Tuesday, June 30, 2009

para nao dizerem que neste blog nao se aprende nada de útil XII


(cheap self-help at the blog)


Tenho uma regra de vida nova. Sempre que tenho medo de fazer alguma coisa, pergunto a mim mesma o que é o pior que pode acontecer. Depois pergunto se conseguiria lidar com isso e decido que sim (que isto há aqui uma ilimitada confiança na minha força e capacidade de regeneraçao). E pronto(s). Funciona lindamente.

PS: E com isto abandono-vos e vou para Bruxelas. Se forem muito curiosos, o que eu vou lá fazer está aqui e há um Live Stream e tudo.

Monday, June 29, 2009

questoes importantes


Porque é que as solas das sabrinas ficam com um buraco se as usamos muito e as dos saltos altos nao?

humpf


Umas das minhas melhores amigas engoliu uma cassete de politicamente correcto. À pergunta,obviamente fundamental, sobre o que vestir para uma ocasiao especial, acaba de me responder "qualquer coisa, porque eles têm de gostar de mim como eu sou". Aposto que quase lhe descaiu para a beleza interior. Humpf. Duplo Humpf.

PS: Vou a Bruxelas. Sugestoes, pedidos?


ferreira leite em jeito de aforismo


O que mais me assusta em Manuela Ferreira Leite nao é o facto de ela achar que o país devia ser gerido como uma mercearia, mas o facto de saber que ela seria inteiramente incapaz de gerir qualquer mercearia.

PS: Tomando como exemplo o Citibank - um merceeiro nao tem fundo de caixa, imaginemos. Precisa de dinheiro para fazer uma encomenda de farinha e lembra-se de que há uns clientes que lhe estao a dever dinheiro. Faz assim uns cálculos por alto, arredonda para cima e encomenda a farinha. Depois vai ver o bloquinho de notas e descobre que parte das dívidas nunca existiram e parte já foi paga. V5, merceeiro ao fundo.


Sunday, June 28, 2009

dilema


Observar mais ou menos ciosamente a privacidade de uma informaçao que queremos contar a toda a gente, de preferência em voz alta e com uma melodia de fundo. Nunca mais é amanha?

Friday, June 26, 2009

compasso de espera


Estou a dever posts sobre a política e os jovens e sobre a política tout court. Temo que nao invente tempo para escrevê-los antes de voltar de Bruxelas a 5 de Julho, esperemos que numa apoteose digna de uma Santa Apolónia (em jeito de parêntesis: quando os objectivos sao realistas, trabalhar por objectivos pode ter muita graça ou, melhor, quando os objectivos se cumprem, pode ser muito doce - de um doce cavalo de corrida no entanto, sem ternura, só triunfo).
Escrevo e publico as dívidas, na esperança de que me deixem mais ciente do compromisso, para comigo, para convosco, nao, para comigo, que vocês ainda nao sabem bem o que têm o direito de esperar. Mas sabem, agora, que esperar é a palavra de ordem, até 5 de Julho.

(o que nao deixa de dar direito a parentesis, como por exemplo: sinto-me sempre muito romântica e bonita se visto uma saia trapézio com algum movimento e um casaco de malha comprido. Aconteceu-me pela primeira vez no Verao de 2003 ou 2004 e chamei-lhe o ar de amante francesa (e era um amante de amor, sem infracçao). É uma daquelas profecias dos americanos, self-fulfilling, visto-me de romântica francófona e sinto-me assim todo o dia. Deviam fazer umas mezinhas ou umas cápsulas disto, para quem nao gosta de saias trapézio ou de casacos de malha)

(ah, e devo ainda agradecimentos sinceros do Prémio Lemniscata ao Rui e à Maria N.. Lá iremos, fica prometido)

(e outro: Querido Pai Natal, desejo a todos os meninos a paz no mundo e uma mae como a minha.)

Thursday, June 25, 2009

nova regra laboral II



Check. Uff.

no ginger, no fun


Hoje, chuva copiosa, nao há Ginger para ninguém (ainda ontem rejubilava que o Verao tinha finalmente chegado). Vim de metro: que quantidade enorme de pessoas infelizes. Nao sei se é do tempo ou da hora ou de mim, que já me tinha esquecido que as pessoas podiam ser tantas e tao tristes.

Tuesday, June 23, 2009

a rota das andorinhas



As andorinhas passam por Portugal no início da Primavera ("uma andorinha nao faz a Primavera"), vao por França já com uma Primavera segura ("L'hirondelle annonce soit le printemps..."), chegam finalmente à Alemanha no princípio do Verao, nos anos em que ele aparece ("Eine Schwalbe macht noch keinen Sommer") e voltam por França ("...soit l'automne") sem voltar a sobrevoar a Península Ibérica. E com um bocadinho de sorte, a minha está a chegar e o itinerário nem é assim tao diferente.

Monday, June 22, 2009

sun tzu para raparigas do campo


Por a carroça à frente dos bois, mas muito devagarinho.

Thursday, June 18, 2009

I started a joke



Quando tinha uns 12 ou 13 anos, inveitei uma piada. Era assim: "Ah, pois, eu também conheço uma rapariga, muito boa rapariga, que mora com a tia, que é uma pessoa doente". Contava esta história a todos os propósitos e acrescentava sempre um bocado. A doença da tia, o emprego no café, mas que coitada, só dava 80 contos, a casa e a certa altura até um rapaz sério, trabalhador, com quem ela namorava. A certa altura, a história estava tao comprida que a abandonei, mas de vez em quando tenho saudades. Se eu tivesse continuado, onde nao iria já a rapariga? O que terá sido feito dela?

PS: Via Bordado Inglês: estao a chover girinos no Japao e parece que nao é de todo pouco comum.

Tuesday, June 16, 2009

ultrapassagem pela esquerda


Tornamo-nos velhos quando lemos uma frase que menciona algo de que "ninguém fala mas toda a gente faz" e é uma coisa que tínhamos arrumado na lista do "é que nem pensar". Acho melhor assentar, casar-me e ter filhos, que isto está a acabar.

contrastes


Dormi tão bem esta noite, julgo que muito por causa do Tomaso Albinoni em música de fundo. E depois acordo e posto a Joanna. O mundo não é justo.

(reparem na tónica cobarde, de quem não tem coragem de postar a Joanna sem estabelecer algum equilíbrio e tentar reconfortar as intelectualidades...ah, o ridículo pela manhã)

uma infância feliz e muitas repetições das curvas de braga


(um post só para o meu pai e o felipe)





As apostas de quantos leitores eu vou perder depois deste post é nos comentários, se faz favor. Mas claro que os comentários de quem ainda se lembra de que cor era o amor têm muito mais valor.

Monday, June 15, 2009

para nao dizerem que neste blog nao se aprende nada de útil XI



Há uma nova entrada para o ranking mundial de mangas, pelo que passo a corrigir:

Primeiríssimo lugar - a Índia. Indisputado, indisputável. Nada bate uma manga indiana, a doçura, a complexidade, a textura.

Segundo Lugar - Costa do Marfim (qual Costa Rica!) - aqui a África a ultrapassar claramente Israel. Mantém-se a ausência de fios mas com um sabor muitíssimo mais interessante, a doçura equilibrada com a acidez, a textura também muito boa, um toque ligeiramente picante, fantástica.

Terceiro Lugar - Israel - Uma manga clássica, simpática, madura e sem fios.

Quarto, Quinto, Sexto e por aí fora - Países que nao me ficaram na memória.

Último lugar - Brasil e a restante América do Sul. As boas mangas da América do Sul sao como as bruxas. Dizem que las hay, mas a mim nunca me calhou nenhuma. E andar três semanas a tirar fios de entre os dentes nao faz mesmo o meu género.

irao


Ainda estou longe de conseguir perceber o que está a acontecer no Irao. Existe mesmo fraude? A revoluçao verde, como alguns já lhe chamam, é um fenómeno revoluçao-em-pó-com-nome-de-uma-cor-ou-flor no seguimento da laranja e semelhantes? Estamos demasiado predipostos a acreditar numa fraude?
Entretanto, encontrei motivos de suspeita bastante razoáveis aqui (via Der Terrorist) e continuo a ler sobre o assunto.

ainda sobre conversas de plástico


Há lá coisa mais triste do que ter de responder por convençao a uma pergunta cuja resposta nao interessa minimamente ao interlocutor? Entao, como foi o teu fim-de-semana? E eu com o impulso da comunicaçao genuína na ponta da língua, mas sabendo da sua inutilidade, sabendo que uma resposta com vida dentro vai ser um desperdício e, para além disso, estranha? Entao, como vai isso? E sabermos que o objectivo é passar para a pergunta seguinte?

E aprender a dizer "Foi óptimo, no sábado até esteve sol" ou "tudo bem, muito trabalho, claro, mas tudo bem"?

Trabalhar com Mulheres


(de como o mundo laboral podia ser melhor se mais raparigas tivessem lido As Gémeas de Santa Clara quando eram pequenas)




Eu sou demasiado boa para isto - Quando as gémeas chegaram a Santa Clara, achavam-se demasiado fantásticas e maravilhosas para estar naquele colégio, para jogar lacrosse, para vestir aqueles uniformes e darem-se com aquelas simplórias. Mas rapidamente lhes ensinaram alguma modéstia e humildade, e que elas nao eram demasiado boas para nenhum trabalho. Ai...

O elo mais fraco - Nas gémeas havia quem nao se integrasse por ser idiota, mas também quem começasse por ser rejeitado por comportamentos estranhos e depois acabasse por fazer parte do grupo, quando o grupo reconhecia o seu erro ao excluir essa pessoa. Ah, um local de trabalho com grupos mais flexíveis e segundas oportunidades, isso é que era. Por outro lado, se as pessoas estivessem sempre e eternamente mal-dispostas e rezingonas, isso devia no mínimo dar direito a uma alcunha feia.

A ceia da meia noite - As gémeas divertiam-se. Organizavam pequenas celebraçoes, partilhavam guloseimas, grelhavam salsichas nos armários. E nao gastavam todo o tempo da ceia a dizer mal dos professores (ie, chefes) nem a trocar cusquices ou lugares comuns. Nao consta que a meio da ceia das salsichas um dia a Isabel se tenha virado para a Patrícia e tenha dito "ai, que este tempo anda impossível" ao que a Patrícia respondiia "sim, mas e o trânsito?". Por outro lado, também nenhuma das duas interrompeu a ceia após metade de uma salsicha exclamando "mas que salsicha absolutamente maravilhosa, estou cheiíssima, já nao posso nem um bocadinho, mas esta salsicha estava uma delícia". E a Joana nao respondia a isso "Eu também. E o tempo que tem feito?".

Meia bola e força - Às vezes, no desporto ou nos exames, alguém tinha de enfrentar um desafio aparentemente impossível. Essa pessoa metia maos ao trabalho, em vez de ficar a lamentar-se por três semanas (na verdade, começava quase sempre por lamentar-se, mas logo alguém a punha no sítio). Ah, um ambiente de trabalho onde as pessoas se lamentassem menos e agarrassem mais bois pelos respectivos. Ou alguém as pusesse no sítio. E depois, quando essa aluna conseguia realizar essa tarefa impossível, todas festejavam e ficavam contentes em equipa, sem lugar a invejas ou a pequenezes. Ah, um emprego onde os êxitos fossem de todos, isso é que era, já nem peço para as dificuldades. Para além disso, se as gémeas tivessem um sucesso para festejar, no trabalho ou em casa, tenho a certeza de que iam para os copos. Ou beber um chá à cidade, pelo menos.

Contar problemas graves ou fazer queixinhas - Nas gémeas havia sempre duas situaçoes distintas. Uma, a da menina que ia fazer queixinhas das colegas. Neste caso, a directora reagia se necessário, mas era também firme com a rapariga em questao e frizava que fazer queixinhas nao é bonito. Às vezes deixava escapar quem tinha feito a queixinha, para que as alunas pudessem castigá-la à sua maneira. Por outro lado, às vezes existiam problemas mesmo graves sobre os quais uma pessoa responsável tinha de ser informada, e nestes casos a directora ou uma professora eram informadas, sem quebrar o laço de solidariedade alunas de um lado/ adultos do outro. Um mundo laboral em que esta distinçao fosse clara, tal como estes laços de solidariedade, oh, isso sim, era o paraíso (e já agora, umas salsichas).

PS: Este post rezingao vem, claro, daqui. E é mesmo muito rezingao, agora que penso nisso. Ás tantas já mereço uma alcunha feia, Sour-Milk Rita Maria, por exemplo.

Sunday, June 14, 2009

links à terça


Adiantados para domingo, porque gosto muito deste post, divertidíssimo e tão verdadeiro (ainda sem sair do Mediterrâneo, gostava muito de ter este livro). Também vou muito com esta piada sobre os irlandeses.

Thursday, June 11, 2009

rita maria explica ao mundo a joie de vivre


É quando depois de um jantar com amigos, em que o puré de favas com dentes de leao foi a surpresa mais agradável, se fuma uma pequena Montecristo, luxos a que me deixaram mal habituada o Zé e a Rosa (lembrar-me de escrever-lhe a agradecer a recomendaçao do Montalban, delicioso, delicioso), nos montamos na Ginger, noite de Verao, brisa amena e, depois de pedalarmos intensamente (agora é que é), paramos de pedalar e fazemos ligeiros esses com a bicicleta, umas curvas muito ligeiras, quase sem movimentar o guiador.

Wednesday, June 10, 2009

mundo cruel


Mandei flores a uma amiga que faz anos hoje e com quem vou jantar logo (sabem como é, faz aos outros e tal...a velha moral católica que guarda sobre todos nós). Mas, como vamos jantar também com o seu semi-namorado, tenho de guardar para mim a informaçao de que fui eu que as enviei. Vá lá alguém ter ideias amorosas às quartas-feiras.

Self-congratulatory Bullshit


A blogosfera que vota está muito orgulhosa de si mesma. Nós votamos, somos os bonzinhos, os cidadaos responsáveis, votar é que é, quem nao vota é feio, quem nao vota tem a pilinha pequena, quem nao vota estaciona em segunda fila. Quem nao vota nao quer saber do país, quem nao vota nao quer saber da Europa, quem nao vota é um irresponsável. Aqui, sugere-se realmente o desprezo, mas as caixas de comentários de blogs fora estao cheias de exemplos assustadores de tolerância democrática (no post do desprezo, grande o comentário do jpt) . Ah, e os jovens. Os jovens nao se interessam, os jovens nao querem saber, os jovens nao percebem nada de nada, os jovens estao perdidos, os jovens perdem-se (já volto aos jovens, tenho esta entalada na garganta). E os revoltados? Se nao gostam, fundem um partido político, tivessem votado em branco (o que era o pecado número um na blogosfera no dia anterior), mudem o mundo.

Também estao a ficar um pouco cansados disto?

Em primeiro lugar (como já tentei pregar à Helena num comentário a este post) há uma corrente não pouco significativa da ciência política que sugere que, nas democracias ocidentais com algum peso histórico, a abstenção cresce devido à confiança dos cidadãos no sistema em si, por um lado, e devido à previsibilidade dos resultados e das consequências desses resultados por outro (previsibilidade essa que é classicamente um indicador da qualidade e da estabilidade de uma democracia). O que implica uma decisão, a meu ver legítima, de um cidadão de votar quando o considera necessário. Isto às vezes falha, claro, como falhou aquando da primeira volta do Le Pen, mas nessas alturas demonstra-se também a capacidade de um país de accionar em seguida esse “votar porque necessário”. Estamos a falar aqui por um lado, pelo menos hipoteticamente, de cidadaos que escolhem as suas lutas.

Em segundo, coloca-se naturalmente a questao da participaçao tao distinta dos cidadaos nestas eleicoes ou por exemplo em legislativas ou autárquicas. Que tem, a meu ver, duas razoes de fundo. A primeira, um desconhecimento profundo do poder e do funcionamento das instituiçoes europeias. Podia fazer já um quiz na minha sala, cheia de mulheres formadas e inteligentes: de onde vêm as propostas de futura legislaçao europeia? Isto implica que diminuir a abstençao implicaria sempre uma tarefa gigante de informaçao. Quiz segundo: quantos de nós demos na escola o funcionamento das instituicoes da UE? Obrigada. Quiz terceiro: quanto tempo perderam ou os políticos ou os media, durante esta campanha, a explicar o seu funcionamento? I rest my case.
A segunda razao de fundo (e a razao pela qual muitas destas propostas alemas para diminuir a abstençao incidem sobre este ponto) é que às tantas se elas soubessem aquilo que estao a eleger, assim a modos que um upgrade parlamentar de um presidente da república, a coisa ainda era pior. Logo, dotar a Uniao Europeia de mais democracia será sempre um ponto fulcral para quem quer convencer os cidadaos a participar dessa democracia. De contrário, metade sente que está a fazer o papel da legitimaçao democrática de um sistema que nao o é em si, como quem vai numa ditadura às urnas fazer a cruzinha no partido único. E tem alguma (nao toda) razao. Muito resumido, como povo, dêem-nos poder se querem que o exerçamos. E este poder passa por escolher Governo, o que seria também de alguma forma escolher Comissao e escolher Presidente, e poder, e isto é um clássico, demitir essa mesma Comissao e esse mesmo Presidente nas eleiçoes seguintes. Um sentir que podemos influenciar o rumo das coisas e que aqueles que elegemos sao depois responsáveis perante nós, perante as suas ideias e promessas e perante o seu trabalho. E que podemos chamá-los a assumir essa responsabilidade.

O status quo actual tende antes a dar razao ao ramo da ciência política que fala da confianca como um dos grandes vectores da abstencao. No fundo, sabemos que o rumo da Europa nao estará errado de todo, continuamos espantados com o trabalho que lá vao fazendo nas nossas costas ou apesar da nossa ignorância e vamos recebendo a Europa como ela sempre veio ter connosco: por decreto e nao por decisao consciente.

Abster-me foi a minha soluçao? Nao, nao foi. Abster-se é irracional? Honestamente, acho que nao. Devíamos clamar o desprezo urgente pelos abstencionistas, comprar uma t-shirt a dizer ‘eu votei’ e juntar-nos a um site de casamentos só para votantes? Podíamos. Só que para além do ligeiro ridículo auto-congratulatório, estaríamos de novo a fazer e a pensar política de costas voltadas para a maioria da populacao (e com desprezo, ainda por cima). Olha, agora que falam nisso, lembra-me alguma coisa.

Tuesday, June 09, 2009

para lá da educaçao sexual - o sexo e a escola



Na aula de Português, era muito comum termos de apresentar um trabalho, mais ou menos de grupo, sobre um poema. A certa altura, devíamos estar no décimo ano, havia Bocage. Eu e uma colega ficamos responsáveis pelo Bocage satírico e logo nos lançamos ao trabalho, dissecando a literatura e os dois poemas que vinham no livro de Português. Mas a literatura, pouco maleável, nao queria bater certo com aqueles poemas nem por nada. Enfim, lá nos arranjamos.


Und três anos depois, cruzei-me na estante do meu avô com as Poesias Eróticas, Burlescas e Satyricas. E li uma. E a outra. E a outra. E mesmo no fim, encontrei duas, duas entre largas dezenas, que nao tinham nada de sexual. Nao há nada que espantar, reconheci-as logo. Já em todos os outros poemas, reconheci finalmente a literatura secundária.

E nos cinco minutos de reflexao que se seguiram (antes de envergonhar o meu irmao Arcos fora declamando gravemente Todas no mundo dão a sua greta; Não fiques pois, oh Nise, duvidosa; Que isto de virgo e honra é tudo peta) senti sobre mim todo o peso de um sistema de educaçao paternalista, envergonhado e vergado ao peso das convençoes.

PS: Fraude parecida, só o que nos fazem com Camilo. Dao-nos aquele romance de cordel, atiram-nos de novo literatura estranha que fala de um Camilo irónico e de fino humor (nao bate a bota com a perdigota, claro) e convencem a larga maioria a nunca mais pegar em Camilo na vida. O que vale sao as ediçoes Europa América, demasiado baratas para nao exigir o teste a uma rapariga ainda desconfiada daquele paradoxo amores pálidos /literatura secundária. E isto com uma professora fantástica.
Ah, gostar de ler depois do programa de Português: claramente um acto de resistência.

links à terça


De novo, para quem lê alemao e segue a política alema, o imbatível Ahoi Polloi.


PS: Via Segunda Língua, estes pinguins ou "as coisas que sao naturais" ou "valores familiares" ou ainda "amar é para todos". Este também vale a pena, numa nota totalmente diferente.

Monday, June 08, 2009

7/10


Agora é que é.

Sunday, June 07, 2009

bötzow privat



No café de onde hoje tirei esta fotografia conheci, há tempos que parecem uma eternidade mas que acho que são dois anos, a Helena. É difícil pensar em alguém, tirando talvez claro o Ferra e uma ou outra pessoa mais íntima (reparem neste espaço de manobra finamente construído para que outros se reconheçam) de quem tenha aprendido tanto em tão pouco tempo. Sobre as pessoas, as relações de trabalho, o amor e outras coisas mais pequenas ou às tantas maiores (pick your fights por exemplo, um princípio da educação infantil que passei a aplicar à vida – e que até aplico às lutas na blogosfera (twinkle twinkle)).

Entre outras, aprendi com a Helena possível grandeza da humildade. A Helena é aquela rapariga que, depois de uma semana a escrever posts brilhantes blogosfera fora (como este ou este) se dá ao trabalho de nos telefonar muito contente se não concordamos com um dos seus posts de forma mais ou menos convincente. O que, por um lado, claro, é característico da capacidade de mudar de opinião de todas as inteligências mais seguras de si mesmas. Mas por outro, é também sinónimo de um genuíno prazer na discussão e de uma humildade enorme que parte do princípio de que é tão provável o outro ter razão como nós mesmos. Assim, de chapa, sem resistências e contente ainda por cima.

Dantes, pensava que a humildade era uma qualidade que primava acima de tudo pela ausência do seu contrário. Hoje, percebi que tem uma grandeza única, sua.

PS: Um dia, tenho de escrever-vos sobre estes momentos click na minha vida. Não acredito nada que só aprendamos com os erros ou experiências nossos, já aprendi tanto por interposta pessoa, acima de tudo, claro, da minha mãe (por falar em mãe e Helena, será que mulheres destas só se fazem no Norte?). Às tantas, devíamos todos começar uma corrente de clicks e ficávamos todos mais sábios.

PPS: Claro que esta fotografia não foi só um pretexto para vos mostrar de novo a Ginger. Mas e se fosse, não está linda com os pneus novos?

declaração de voto


O nacionalismo renitente das esquerdas obrigou-me hoje a algo só meio convicto. Logo, ao saber que não serviu para nada, fico um pouco na mesma. E este um pouco na mesma implica este amargo de boca de quem vota política mas já não a faz. Arranjem-me um referendo, que estes partidos deixam-me doente. Ou um partido, claro.

ai, minha rica netinha, naquele Verão de 2009


No Verão de 2009 diverti-me mais do que em todos os anteriores Verões da minha vida (e ainda vai a meio!). Saí mais, gozei mais, ri-me mais, dancei mais e ainda não parei, de rir, de dançar, de sair. No Verão de 2009 gravei pela primeira vez uma cassete para um rapaz (um dvd para um homem, mas que querem, são os tempos) e aprendi a fazer downloads sem o meu irmão (ah, a independência!). No Verão de 2009 fiz planos e segui-os. No Verão de 2009 trabalhei muito, mas foi muito gratificante, quase sempre, que os sempres são para a adolescência. E o mais incrível de tudo é que, apesar de estar a chover e de estar frio, o Verão ainda não acabou e o que segue é a vida.

Friday, June 05, 2009

isto nao é para vos distrair do post anterior, cujos links valem mesmo a pena, mas...


O Bing Travel é óptimo.

PS: Poh, e o Topolanek? Teve de ser, desculpem (na verdade nao teve, mas parece-me tao fora de todos os trâmites que esta foto exista, que circule, que Berlusconi ache normal revelar a identidade do senhor à traição, que o senhor estivesse ali, que, que, que...)

mundo muito pequenino


De vez em quando, quando menos esperamos, descobrimos pelo jornal o que andam a fazer antigos colegas de carteira, cujo futuro nao passava afinal pela poesia pornográfica ao desafio. Mundo muito pequenino, música incrível, gente muito grande. Aqui, por exemplo, ou aqui.

Thursday, June 04, 2009

um bocadinho de obamamania para mim também (que andava a salvo)


Bolas, que grande discurso.

saudades às quintas


Tenho saudades de ostras, frescas, fresquíssimas, ainda cheias de mar, com limao. Tenho saudades da minha mae. Tenho saudades da minha cama. Tenho saudades de escrever e de estudar, ler artigos científicos com um marcador e uma esferográfica, na cozinha de Bath, em casa no Sprengelkiez antes de entregar a tese (aquele burburinho!), na esplanada da FCSH ou na cafetaria às oito da manha, duas, três ou mesmo quatro horas antes de um exame ou de uma frequência. Tenho saudades de nadar no Rio Vez (essa é que é essa!). Tenho saudades dos meus avôs e da minha avó (tenho saudades dela tantas vezes e nunca deixo de me irritar aos cinco minutos. Será que ela sabe, a parte de como tenho tantas vezes saudades?). Ah, a minha família. Tenho saudades do sumo de goiaba do turco, de trabalhar com o messenger ligado e do Inimigo Público. Do mar, dos lagos e até um bocadinho do meu vizinho novo, que já se vai embora. Ah, e do Tejo. Isso, do Tejo.

Tuesday, June 02, 2009

links à terça


Uma grande entrevista de José Gil ao Público, sobre avaliaçao, controle, inovaçao, conhecimento, professores e educaçao.

alguém sabe...

...como e onde se compram favas na Alemanha?

Queria mesmo, mesmo favas.

Monday, June 01, 2009

é assinar




Aqui, para salvar a Barbearia Matos, uma das lojas mais bonitas do centro de Braga (via Mastiga e Deita Fora)