Serras
"Como à espera do comboio, na paragem do autocarro"
24 Oct 2011
14 Oct 2011
Memória
Perante um cenário que era óbvio para todos, Passos Coelho escolheu, durante a recente campanha eleitoral, mentir aos portugueses relativamente ao que teria de ser feito para emagrecer a estrutura do Estado. Um excelente resumo disto mesmo pode ser lido aqui.
Convém não esquecer isto sempre que somos confrontados com o agora unânime discurso do "é inevitável".
Convém não esquecer isto sempre que somos confrontados com o agora unânime discurso do "é inevitável".
11 Oct 2011
Mistério
O modo como Cavaco Silva é bajulado neste país é algo para o qual não encontro explicação. São tantas as incoerências e mentiras, conjugadas numa sonsice sem paralelo ao longo de tanto tempo, que o facto de ainda lhe restar o que quer que seja de credibilidade junto da opinião pública e comunicação social só pode reflectir o quão atrasados estamos em termos de escrutínio público.
7 Oct 2011
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas*
Não me lembro de termos tomado, como sociedade, a decisão de ficarmos reféns do actual sistema financeiro. Não deixa de ser, no entanto, onde nos encontramos. Depois de em 2008, na sequência da crise financeira global, os governos - todos nós, melhor dizendo - de quase todos os países terem intervido para salvar o sistema financeiro, encontramo-nos à beira de termos de o fazer outra vez. Numa posição mais frágil em termos de contas públicas, também por ser a segunda vez que os contribuintes são chamados a fazê-lo.
Acho, sinceramente, que é inevitável. As consequências imediatas de um colapso do sector financeiro são demasiado graves. Mas, já que não o fizemos depois de 2008, é crucial que discutamos agora, todos, o que temos de fazer para parar esta lógica de nos vermos obrigados a salvar um sector cujas decisões, em termos dos riscos que correm, não se regem pelo interesse público mas por um sistema de incentivos que premeia o imediatismo de curto prazo focado no lucro trimestral ou anual.
A mão invisível, a tal em que nos ensinam que a procura de interesses privados gera o melhor resultado para a sociedade, é em muitos casos uma falácia, como temos vindo dolorosamente a descobrir. Regulamos de uma forma clara várias indústrias que são essenciais para a vida em sociedade como a conhecemos. A electricidade, por exemplo. Consideramos, e bem, intolerável que erros de gestão, ou o assumir de maiores riscos para obter maiores lucros, signifique um aumento de probabilidade de ficarmos um tempo longo sem acesso a electricidade. O sector financeiro não é, neste sentido, assim tão diferente. Os balanços das instituições financeiras representam hoje, em muito países, várias vezes o PIB anual desse país. O grau de alavancagem, isto é, o tamanho do balanço face aos capitais próprios, mantém-se, mesmo depois da crise de 2008, em níveis historicamente altos. As diversas fusões e aquisições que foram ocorrendo nas últimas décadas criaram instituições cada vez maiores e, como tal, cada vez mais too big to fail. Para os nossos bolsos, entenda-se.
Se é verdade que o crescimento económico global das últimas décadas foi conseguido, em muito, devido ao crédito disponibilizado pela cada vez maior sofisticação do sistema financeiro, também é verdade que somos hoje confrontados com o preço a pagar. A nossa sociedade está, mais uma vez e apenas 3 anos depois, refém de um sistema financeiro que deixámos crescer desordenadamente para lá do que é razoável.
*Verso do poema Sampa, de Caetano Veloso
Acho, sinceramente, que é inevitável. As consequências imediatas de um colapso do sector financeiro são demasiado graves. Mas, já que não o fizemos depois de 2008, é crucial que discutamos agora, todos, o que temos de fazer para parar esta lógica de nos vermos obrigados a salvar um sector cujas decisões, em termos dos riscos que correm, não se regem pelo interesse público mas por um sistema de incentivos que premeia o imediatismo de curto prazo focado no lucro trimestral ou anual.
A mão invisível, a tal em que nos ensinam que a procura de interesses privados gera o melhor resultado para a sociedade, é em muitos casos uma falácia, como temos vindo dolorosamente a descobrir. Regulamos de uma forma clara várias indústrias que são essenciais para a vida em sociedade como a conhecemos. A electricidade, por exemplo. Consideramos, e bem, intolerável que erros de gestão, ou o assumir de maiores riscos para obter maiores lucros, signifique um aumento de probabilidade de ficarmos um tempo longo sem acesso a electricidade. O sector financeiro não é, neste sentido, assim tão diferente. Os balanços das instituições financeiras representam hoje, em muito países, várias vezes o PIB anual desse país. O grau de alavancagem, isto é, o tamanho do balanço face aos capitais próprios, mantém-se, mesmo depois da crise de 2008, em níveis historicamente altos. As diversas fusões e aquisições que foram ocorrendo nas últimas décadas criaram instituições cada vez maiores e, como tal, cada vez mais too big to fail. Para os nossos bolsos, entenda-se.
Se é verdade que o crescimento económico global das últimas décadas foi conseguido, em muito, devido ao crédito disponibilizado pela cada vez maior sofisticação do sistema financeiro, também é verdade que somos hoje confrontados com o preço a pagar. A nossa sociedade está, mais uma vez e apenas 3 anos depois, refém de um sistema financeiro que deixámos crescer desordenadamente para lá do que é razoável.
*Verso do poema Sampa, de Caetano Veloso
25 Sep 2011
22 Sep 2011
Desesperança
Sem respostas para além das de circunstância - o euro é vital para todos os europeus, não deixaremos cair um dos nossos membros - os líderes europeus enfrentam agora o que andaram a adiar nos últimos dois anos.
É penoso ver a Grécia anunciar novas medidas de austeridade semana após semana, cada vez mais contraproducentes, cruéis e irrealizáveis. Medidas impossíveis de implementar, seja quem for que esteja à frente da democracia grega. Todos sabemos isto.
A nova recessão que se desenha no horizonte faz com que não tenhamos o tempo necessário para criar os mecanismos de defesa da zona euro (os tais que descobrimos que faltavam com esta crise). Provavelmente, apenas nos restam medidas de emergência, plenas de incerteza, e todos os custos sociais, políticos e económicos que daí decorrerão.
É esta desesperança que se sente nas tais, cada vez mais frequentes (e isso também é significativo), declarações de circunstância.
É penoso ver a Grécia anunciar novas medidas de austeridade semana após semana, cada vez mais contraproducentes, cruéis e irrealizáveis. Medidas impossíveis de implementar, seja quem for que esteja à frente da democracia grega. Todos sabemos isto.
A nova recessão que se desenha no horizonte faz com que não tenhamos o tempo necessário para criar os mecanismos de defesa da zona euro (os tais que descobrimos que faltavam com esta crise). Provavelmente, apenas nos restam medidas de emergência, plenas de incerteza, e todos os custos sociais, políticos e económicos que daí decorrerão.
É esta desesperança que se sente nas tais, cada vez mais frequentes (e isso também é significativo), declarações de circunstância.
21 Sep 2011
Vergonha
Cavaco, que fala do sorriso das vacas e não de um dos maiores escândalos da política portuguesa. Passos que coloca, em público e explicitamente, o futuro do país dependente de um acontecimento que todos sabemos que vai acontecer (incumprimento da Grécia).
Um governo. Um presidente. Uma merda.
Um governo. Um presidente. Uma merda.
16 Sep 2011
Nota mental
Nunca subestimes o poder de um vício. Mas também não te esqueças que podes ser (e já foste) feliz não lhe cedendo.
15 Sep 2011
14 Sep 2011
Os sem-noção
Se alguma coisa puder ser explicada por estupidez, não procures outra explicação. Esta frase, que ouvi há muitos anos, tem uma actualidade particular quando se olha para os vários governos da Europa, a tentarem lidar com uma crise que, para ser sincero, nos ultrapassa a todos.
O que se passou, e continua a passar, foi exactamente o contrário. Se alguém se der ao trabalho de recolher as diversas declarações dos n responsáveis políticos desde o início da crise de dívida soberana, o que vai encontrar são acima de tudo recriminações e hesitações, numa confrangedora falta de capacidade de entender o ideal de construção europeia e escapar à mera gestão dos respectivos calendários eleitorais. E, já agora, de conceber e explicar os custos incalculáveis do fim da moeda única.
Mas, no fundo, a explicação da crise europeia é simples. Chama-se falta de confiança. Mesmo na ausência dos mecanismos necessários para enfrentar uma crise numa união monetária, creio que bastaria que os mercados (os investidores) acreditassem que os diversos membros da Zona Euro estariam inequivocamente na disposição de fazer o que fosse necessário para ajudar qualquer país membro que enfrentasse dificuldades conjunturais (como Portugal), ou mesmo estruturais (como a Grécia).
Aparentemente sem noção dos riscos que estão presentes e de como se torna cada vez mais difícil recuperar uma confiança que se andou a destruir no último ano e meio, a atitude da Europa tem sido, como dizer... Isso, estúpida.
Para a Mê
Há cinco anos atrás ainda não te conhecia, Mê. Daqui a umas horas, quando amanhã já tiver começado, faz então cinco anos que nasceste. De olhos pretos, enormes, abertos para o mundo.
Que a vida te seja leve, filha, escrevi aqui nesse dia. Hoje quero acrescentar: que te saibas manter assim, como és. Feliz, curiosa, determinada, justa, preocupada com os outros, sem medo de fazer perguntas. Amo-te.
Que a vida te seja leve, filha, escrevi aqui nesse dia. Hoje quero acrescentar: que te saibas manter assim, como és. Feliz, curiosa, determinada, justa, preocupada com os outros, sem medo de fazer perguntas. Amo-te.
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