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Sexta-feira, 25 de Julho de 2008

A Roda da Fortuna

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades
. "
Luís de Camões
Não me deixar iludir pela aparente estabilidade das coisas, porque a natureza da vida é a impermanência, a temporalidade. Todas as coisas passam, mudam. O que estava no alto cai e o que estava em baixo, ascende.
Não me deixar levar pelas flutuações da existência,
não deixar que o meu humor flutue e fique à mercê dos acontecimentos.
Manter-me no centro, observando as coisas que acontecem com um maior distanciamento.
Fazendo isso, saberei aproveitar melhor as oportunidades que virão
e saberei distanciar-me dos eventuais azares que teimam ameaçar-me.

Domingo, 13 de Janeiro de 2008

A Lua


A Voz do Arcano XVIII


"A realidade é invertida no reflexo.
A verdade, torna-se ilusão.

O que vês, é uma simulação da vida e não a própria vida.
De tanto sonhar, estás entorpecido.
Este mundo é a imaginação de Deus
e não existe senão dentro d'Ele.
Porque te preocupas e te deprimes?
Porque te afogas nas águas da emoção e da melancolia?
Consola-te e reage!

Afinal, nada disto está acontecendo.

Tu não és; eu não sou."

O que se vê:
- o tanque de água (matéria primordial)
- o caranguejo que emerge (devorador do transitório, como o escaravelho entre os egípcios)
- os cães que interceptam a passagem (guardiães, qualificadores da aptidão do viajante para enfrentar o mistério), as torres no horizonte (cheias de ciladas e também de portas – meta, fronteira).
Cirlot imagina que os cães impedem a passagem da Lua para o domínio do logos (conhecimento solar) e comenta a descrição de Wirth sobre
o que não se vê na gravura:
........
“Atrás dessas torres há uma estepe e atrás um bosque (a floresta das lendas e contos folclóricos), cheio de fantasmas. Depois há uma montanha e um precipício que termina num curso de água purificadora. Essa rota parece corresponder à descrita pelos xamãs em suas viagens extáticas."

O que parece evidente é que o Arcano XVIII está mais relacionado que qualquer outro com o plano iniciático da via húmida (lunar). É por isto que Wirth o relaciona à intuição e ao imaginativo, ainda que entre suas interpretações mais recorrentes figure a sensualidade. A aproximação do Arcano XVIII com o vasto simbolismo lunar seria interminável, desde a sua relação com o ciclo fisiológico feminino até o panteão das divindades noturnas, passando por suas implicações cósmicas, mágicas e astrológicas.