Monday, August 31, 2009

boas ideias!



Daqui, via Beco dos Prazeres.

outras coisas importantes


De acordo com o que leio aqui, Pulido Valente dedica-se agora à feel good literature. Os programas eleitorais sao pouco importantes. Que bom, sempre ficam mais descansados aqueles que nao planeavam lê-los e que andam à procura de um líder, uma personalidade forte, de preferência que solte um deixem-me trabalhar de vez em quando (que, como toda a gente sabe, é o ferva-se da política).

Afinal, os nossos colunistas também tem a mesma preguiça, as mesmas justificaçoes, a mesma falta de exigência para consigo próprios. Uma chatice que Pulido Valente nao nos tenha dito ainda na mesma coluna que afinal nao faz mal estar ao sol na praia o dia todo, o que sempre libertava os portugueses da outra pedrinha que trazem lá na consciência. Mas talvez da próxima vez.

coisas importantes


Este blog é contra a depilaçao masculina. E a autora entao nem se fala.

ele


Há segundas feiras que bem podiam ficar quietinhas no seu canto sem chatear ninguém.

Sunday, August 30, 2009

globalização


Os meus amigos conhecem os homens da minha vida nao pelos nomes mas pelas nacionalidades.

Friday, August 28, 2009

e uma promessa


Enough de lamechice semi-críptica.

paroles, paroles, paroles


Se depois deste fim de semana eu ainda souber onde fica o Norte, quem sou eu e, pelo menos assim por alto, para onde vou, terei motivo para me sentir orgulhosa de mim própria. Se nao souber ainda muito bem arrumar os meus diferentes sorrisos numa tabela de deves e haveres, saberei aceitá-lo. E se nem souber distingui-los uns dos outros, vou guardá-los num mesmo canto, mesmo assim, ao molho, para quando daqui a muitos anos queira lembrar-me desse mítico Verao de 2009.

Wednesday, August 26, 2009

links à quarta


Nesta terça-feira (25), Humberto Werneck lança seu O Pai dos Burros – dicionário de lugares-comuns e frases feitas (Arquipélago Editorial, 2009). Dono de um dos grandes textos da imprensa brasileira, ele passou quase 40 anos colecionando os clichês que sujam as páginas de jornais, revistas, livros. Aquelas palavras que, de tanto ouvi-las, são as primeiras a aparecer na nossa cabeça, na ponta dos nossos dedos. É automático. Chegam antes do pensamento. De certo modo, são as palavras que nos libertam para não pensar. Foram ditas muitas vezes antes, não causarão nenhuma reação inesperada. Não provocarão nada, nem de bom, nem de ruim. Tanto faz dizer que "a vida imita a arte" ou que "o futebol é uma caixinha de surpresas". É um dizer que nada muda, é um imenso nada [...]

Via Hoje vou Assim

PS: Seguindo o link podem ler mais crónicas dela, algumas ainda melhores. Nao posso estar aqui a linká-las todas, mas gostei muito de uma sobre o trabalho e de outra cheia de bocadinhos de Deus.

a lei de rita II


Fui a uma loja alugar uma janela e emprestaram-me antes uma cabana muito bonita, quase no campo, à beira do mar. Agora fui lá devolvê-la e fiquei um bocadinho triste. Mas nada, claro, que se compare com o sorriso que vem com a sorte de ter tido, mesmo que só por uns dias, uma cabana de onde se ouviam as ondas. Um sorriso doce, ligeiramente triste, muito feliz, a atirar para o piroso. Como este post.

Tuesday, August 25, 2009

a lei de rita


Querido Universo,

Pronto, se é assim está bem.

Beijinhos grandes para ti,

Rita Maria

Friday, August 21, 2009

foi gira esta última pergunta, não foi?


Depois de perguntar a uma mulher feia, em público, se lhe tinham proposto uma mudança de imagem, acho que eu também tentaria aligeirar em jeito de desculpa, por exemplo com "foi gira esta última pergunta, não foi?". Mesmo que essa mulher fosse Manuela Ferreira Leite.

Mas claro, por isso é que às tantas nao ando por aí a perguntar coisas dessas a mulheres muito feias (ou bonitas).

Wednesday, August 19, 2009

para nao dizerem que neste blog nao se aprende nada de útil XIII

ainda a propósito do post anterior


Quando eu era pequenina, a minha mae ensinou-me que nao se diziam segredos em público. Isto é, que era muito mal-educado andar aos segredinhos à mesa ou num grupo de pessoas. Eu fiquei muito espantada e pronta (e fresca!) indaguei o que sugeria ela que eu fizesse quando queria contar segredos que os outros nao deviam ouvir.

Afinal era fácil: basta contá-los na ausência dos outros, ie, sem público.

ah, agora compreendo tudo



Depois de a terrível conspiraçao de ontem ter sido desmascarada para gáudio do povo e embaraço de quase todos os intervenientes (ou gáudio dos intervenientes e embaraço do povo, o que às tantas é mais provável), o Público volta à carga com uma investigaçao mais profunda, onde ficamos a saber tudo: afinal, trata-se de novo de um problema de cadeiras, desta vez com assessores em vez de jornalistas.

Mais, um assessor de Sócrates que tenta ouvir conversas que nao lhe dizem respeito durante uma ocasiao pública de cuja comitiva faz parte e parece querer saber mais sobre a "agenda pública" do presidente da República.

Aparentemente, metade dos -gates da política portuguesa resolviam-se com um protocolo mais apertado ou umas cadeirinhas de reserva, daquelas que se levam para a bola, que aliás também sao muito jeitosas quando se quer ser o primeiro a entrar num centro comercial e se vai de véspera.

PS: Há a este propósito muitas reacçoes correctas e inteligentes, mas nenhuma bate esta.

os blogues em campanha eleitoral

o tédio


Quando os partidos chegam à Internet e começam, nalguns casos com uma candura inexcedível, a tentar fazer uso desta panóplia de instrumentos da dois ponto zero, nao podemos evitar alguma esperança de que a política herde o melhor dos blogues, da pluridade de participaçao, da facilidade com que nascem e se estabelecem pensadores novos (e de facto se criam elites), com a profundidade do debate.

Até agora, só tenho visto o contrário: a dois ponto zero a herdar o pior dos partidos.

Os posts deixam de debater temas para passar a discutir se o partido x ou y fez ou nao menos mal que o adversário a respeito dessa questao, os dois principais partidos trocam galhardetes no complexo bloguístico já conhecido por Jamex, posts auto-congratulatórios glorificam coisas que nao interessam ao diabo e que ninguém comenta e o meu Facebook está de repente cheio de status como: "Eleutério da Silva é o terceiro na Lista do PS à câmara de Arraiolos de cima. Uma boa escolha para o partido e a cidade, força camarada!" ao que outro da mesma pandilha responde "Força para a luta amigos, pelo concelho e pelo país, o PS de Santarém está convosco" (e nao estou, nem de perto nem de longe, a exagerar).

Nao quero ser separatista, tendencialmente juro que vejo com muito bons olhos toda esta abertura, mas de certa forma sinto-me como se me tivessem começado a pendurar pendoes partidários nos candeeiros da sala. Que, nao é por nada, sao todos muito bonitos.

Tuesday, August 18, 2009

aforismo


Irra.

Monday, August 17, 2009

fim anunciado de mais uma teoria machista propagada com a impagável ajuda das mulheres


As mulheres nao sao fáceis ou difíceis, querem ou nao querem, exactamente como os homens. E às vezes deixam-se convencer, quando nao querem, tal como os homens também.

Eu, por mim, em querendo, sou sempre fácil.

Friday, August 14, 2009

novoportugal.eu




Estou apaixonada por este vídeo da JSD (que acabo de descobrir via Arrastao).

Gosto do ar inteligente do rapaz, mesmo ar de quem faz propostas dignas de figurarem na Wiki do Programa Eleitoral do PSD (vejam este momento de snobismo intelectual de esquerda, para perceberem bem como se faz no futuro). Gosto muito dos actores, especialmente do empregado de café aprumadinho (uma palavra muito do agrado do meu irmao Júlio) que responde activamente dizendo um "Sim", calmo, coerente e forte. Gosto do facto de nao servirem nada naquele café e se ver perfeitamente que continuarao sem servir nada. Gosto da forma como eles transformam E-U numa versao democracia popular, do todo para o particular, eu, eu, eu, ouçam-me a mim. Gosto da desculpa que o spot esconde para o facto de o PSD nao ter ainda programa eleitoral (a malta dos facebooks ainda nao se mexeu). Gosto da preocupaçao de usar um browser cool para se ligar à malta das redes. Gosto da palavra final, que bate tao bem com o resto do discurso do senhor inteligente e com a proposta do outro (que, por ser uma proposta, tendencialmente nao pode reunir grande sabedoria).

Mas nada, mesmo nada, bate o momento em que o empregado retira um computador ligado à net de debaixo do balcao. Por momentos, tive mesmo receio de que fosse um aspirador mágico ou um daqueles raladores que nos ralam as cenouras de muitas formas diferentes, algumas bem bonitas.

a lei suspensa da babilónia


Querida entidade superior,

antecipadamente grata pelo grande golpe de sorte que andas a preparar-me e que é a única razao plausível para a quantidade de desgraças que me andam a acontecer, escrevo só com o intento de mandar muitos cumprimentos. Se ainda nao tiveres decidido por que benesse deves trocar esta suspensao da lei de Rita, por favor nao hesites em contactar-me para uma sugestao ou qualquer esclarecimento. Caso nao existas, ignora por favor esta missiva.

Com os meus melhores cumprimentos,

Rita Maria

(sem máquina fotográfica, sem fotografias, sem chaves, sem telemóvel, sem números de telemóvel, orfa de mala preta linda, a maos com contas esquisitas, mulheres antipáticas e uma multa por circular no passeio)

Tuesday, August 11, 2009

boogie woogie III


Podia haver um serviço onde escrevíamos quando íamos de férias, quando voltávamos e ele mandava-nos um e-mail com um resumo do que aconteceu no mundo durante esse período. Uma pessoa escrevia Nova Iorque (parece que um aviao chocou com um helicóptero em Hoboken pouco antes de eu lá ter ido comer sushi) ou Portugal (??) ou Alemanha (???) e quando voltasse recebia um resumo adaptado aos seus interesses.

Como nao há, vou ali comprar a Spiegel (que, nos últimos tempos, faz da saúde e das questoes esotéricas o que a Visao faz das praias (e do sexo) - capa atrás de capa atrás de capa) e leio de enfiada o Erecçoes 2009, que parece ser o acontecimento da blogosfera portuguesa na minha ausência (tirando as acçoes esquerdistas daqueles rapazes conservadores).

boogie woogie II


A Maria N. também publicou uns Boogie Woogies, os dela animados e pessoais.

boogie woogie



Fui a Nova Iorque. Andei horas por todas as pequenas ruazinhas de Greenwhich Village (claramente o meu futuro endereço), desenvolvi teorias sobre a fronteira entre o Soho e Chinatown (é chique ter uma teoria própria sobre esta fronteira), trouxe um Boogie Woogie para as paredes do corredor, desejei ter mais uma semana para o Met e achei o Central Park uma espécie de parque berlinense com demasiada gente (pronto, pronto, nao me batam mais). Tirei mais de 300 fotografias que fui perder no último dia ao meu futuro local de trabalho (as Naçoes Unidas, claro) num tipo de intercâmbio nao muito do meu agrado e decidi nao deixar essa perda partir o meu coraçao (ainda tiramos fotografias das férias ou já vamos de férias para tirar fotografias? Cabeça erguida, Rita Maria! E as do Ferry, e aquela tua tao linda com um batido de morango no Brooklyn Diner? Sabes quantas fotografias assim giras de ti existem no geral, no mundo absoluto?). Super cola 3, encher o peito, Victoria's Secret.


Fui aos Estados Unidos. Fui de carro ao cinema, de carro à loja, de carro à casa de banho. Entrei e saí de muitas cidadezinhas que pareciam subúrbios de si mesmas, Krefelds para ianques. Encostei a cabeça às melhores almofadas jamais experimentadas, comi o melhor hamburger da minha existência, fui ao supermercado comprar Aunt Jemima, fui à praia onde nao podia despir o fato de banho e li a cosmo das 50 dicas do sexo oral (o contrário da Alemanha portanto). Comprei o livro da Julia Child, essa revoluçao americana, que a autora de um dos meus blogues de cozinha favoritos trocava se necessário por todos os outros livros de cozinha. Trouxe também cartoons do New Yorker e passei pelo bar onde Dylan Thomas recusou ir de forma gentil numa noite boa e trocou a vida por 27 uísques (nunca tinha escrito uísques). Fui a uma loja de bricolage, troquei uma bateria de carro, fiz subir um colchao 3 andares e pedi um número de telefone com a lata de quem vive em estrangeiro. Aprendi todo um leque de cançoes infantis (B-I-N-G-O), paguei portagem numa ponte privada e suspirei por César numa cidade constituída quase só por casinos.


Fui tomar banho ao Atlântico. Ao Atlântico salgado como só ele, ao Atlântico das gaivotas, das ondas, do frio, da força, do mar. Ah, nisto dos oceanos, nao há amor como o primeiro (já no resto, claro, nao há descanso até ao último). E porque também nos parágrafos os últimos batem os primeiros, emprestei-me o mundo de uma das mulheres da minha vida e trouxe de volta um batalhao de saudades que nao sei onde arrumar. Por enquanto, arrumo-as num canto, ao lado do meu novo objectivo profissional: fazer uma coisa qualquer, de preferência na West 11th Street, Greenwich Village, Nova Iorque.