Está visto, não nos sabemos indignar, mas adoramos fazê-lo, sempre a reboque da agenda mediática que nos indica os alvos – errados – para onde disparar. E logo se levanta enorme tumulto nas redes sociais, com muita gritaria e lágrimas de crocodilo em cascata.
A terapêutica que se defende nunca é a adequada e da sua aplicação resultaria geralmente mais intervencionismo e mais poderes para o Estado, exactamente o inverso do que o País precisa.
O 1º ministro aconselha os professores a emigrarem porque não há dinheiro para lhes pagar e já não se fazem meninos? Chocante! Criem-se já mais turmas, nem que sejam de 2 alunos. Pouquíssimos sugeriram que criassem o seu próprio negócio, no ensino ou noutra área;
Há (só agora???) deputados maçónicos que dominam os partidos? Coisa horrorosa! Viole-se já a privacidade das pessoas, aprimore-se o “ficheiro pidesco” de todo e qualquer candidato, obrigando-o a declarar todas as seitas e grupos a que pertença, religiosas ou não (não esquecer de incluir o lobby gay!…). Não passa pela cabeça de ninguém institucionalizar o lobbying, torná-lo mais transparente, fazer com que os gabinetes de advogados que o Paulo Morais aqui refere saiam da “semi-clandestinidade” em que se encontram; não lembra a ninguém exigir a mudança dos partidos, recusar-se a votar em “candidatos” nomeados por grupos de interesse, actuando dentro dos partidos actuais ou formando novos, se necessário.
O Soares dos Santos mudou a sua holding para a Holanda, sendo por sinal o enésimo a fazê-lo? Simplesmente escabroso! Logo esse hipócrita, que andou por aí a pregar moral. Ilustres deputados, que sabem tanto de fiscalidade como Mário Soares de números, desde logo se aprestaram a propôr taxações em cascata, em tripla ou quádrupla tributação do mesmo rendimento, se necessário. Sabem que a populaça adora bater nos “ricos”, essa espécie que deveria ser extinta, e é sempre mais simpático propôr mais dinheiro para o Estado – que o aplica rigorosamente, como sabemos – do que alterar e simplificar um regime fiscal estúpido que só tem expulsado empresas e repelido investimento do país.
Há muitos “laranjas” no Conselho Geral da EDP? Supremo escândalo! Lá está o Passos Coelho a pagar favores, na habitual distribuição de jobs pelos seus boys. Ninguém atentou em 2 pequenos pormenores: a EDP deixou de ser dominada pelo Estado e as nomeações foram feitas pelos accionistas; os nomeados não são propriamente boys, não é gente ligada aos aparelhos mais cavernícolas, mas gente da “corte”, bem falante, bem educada, com ligações a vários poderes, formais ou fácticos e especializada na arte de influenciar o poder. Não é o governo que continua a mandar na EDP, é esta que pretende agora mandar no governo e escolhe as pessoas que entende estarem mais bem posicionadas para o influenciar. Puro lobbying, nunca assumido, como é habitual neste país. A política energética do governo é o busílis da questão. Mas porque não se exige ao governo que deixe de ter “política energética”?
Em suma, exija-se um Estado menos interventivo a todos os níveis, que ele sair-nos-á bem mais barato e não nos dará motivo para tantas indignações.