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Domingo, 26 de Outubro de 2008

A muller dormida

Foto de Nelson Silva


emerxo serea da verticalidade
na que me atesouras.
.
mergullada na inmensidade
do gris, alónxaste de min,
.
trémenme as pernas cando
sinto teu alento entre elas,
oscilo lambela no ferro de teu corpo erecto.
somos cerámicas en composición asimétrica,
un ángulo imposible no que trasladarnos.
mollásme coa latitude esforzada:
meus beizos, túa lingua.
meus ollos, túa nostalxia.
meus agarimos, túa roupa.
tumbarme en ti desexo,
caer escama a escama en teu corpo arácnido e tecernos baixo unha rede de escuma,
mostrar meus peitos de musa entre túas maus de xeo rompendo a aritmética dos sentidos

Eva Doroxo AQUI

Tradução para o português de Alberto Agusto Miranda daqui


mergulhada na imensidade do gris, afastas-te de mim,
tremem-me as pernas quando sinto o teu alento entre elas,
oscilo lâmpada no ferro do teu corpo erecto.
somos cerâmicas em composição assimétrica,
um ângulo impossível para a trasladação.
molhas-me com latitude esforçada:
meus lábios, a tua língua.
meus olhos, a tua nostalgia.
meus carinhos, a túa roupa.
Acampar em ti desejo,
cair escama a escama no teu corpo aracnídeo e tecer-nos sob uma rede de espuma,
mostrar os meus peitos de musa entre as tuas mãos de gelo rompendo a aritmética dos sentidos.