho cabeças d' alhos, agarro um galho de comigo ninguém pode...pois que jaz freud.

desperdícios de compaixão, cometo não.

recuo de suas alegorias, inoculando-me por entre pétalas de violetas, páginas de livros, lições de borboletas, salmos de brisas, partes preciosas do meu minifúndio.

que se danem tais umbigos, e seus late- fundos.


divagares por nadas e coisa nenhuma, pois que nem me chamo raimundo.

e...não sei, menos quero saber das palmatórias do mundo.

nanamerij
01/09/2002
**
Nota: blogs da autora nos links

Quarta-feira, 19 de Março de 2008

Pai.../ Ana Merij


Pai...
pegue logo o cavalete, tela virgem, seus pincéis.
devolva minha menina,
que o tempo arrastou sem pedir e não mais sei onde está.

apenas sei que perdi!

trance meus cabelos em cachos, madrigado nos trigais.

risque olhos de esperança, catada nos capinzais.

busque nas rosas vermelhas o colorido das faces, deixado em nossos quintais.

a cambraia de meu vestido brilhando na goma caseira, o meu jeito pequenino, de andar meigo e faceiro.

tire pai..desta palheta!

com leve toque de marta, pinçado em fibras mágicas, apague estas todas marcas, desmanche esta cor tristeza, seque o cinza destas lágrimas.

pinte um sorriso branco, que ecoe em cada canto.

tire pai...o meu quebranto!

faça um bouquet de gerânios , colhido em nossos jardins,farto de todos os tons...derramados sobre mim

quero de fundo a varanda, aonde as histórias chegavam junto com o entardecer, braçadas de buganvília florando na cerca viva, feito rameira atrevida...que dava gosto de ver

pinte ,
risos ...
cantorias
cobra-cega ...
passa anel
folguedos de pique esconde
com matizes do arco-íris...despontando lá nos montes

porque tinta há de sobrar...pinte sua mão na minha, benza com reza e magia...que é pra nunca mais soltar!


nanamerij
encontrado no blog da autora aqui

Terça-feira, 27 de Novembro de 2007

Ana Merij

- morro todos os dias -

O dia de morrer vive aberto dentro de mim.
Copio das rosas a resignação
Com as hortênsias ensaio tons de roxo que tecerão minha manta
Busco nas árvores a dignidade dos fortes quando tombam
Na alvura dos lírios recolho o branco que há de cobrir minhas faces
Ouço sabiás para escolher a melodia dos prantos
Leio os gemidos das matas agonizando em chamas
Cato semelhanças!
Quero morrer...
com a serenidade de um gerânio...
com a leveza de uma avenca...
com a elegância de um outono...
Apenas um dó ...bemol !
Sem sustos
Sem espantos
Sem escândalos
Quero cerrar as pálpebras com o apaziguamento contido de uma dorme- maria.
Por isto...treino mortes todos os dias!




Ana Merij

Dom, 2 de Set de 2001 11:35 pm
Nota: estou certa que nNana não se importa: dedico este postal a Alberto Ribeiro, o amigo da Austrália.

Terça-feira, 17 de Julho de 2007