Tuesday, November 30, 2010

filosofia, filósofos e muito sexo


(francamente sexy, definitivamente gay)

A I. queixa-se de que fazem falta romances filosóficos, nao mais umbertoequices de algibeira (com todo o respeito), mas coisas sumarentas, com suspense, amores proibidos e muito sexo. Eu sinceramente nao consigo imaginar projecto mais divertido para os seroes de Inverno. Ninguém quer começar?

there, um bocadinho de sensatez

Monday, November 29, 2010

da transitoriedade (esperada) dos estados de alma


Estou deprimida que chegue, a trabalhar, está frio lá fora e nao há ninguém no horizonte mais próximo que me pudesse suscitar quaisquer impulsos neuronais. E o que ouço no Stereomood? Working? In the need of love? Melancholy? Saudade? Nada disso: dias de sol, domingos de manha, road trip (a minha favorita!) e optimistic. Gosto mais de catalisadores que de espelhos.

(isto nao é um post nao é nada, mas se o lerem como uma lista de links juro que vale a pena)

a máfia das matrículas



Então é assim: na Alemanha compramos um carro, depois vamos a um sítio chamado Kfz - Zulassungsstelle onde nos dizem que matrícula nos compete e à saída podemos ir encomendá-la, por exemplo do outro lado da rua onde diferentes comerciantes se reúnem numa fila de contentores de aspecto francamente duvidoso. Também se pode encomendar na internet, parece que custa à volta de cinco euros.

À saída do edifício, somos aproximados por um rapaz musculoso que oferece matrículas por 3,99€ (e diz baixinho a seguir "de desconto") e, quando já estamos no contentor dele, nos vende duas por 40€ com um ar tao ameaçador que a maioria nem pia. Os que piam e tentam ir comprar a matrícula ao contentor do lado, onde pode custar, se for de um comerciante honesto, oito euros, são seguidos até esse contentor onde o primeiro vendedor continuará a assustar clientes fazendo um escarcel desgraçado (e musculado).

Há três bandos principais: um de uma família árabe, outro de um alemão com "duvidosa ascendência polaca" (nos jornais alemães às vezes pode-se escrever cada coisa) e um dominado pelos Bandidos, um dos dois gangs rockeiros da cidade (sim, Berlim tem dois gangs rockeiros, os Bandidos e os Anjos do Inferno).

Como resultado da sua acção conjunta e das suas ameaças permanentes, cada vez mais comerciantes são obrigados a deixar a zona e mudar de ramo, nalguns casos até com o apoio da polícia que lhes sugere "comprar um colete à prova de bala" ou até "deixar o negócio aos árabes, para que finalmente a polícia tenha descanso".

E isto tudo ali em baixo, no centro de Berlim, perfeitamente às claras e conhecido de toda a gente. Mas claro que não é só em Berlim: também há a máfia das matrículas de Nordrhein Westfalen, onde os seus opositores culpam o Partido Social-Democrata SPD, a que chamam Schilder Prägermafia Deutschlands (Máfia das Matrículas Alemã) e a quem acusam de não respeitar as decisões dos tribunais e de vender propriedade do Estado a estas empresas de mafiosos.

Será que devia contar-lhes que isto se resolvia tudo vendendo os carros já com matrícula incluída?

(roubei a imagem a um site um pouco nojento e definitivamente racista, pelo que nao cito, está bem?)

Friday, November 26, 2010

já ouviram dizer que berlim em janeiro é um sítio horrível?


Lisboa, Nova Iorque ou o campo?

a melhor mae do mundo (liçoes para principiantes)


Há bocadinho, uma hora ou duas, atirei tudo pela janela para começar quase do zero. Escreve a minha mae: "Força! Agarra o touro pelos cornos que as tábuas estao sempre cá".

Nao sei se o que me enche a alma é o apoio ou o orgulho de ser filha desta mulher.

Thursday, November 25, 2010

promessa de post - a máfia das matrículas


Hoje tenho de trabalhar, mas amanha prometo voltar para vos contar a história hilariante da máfia das matrículas na Alemanha. Senao podem insultar-me por e-mail (mas deixem a minha mae em paz).

Tuesday, November 23, 2010



Contava-vos como tinha sido o filme, mas parece que tem de ser depois de amanhã, agora só tinha treze minutos e isso nao dá um post nem nada.

da paz de espírito


Comecei a ler este post, achei que a frase (If you hate a person, you hate something in him that is part of yourself. What isn't part of ourselves doesn't disturb us. - Hermann Hesse) podia bem fazer sentido e queria testá-la mentalmente, mas nao me lembrei de ninguém que odiasse.

Agora a sério, ninguém, Rita Maria?

Mas cada vez penso mais nisso e descarto mais hipóteses. Devo andar a fazer alguma coisa errada.


dos mecanismos de compensaçao


Ai que dia horrível (nao sejas assim, olha que hoje vais ver o Harry Potter), que tempo pavoroso (nao sejas assim, olha que hoje vais ver o Harry Potter), que vida aborrecida (nao sejas assim, olha que hoje vais ver o Harry Potter) e, acima de tudo, como é possível que o trabalho seja ao mesmo tempo secante e stressante (nao sejas assim, olha que hoje vais ver o Harry Potter)?

reforma compulsiva aos setenta e cinco?



Uma coisa que sempre me fez muita confusao na questao do apoio à auto-determinaçao do povo tibetano, eu que na verdade até sou a favor de todas as auto-determinaçoes, era a acumulaçao numa pessoa da liderança religiosa e da liderança política, pessoa essa escolhida pelo democrático método da reencarnaçao. Enfim, estados religiosos, tal e tal, conversa antiga. A novidade é que entretanto já nao corro o risco de ser lapidada de cada vez que suscito a questao, porque o Dalai Lama parece concordar comigo:

Num artigo em que é citado acerca dos seus planos de reforma(!), o Dalai Lama explica que depois da criaçao de uma autoridade política em 2001 se considera semi-reformado e acredita que, a bem da democracia, nao deve ser envolvido nos trabalhos, tanto desta autoridade como do parlamento tibetano.

Também nao tem a certeza de que a instituiçao do Dalai Lama seja ainda necessária ou se deverá procurar um sucessor ou um substituto ainda em vida, mas parece que se quer mesmo retirar. Acho que é um desejo justo e um bom sinal para o Tibete, mas acima de tudo acho que bem podia começar uma moda.

Nem quero imaginar a velocidade a que se mexeria a Igreja Católica se o Papa se reformasse aos 75. Era coisa para deixar uma pessoa com tonturas.

Monday, November 22, 2010

é muito bonito e tal e tal mas nao contem comigo



Agora a sério, deixem lá as fraldas descartáveis em paz (e concentrem antes os vossos esforços em torná-las recicláveis, biodegradáveis, etc. A imagem, por exemplo, é das gDiapers, uma alternativa australiana em que só se troca o interior da fralda, que se pode deitar na sanita ou mesmo juntar ao composto, porque totalmente biodegradável).

Thursday, November 18, 2010

nao respire, quero respirar, nao respire, quero respirar, nao respire, quero respirar

Oito "dicas" da Visao para sobreviver ao "acontecimento político do ano"


Para o caso de ainda nao ter reparado ou de estar mais preocupado com coisas que tenham uma intervençao mais directa no tamanho do buraco do seu bolso, a cimeira da Nato em Lisboa é o acontecimento político do ano. Como é próprio de um acontecimento político, o papel da populaçao é o de lhe sobreviver, na medida dos possíveis. Neste caso, sobreviver-lhe pode ser resumido a uma mensagem: FIQUE EM CASA. Ou noutras palavras, nao se meta. Se tiver nascido antes de 74 e tiver conseguido sobreviver ao regime sem levar tareia, é provável que possa dispensar as dicas da Visao abraçando formas de comportamento já testadas, de contrário aqui seguem, ipsis verbis.

1. "Evite circular ou estacionar em toda a zona do Parque das Naçoes. Se morar perto, seja paciente."

Gosto bastante deste detalhe, porque só exige paciência a quem more perto, quem morar no Parque das Naçoes parece estar livre de ser impaciente, desde que traduza a sua impaciência numa inércia que nao dê lugar nem à circulaçao nem ao estacionamento.

2. Fuja dos trajetos pelos quais circularao as delegaçoes, bem como das áreas em volta dos hotéis onde estas estao alojadas.

Esta é uma das minhas favoritas. O cidadao deve investigar os hotéis onde estao alojadas as delegaçoes e os trajetos pelos quais circularao, fugindo de seguida a sete pés de tal local. Evidentemente que isto só se aplica a quem nao ficou em casa, mas exige-se a pergunta: devemos fugir de forma paciente?

3. Evite ser desnecessariamente curioso quanto aos locais onde irao estar presentes as delegaçoes.

A medida de curiosidade necessária no que diz respeito a uma organizaçao de que o seu país faz parte, que está correntemente em guerra e cujos fundamentos exigem do seu país que parta em socorro de outro caso esse assim o solicite nao é especificada pela Visao, mas supoe-se que, na ausência de uma escala oficial, possa ser arbitrariamente definida por qualquer membro das nossas estimadas forças policiais. Infelizmente, nao é claro como podemos evitar ser desnecessariamente curiosos acerca dos locais onde se encontram e pernoitam as organizaçoes e fugir das áreas dos hotéis onde estao alojadas e dos trajetos por onde se deslocam ao mesmo tempo.
Estou tentada a acreditar que o paradoxo nao seja acidental: na dúvida o cidadao pode sempre ficar em casa. In dubia nao te metas.

4. Adote comportamentos que nao atrapalham a açao policial. E lembre-se de que, por muito que o possam aborrecer, as indicaçoes dos agentes também se destinam a protegê-lo a si.

Se se cruzar com um corpo policial a espancar um cidadao, é recomendado que se afaste do local indicado. Caso nao siga esta indicaçao, claramente destinada a protegê-lo, é provável que leve também (ver ponto abaixo). Se existirem ramos de árvores ou pedras no caminho que possam atrapalhar a açao policial, é recomendado que os afaste. Estar no caminho também pode atrapalhar a açao policial, mas evite ser desnecessariamente curioso quanto ao caminho previsto.

5. Se participar numa manifestaçao, procure nao o fazer de face oculta e mantenha a cabeça destapada. Mas a polícia nao deverá aborrecê-lo se, em caso de chuva, cobrir a cabeça com o capuz do anoraque.

Como é evidente, participar numa manifestaçao é pouco compatível com ficar em casa, pelo que já de si é pouco recomendável. Caso o faça repare no entanto que é importante que a polícia o possa identificar nos vídeos e fotografias que faz deste tipo de eventos, que evidentemente só sao passíveis de ser utilizados como ónus da prova numa das direcçoes. Por outro lado, é possível que chova, altura em que, na sua infinita generosidade, a polícia nao me "aborrecerá" se eu cobrir a cabeça com o capuz do meu anoraque, o que me deixa bastante aliviada.
Infelizmente o artigo refere apenas anoraques, pelo que recomendaria perguntar a um agente caso tenha vestido antes uma parka, uma gabardine, um casaco ou tenha por hábito proteger-se da chuva com um chapéu impermeável. Tenha no entanto paciência e procure nao se mostrar desnecessariamente curioso.

6. A PSP também recomenda que se evite a associaçao a "grupos extremistas/radicais" (num primeiro documento, chamou-lhes "grupos com cariz anarco-libertário").

Desde que a Lusa garantiu que a polícia descobriu na fronteira panfletos anarquistas e anti-guerra, no mesmo tom que costuma usar para apreensoes de droga ou a descoberta de redes da Al Qaeda que o país ficou a saber que os anarquistas sao os maus da fita. Parece até que é fácil identificá-los, uma vez que, ainda de acordo com a Lusa, transportam consigo roupas pretas (se nao tem um anoraque de outra cor é recomendado que nao o traga para uma manifestaçao - aqui entre nós, eu também nao apostaria na capacidade da polícia de distinguir entre preto, cinza antracite e azul escuro. Jogue pelo seguro).
Ser contra a guerra, como se pode ler nas notícias da nossa única agência noticiosa, é também uma forma de extremismo, pelo que é aconselhado que, caso decida participar na manifestaçao anti-guerra (ou no concerto do Bloco de Esquerda, que se distancia assim de manifestaçoes extremistas convocadas por organizaçoes como a CGTP), opte por nao distribuir panfletos radicais que defendam o fim da guerra ou a anarquia. Alternativas bem vistas e consideradas moderadas sao panfletos defendendo a retirada faseada de países que salvámos recentemente ou cartazes exigindo pouco estado, uma coisa a caminho da extinçao do Estado mas convenientemente moderada e de resto bastante popular junto das autoridades.

7. Nao se associe a contextos de desordem pública e afaste-se imediatamente, se acontecerem... A carga policial nao há de tardar.

Dia 18 de Novembro de 2010 (alguém tem de ir assinalando a História): o dia em que um dos bastioes do jornalismo português explicou aos cidadaos nacionais que se nao se afastarem de "contextos de desordem pública" (cuja definiçao deve estar a cargo do mesmo agente que decide o grau necessário de curiosidade e os modelos de protecçao contra a chuva aceites) vao levar porrada da polícia que se lixam. Como se pode depreender do texto, a carga policial é a única medida prevista no caso de "contextos de desordem pública" que aconteçam (os contextos acontecem muito), o que nao deixa de ser cândido, nao me lembro de alguma vez isto ser admitido de forma tao sincera.
Ora no caso de uma carga policial, se nao está ali para apanhar está ali só para atrapalhar, o que como já vimos nao é de forma nenhuma indicado caso deseje "sobreviver ao acontecimento político do ano" (é de mim ou este verbo tem vindo a ganhar uma tonalidade algo mórbida à medida que as "dicas" avançam?).

8. Numa situaçao de emergência, mantenha a calma e ligue para o 112.

Se estiver a assistir a uma carga policial, por exemplo, o que como já vimos só é aceitável se morar num edifício com vista para a mesma (altura em que terá cumprido a 'dica' de ficar em casa mas pode ainda estar a ser desnecessariamente curioso - cuidado!), pode chamar o 112 caso existam por exemplo demasiados cidadaos a atrapalhar a açao policial. O 112 pode também ajudá-lo caso tenha apanhado uma pneumonia à chuva ou tenha torcido o pé fugindo em debandada de uma rua onde ia passar uma comitiva. Por outro lado, se o seu problema for o excesso de roupa preta no armário ou as dúvidas face a como combinar casacos de outras cores que nao preto, a mini-saia tem escrito bastante sobre as possibilidades do camel, uma cor muito em voga nesta estaçao. Infelizmente a pesquisa por anoraque nao devolve nenhum resultado.


(a fotografia é mesmo do site da PSP, nao sou eu que ando a ver filmes a mais)

a couple of flurries



Agora que já caíram as folhas todas (e que lindas que elas eram!), o Outono começa a fazer-se frio e na semana que vem caem os primeiros flocos de neve, de acordo com o AccuWeather. Ah, a poesia da mudança de estaçoes, o lirismo da passagem do tempo.

E a vocês aí no país das três estaçoes de t-shirt, a sonhar com cachecóis, convencidos de que me fazem inveja.

Wednesday, November 17, 2010

life as rita maria


Às quartas feiras costumamos encontrar-nos todos em casa de um amigo. Eu hoje só ia mais tarde porque tinha um jantar. De manhã telefonei a desculpar-me porque não tinha conseguido fazer nada para a sobremesa e que tinha de comprar alguma coisa - a minha amiga riu-se e disse que o jantar era só para a semana. Entretanto o encontro de quarta feira foi passado para amanhã, mas eu tinha de estar em casa para receber uma escada. Pelo meio escreveram-me com um convite irrecusável para um jantar do outro mundo também na quinta e eu passei o convite à miúda da escada, em jeito de agradecimento e presente de aniversário. A miúda da escada, como eu lhe acenei também com a possibilidade de mudar a entrega para o dia seguinte, mudou a escada para sexta-feira, pelo que eu aceitei o convite para o jantar de amanhã, encomendei só para uma pessoa e vim para casa a correr pedir à vizinha o secador emprestado para ir apresentável. A vizinha, que é uma querida, ofereceu-se logo para o vir buscar depois e o namorado, que estava em casa dela, também quis logo ver a minha casa, que alegadamente é muito gira. Logo, vim para casa lavar a louça e arrumar a roupa lavada, que está em cima da cadeira há três semanas. Arrumei, comi uma torrada e fui tomar banho. Antes de lhe ligar a dizer que já podia vir vim ver o meu e-mail. Escreve o senhor do jantar de amanhã: "Acho que me percebeste mal, o jantar é hoje!".

Estou mesmo a precisar de férias.

e nao é que em 2005 o meu padrasto já tinha dito tudo o que havia para dizer sobre manuel alegre numa só frase?


Andei a fazer uma pesquisa no monte de ruínas à espera de manutençao que é o Boas Intençoes do Antigamente (o blogue salvo da cache do Google quando em 2006 o blogger o perdeu) e encontrei esta delícia de 28 de Dezembro de 2005:

"Manuel Alegre teve uma oportunidade única, e desperdiçou-a várias vezes."


wake up and smell the coffee


Agora a sério: onde é que foram buscar essa ideia sem pés nem cabeça de que se vier o FMI todos os ricos e poderosos serao despojados de privilégios, os ministros perdem pelo menos meio motorista e isto corta tudo a eito, friends or no friends? E, independentemente de onde a tiverem ido buscar, porque é que acreditaram?

por um mundo em que alguém se ria de mim

uma espécie de manifesto



Educamos as nossas crianças para nao olhar, nao apontar, nao rir dos outros. Cada vez mais criamos uma sociedade em que o cúmulo da boa educaçao é fazer de conta que o outro nao está presente - damos-lhe assim mais liberdade de ser (especialmente em Berlim onde ninguém nos olha de esquina por sermos diferentes), poupamos-lhes a humilhaçao ou o desconforto, mas também nos tornamos mais anónimos, mecanizados, funcionais, isolados. Mais sozinhos.

Hoje desiquilibrei-me no metro e uma velhinha riu-se. Fiquei tao emocionada que tive de puxar com força as lágrimas que me vieram aos olhos.

Isso quer dizer que estou muito cansada, claro. Mas também que hei-de ensinar os meus filhos nao só a procurar activamente pessoas que possam precisar do lugar deles no comboio, ou a deixar a mochila no colo em vez de no banco do lado, mas também a rir-se com as pessoas de coisas engraçadas e a flirtar com rapazes giros ou velhotas expressivas. Na mesma leva do samos uns prosoutros, vou-lhes contar que somos uns com os outros, que isto uma sem a outra nao faz sentido. E que às vezes isso se traduz numa gargalhada simpática.

(a cena do Mon Oncle nao é a que estava à procura para ilustrar este post, mas é a mesma colina. Conhecem a cena, aquela em que as crianças assobiam, as pessoas que passam de bicicleta olham para trás e esbarram de seguida contra o poste? É genial, vou ver se encontro o vídeo)

Tuesday, November 16, 2010

a pasionaria mais doce




Hoje de manha o meu secador estragou-se, deixando-me com um aspecto deplorável e um mau humor do pior, que rapidamente tomou a forma de uma dor de cabeça (ainda bem que alguma coisa tomou forma hoje, humpf). Mas agora acabei de me cruzar com esta cançao e estou como nova.

Com o que sempre vos conto que a única soluçao para um bad hair day é música revoluccionária.

(de preferência do vosso bairro, locally grown produce, organic, iata, iata, iata)(e se nao gostar de música revoluccionaria pode ser outra coisa? Nao, as pessoas que nao gostam de música revoluccionária merecem bad hair days e as neuras acopladas, lamento muito)

Monday, November 15, 2010

dá-me um copinho de vinho, isso sim maridinho, isso sim maridinho, água fria faz-me mal


(esta mulher é muito boa) (nao se queixem, encontrar coisas destas vale pelo menos tanto como escrever um post sobre o meu fim de semana aborrecidíssimo)

carta a um filho


Escreve o reitor de uma universidade italiana ao seu filho, em carta aberta, citada num artigo da Time sobre a fuga da juventude italiana. Um artigo em que muitas vezes, nao é só na carta do reitor, podiam estar a falar de Portugal (e em que noutras dizem grandes disparates).

Sunday, November 14, 2010

quatro (quatro!) e um quarto


Hoje ia ver o por do sol mas cheguei atrasada.

Friday, November 12, 2010

rita maria e os fatos da vida


Se uma pessoa tiver acabado de descobrir que as calças do seu fato preto lhe ficam maravilhosamente, como se tivessem sido cortadas para cada uma das suas múltiplas irregularidades, pode passar a usá-las três vezes por semana ou daqui a seis meses elas já nao combinam com o casaco?

ah, isto explica muita coisa

(Do maravilhoso Learn Something Every Day)

Wednesday, November 10, 2010

another homo issue


Ando com um enorme problema com as palavras homófonas, especialmente em Inglês (também em Português, menos em Alemao). Quanto mais cansada estou, mais o meu cérebro me manda escrever uma coisa com um som vagamente semelhante ao que eu pensei há uns décimos de segundo - é tao estranho, logo eu que penso mais em grafias do que em sons.

Por exemplo penso worth, sei o que é e como se escreve, mas os dedos lembram-se primeiro de como se escreve worst, que nem é assim tao semelhante do ponto de vista do som, e escrevo.

Uma pessoa pode contrair dislexia aos vinte e oito anos?

Tuesday, November 09, 2010

e porque isto, tem dias, é o blog oficial do clube de fas da Helena



E nao é que ela deu em autora publicada, em papel, do antigo, para toda a gente e nao só para os privilegiados das internets? Que venham muitos, é o que vos digo.

(roubei a imagem ao José Bandeira, que também é muito bom e também por lá anda, mas esse já tem clube oficial de superior qualidade, pelo que eu calo-me muito caladinha)

la vie en rede


Ontem passei o dia todo a tentar encontrar uma pessoa para uma posiçao, depois coloquei a questao como mensagem no meu perfil do Linkedin e em cinco minutos tinha uma sugestao, que por acaso era uma pessoa que eu conhecia bem do Twitter, uma ideia excelente e que disse logo que sim em cinco minutos. Depois estava a conversar no Facebook que a minha tia favorita, que ia fazer broa frita para o jantar e que estava com pena que eu nao pudesse também mas, tchan tchan, eu podia porque a minha mae me tinha congelado uns quadradinhos. Logo fui comprar bifes e para casa para casa fritar broa. E a seguir ainda vi que uma amiga emprestadada tinha feito anos e fui para a varanda fumar uma cigarrilha em honra de a ter conhecido.

Sem internet o meu dia de ontem resumia-se a "passei o dia todo a tentar encontrar uma pessoa para uma posiçao, sem sucesso".

Monday, November 08, 2010

muitos anos depois, esta continua a ser a minha opiniao sobre ter uma casa só para mim

(assim nao se lê nada, claro, mas vocês sabem o que fazer)

uma pessoa desaparece por um fim de semana e o mundo vira-se do avesso


Que piadinha é essa do Benfica e do golf? Me nao capisce.

revolucionário, esquizofrénico, fofinho e....pim?



Nao sei o que mais me irrita. Talvez seja o facto deste senhor insistir na sua campanha e discurso esquizofrénicos (uma campanha contra os partidos e as elites políticas, dos cidadaos, tendo como candidato um membro do PS que critica o governo e quatro anos depois um candidato do PS, mas ho!, ho!, ho!, também da sociedade civil, que é apoiado pelo Bloco de Esquerda, indo depois a congressos da CGTP explicar que as políticas do PS, partido pelo qual se candidata à Presidência da República, sao do piorio).

Mas acho que acima de tudo o que me incomoda é este discurso sobre a greve geral como um momento enternecedor e fofinho na luta carinhosa por um país melhor.

Como se devêssemos todos fazer greve e fazer parar o país para dar aos camaradas do Governo um alerta, discretamente, com o cotovelo, acompanhado de um piscar de olho, sobre o facto de que no fundo, lá mesmo no fundo da nossa racionalidade democrática, somos talvez da opiniao que o estado das coisas se mantinha melhor indo por um caminho ligeiramente diferente. Como se nao fizéssemos uma greve geral porque estamos cansados de vir em quinquagésimo lugar antes de uma pluralidade de mercados, regulamentos, grupos económicos e agentes desconhecidos, como se a greve geral fosse um instrumento que os sindicatos aplicam a seguir à conferência de imprensa sobre estarem tristes com a política do governo, como se nao tivesse chegado o momento do descontentamento ser revolta. Como se isto nao fosse um momento chave da luta pela sobrevivência de um país cada vez mais condenado à pobreza, mas uma amável partida de xadrez no gentleman's club da esquina, onde se reúne para falar de política a fracçao da esquerda que acredita no Pai Natal.

A partir de Janeiro, a minha família, que conta com três crianças em idade escolar, vai receber seiscentos euros a menos (nao estou a contar com os cortes do abono porque se bem me lembro nunca tinha sido nada de assinalável). Se encontrassem José Sócrates na rua, duvido que o quisessem informar amavelmente da sua discordância face a uma política que se calhar nao é a mais inteligente e sugerir, entre um macarron e um cafézinho, que se calhar preferiam que o país tivesse menos BPN, menos submarinos, menos pobreza e menos desigualdade.

Mas o melhor que a esquerda conseguiu arranjar neste contexto foi um poeta medíocre que vai aos congressos da já hesitante CGTP repetir deixas dos ursinhos carinhosos. E, entre o PS, que está no governo, o Bloco, que é contra as políticas de austeridade mas também apoia o Grande Ursinho Folgazao e o PCP, tao fechado em si mesmo que nao reconhecia a luta de classes se ela lhe caísse em cima, vao-nos convencendo que este senhor é a única alternativa viável a Cavaco e o último reduto, o único caminho possível para uma esperança qualquer.

O que se calhar é verdade, mas nem por isso é menos triste.

Friday, November 05, 2010

e-u-d-i-g-o-m-u-i-t-o-d-e-v-a-g-a-r-i-n-h-o-p-a-r-a-n-a-o-s-e-a-s-s-u-s-t-a-r-e-m


Eu precisava de saber se o pequeno parque à frente da minha casa, que vai ser vendido, já tinha sido passado para a responsabilidade do departamento que vende a propriedade pública e, caso ainda nao o tivesse sido, quanto tempo de vida ainda teria. Telefonei ao tal departamento que vende propriedade, que disse que ainda nao, ainda estava nas maos do departamento de espaços verdes. Como nesse nao atenderam, escrevi um e-mail para o endereço da página. O meu e-mail foi parar ao filtro de Spam mas descobriram-no passado um dia ou dois e responderam. E como eu respondi com mais perguntas, o senhor telefonou-me, para garantir que respondia mesmo a tudo.

Quantos anos de impostos é que era mesmo preciso antes de meter os papéis para a cidadania?

Thursday, November 04, 2010

may you live in interesting times



Hoje, o Boas Intençoes faz seis anos. Seis anos de amores e desamores, de crescer e de ser pequenina, de chegar a Berlim, deixar Berlim, partir para Bath, assentar em Praga e regressar a Berlim, neste intermezzo cada vez mais definitivo. Nao sei o que me espanta mais, se as recompensas desta gestao da memória, dos seis anos comigo, acordada e registada, se o retorno, quase absurdo, dos seis anos convosco.

Há quem garanta que se tivesse vida nao tinha blogue, da minha parte sempre vos conto que tenho mais vida porque tenho um blogue.

Conheci pessoas que fizeram de mim uma pessoa melhor, aprofundo mais as minhas opinioes de algibeira porque tenho de com elas enfrentar a vossa exigência, vivo mais intensamente as minhas anedotas porque vocês também se riem, leio livros que me recomendam, vejo filmes de que me falaram, faço paes que conheci noutros blogues, descubro a vida com outra urgência, partilho as poucas certezas que tenho e o meu optimismo de mundo sabendo que do outro lado me lê a Clarinha, que também acredita que há um cantando e rindo escondido em cada dia cinzento.

Sou mais porque sou convosco e estou-vos muito agradecida.


(já tinham reparado neste senhor de lancha no Bosch? Está tudo excitadíssimo com o Chaplin e a senhora que fala ao telemóvel, mas eu cá hei-de continuar a fazer descobertas improváveis em pinturas antigas)

Wednesday, November 03, 2010

toma que é para veres como é útil dar todos os pormenores da vida nas caravelas uma vez de dois em dois anos até à exaustao



Outro dia a provocaçao falava do facto de todos os portugueses que acabam a escolaridade obrigatória conhecerem a fundo as causas do escorbuto, uma doença da qual nao me parece provável que a maioria de nós venha a padecer. Rimo-nos todos muito porque era mesmo verdade: ainda sabíamos todos na ponta da língua de onde vinha tal doença e no que resultava.

Agora uma das minhas melhores amigas, tártara, tem uma coisa no lábio devido à falta de vitaminas (suponho que para o lado da Grande Mae Rússia se dêem antes a fundo as frieiras).

Fiquei com pena dela, mas nao demasiada - andam por ali pela História afora como se Portugal nao tivesse tido um passado áureo e depois é vê-los para aí, quase trinta anos, sem saberem estas coisas fundamentais.

ainda a dizer disparates curtinhos


Desde sábado que uma queda de bicicleta me deixou com muito mais espaço na cabeça e ainda nao tive nem uma ideia nova (a Ginger está fina, claro, que as quedas de bicicleta sao como os pacotes de austeridade portugueses - é ela que se acidenta mas sou eu que fico com nódoas negras, roxas e amarelas e galos na cabeça) (dirao vocês que sou eu que vou ao volante - pois devolvo-vos a responsabilidade insistindo na metáfora...e agora?) (de resto as bicicletas nao têm volante).

Tuesday, November 02, 2010

post deprimido ou deprimente ou nem uma coisa nem outra mas lá que nao é boa coisa nao é


A última vez que me ri a sério, assim de nao conseguir parar e deitar feijoes pelo nariz, foi em Agosto.

entre o pensar pequenino e o nao pensar de todo


Com um misto de curiosidade e masoquismo, fui ver o que andavam a dizer os blogues do governo sobre o novo orçamento de estado, os cortes nos apoios sociais, nos investimentos, nos salários da funçao pública. Estava a dormir, porque a resposta é evidente: estao a dizer mal do PSD.

O que é assustador nos comentadores diz-que-sim-senhor é que já nao defendem as políticas dos políticos da sua preferência, basta-lhes atacar a alternativa mais evidente. De cada vez que já nao podemos esconder a indignaçao garantem-nos que, estando nós entre a espada e a parede, eles sao ainda a parede. Com o que vao vendendo baixinho também a mensagem subliminar de que, assim como assim, nao nos podemos mexer.

Até ver. (olha aqui um bocadinho de esperança escondido perfeitamente ao despropósito)

contos exemplares



Era uma vez uma rapariga que nao tinha nenhum medo de mudanças e brincava com cenários alternativos pelo menos três vezes ao dia. Depois ameaçaram cortar-lhe umas arvenzinhas que tinha em frente à janela e foi um drama de meia noite, que se lhe cortassem as arvenzinhas tinha de sair dali e nao queria sair nem por nada. Conta-me histórias, Rita Maria.


(Explicaçao e Update: eu moro no pátio de um prédio, mas mesmo em frente a uma Baulücke (uma parte da rua onde nao foi construído nada ou onde o que foi construído foi bombardeado) pelo que tenho, através desse bocadinho de terreno que já foi um pequeno parque infantil e agora é só um jardim de quem ninguém trata, vista para a rua e, acima de tudo, para as árvores da imagem. A junta de freguesia (em traduçao rápida) já decidiu que estava decidida a passar o terreno aos Liegenschaftsfonds, uma espécie de leiloes da cidade que vendem terrenos públicos, decisao tomada já há mais de um ano, senao dois. A razao pela qual fiquei preocupada é que a partir de dia 1 de Novembro é permitido cortar árvores em Berlim e desde a semana passada que o jardim está gradeado com um sinal a proibir a entrada no "recinto de construçao". Ora na minha terra isso sugere que vá haver uma construçao. Entretanto acabo de ligar para os Liegenschaftsfonds que me garantem que nao venderam tal terreno, ainda nao têm sequer tal pedacinho de terreno à venda ou sob a sua alçada e que no PDM cá do sítio ele ainda está classicado como "espaço verde" (embora possa haver, disse ela, um "plano B"). Agora vou ligar para o gabinete dos espaços verdes. Wish me luck.)

anybody find me


Nao nego que somebody to love também desse jeito mas (tem dias, claro) em que somebody to cook (for) me chegava perfeitamente.

Monday, November 01, 2010

um sentido de ironia muito filho da puta


Hoje, num Portugal mais antigo, as crianças andam de casa em casa a pedir pao por deus. Também hoje, num Portugal de políticas modernas, entram em vigor os cortes no abono de família.

(em jeito de disclaimer: eu nao digo palavroes, é verdade. Mas se calhar andava só a guardá-los para quando fosse preciso, para quando fizessem sentido, para quando o resto do vocabulário nao me chegasse. Acho que foi agora, olhando para este plano de austeridade, para onde corta e especialmente para onde nao corta, asco e vergonha vao chegando cada vez menos para explicar o que sinto face à nossa miséria e ao empenho com que a perpetuamos)


meu deus, isto dos blogs funciona


Nao comprei uma caixa de bolachas nem fiquei com dor de cabeça (ie, durante a visita ao Ikea, o fim de semana é outra história).