É preciso chorar

the magical tree, originally uploaded by hkvam.

 

é preciso chorar

para Deus sentir
e o homem amar!

 

inspirado em Dois Rios

Trialidade

Blue Flame, originally uploaded by Jabba1966.

 

em AMOR,
o nós é fundido pelo eu / tu.

aqui nasce a trindade da coexistência que para ser Una,
deve respeitar a individualidade na Trialidade.

o amor é uma singularidade triangular.

e decorrente da existência individual,
o nós também se alimenta dos espantos da vida.

Multiverse path


the cosmic intruder., originally uploaded by shaman..
 

the absence of questions wrest the path.
and slowly faints the link with the integral origin.
nothing evolves without learning, without the intrinsic doubts to the premises.
only the observation of the continuum guarantees the union to the universe in being.
we will be! if we respect and understand what we were.

but what we were must be felt, because what is told to us isn’t exempt.

even for love man lies.

Dádiva


Mosvannet, originally uploaded by sqbbe.

 

no antever do sentimento
expressa-se a voz do coração.

e a harmonia no silêncio do Criador,
atinge-se na atitude que se oferece.

Cartas frente ao Mar (XII)

Minha Querida,

Talvez seja devido às brisas oceânicas que me envolvem que me sinto mais amado.

O verde das paisagens - tão intensamente choradas - abertas à varanda chegou até mim. Assim como a pura crina branca que galopava livre, adornando o dorso das montanhas nas manhãs em Sol breve, no Inverno.

Há lembranças que passam a ser nossas!

Entrego-me aos sons do silêncio para ser no sentir das suas palavras, pois são palavras que adoçam a distância suavizando a saudade.
E o meu olhar regressa ao mar por saber que o querer vive para lá do horizonte.

Houve um renascer nas águas que fazem este universo que nos banha.
No jardim das constelações, deu-se o milagre duma nova energia, duma nova vida.

Sinto uma nova flor de diamante na noite. E é durante o manto denso que venho sentir o horizonte das águas.
Em breves instantes, sonhados, é certo, crepitam milhões de faúlhas prateadas.
Presentes do luar! Embevecidos com a singularidade a que se assiste: a união entre as águas e o céu, onde as mais imaculadas estrelas cadentes descaem em desejo.

Nesse horizonte, também eu me rendo ao Amor. E pergunto, esperançoso: Posso ser luz em seu corpo?

Querida, há lembranças que deixam de estar sós! E amanhãs que virão.
Eu? Sonho com um amanhã unido a, e em, ti.

Até lá, todos os dias, a tua recordação renasce no meu coração.

Um beijo terno, doce alma

V.

Sentimento(s)

 

talvez as palavras assumam sentidos que não pretendíamos
e lágrimas vertam do destino pensado.

talvez hajam momentos tristes que fazem as palavras pesadas
e o arquejar do corpo irrompa pleno.

talvez as esferas celestes estejam partidas.
talvez a vontade seja falaz.

talvez.

mas as palavras nunca serão apenas símbolos.

são o veludo,
onde se expressa a Voz do coração!

Calendário


Tempo…fermo, originally uploaded by mareluna_99.
 

marca-se o tempo da existência
na existência em tempo.

mas o tempo tem uma existência
diferente da existência no tempo.

do Tempo brotam os tempos em vida,
da Existência surgem as existências em Ser.

Tempo?
Existência?
águas no mesmo lago de luz.

e, no fluir do In-finito, tudo é passagem!

talvez seja mais um tempo para a consciência intemporal?

talvez seja aniversário?

 

Pela Voz do MultiVerso


A monad – Geo – モナド, originally uploaded by sanchezdot.

a ausência de perguntas desvirtua o caminho.
e esmaece, lentamente, o elo com a origem integral.
nada evolui sem aprendizagem, sem as dúvidas intrínsecas às premissas.
só a observação ao contínuo garante a união ao universo em ser.
e seremos! se respeitarmos e compreendermos o que fomos.

mas o que fomos deve ser sentido, pois o que nos é dito não é isento.

até por amor o homem mente.

Cartas frente ao mar (XI)

Minha Querida,

avizinham-se novos tempos.

Há um distanciamento nas auras singulares que revela a partida do horizonte.
Apesar da luz que as conforta, as águas estão diferentes.

Sempre soube que existem luzes intemporais que se reencontram no temporário que faz as diferentes vidas, voluntariamente experimentadas.
É precisamente o Ser na entidade cósmica da Luz que nos impele a seguir.

Já o afirmei antes, reafirmo-o aqui: é nos reencontros que mais vibro.
Não tenho qualquer dúvida que é a (re)iniciação temporal que leva ao assumir na consciência universal. Não há plenitude sem aprendizagens nos tempos.

Nem todos temos os mesmos instantes de partida, mas mantemos o elo que nos faz no contínuo.
Haverá sempre cristalinos que nos levem a este mar e ventos que multipliquem os beijos aqui trocados.

Contemplo abóbada celeste do meu coração.
Os diamantes azuis que aí pulsam jamais deixarão que seja lembrança.
Será sempre essência viva em mim.

Despeço-me destas águas sem momentos de tristeza, pois o meu eu é gratidão.
Mas deixo este desejo:
Aceite as carícias da brisa!

Aguardo-a em novos mares azuis celestes, onde os cânticos do silêncio chamam.

Um beijo terno, doce alma

V.

MultiVerso

 

volto à origem primordial,
onde o verbo é expressão intemporal.

o coração é o maior universo que conheço!

 

 

retorno


Earth Energy, originally uploaded by Auntie K.

deixamos de ouvir o silêncio do cosmos
e as cordas de luz do tempo.

há demasiadas interferências no homem!

 

In-finito

 

é nas marés altas,
em azul denso,
que flutuam sois prateados.

nessas vestes,
pintam-se os sonhos e os desejos.

no índigo primordial!

 

Pela Voz do multiVerso

 

foi-me dito em sonhos:

sê coerente contigo mesmo e luta pelas coisas que desejas,
sempre dentro da verdade e no respeito pelos outros.
segue esse caminho e o mundo abrir-se-á para ti.

não queiras ser mais, mas melhor!
primeiro interiormente.
depois, pelo possibilitar aos outros.

foi-me dito em sonhos,
pela Voz do multiVerso!

 

Colar de Pérolas

Fractal Universe (Rodd1h_2048b), originally uploaded by roddh.

 

procuro lágrimas a oriente.
em campos turquesas!

e envio-tas nas correntes dos mares do universo azul.

ser-te-ão colocadas,
como um sussurro de estrelas ténues,
pelas águas suspensas nos céus da saudade.

 

Cartas frente ao Mar (X)

Minha Querida,

Senti o chamar das águas e vim até à foz da saudade.

Está um belo dia de Inverno. Pleno em temperaturas delicadas e em suaves brisas que nos trazem os afagos dos sonhos.
É como tal que sou fluência cósmica, ondulando entre auras harmoniosas e envolto em abraços de luz solar.

Fecho os olhos e entrego-me à meditação do divino.
A entidade universal chama-me. Quer comungar comigo!
Como senhor do tempo, não me é difícil evocar as eras, e recordo o indizível que somos.
Todos somos parte nos átomos do nós, do MULTI-VERSO.

É-me lembrado algo que já lhe disse: “O português é a expressão litúrgica do cosmos”.
É assim que sei que o amor que nos une ao Verbo é crescente. E que também está ao alcance de qualquer pessoa.

Por isso escrevo.
Não apenas para permitir a pronunciação da melodia distinta que é a nossa língua, como também para contribuir para a expansão deste amor.
É pela expressão do verbo que revivemos o Verbo original.

Percebe agora porque é o mar que liga os mundos?
Percebe agora o significado destas cartas?

“O princípio criador do Todo é a desigualdade.
Eis porque nenhuma vida é igual! Eis porque qualquer uma é especial!”

Percebe porque insisto nesta verdade?

“e o amor é o elo vital que nos une no respeito por outras vidas.
e o amor que temos por algumas é superior.”

Escrevi isto nos Diálogos. Em breve também serão intermitências da consciência.
Aguarde, por favor.

Um beijo terno, doce alma

V.

XXXIV

viajo sem me mover!

 

na imensidade do azul intemporal.

onde sou!

 

na luz do teu rubi.

III


Blue Diamonds, originally uploaded by Wenspics.

Fontes de inspiração,
nascentes de palavras iluminadas.

Reticências humanas,
constantes no fado de ser.

Partículas do nosso tempo,
num tempo simplesmente maior.

Mas eis o que permanece:

flores de luz plantadas,
ao longo da jornada,
unicamente cuidadas nas lágrimas do coração

Um dia

Se,
um dia,
o destino me quiser,
não me deixes ficar sem ser.
Deixa-me partir.

Não penses na possibilidade,
porque tu foste a minha possibilidade.

E eu levar-te-ei,
intacta,
para a eternidade.

V

ser? nós realmente só somos do tempo.

 

quando os tempos se cruzam,

sabemo-nos,

 

simples traços de luz,

reflexos crescentes,

verbos resplandecentes.

 

singularidades!

 

e unos,

ou nexo de nada e existência,

unicidade de coração.

 

 

 

a minha escrita é neste tempo!

Cartas frente ao Mar (IX)

Minha Querida,

Vim até ao Mar. Brevemente, mas vim. Até si!

Não disse uma única palavra. Apenas a senti em silêncio.
E beijei-a, terna e apaixonadamente, aconchegado na lembrança.

O meu peito rebenta em emoção. Anseia pela sua voz, por essa sua suave expressão, que me estremece completamente.
Transbordo em sentir por saber o que pulsa incontrolável dentro de mim. Tenho tanto medo de a perder! Por isso, agarro-me à esperança.

É assim que de novo vejo o Mar. No mesmo lugar de ontem.

Hoje, as águas estão amenas e a luz é outra.
O instante da origem ocorreu e fui recriado. Foi um tsunami que me varreu!
Não foram apenas as águas que me preencheram. A sua voz abalou-me.
Há uma menina do Mar em si. Que voz doce e meiga! Nunca tinha ouvido uma sereia!

Ainda estou envolvido nas palavras incorporadas em silêncio.
Tudo ou nada? Respondi tudo. Recebi, nada.
Como desejava essa resposta!
Só se alcança o todo se este for formado pelo tudo e pelo nada.

Sabe, o amor tem que ser intenso e permanentemente rasgado por instantes de paixão!
E por si, sou arrebatado sem resistência. Em coerência com o sentir, pois não sei ser de outra maneira.

Se não me quiser, serei lágrimas desgarradas. E todas elas a amarão.
Mas continuarei a ser! Mesmo em cristalinos, que entregarei ao correr dos tempos como flores de luz azul que nos guiarão ao reencontro eterno.
Que inevitavelmente acontecerá!

Sei-o porque sou Multiverso. Dele criador e nele autor do tempo.
Mas acima de tudo, aqui, neste instante gerador de futuro, sou esperança.
E amor. Em azul!

Novos mares nascem, mas nós permaneceremos e criaremos em Luz.
Não pense. Sinta-o!

Um beijo terno, doce alma

V.

Harmonia

Blue Water Droplets, originally uploaded by Jacob Y.

 

ouvia,
enlevado,
a melodia divina

- que apenas é possível nas cordas da Harpa imemorial -

quando te reconheci ser
existência que já foi nossa.

dez mil eons aconteceram,
outras circunstâncias nasceram.

mas o Verbo é expressão da essência que nos faz,
que nenhuma distancia supera.

as palavras reúnem-nos.

somos uno plural!
vida em vidas
entregues ao reencontro eterno.

e no canto da brisa nocturna,
que passa por mim, serena,
pergunto:

amor?

e beijo-te,
integralmente.

Cartas frente ao Mar (VIII)

Minha Querida,

 

Chove abertamente!

Estou aqui, na orla do desejo, a olhar para o profundo e para o alcance do véu lúgubre que abraça os ambientes informes, já rendidos ao seu estranho ardor.

 

No horizonte há luz que não se vê!

Como se a génese da criação fosse de novo ocorrer.

Assim, nesta tarde escura de Inverno, sou banhado na junção das águas distintas, no diálogo dos elementos translúcidos. Completamente trespassado pela lembrança da sua voz!

Mas vim aqui porque senti o chamar. Abrigo? Só no calor do coração. E como o desejo.

 

Relâmpagos acontecem em mim, e relembro palavras anteriores.

Não somos o que já fomos. A lei da evolução assim o pede. E é de livre vontade que ao pedido dela acedemos.

Embora reconheça o seu início, o sua actual luz já não é a mesma. É outra. Mais vibrante, mais pulsante. E assim deve ser, pois todos os nossos fragmentos completam a vivencia das diferentes eras.

O reconhecimento, que ocorre nos reencontros, é o ímpeto do desenvolvimento. Sem este impulso não haverá futuro. Não concorda? Não quer o reconhecimento ou o futuro?

 

Como querendo algo, as luzes da natureza despertam-me para outras recordações.

Quanto já nos integramos em tão pouco tempo? É isso assim tão estranho? Será acaso? Ou a manifestação da singularidade em desígnios superiores? Não nos procurámos?

Como tal, não se trata de dependência, mas sim de convivência. De entrega. De querer. E até de amor. Porque não?

Poderá, para além dos receios, haver arrependimento? Mas o seu sentir é genuíno. E …

 

Desculpe-me não continuar. Estou triste! Há algum problema em afirmá-lo? Nunca tive medo de mostrar o que sentia, porque haveria de começar agora? Seria até irónico que tal acontecesse depois de assumir a prevalência do meu Eu sensorial. Mas a verdade é que o Eu racional começa a manifestar-se. Provavelmente serão defesas. O usar de instrumentos analíticos para suavizar o impacto do que prevejo aproximar-se. Talvez?

 

Também por isso, e já não me restam dúvidas, estou profundamente triste. Tanto que não consigo impedir cristalinos salgados. Seja! Também estes momentos nos fazem e preenchem!

 

Contudo,  tenho tanto para lhe dizer. E no entanto, nas ondas revoltas do meu mar interior, estas – JAMAIS A ESQUECEREI! Quanta ternura há no seu nome? – subjugam todas as outras.

 

Agradeço o seu cuidado e carinho, que sinto integralmente, mas não se preocupe. Remeto-me ao silêncio do amor que existe na minha amizade. Sincera! Plena! Mas sem jamais ser imposta.

 

E não tenha medo ou dúvidas porque sempre escreverei frente ao Mar. São a expressão do meu coração.

Pergunto-me se chegam ao seu? Como gostaria de saber.

 

Mas talvez não precise de mim? Não importa! Estarei sempre em esperança. Para de novo ouvir a sua voz. Perguntará pelos impulsos?

Um beijo terno, doce alma

 

V.

Quis

ser asas em noite azul
ou beijo desprendido ao acaso

e não mais esquecer.

em Azul

Azul (3), originally uploaded by ancama_99(toni).

 

uma pena solta.
um ramo suspenso.
uma página aberta ao futuro.

Deusa do jardim das safiras,
levitas no lago etéreo do desejo,
na amalgama das eras,
entre as encostas de meu peito
e mares em índigos sonhados.

floresce uma rosa, qual semente no coração.

marcas do tempo subsistem,

mas o Verbo da criação
é o livro azul da origem,

onde somos In-finito!

Carta na expressão do Sentir

Minha querida,

Foi o verbo que nos aproximou.
Ambos expressamos a mesma frequência na pauta cósmica. Ambos o identificamos. Ambos o sentimos!

Então, vale a pena negar a atracção? Vale a pena impedir que as nossas linhas se entrancem?

Tudo na vida deve ser agradecido. E o que é de bom ainda mais!
Quantas coisas iludem a explicação? Porém, acontecem. Mais, sentem-se!

Por isso, não penses no que virá mas no que é.
Não te esqueças que só poderemos lidar com o que acontecerá se reconhecermos o que existe.

E se o amor florescer, abracemo-lo juntos.
É sinal que o que há era puro! É sinal que o elo se estreitou! É sinal que nos queremos!
Apesar da distância, das águas, das circunstâncias.
Assim, quando as saudades – e a tristeza nelas originada – vierem, aceitemo-las também.
Só aí sentiremos os nossos espíritos em uno e quanto nos amamos.
E seremos criadores do tempo. Nunca mais sozinhos ou transviados, mas entregues ao bater do coração, no embalo do sentimento que nos faz e preenche.

Sabes, já tenho saudades tuas. Mesmo enquanto escrevo estas linhas! No entanto, não há tristeza no meu peito, que se enche com a tua lembrança, por se sentir correspondido. Integralmente!
Vês, até na tristeza há amor.

O querer conduzir-nos-á ao encontro!

Até lá, aceita os meus sopros. Breves, mas intensos!
Verás que se tornarão ventos refrescantes no calor do teu coração. Autênticas ondas em paixão nesse teu universo, onde sou passado, presente e futuro.

Sabes, escrevo Amor, expresso Saudades.
Com todo o meu Sentir!

Sempre,
V.

Símbolos

 

as nuvens são hieróglifos magnéticos
suspensos no tempo azul.

É em sânscrito que se escrevem as enseadas!


Blue Clouds, originally uploaded by Philippe Sainte-Laudy.

Carta nas lágrimas do Tempo

Minha Querida,

Sempre vivi o presente. Intensamente. Sem olhar para o amanhã!

Faço-o porque a vida é uma dádiva que deve ser sentida. Porque só se vive o presente. E porque esse viver deve ser calmo. Dessa maneira, para além de se saborear tamanha bênção, ainda há tempo para agradecer o milagre da existência.

Acredita, pois, que para viver intensamente não é preciso andar a correr. Quem to diz é uno com o movimento. Sabe, naturalmente, o quão difícil é consegui-lo. Assim, vivamos o presente e aceitemos o que o futuro nos trará.

Ora, isto não quer dizer que não se possa sonhar!
Pelo contrário, eu necessito que sonhes! Necessito que continues a chamar por mim. Necessito de sentir que as chamas deste fogo que nos faz são intemporais e reais.

As ondas da tua paixão atingiram-me violentamente. Em todos os meus tempos. Só agora começo a fundir-me em tal universo de emoção, só agora toda a minha linha se acalma. Assumo a dimensão da minha ligação a ti e percebo o quão antiga é a nossa história. Ou histórias?

Mas o querer é muito e perguntas quantas distâncias nos fazem?
Parecem imensas. E, com os oceanos que nos separam, intransponíveis!

Reflicto na exiguidade que sou no MULTIVERSO. Sei que não serei o mesmo depois de ti. Assim, humildemente, agradeço sentir-te existência e, mais ainda, o sermos no mesmo plano existencial.

E liberto-te! Consciente que o amor que te tenho deve ser independente. Consciente que não és um cometa, mas uma estrela e que a tua luz e o teu calor estarão sempre comigo.

Mas também pergunto: quantas distâncias realmente nos fazem?
Só uma! Eu sei que faz grande diferença e que dói muito. Mas, e antes? Não foi a própria ausência um obstáculo? Não foi o tempo separação? E hoje, ainda o são?

O que nos levou ao mesmo ponto no tempo, fê-lo por alguma razão. Há desígnios maiores do que nós. Confiemos no que o MULTIVERSO pretende e entreguemo-nos, sem reservas, ao seu abraço.

Por isso, desculpa-me se me agarro às lágrimas do tempo. É nessa água – fonte da esperança – que te envio o coração. Porque acredito e anseio pelo consumar em ti!
Desculpa-me, sou, integralmente, emoção!

Sempre,
V.

Ínsulas

duas ilhas,
dois corpos …

duas distintas entidades.

um grão de tempo,
uma união inteira …

uma lua em saudades.

duas lágrimas,
um pleno em coração …

Carta aos afagos do Vento

Minha Querida,

Encurvo-me perante o silêncio do mar.

Olho para o horizonte e entrego-me à linha do destino.
Por vezes, a geografia é uma esquina escondida. Pensei que desta não o fosse.
Mas a distancia existe. Eu, aqui! Tu, aí!
Talvez um dia nos seja favorável. Talvez?

Penso nas tuas palavras. Permanentemente!

Dizes que há demasiado sentir nas minhas linhas.
É natural! Faço amor com as palavras. É por elas que expresso o meu desejo e o meu querer.
Faço-o com toda a plenitude da minha livre vontade. Faço-o porque me sinto correspondido.

Não posso ansiar pelo teu abraço? Ou por descansar no teu peito?
Nem vale a pena dizer que não porque não o consigo impedir.
Sim. Eu sei que as circunstâncias são distintas. Mas sê-lo-ão para sempre? E mesmo que assim aconteça quer isso dizer que não sentimos o que sentimos? Quer isso dizer que os momentos que temos não foram intensamente sentidos?

Ah! Há alturas em que apenas nós somos. Tudo o resto jorra da nossa origem!

Contudo, também há, realmente, a possibilidade de abrandar.
Se te for necessário, jamais imporei a minha vontade. Mas as cores não voltarão a ser as mesmas nem nós voltaremos a ser iguais.
O que nos faz, toca-nos profundamente. Tanto que abala as colunas da existência pelo reconhecimento do que já houve. É o antigo que chama por nós! E eu ouço esse canto.

Falaste-me em lágrimas no chão. Recordas?
Respondi-te que as tuas lágrimas tinham era caído no meu coração, onde as tinha recebido e guardado por serem manifestações do teu amor. Recordas?

Pois as tuas lágrimas já são um oceano de sentir no meu coração. E o tempo fará delas um universo. Porque eu vou ama-las e acarinha-las. Porque nelas também quero ser.
Só assim criaremos o, e no, MULTIVERSO.

Encurvo-me perante o silêncio do mar.
Venho aqui à procura dos afagos do vento. É por eles que sinto os teus beijos.

E peço-lhes, humildemente, que levem os meus até ti.

Sempre,
V.

Tons de Azul

Ol’ Blue Eyes, originally uploaded by vgm8383.

quantos malmequeres flutuam no vão do desejo?
quantas amarras suspensas no tempo?

são nostalgias do futuro que te preenchem.

mas sabes-te perdido nos tons de azul …

Acontece Poesia

Acontece poesia em ti
sempre que olhas,
afirmando uma vida pulsante,
magnífica
como
o cintilar das Estrelas no céu,
o resplendor brilhante do Sol
nos teus doces
e meigos olhos.

Acontece poesia em ti
sempre que ris,
criando umas curvas no rosto
sensuais
como
os campos de searas ao vento,
as ondas nas águas de um lago
ao sabor da quente
e harmoniosa aragem do Verão.

Acontece poesia em ti
sempre que andas,
alimentando o nascer de sentimentos
sinceros
como
o delicado desabrochar de uma flor,
o despontar do amanhecer da vida
no enternecido ser
do meu coração.

Assim,
quando
eternamente te penso,
te sinto,
te vivo,
por fim
acontece também
poesia em mim.

Um conto para a minha filha

Ana e os Sóis Interiores

Deixei a vida de escravo para ir trabalhar para o campo.

Foi uma decisão tomada num impulso momentâneo. Que surpreendeu toda a gente! Era um dos que tinham capacidade produtiva, sendo, por isso, considerado valioso. Isto apesar de sempre ter sido sonhador. Apenas a minha mulher me apoiou.
         
Mas os sonhos concretizam-se quando a semente germina. E o futuro vinha aí. Uma filha aproximava-se!
         
Alguns amigos, bastante curiosos, perguntavam-me:
- Que vais fazer para o campo? Nada percebes de agricultura.          

E eu sempre respondia:
- Vou plantar dentes-de-leão azuis! Vou crescer vida! Vou ser feliz!
- Dentes-de-leão azuis!? – Retorquiam – Mas estás doido? Isso não existe! Ao menos, planta algo que te dê pão.

Mas eu não ouvi. Limitei-me a persistir.

Foi num pequeno planalto, protegido pelos braços dos montes e que logo pela manhã era acarinhado pelos raios de luz, que decidimos semear os nossos sonhos. E instalamo-nos numa pequena casinha de madeira.

Passados uns meses, as cegonhas cor-de-rosa chegaram. A Ana nasceu e a nossa família cresceu. Para agradecer a bênção recebida, plantamos uma romãzeira ao lado da casa. Aí, mais tarde, colocar-se-ia um baloiço para a nossa filha voar.

A chegada da Ana renovou a nossa esperança e reforçou o carinho com que tratávamos a terra.

A nossa filha foi crescendo e amava a terra. Tinha uma ligação especial com a romãzeira, que tratava por irmã. Deliciava-se com as nossas histórias e vibrava com os dentes-de-leão azuis.

Mas o tempo foi passando e nada de dentes-de-leão. Muito menos azuis.

Avizinhavam-se novas mudanças e decisões eram necessárias. Numa noite, após o jantar, disse à minha mulher:
- Querida, a nossa filha vai para a escola e necessitará de mais apoio e de material escolar. Até hoje mantivemos o terreno dos dentes-de-leão livre, mas se calhar chegou a hora de isso mudar. Que achas?

A Ana, que ouvia a conversa, agarrou-nos as mãos e, levando-nos até ao campo vazio, disse:
- Pai, Mãe, não desistam. Aqui haverá sóis interiores! – e libertou, sobre o lugar dos nossos sonhos, as lágrimas que tinha no rosto.

Comovidos, pegamos na nossa filha e, sem nada dizer, confortamo-la no nosso abraço e, fomos dormir.

Talvez fosse mero acaso, talvez fosse pelas lágrimas. Mas, no dia seguinte, os dentes-de-leão floriram azuis.

Ah! Eram qualquer coisa de fantástico. De noite, faziam a aurora sorrir. De dia, entoavam as melodias do vento.

Tinham características especiais. Pois nascidos do amor, quando colhidos com ternura, libertavam o pólen da luz e o calor da renovação. Eram, tal como a Ana havia dito, autênticos sóis interiores.

Em pouco tempo, éramos notícia internacional. E eram tantas, as pessoas que os queriam ver e comprar.
No entanto, a Ana dizia:
- Não são para vender. São para oferecer aos que necessitam de sonhos.

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

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Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Fazes-me Ser

Fazes-me ser
no ser irreal do real.

Fazes-me sentir
a chama de ser no existir do ser.

Fazes-me ser
inteiro em vez de ser inanimado e solto.

E fazes-me sentir
ser o ser de alguém.

É luminoso,
ser simplesmente o ser de alguém!

Cartas frente ao Mar (VII)

Minha Querida,

Não sei que lhe dizer. Não pelo motivo aparente, mas por já o pressentir.

Sim, já o sabia. Só não distinguia a origem. Se a mente, se o coração.
Independentemente, não deixo de me banhar as águas desconsoladas.

“Nada é igual ao inicio. Tudo evolui!”. Recorda-se destas palavras?

Toda a Vida se renova! Toda a Alma se transfigura!
O que vier, será bem recebido, pois toda a existência é uma dádiva de desígnios maiores que nós. E os descansos são necessários, pois até a essência reflecte para se purificar.

Pode não regressar ao mesmo tempo humano, mas continuará a ser no tempo do divino. Afinal, todos somos fragmentos presentes no tempo maior.

É precisamente neste sentir que a minha esperança se reanima. E de todos os tipos de memória que existem, a sua, em mim, será sempre viva e livre no universo do meu coração.
Assim, tenho esta certeza. Jamais permanecerá no jardim do esquecimento.

Eis uma das colunas do meu âmago:
É o tempo que nos une.
E o reencontro dar-se-á na Luz da Criação, em comunhão com o Divino.

Por isso, afirmo-lhe que continuarei a escrever em frente ao mar, cuja essência, enleva o espírito ao cósmico. É nas lágrimas dessa água, as translúcidas gotas de sangue do universo, que as minhas cartas seguirão.

E nunca se esqueça que é nos reencontros que mais vibro.

Um beijo terno, doce alma.

V.

Despontar Azul


I love blue!, originally uploaded by Philippe Sainte-Laudy.

Ah! os insondáveis mistérios dos sentidos.

quantas percepções diferentes?
quantos quereres ausentes?
e rasgos no pulsar?

mas a aurora nunca falha.

XXX

o todo que te faz é imperfeito.

ténue fragmento,
o espelho humano do divino.

eu? contigo?
completo a alma cósmica.

apenas o tempo nos aguarda.

Blue Ridge Mountain Moon, originally uploaded by SpringChick.

 

Carta na aura da Lua

Minha Querida,

Vim aqui na esperança de a encontrar.
Precisava de sentir a sua aragem para me libertar.

Cada um de nós cria os seus mecanismos para lidar com os sentimentos com que interagimos no correr das horas.
A mim, como sabe, é-me difícil aguardar sem falar. Não gosto de ficar com as coisas cá dentro. Gosto de as expressar. Não apenas para me aliviar, mas também para poder prosseguir.

Dantes pensava que era apenas para me permitir uma reflexão intelectual aos dados sentidos. E, até um determinado ponto existencial, assim foi. Não há dúvida que a minha parte racional é poderosa. A lógica sempre foi um dos alicerces do meu ser. E eu até tenho um certo orgulho nisso. Mas o meu eu não era pleno. E recentemente comecei a privilegiar o sentir e o pensamento sentido.

Mas nunca pensei que as minhas palavras pudessem ser razão.

É por isso que me desprendo da mudez.
Porque amo o verbo!
Porque amo os cometas que soltamos no imenso!
Porque amo o ser que nos une!

Tendo dito isto, é no mais profundo respeito pelo seu ser que espero o tempo do diálogo.

No entanto, aguardo tranquilo. Sereno até!
Já não me sinto forçado ao silêncio. Antes pelo contrario.
Atrevo-me a dizer-lhe que sou na melodia que emerge entre as cordas da Harpa do Cosmos.

Mas preferia continuar a ser harmonia consigo!

Agradeço a intensidade da sua Luz e deixo-lhe os meus mais simples afagos,

V.

Cartas frente ao Mar (VI)

Minha Querida,

Porque não somos alheios, nem devemos ser distantes, ao todo que nos rodeia, não deixo de perceber várias influências no seu expressar. Externas. E algumas bastante indirectas!
Num Ser de tamanha sensibilidade, não é de admirar. Nem é de espantar que a sua dimensão se amplie.

Portanto, sinto que estou perante um daqueles momentos em que só devo ouvir. E é certo que outros iguais virão.

Assim, é de livre vontade que me remeto ao silêncio. É nele que acolho os seus sentires – independentemente da natureza – tristes, inseguros, esperançosos. É nele que os reconforto. É nele que me transfiguro em melodia.

Como tal, aceite estas breves pautas de verbos silenciosos. Ambos já lá somos!

Apenas uma nota final.
Não pense que me será difícil imaginar “um feminino sem eu”. Antes pelo contrário. É-me perfeitamente natural.

Não há eu. Há nós! O eu é, quando muito, a totalidade dos átomos do Universo. A dimensão dessa entidade é de tal ordem que dificilmente é percebível. E como é algo que escapa à escala da compreensão humana, igualmente não é perceptível. No entanto, é. Existe!

Volto a referir o seguinte: o Universo são átomos e não um átomo.
“Nós” é o termo adequado porque a essência é plural.
Para mim – e sabe que a designo como tal – o nome dessa entidade é: MULTI-VERSO.

Um beijo terno, doce alma.

Até breve,

V.

Sóis Interiores

árvores de luz do futuro
iluminaram a via do grande plantador.

o Palácio das Águas leves ainda é
o enigma do vento.

almas brancas,
nuvens soltas.

dandelion blue, originally uploaded by Emily Quinton.

Refugio

enseadas azuis,
areias douradas.

esmeraldas ainda mais verdes.

tomo abrigo no teu corpo.
para nas correntes de luz repousar.

Cartas frente ao Mar (V)

Minha Querida,

As suas palavras são minhas, embora expressas doutra maneira.
Ainda bem! Assim, as minhas também são suas.

Metafísica! Consciência! Dialéctica! Reconhecimento! Ser!
Temas onde somos plenitude. Temas onde ainda seremos muito mais.

Quando nos percebemos num determinado nível de consciência, nenhuma história é representativa num, nem por um, único período. Vários tempos são necessários. Porque, como já referi, não há tempo à escala humana.

Entendo perfeitamente!
O ser que fazemos, permite-nos ver o fogo que arde na chama invisível do Ser supremo.
E virá a altura em que também seremos a flama azul do intemporal. Completamente dispensados da forma humana, mas à qual poderemos sempre retornar.
Lembre-se, nada é sem o livre arbítrio.
Se calhar já o fizemos? Quantas vezes não sei.
Apenas reconheço a sua energia ou, se preferir, a sua luz.

Por isso, vá em paz a Salzburg. E não se preocupe se por lá ficar. Não será a sua totalidade, mas apenas uma parte. Nada é igual ao inicio. Tudo evolui!
O que realmente não devemos permitir é que algo nos impeça de progredir. Vá sossegada!
Creia que sempre a reconhecerei. A todos os níveis: o seu passado, o seu presente e o seu futuro.
É o coração quem reconhece!

Quanto a eventuais dúvidas, repare que fluem neblinas das águas que descem pelas cascatas. Tanto antes, como durante e depois só existe vida. Pela multiplicação das possibilidades!
O que recordar nesta sua viagem será uma dádiva. Será um exemplo concretizado que o todo que é não é apenas a soma das partes.
Vá, e renasça. Regresse e entregue-se ainda mais ao sentir.

Quanto às palavras, “matéria mais sublime desta Vida”, é precisamente a escrita que nos faz. E une! Quer pela simbologia matemática como pelo significado das letras. Num grau de incomensurável agregação. Não o sente?
Nós somos a escrita flamejante nos mares dos tempos. A mais pura das interioridades!

E desculpe-me este ultimo expressar, mas espero só ser biograficamente nos reencontros.
É principalmente aí que acontece o reconhecimento. Apesar de este se prolongar em flutuações quânticas que preenchem, por exemplo, as linhas do “caderno epistolar”, é nesses momentos que o coração mais pulsa.

Assim, se alguma vez escrever a minha biografia, faça-o nesta grandeza: Vibrava nos reencontros.
E eu sempre voltarei.

Beijo terno, doce alma.

V.

Cartas frente ao Mar (IV)

Minha Querida,

Talvez não consiga evitar alguma tristeza por tristezas que involuntariamente lhe tenha provocado. Talvez?

Apesar de nos sabermos no Uno da alma, todo o nosso percurso experimentou distancias. E outras acontecerão. Provavelmente assim é que deve ser. Para sentirmos ainda mais todos os instantes em que nos reencontramos. De cada vez que tal sucede, formamos diferentes tons de luz.

Os sinais das sombras e das fontes também são trilho para a iluminação. Eu sei disso. Mas apesar desta consciência, apesar de saber que sempre nos iremos reencontrar, a verdade é que sinto a sua falta cada vez que nova evolução ocorre.

Mas toda a renovação é necessária para completarmos a totalidade do espectro de luz. Creio que será precisamente assim que renasceremos na Luz antes da luz.
Nós não seremos unidade na diversidade, mas sim o ser da unidade ou, se preferir, o um da unidade. E é a partir daqui que jorra a diversidade!

Quanto a mim, não me parece que a mesma seja uma obsessão. Julgo que será o destino. O passo no sentido do equilíbrio entre tudo o que há e não há no MULTI-VERSO imemorial.

Fala-me do futuro já passado? Também lá fui. Aceito-o! Mas procuro considerar o presente.
Quantas projecções passadas não fazem o futuro?
Ambos os extremos, passado e futuro, são necessários para a visualização do contínuo, mas é no presente que nos encontramos, que nos fazemos, que nos sentimos. Infinitamente! Não concorda?

Pergunta-me o que são as saudades?
As saudades são as intermitências da consciência. São a voz do coração nos invólucros da alma.
E manifestam-se nos diamantes do tempo.
Por isso, as lágrimas são cometas no universo. Não há fogo de luz mais genuíno.

Ainda bem que temos saudades.

Apesar de toda a minha estrutura lógica, cedo aprendi que há coisas que não se explicam. Sentem-se!
Assim, deixo-me ir na fluência das águas. Tenho a esperança que elas me devolvam à felicidade. Outra e outra vez! Tal como continuamente o fizeram.
Às águas entrego-me. Poderia dizer que lhes entregava a minha plenitude. Mas isso, só uno consigo.

Será na intensa densidade desse tempo que encontraremos as águas azuis da Luz!

um Beijo terno, doce alma.

Até breve

V.

Cartas frente ao Mar (III)

Minha Querida,

Ao ler as suas linhas, não consigo deixar de sentir uma multiplicidade de sensações.

Transbordo de felicidade ao ser, também, na irradiação do espírito da sua alma.
Plenamente comovido pela sua emoção. Que sinto intimamente e que dela me julgo catalisador.

Depois, pela riqueza sensorial expressa nas suas palavras, há uma dupla certeza:
da sua expansão a outras dimensões e o ser noutro, ou melhor, num “novo estado de consciência”.

O tempo fez-se para nós. Disso não tenho qualquer dúvida.
Mas também é verdade que andei (andamos?) tresmalhado pelas eras.
Talvez por essa razão haja a tal ambiguidade do sentir. De contentamento em todos os casos. De felicidade em alguns mais concretos.

Fico imensamente feliz em a sentir nesse estado. Em perceber a sua perplexidade na não correspondência. Daí que compreenda esse seu desejo em regressar a Salzburg, que aliás já tinha sido anteriormente manifestado. Oxalá se revele o que procura. E que outra busca se inicie.

Neste caso particular, apenas lhe agradeço, e faço-o profundamente, o partilhar comigo das suas recordações que, entre nós, são sensações.
Aguardo, serenamente, o tempo das próximas.

Sei-me parte em todas as dimensões que são.
Sinto-o. Tal como percebo o cristalino do fluir em fluir.

É por isso que sempre irei consigo. A minha energia já é com e na sua!

Ternos beijos, doce alma,

V.

Cartas frente ao Mar (II)

Minha Querida,

Como a compreendo!
Olhamos para o permanente transcendente que nos rodeia presos pelas grilhetas da realidade material. No entanto, não devemos deixar de ser humanos. A materialização temporária em tempos precisos é necessária para a percepção do todo que nos transcende. Só assim percebemos que não há tempo à escala humana.

Mas, para nos tornarmos mais, temos que nos saber humanos. São as emoções que experimentamos enquanto homens que nos levam ao portal do transcendente, onde o tempo imemorial de Ser é.

Não sei se sei o suficiente para explicar, ou para tentar explicar.
Apenas sei que as dúvidas são necessárias à evolução.
Só lhe posso dizer que, a mim, impelem-me na procura das respostas. Não só pelo pensar, mas principalmente pelo sentir.

Se há momentos que somos turbulência sensorial também há momentos em que somos meditação em paz. É nessas alturas que o transcendente nos acalma e nos indica a ordem.
Assim, esses momentos em que somos confluência acontecem por estarmos mais expostos ao belo. Estou certo que o exprimir aparecerá por si.

Tudo se adequará. O MULTI-VERSO sabe mais do nós.
Para além disso, esperar que a palavra se congregue terá a sua utilidade … em vários sentidos. E alcances.

O humano é um patamar na evolução cósmica do ser.
Quanto a mim, é um “constrangimento” necessário, pois o re-conhecimento deve dar-se a todos os níveis – até humano – devendo sê-lo tanto para o interior como para o exterior. Tanto connosco como com os outros.

E aqui emerge a importância da simbologia dos versos. Porque os versos não são todos iguais!
No entanto, é precisamente assim que deve ser, pois os sentires não são todos idênticos. Não se trata de alguma relatividade. Trata-se de diferentes interacções com as distintas frequências de Luz que nos rodeiam ou, se preferir, com o arco-íris que une todas as dimensões do Ser.

Por isso, a sensibilidade é o catalisador do transcendente.
Por isso, o agitar dos véus da consciência universal não é para todos ao mesmo tempo.
Porquê? Porque tudo resulta de uma escolha livre e individual. Sem vontade, não seremos mais.

A Alma é a ínfima parte do Ser do MULTI-VERSO que nos incorpora. Talvez por isso. Talvez?

As interioridades resultam do sentir ou, se preferir, dos oceanos de sentir. Estou certo que não se importará. Julgo até que se comoverá.

De qualquer maneira, também eu tenho que me desculpar. Não sou imune ao seu sentir nem aos seus sentires. Daí que alguns fragmentos emerjam dispersos nestes verbos.

E até ao limite da minha compreensão, que é finito, respeitarei. No entanto, não posso deixar de sentir tristeza, por estar “ainda mais só”. Paradoxalmente, é bom sinal. É o meu humano a falar.

Um beijo terno, doce alma.

V.

Cartas frente ao Mar

Minha Querida,

Que lhe hei-de dizer?

O instante da criação deixa de o ser quando o é.
É, por isso, algo necessariamente anterior.

Para o poeta,
em cada letra há um portal,
em cada palavra um universo.
Já num livro, apenas há a expressão do sentir.

O verbo original é a representação do sentimento, não concorda?

Talvez o Poeta almeje uma singularidade – um simultâneo retorno e recordar – que o devolva não à sua criação, mas ao momento em que foi originado.

E, embora frágeis tentativas de reprodução da majestade do silêncio ou do esplendor da luz, aí sim, os poemas serão a figuração dos sons.

Quanto ao português, é uma língua – prefiro o termo expressão – possuidora de uma dimensão maior. A melodia que emana da sua pronunciação é distinta. Diria até única.
Para mim, se mo permite, é equiparável a uma expressão litúrgica dos cosmos.

Por fim, o indizível encontra-se no colectivo humano.
Se víssemos a espécie como um todo, a harmonia seria uma realidade.
Sólon sabia-o! Infelizmente, dele já restam poucos vestígios.

Deixo-lhe um beijo, doce alma.

V.

Memórias

outros …
tempos passados,
tristezas presentes.

não és só tu quem tem pena.
também eu te senti distante!

mas o cordão resistiu ao suceder.

foram as saudades que o alimentaram.
mesmo quando não estás,
ou estávamos,
                         ausentes.

muitas vivências aconteceram entre nós.
muitas memórias para unir,
neste momento que temos,
                                            conjunto.

o nosso toque permanecerá
no calor dos corpos …
                                      de luz!

… outros
tempos presentes,
alegrias futuras.

XXXVI

no místico superior,
o designo é inexcedível.
as determinações estão aquém.

e assim deve ser até ao amanhecer da consciência.

mas sei-me verbo anterior.
ou coluna do silêncio.
ou pequena lágrima intemporal.

sei-me parte no teu coração.
ou vela do prometido.
ou breve esmeralda em flor.

são os sentimentos do despertar.
os tempos reúnem-se em nós.

não ouves os lagos azuis?
não sentes os lábios de pólen?.

o novo, que é hoje antigo,
é-o assim reconhecido.

já fomos amados antes.
já fomos pensados na origem

Preciso de ti!

XXIX

frágeis lábios.
afagos da brisa.
relvas laranjas do Sol.

desenho amor,
em letras de fogo,
com os dedos azuis
                                   do destino.

e nos pomares,
resplendecem as maçãs esmeraldas
                                                             do desejo.

Não Existem Coordenadas

não existem coordenadas.
só miosótis em cristal vermelho.

expandem-se os sussurros místicos do Antigo,
chamamento sem substantivo,
que sentimos interior
no reconhecimento do profundo.

colunas em anil flamejante brotam das marés
e em todas as cavernas do Céu sorriem quarks azuis.

simples pronunciares dispensam representação.
há sentires que o são.

insisto. não existem coordenadas.
só o pleno do coração.

onde somos … LUZ antes da luz.

Somos Poesia

outrora foi contemplado
o momento para o qual fomos criados.

exultando,
correntes cósmicas reúnem-se
para o semear de cometas dourados.

tempos conjugam-se na nossa linha de amor
e o azul amplia o horizonte,
onde safiras transparentes compõem as lágrimas das estrelas.

as constantes partiram em paz
e todos os corpos celestes rejubilam em silêncio.

na pirâmide mística da evolução
o altar, decorado com pérolas flamejantes,
aguarda o consagrar dos votos.

Beijo em teu coração.
A noite virá mais serena.

Beijo em teu imenso ser.
O sol trará outro dia.

somos poesia dos deuses.
fazemos o verbo da Luz.

jamais seremos sós!

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Os textos e poemas publicados neste blog são parte nos seguintes livros: Interioridades da Luz; Cartas frente ao Mar; Comentários na face da Noite.

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