Terça-feira, 23 de Agosto de 2011

1921. Março.12 -- "OS NOVOS" -- CONCEITOS DE ZARATUSTRA (do editorial de A HORA)

Esta revista só marca uma hora -- a do valor.
Aqui serão sacerdotes todos os homens de talento.
Sejam anónimos.
Sejam párias.
Sejam criminosos.
Aqui serão infiéis todos os nulos: -- e como tal expulsos.
Sejam célebres.
Sejam poderosos.
Sejam honrados.
Aqui não há moral: há arte. Aqui as súplicas dos meus amigos medíocres serão cobertas pela voz possante dos meus inimigos de talento. Aqui há um único cartão ante o qual se recebem os estranhos: -- o estranho cartão do talento. Não é necessário pedidos: -- apresentações antecedentes. O escudo do valor é a base moeda com que se negoceia aqui.

A Hora #1, Lisboa, 12 de Março de 1922.

Quinta-feira, 14 de Julho de 2011

1923.Janeiro.4 - Ângela Pinto

Na revista A. B. C., um texto sobre a actriz Ângela Pinto (1869-1925), não assinado, mas que pelo estilo reconhecível do jornalista atribuo a Ferreira de Castro:
«Ângela Pinto, cuja consagração se vai fazer num destes dias, se tivesse nascido além do burgo nacional viveria sem a preocupação do futuro, nalgum belo palácio fotografado para todas as grandes Ilustrações do universo, e o seu nome ressoaria como o das sublimes de além-fronteiras: a Sarah, a Duse, a Réjane, que ela tanto admirou e que, pelo menos num papel excedeu.
[..] esta meridional endiabrada, de vida trilhada de aventuras semelhantes, bem ao sol, à luz, ao pasto da cidade, toda ela feita de coração, de fogo, de , de amor e de uma alegria logo caída no sorriso doloroso que ela superiormente estereotipa no seu rosto onde o olho estrábico acentua gravidades e garotices, conforme a sua alma se impressiona numa tragédia ou numa farsa.»
[..]  a Ângela -- adorada das plateias vai receber em breve a homenagem de todos nós em público pela milésima vez com a diferença que das outras somos levados ao aplauso pela faísca do seu talento e agora teremos que evocá-los, no que perdemos todos, até a hora em que, de novo no palco, a actriz nos arrebate, nos mova, nos empolgue, nos vença como uma dominadora dos nossos nervos, com a sua excelente arte.
(caricatura de Amarelhe, daqui)
A.B.C. #129, Lisboa, 4 de Janeiro de 1923.

Quarta-feira, 6 de Julho de 2011

1923.Dezembro.3 - A BATALHA -- SUPLEMENTO LITERÁRIO E ILUSTRADO

Sai o primeiro número do suplemento cultural de A Batalha. Publicava-se às segundas-feiras, de modo a permitir o descanso dos tipógrafos aos domingos.
Propriedade da Condeferação Geral do Trabalho (CGT), anarco-sindicalista, tinha como redactor-principal Carlos José de Sousa e editor Carlos Maria Coelho.
Redacção e administração: Calçada do Combro, 38-A, 2.º.
Escrevem no #1: José Carlos de Sousa, Campos Lima, Alexandre Vieira, Bento Faria, Adolfo Lima e Augusto Machado. Ferreira de Castro iniciará a sua abundante colaboração ná semana seguinte.

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Terça-feira, 28 de Junho de 2011

1925.Julho.2 - RENOVAÇÃO

2 de Julho de 1925, sai o primeiro número de Renovação -- Revista Quinzenal de Arte, Literatura e Actualidades , órgão da Confederação Geral do Trabalho (CGT) que se juntava ao diário A Batalha. Nela Ferreira de Castro, pelo volume da colaboração, teve um papel decisivo. Chegará ao #24, sendo encerrada após o 28 de Maio de 1926.
Director: Gonçalves Vidal; editor: Alexandre de Assis; redacção: Calçada do Combro, 38-A, 2.º Lisboa.
Colaboradores do #1: Eduardo Frias, Bento Faria, Mário Domingues, Augusto Pinto e Ferreira de Castro.
Capa: Alonso. 

Sexta-feira, 24 de Junho de 2011

1926.Abril.26. - encontro com Ramón del Valle-Inclán - I

Ferreira de Castro Castro conhece Ramón del Valle-Inclán numa madrugada de Madrid, na tertúlia do café «La Granja». (Encontro a que se referirá, no fim da vida, nas evocações de Os Fragmentos.), entrevistando-o, já dia fora, no Ateneo de Madrid.
Para Castro, o escritor galego é «[..] hoje a figura mais prestigiosa da Espanha intelectual (...); avessoa ao academismo, «[..] a sua arte dir-se-á uma voz do passado atravessando o túnel dos séculos para vir ecoar, plena de música e de originalidade, na nossa época.»
Na entrevista, «arbitrária, porque eu quando viajo, levo maletas na rede do comboio, e não perguntas na algibeira...», discorre-se sobre literatura, pintura, teatro.
Ilustração, Lisboa, 26 de Abril de 1926, p. 20.