Sunday, February 28, 2010
rapariga amordaça grilo falante
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Rita Maria
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Friday, February 26, 2010
mais um muito curtinho antes do fim de semana
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Rita Maria
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um aparte qu'isto é primavera
(depois à tarde já cá venho tentar por um post de intervalo entre isto e o post ali de baixo, para a coisa ser menos abrupta)
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Rita Maria
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o colo
Eu, que vou sendo sem Deus, chamo-lhe amigos, família, montanhas do vale do Lima, Alvaredo, às vezes até lhe chamo sentido de humor, papel e caneta. Vocês nao sei. Mas nao se devia ter de viver sem esta segurança magnífica, esta certeza redentora. Torna-se tudo tao mais fácil quando conhecemos, no meu caso na medida do possível, no dela num absoluto que nem consigo alcançar, a fronteira possível do nosso abismo.
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Rita Maria
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Tuesday, February 23, 2010
repescado para recém-chegados
Mas hoje, e por exemplo porque é 23 de Fevereiro ou o Daniel pediu com jeitinho, repesco aqui este post:
A lei de rita
Mas nisto de lata ninguém me fica atrás, e nas partilhas o tipinho até deixou o melhor para os outros. Logo eu, em sincera e sentida homenagem à minha sorte, que implica tanto o amor como o jogo, que dita que os autocarros que passam uma vez por dia apareºam cinco minutos depois de eu perguntar, os meus brincos favoritos ainda estejam na casa de banho do restaurante, a minha mala perdida no autocarro me seja entregue em casa com dinheiro e tudo ou encontre cinquenta euros numa rua de Berlim, decidi baptizar a sorte. É a lei de rita. A sua formulação final é: "podes sempre ter uma sorte dos diabos".
PS: Já ao facto de eu ir começar a estagiar amanhã e estar a ver a febre a subir no termómetro, vou continuar a chamar azar.
posted by Rita Dantas @ 17:39 10 comments
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rita beats murphy II
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Rita Maria
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recomendaçao do dia II
(também podia ser 'adopte um velhinho II')
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Monday, February 22, 2010
frustrações de fim de semana
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Rita Maria
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Sunday, February 21, 2010
recomendaçao do dia
Deixo-vos um bocadinho especialmente delicioso:
I remember getting my first garments right before my mission. I got about a dozen pair in different styles and fabrics so I could test them out and see which ones I liked the best. Every companion of mine had a different method of folding them but it was all done very reverently. Some would fold them into neat little squares and some into tight little rolls. Some kept the bottoms and tops separate, some rolled them together (which is what my first companion did so I got into that habit.) But we NEVER would fold them at the laundrimat. After I was married, I would do the laundry and then sit down on the floor to fold all the clothes. My new hubby saw me folding the garments on the carpet and had a huge fit. I didn't see what the problem was since I was folding them "reverently". I said "for laundry purposes, this is not merely the floor. This is a padded folding surface. And besides, I don't have room to spread out anywhere else." We argued about it, but he eventually got over it. What a stupid thing to argue about! Where and how your underwear is folded!
Mas do que eu andava à procura era do tal blogue referido no postal, pelo que fiz uma busca de blogues e encontrei um blogue absolutamente fantástico de quatro rapazes solteiros de Salt Lake City à procura da sua EC, a companheira eterna.
Todo o blogue vale a pena, mas aqui de novo alguns excertos de posts reveladores:
So I got on facebook a couple days ago and my friends Lyndsey from high school had posted on my wall and said she was living in Salt Lake now and wanted to hang out. I haven't seen here in almost 5 years and after looking at her pictures I was like, "dang she looks really good". I don't know what it is but some girls take a bit longer to develop and the girl you never noticed in high school ends up turning out to be a bombshell. Turns out Lyndsey served a mission and teaches seminary at Alta High School. Right off that's a pretty good resume for a future EC.
Amiguinhos, isto é um mundo. Googlem por aí fora que eu também. E se encontrarem mais coisas brilhantes partilhem comigo, que eu sou boa rapariga e levei-vos a estes rapazes.
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17:54
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Saturday, February 20, 2010
mas o que queria mesmo contar-vos era que...
Tenho, de há uns seis anos para cá, este dom incrível de me aperceber sempre deste início. Partilhava de bom grado convosco o sumo desta minha ancestral sabedoria, mas é só uma mistura entre uma sensibilidade especial para perceber onde acaba o arrastar-se moribundo do Inverno e o sol que nasce é já um sol de princípios, de promessas, muito optimismo e uma arrogância zé-povinheira de quem sabe que, não só o contrário não pode ser provado, como a Primavera acabará um dia de chegar, provando as minhas previsões de forma inequívoca. Enfim, cada um ancora a sua auto-estima onde quer e eu tenho a mania que percebo de Primaveras.
Seja como for, a minha começou hoje, ao pequeno almoço. Foi na varanda, na companhia bem-humorada do Harald Martenstein, um senhor por quem ando de quatro. Se a quiserem partilhar, estão à vontade. Se prefirirem duvidar, esperem pela vossa.
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Rita Maria
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12:23
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enobrecer a política
(da dialéctica das ilusões)
Levei-o a mal a Alegre, até porque no seu caso havia ali uma incongruência especial, não deixo de o levar a mal a Fernando Nobre. A política não se enobrece quando for ocupada por manifestações abnegadas daqueles que com ela não se identificam, enobrece quando alguém que a ela se junta faz da sua honra, dos seus valores, das suas convicções, dos seus príncipios e das suas prioridades alavanca de acção.
Quando um candidato se apresenta como vazio de ideologias, eu não o entendo como um receptáculo profundo onde posso projectar todos os meus sonhos e esperanças, entendo-o como isso mesmo: um vazio. E de vazios estou cheia, que querem.
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Rita Maria
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10:27
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Friday, February 19, 2010
os muçulmanos invadem-nos, ai que deu rei
Amanha de manha hei-de vir enriquecer o meu post cum uma fotografia da escola corânica lá da rua, mas entretanto deixo-vos com esta galeria da revista do Süddeutsche Zeitung, que é um dos melhores produtos jornalísticos da Alemanha.
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Rita Maria
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13:03
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e para que tem mais que fazer que ler a enormidade do post lá de baixo e está com medo dos quatro que se lhe seguem
A more lighter take on quality journalism:
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Rita Maria
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Thursday, February 18, 2010
contributos que o bom jornalismo podia dar para uma melhor política (I)
1- Falar de Política
Os jornalistas de política portugueses tendem a saber de politiquice. Duvido que se consiga um lugar numa redaçao de política deste país sem conhecer todos os primos em terceiro grau de Armando Vara, pelo menos um ou dois querubins menores por querubim sénior do PSD e muitos detalhes de quarto de arrumos sobre a vida interna do CDS ou as propriedades do PCP (o Bloco que me perdoe, a frase vai comprida). Isto nota-se quando fazem entrevistas.
Mas depois de Educaçao, Finanças ou leis comunitárias nao percebem nada. Como tendemos a entender o mundo à semelhança dos limites dos nossos horizontes, pensam que sabem de 'política'.
Em jornalismo cultural isto seria perfeitamente inaceitável. Já imaginaram uma entrevista a um escritor em que cada segunda pergunta é sobre o adversário, as coisas de que o acusam, as estrangeirinhas dentro da editora e mais um ou outro boato? (agora estao-se todos a lembrar de uns casos desses. Pronto, há alguns, mas estao longe de ser a maioria).
Isto tem a ver também com uma concepçao que acredito ser fundamentalmente errada sobre o que é que vende. Peguemos na tal entrevista do i, feita pela Ana Sá Lopes, que nao anda cá desde ontem e que até percebeu que colocar a única proposta programática do candidato no título da entrevista era uma coisa inteligente.
Paulo Rangel propoe ensino profissional desde os doze anos em nome da igualdade de oportunidades e do fim de um ensino classista. A jornalista nao pergunta "mas nao lhe parece provável que exista uma muito maior tendência das classes baixas a seguir esta via?", "nao está preocupado com a tomada de uma decisao desta importância numa idade em que a infância mal acabou e todo um conjunto de capacidades estao longe de ser desenvolvidas? Sabe que há poucos anos com uma taxa de chumbo mais elevada que o sétimo justamente pelo fato de esse ser um ponto crucial no crescimento e no desenvolvimento da puberdade?" nem "considera portanto a Educaçao acima de tudo como um instrumento profissionalizante e nao como um início de cidadania?" ou, de forma mais provocatória "o que defende é portanto que um torneiro mecânico nao precisa de Filosofia para nada?" (desculpem, deixei-me levar).
Ela faz duas perguntas: "Nao tem medo que o acusem de ser um populista de direita" e "Isso é quase uma posição socialista...". E assim garantimos que a discussao nunca aprofunda, nunca passa da rama em que um lado chama populista e o outro responde com socialista. É uma lei de Godwin à jornalismo português: à medida que a conversa nao evolui em nenhuma direcçao, a probabilidade de discutir rótulos em vez de políticas mantém-se igual a dois (é portanto sobreproporcional, para o caso de ter de abafar algum desvio de discussao inteligente - eu sei, sacrifiquei a matemática à ironia).
Outros exemplo da mesma entrevista: Ana Sá Lopes, que de resto perde metade das perguntas em coisas completamente irrelevantes (Aguiar Branco sabia, o outro descobriu como, Durao foi informado?), nao quer saber o que pensa Paulo Rangel do pacto de estabilidade ou quais as medidas que o candidato sugere. Quer saber se o aprovaria (qual? um qualquer? nao interessa, nao é?). Nao quer saber o que pensa da política do Governo, quer saber se exigia a demissao do primeiro ministro.
Resultado: Paulo Rangel pode dizer os maiores disparates, esses sim verdadeiramente populistas, na maior das ignorâncias, que nao há contra pergunta, porque para esses nao se preparou ela. Tendo em conta as reacçoes dela na maioria das perguntas que sao sobre o programa, bem podia ter feito a entrevista por e-mail.
Um exemplo completo:
Que ruptura para a justiça?
Temos um problema de legitimidade e credibilidade que só pode resolver-se em sede constitucional, alterando até o equilíbrio de poderes - com maior peso do Presidente da República, que poderia presidir aos conselhos superiores, por exemplo (!). Temos de mexer na celeridade e só vejo uma forma: entregar mais poder aos juízes nos processos. Os juízes devem ter mais poder discricionário. E teremos até de reduzir o número de recursos. Estou a falar da justiça cível, a que toca aos cidadãos comuns: dívidas, heranças, acções entre empresas, providências cautelares. (toda a gente sabe que as providências cautelares, por exemplo, sao horrores de lentas e depois há intermináveis recursos, um drama)
Sabe que há muitas pessoas divididas entre apoiá-lo a si ou Aguiar-Branco?
Absolutamente fantástico. Dirao que a senhora nao tem de perceber de tudo, e é verdade. Mas pode preparar-se, que ainda nao é crime. Pode perguntar, ler, investigar, pedir ajuda. E pode acima de tudo, ser mais exigente consigo própria, com o seu trabalho e com o seu entrevistado.
Dirao também possivelmente que eu nao sou ninguém para explicar o jornalismo a essa senhora, que justamente nao nasceu ontem. E eu direi que estao enganados, porque justamente esse é o meu papel. Esta série de posts tem como tema os políticos e os jornalistas, mas se tivesse como tema antes a cidadania, entao começava por aqui - pela exigência.
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18:45
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breakthrough
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leituras perigosas
*na minha memória, li quase tudo o que já li nesta idade, mas é possível que esteja enganada - de qualquer forma antes da Montanha Mágica que só chegou aos quinze.
**quando um elevador é reparado durante uma semana inteira, reparaçoes com término solenemente anunciado ao minuto e dois senhores que se lhe dedicam a tempo inteiro, parece-me demasiado ligeiro chamar-lhe "avariado".
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Rita Maria
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manifestaçoes de Deus
(uma recomendaçao muito comprida, para recompensar os leitores pacientes)
Ontem, mais para a noitinha estava eu a discutir os meus dilemas amorosos com a minha mae num tom entre o "Deuzinho do meu coraçao, porque tinhas de errar o destinatário de tamanha seta?" e o "Pai, porque me abandonaste?" quando ela me mandou deixar de misticismos (a minha mae é muito boa nisto, também quando voltei de Roma muito dada a Igrejas me afiançou logo que nao me preocupasse, que aquilo me passava, como se eu tivesse apanhado uma constipaçao).
Hoje de manha vinha eu pela rua, armada do meu mais resistente misticismo, quando vejo mais um papel no chao. Deus estava a falar comigo outra vez. Depois da cartolina, um papel branco dobrado em quatro, escrito a vermelho. A mensagem era clara: Deus acha que estou com falta de batatas e de presunto, no que tem toda a razao. Também parece ser da opiniao que eu devia comprar batatas fritas, coca-cola e nutela, mas eu aqui fiz orelhas moucas, juntando sem hesitar a junk food a outras recomendaçoes divinas como o sexo antes do casamento numa pastinha intitulada "a considerar ao abrigo do livre arbítrio".
Mas o melhor de toda esta história (ou estavam à espera de que Deus se tivesse voltado a manifestar entretanto?) foi o momento em que descobri o que andava Deus a fazer quando trocou as setas e/ou os seus destinatários. Estava a recompensar os que lhe sao fiéis com homens nús. A história é tao boa que o perdoei logo. Afinal, se ele anda para aí a perdoar infinitamente, quem sou eu para me por com esquisitices?
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Wednesday, February 17, 2010
mais eça e leis categóricas
Acabo de descobrir uma boa formulaçao dessa lei no Tio Vânia, um rapaz que também anda a oferecer excelente Fassbinder: Um bom teste à qualidade de um livro ou de um filme é ver se se aguenta, conhecendo-se à partida o seu final. É por isto que todos nós amamos as tragédias gregas. Já conhecemos os enredos, mas o texto está sempre tão pleno de fascinantes e variadas complexidades, que a ânsia pelo final nunca tolda o contínuo raciocínio de ninguém; ficamos livres para apreciar.
Posto isto, vou à Wikipedia descobrir como acaba o tempo perdido, que estou curiosa e ainda tenho uns bons anos de leitura (milagrosa!) pela frente.
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declaraçao de voto
(verde e provisória)

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17:06
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Lodaçal
PS: Brilhante acrescento do Daniel: Contudo, no caso de a discussão ser alimentada por políticos profissionais com mais de oitenta jantares de concelhias no currículo, julgo que prevalece uma variante dessa lei, em que a citação de Eça é substituída pelo relato, por parte de um dos intervenientes, do momento em que este «sentiu na rua» uma coisa qualquer. É evidente que a degradação da vida política portuguesa passa também por esta estranha vontade de «sentir na rua» (quantas vezes suja e mal iluminada), quando toda a gente sabe que, no recato do lar, há muito melhores condições para a prática da modalidade.
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09:42
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Friday, February 12, 2010
modern times
1) O novo cúmulo da aselhice casamenteira é propor paixoes blogosféricas e nao mandar o link.
2) Ainda no mesmo tom: outro dia um rapaz contou-me que só ia à internet no máximo uma vez por dia e eu perdi o interesse.
3) Outro dia, um americano contou-me finalmente quais eram as bases. Ainda nao parei de me rir.
4) Nunca tinha realmente saído com alemaes até 2009 e na verdade também nunca tive um namorado na vida com que tivesse "saído" antes (de resto o termo é um disparate, como o sao todos estes rituais - um disparate e uma tristeza). Enfim, o que vos ia mesmo contar é que soldados ingleses depois da segunda guerra descobriram uma grande diferença entre as mulheres alemas e inglesas: de umas era muito difícil arrancar um beijo, mas se conseguissem era por ali fora, as outras beijavam cada segundo rapaz, mas depois aquilo engonhava e nunca mais saía dali. Eu, claramente, vou pela primeira (e posso estar a confundir as nacionalidades).
5) A observaçao do avesso: os homens alemaes esperam sexo de um segundo encontro, mesmo se nunca nada aconteceu antes disso. Mas, e já aqui se nota a sua tendência doméstica, a necessidade do enquadramento do lar, oferecem-se sempre para cozinhar.
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tentando perceber o face oculta (II)
Serviço público para emigrantes:
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Thursday, February 11, 2010
que é para nao estranharem
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Wednesday, February 10, 2010
conta-me como foi
7. You don't need to ask permission to go on a last-minute trip to Vegas with your girlfriends — or anywhere, for that matter.
Comments? No comments? No comments. Comments: Humpf. Se calhar recuperaram o artigo de uma ediçao dos anos 50. Ou daquela constituiçao portuguesa que substituímos em 76. Ou andam a ver demasiados episódios do Mad Men. Ou passam-se big time, como costuma titular a outra.
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Tuesday, February 09, 2010
a tentar perceber, devagarinho, o face oculta I
Por outro lado, entre ataque e nao ataque há todo um mar de pequenos detalhes desagradáveis que ficam por desmentir, uma coincidência estranha atrás da outra e os seus defensores vao-se tornando cada vez mais bizarros, armados de um funcionarismo vagamento histérico.
Até chegar às escutas reveladas pelo Sol. O segredo de justiça nao precisa de mais quem o cante e eu acho a sua violaçao perigosíssima. Mas no caso em questao, nao só seu conteúdo e autenticidade estao longe de terem sido desmentidos, como se torna clara uma coisa, para mim, muito mais grave do que Sócrates querer controlar a TVI: o facto de que, se o quisesse fazer, havia boas possibilidades de o procurador-geral da República e o presidente do Supremo se estarem nas tintas.
Se este for o caso, a divulgaçao das escutas nao só nao é mau jornalismo como é uma obrigaçao de cidadania. É que o segredo de justiça só é válido enquanto existir uma justiça digna desse nome.
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ruhiges winterwetter
3 curtas sobre a vida na Alemanha:
2. O tribunal constitucional acaba de declarar inconstitucional a regulamentaçao a forma de cálculo das subvençoes do Hartz IV, o mais baixo e básico dos subsídios de desemprego, nomeadamente as subvençoes para crianças. Entre outras coisas, num país onde a desigualdade marca desde muito cedo, discute-se o termo "mínimo para uma existência humana digna" (é só mais uma palavra, reparem) e se as necessidades básicas de uma criança serao só casa, comida e escola ou se também se lhe juntam o direito de comprar um livro, ver um filme, fazer desporto. Se também estes nao sao afinal igualdade de oportunidades. Estamos, mesmo num país onde a desigualdade por exemplo no acesso à universidade acaba por ser brutal, a quilómetros de Portugal e a milhas do discurso do "vai trabalhar, malandro".
3. Já um dos meus (ex?) jornais favoritos noticiava ontem assim a greve da companhia que gere o metro e os autocarros: "Agora também a BVG. Ao caos das avarias constantes dos comboios de superfície, junta-se agora a greve nos autocarros, eléctricos e metro esta terça-feira. De acordo com a vontade do sindicato DBB estes meios de transporte nao devem deixar os depósitos. Mas ainda há esperança para quem tem de ir de transportes para o trabalho: o sindicato Verdi nao participa no protesto". Suponho que tendo o tribunal mandado passear o "vai trabalhar malandro", ele se foi alojar no representante berlinense do tal "jornalismo de qualidade". Ainda bem, já nao passávamos sem ele.
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Monday, February 08, 2010
a rapariga que queria dormir
(um conto urbano)
No sábado acordei cedo contra a minha vontade e intençao, comprei o pequeno almoço (leiam em cada saída de casa uma tentativa encapotada de suicídio, as ruas estao todas cobertas de gelo) e fiquei à espera de uma encomenda que nao veio, cheia de sono e à espera de me vestir para apanhar a tal da carreira. Cheguei atrasada para o autocarro, com o qual fui a uma exposiçao com piada e que me deixou cheia de energias criativas (às vezes penso que devia dar-vos algumas pistas sobre Berlim, nao venham ler-me à procura de mais informaçao - a ser o caso: a exposiçao do Grosz está na Akademie der Künste). Tinha a desculpa perfeita para nao ficar demasiado tempo no autocarro, uma desculpa sob a capa de um negócio da China que tinha de ir fazer a Lichtenberg mas o autocarro, é o que dá sair com rapazes metáfora, levou-mea tal fim do mundo e exigiu um café em troca. Com o que bebi uma cidra, troquei histórias (escrever uma história, ou muitas, anotei, sobre o rapaz que trocou, duas vezes, aos 16 e aos 27, de família) e apontei umas dicas antes de seguir pelo frio até à brasileira mais linda, que achou o conjunto acumulado dos meus atrasos perfeitamente natural. Jantar, estes homens, aqueles meios de transporte, um Lassi, uns projectos e um abraço, que eu tenho de ir dormir. No caminho, os olhares de um tipo irritam-me tanto que saio do metro na estaçao anterior sem ver bem e passo os quinze minutos até ao próximo numa estaçao ao ar livre, um drive in a pelo menos menos oito. O que faz parte da história do dia porque quinze minutos de pelo menos menos oito sao pelo menos vinte minutos de menos dois e poderao ser até quarenta de mais três. Portanto uma hora, no vosso fuso metereológico. Tudo isto a ler o Proust e a andar de um lado para o outro (nunca perco tempo que nao o gaste a ler o à procura, tornando assim o tempo perdido que encontro na leitura da sua procura, estratégia de fino recorte, recomendo vivamente). E isto, no entretanto, a morrer de sono, que eu ando que nao durmo nada. Cheguei finalmente lá para as três a casa, enregelada até aos ossos, aqueci os maxilares com um bocadinho de roxo e deitei-me muito aconchegada com esperanças de nao acordar às nove da manha (aqui a copulativa a permitir recuperar o fôlego, o meu e o vosso).
Às nove da manha quando acordei vivíssima da silva ainda a minha vizinha nao me tinha dito nada sobre o pequeno almoço, fiz umas colagens, comprei umas botas de que nao preciso, lavei tapetes, vi filmes (jeux interdits, ainda uma sugestao do autocarro) e decidi deitar-me cedo, indo apenas dizer olá aos amigos que iam ver a superbowl. Mas, tendo saído de casa só às onze, cheguei no princípio do jogo, escolhi a equipa que mais me dizia, pus o meu nome na folha de apostas (joga-se o direito de cozinhar para todos sem fazer compras nem limpezas e com direito a uma masagem - a glória sem o suor, portanto) e claro que nao me fui embora a meio do jogo. Quando cheguei a casa às quatro da manha, depois de ter ganho o jogo, de que gostei bem mais do que esperava, e a aposta, claro que estava acordadíssima e nao me apetecia nada dormir. Mas era a minha última hipótese, as últimas três horas antes de me fazer à vida, o último fôlego do fim de semana que tinha guardado para dormir.
Com o que dormi as três horas, me esqueci de mandar a RFI acordar-me e ainda assim cheguei a horas, fresca como uma alface (debaixo daquelas três folhas de fora com muito mau aspecto). Deve ser uma hibernaçao ao contrário, mas nestes dias escuros e frios, ando que nao durmo nada. E tento, que vocês bem viram.
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Friday, February 05, 2010
belmiro explica que cavaco silva só é um bocadinho ditador, no bom sentido e, para além disso, é bom frisar que:
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Thursday, February 04, 2010
ainda a mesma metáfora gasta
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Wednesday, February 03, 2010
à espera do comboio na paragem do autocarro
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Monday, February 01, 2010
cantaril
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