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quinta-feira, 11 de junho de 2009

Fernando Lopes-Graça (Tomar, 1906 - Parede, 1994), SOBRE A EVOLUÇÃO DAS FORMAS MUSICAIS (1940)



PREFÁCIO DA 2.ª EDIÇÃO
Publicado pela primeira vez faz dezanove anos, este livrinho teve a fortuna de ser bem acolhido tanto em Portugal como no Brasil, e há muito se achava esgotado. A ideia do seu editor de o reiprimir corresponde a uma penhorante solicitação do público. O autor achou conveniente fazer, não uma refundição, mas uma revisão do seu trabalho, expurgando-o de alguns erros, de certas imprecisões na exposição, e acrescentando-lhe, por outro lado, meia dúzia de linhas sobre os novíssimos aspectos que a matéria versada reveste. Uma sumária e talvez útil Bibliografia completa o ensaio -- título porventura ambicioso para um escrito que não pretende à originalidade, mas visa sobretudo um fim pedagógico.
Lisboa, Maio de 1959
F.L.G.
INTRODUÇÃO:
CONSIDERAÇÕES GERAIS
De todas as ideias filosóficas modernas, uma das mais espalhadas, mas também das mais perigosas, pelo seu abusivo emprego, é sem dúvida a de progresso. Justa e plenamente aceitável quando se trate das conquistas materiais e mesmo das relações sociais do homem, é todavia de melindrosíssimo uso quando aplicada às coisas do espírito e, mormente, à Arte.
Fernando Lopes-Graça, Sobre a Evolução das Formas Musicias, 2.ª edição, Lisboa, Editorial Inquérito, 1959, pp. 9/11.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

poesia de cascais #1 - Fernando Pinto do Amaral


Onde estás, minha vida em câmara lenta,
janela toda aberta onde procuro
o vento, a luz da noite? Onde estarás,
melodia cantada a soluçar
numa cama de grades? Onde estás,
olhar dessas visões em sobressalto.
Casal da Bela Vista, velho pátio
ao som da bicicleta? Onde ficaste,
infinito terraço da Alameda,
varanda cor-de-rosa da Parede
com o sol a morrer sobre Cascais?
Onde estás, corredor de São Filipe,
praia do Monte Branco onde outro eu
se lançava da prancha? Onde estarão
os risos desses primos transparentes,
as lágrimas acesas que brilhavam
como arco-íris de seda no meu rosto?
Onde ficou a última pergunta
em véspera de viagem? Onde está
o mapa dessa alma que foi espuma,
o nó dessa garganta submersa?

domingo, 11 de novembro de 2007

Alexandre Babo

Alexandre Babo (1916-2007) morreu no passado dia 2 de Novembro no Hospital de Cascais. Natural de Lisboa, foi um destacado oposicionista, membro da Maçonaria e militante do PCP. À frente da editora Sirius, publicou Esteiros de Soeiro Pereira Gomes, com capa de Álvaro Cunhal. Homem de teatro, foi um dos fundadores do Teatro Experimental do Porto. Autor de várias peças, ensaios, traduções e do interessantíssimo livro de memórias Recordações de um Caminheiro (1993), uma fonte em primeira mão para a história da oposição ao Estado Novo.
Vivia na Parede. Recordo-me de vê-lo assiduamente nas «Conversas de Cascais», iniciativa que coordenei no Museu Condes de Castro Guimarães, entre 1994 e 1997.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Sob o signo do «Dragão da Crítica» - Romancistas, Poetas, Ensaístas e Historiadores em Cascais (3)

Aquilino Ribeiro (1885-1963), grande mestre da língua portuguesa, um dos maiores escritores portugueses do século XX, comentava desta forma aquilinianamente degustativa, para o Guia de Portugal, coordenado por Raul Proença, o nosso «Carcavelos»: «saborosa jeropiga de tão grande consumo em todo o país sob o nome de Vinho de Carcavelos, e em Inglaterra, sob o de Lisbon Wine.» (10)
Ferreira de Castro (1898-1984), que viveu e escreveu no Estoril na década de 30 (11), num dos seus livros da primeira fase (eliminada da sua bibliografia), tem este apontamento lúgubre e belo: «Cascais, adormecida, vergastada pelo mar, dir-se-ia uma dessas povoações de pescadores que, vistas de noite, parecem cemitérios devastados.» (12)
Fernando Lopes-Graça (Tomar, 1906 -- Parede, 1994), não só um dos principais compositores portugueses como o mais proficiente musicólogo e ensaísta de música do seu tempo -- e, enquanto tal, autor de uma vasta bibliografia onde se espelha o estilo finíssimo de escritor --, em entrevista a Baptista-Bastos para o semanário Ponto, em 1981: «O meu país é a Parede». (13)

Nem sempre as evocações são agradáveis, não deixando, obviamente, por isso, de ter significado. Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), o imortal autor de Voo Nocturno e de O Principezinho, quando, em 1940, escalou em Lisboa, rumo a Nova Iorque, regista, na Carta a um Refém (1944), aquela consabida expressão de Lisboa como «uma espécie de paraíso claro e triste.» (14) Hospedado no Hotel Palácio, Saint-Ex registou a atmosfera geral, «irreal», dos frequentadores do Casino, como que alheados da carnificina europeia que, não muito longe dali, se desenrolava, dia e noite. «Ia respirar à beira-mar. E aquele mar do Estoril, mar de cidade termal, mar domesticado, parecia-me entrar também naquele jogo. Impelia para dentro da baía uma única vaga mole, toda luzidia de luar, como um vestido de cauda fora da estação.» (15)

NOTAS:

(10) In Raul PROENÇA (dir.), Guia de Portugal I. Generalidades, Lisboa e Arredores [924] Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1991 : 612.
(11) Ricardo António ALVES, «Três escritores em tempo de catástrofe: Castro, Zweig e Eliade», Boca do Inferno, n.º 3, Cascais, Câmara Municipal, 1998 : 91-125.
(12) Eduardo FRIAS e Ferreira de CASTRO, A Boca da Esfinge, Lisboa, Livrarias Aillaud & Bertrand, 1924 : Apesar de se tratar duma parceria, não me oferece dúvida o que saiu da pena de um e de outro.
(13) A. BAPTISTA-BASTOS, Um Homem em Ponto. Entrevistas, Lisboa, Relógio d'Água, 1984 : 59.
(14) A. de SAINT-EXUPERY, Carta a um Refém, tradução de Francisco G. Ofir, Lisboa, Grifo, 1995 : 7.
(continua)
 
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