(rita maria partilha detalhes íntimos sobre o dia em que se baldou à escola para estudar biologia e atirou com o dicionário ao namorado, antes de se deixar desvirginar)

Acho fantástico a forma como colocamos o iniciar da vida sexual na mesma panela das drogas ou do vandalismo, em vez de na panela do primeiro amor, do primeiro voto, do primeiro emprego ou da primeira casa.
Tanto quanto me recordo, a primeira vez é um passo, pequeno mas um passo, para as outras vezes, que um dia darao lugar a sexo decente, graças a Deus. Quando dizemos às meninas e aos meninos, esses "jovens", que tem de ser especial e tal e que vale a pena esperar por aquele dia em que a lua está às florinhas, sabemos que estamos a gozar com eles, ou nao?
Estarei a ser demasiado racional, mas quando a minha primeira vez chegou, foi assim que a encarei: um passaporte para a segunda. Tirei o passaporte sem pressoes mais que nao seja porque tinha sido educada para me rir se pressoes houvesse, e numa relaçao comprida, segura e confortável, baseada num amor intenso e que nao tinha futuro nenhum, que é como convém que sejam os amores dessa idade.
Mas sem pompa e circunstância. Aliás, tirando uma piada bastante boa e o facto de ter tido uma excelente nota no teste do dia seguinte, nao guardo dela recordaçoes especiais.