Friday, September 30, 2011

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaiii


Que é tudo hoje.

ritter sport


Ontem fui comprar umas tabletes de chocolate para por no roupeiro. Diz que as calorias sao uns bichihos que encolhem a roupa de noite e eu quero muito a minha saia travada de volta.

Thursday, September 29, 2011

como nao tenho ideias, para um post também vou por o press release, pode ser?


Menos Gorduras, sim! Porcarias nao!


"O colesterol é uma substância anónima que circula no nosso sangue que, quando encontrada em excesso, é uma das principais causas de doenças cardiovasculares". Já o link para essa meca de informaçoes sobre doenças cardiovasculares, o Facebook de uma margarina, dispenso, está bem? Também nao queremos exagerar, depois parecia demasiada coincidência.

Para além disso, toda a gente sabe que eu partilho o entusiasmo do nosso Presidente por les vaches qui rient aux Açores. Menos gordura? Sim. A mesma quantidade de gordura mas de origem e conceção desconhecidas? Nao, obrigada.

Wednesday, September 28, 2011

chercher une aiguille dans une botte de foin II


Era uma vez uma rapariga muito burrinha que estava à procura de uma agulha de tricot pousada numa mesa branca. Encontrava a agulha e dizia: "Mas não, não é esta". E procurava. Encontrava a agulha e dizia: "Ó pá era outra, mais curvadinha aqui nesta parte". E procurava. Encontrava a agulha e dizia: "Como é possível que eu não encontre a agulha, por amor de Deus". E procurava. Encontrava a agulha e dizia: "Esta outra vez...já disse que não é esta!". E procurava. E procurava. E depois finalmente encontrava a agulha e era aquela, claro.

(isto é para dizer muito obrigada, mas já nao preciso de ajuda com aquele post ali de baixo)

ó senhor bispo*


Sete elementos do PND (lembram-se, aquele do Manuel Monteiro?) (iiii, o Manuel Monteiro) estao barricado no Jornal da Madeira, que acusam de ser "um meio que “enxovalha, humilha e goza todos os dias com a oposição". Só saem de lá depois de falar com as autoridades, a saber: o vice-presidente do governo regional ou o senhor bispo do Funchal.


*Lembram-se de jogar ao "Ó Senhor Doutor"?

baumschule

vá lá alguém nao amar uma língua assim(III)

Uma palavra alemã deliciosa, que à letra quer dizer "escola de árvores", para designar um viveiro ao qual podemos ir comprar uma árvore jovem para o nosso jardim, a nossa coutada ou a nossa decoração natalícia.

Tuesday, September 27, 2011

chercher une aiguille dans une botte de foin


Preciso de encontrar uma canção em que o senhor diz "Je t'aime" muitas vezes. Não é para mim mas é muito importante e, pior que isso, urgente. A canção é aquela que toda a gente conhece, vocês também e eu então nem se fala. Mas não encontro e como não há cantor francês (francês ou não francês, na verdade) que ainda não tenha declarado musicalmente o seu amor, estou há uma hora à procura de uma agulha num palheiro. Alguém?

se um lisboeta tiver uma vespa amarela, consegue subir até ao Castelo?



E se esse lisboeta for antes uma minhota berlinense estacionada em Lisboa? Eu estou cheia de trabalho até às orelhas, mas estas questoes passam a vida a cruzar-me as ideias competindo pela minha atenção, e competem de forma arrasadora.

Monday, September 26, 2011

what's the worst that can happen to you?


Uma mulher pode ser obrigada pelo marido a um acto sexual. Isto é grave. Pode com esse intuito ser ameaçada com uma arma. Isso é ainda pior. O acto sexual em questão pode ser de teor sado-masoquista. A situação não melhora. A humilhação pode ainda por cima ter lugar à frente de várias pessoas. Ainda mais horrível. E, para piorar as coisas, essas pessoas podem também ter o direito de participar no tal acto sexual a que a mulher terá sido forçada.

Esta situação ainda podia tornar-se pior? Podia sim senhor: no decorrer do acto sexual a vítima poderia ainda ser forçada a ouvir conselhos de moda do José Castelo Branco.

agenda



Dias que faltam para o simpósio que tenho de apresentar: 4
Dias que faltam para eu saber o que vai acontecer à minha vida: 4
Dias que faltam para aterrar em Portugal: 7
Dias que faltam para o casamento do meu pai: 9
Dias que tenho para alcançar resultados estrondosos com a dieta, dignos de ficar eternizados no álbum de fotografias: 9
Dias que tenho para decidir que sapatos usar no casamento: 6
Dias que faltam para a minha estadia em Lisboa: 10
Dias de trabalho que tenho, após o regresso de Portugal, para preparar a minha última conferência: 3
Dias que faltam portanto até isto acalmar: 18


Data marcada para o meu colapso: ainda desconhecida.

Sunday, September 25, 2011

uma aura de mistério

o jornalismo português e a política madeirense encontram-se num bar II


Esta semana, numa entrevista à RTP-Madeira citada pelo Público, Jardim terá recuando na sua promessa de abandonar a política se não tivesse maioria absoluta para surpresa de rigorosamente ninguém, admitindo uma coligação com o CDS-PP.

Diz ainda o Público: "Duas outras forças concorrentes, de um total de nove (Partido Trabalhista Português -PTP, Partido da Terra-MPT, Nova Democracia-PND, PPD/PSD, BE, CDU, CDS/PP, Partido pelos Animais e pela Natureza - PAN, e PS, assim ordenados no boletim de voto) também se mostram disponíveis para viabilizar um governo liderado pelo PSD, sem colocar qualquer reserva em relação a Jardim."

Muito esclarecedor. É de mim, ou ficou a faltar aqui alguma coisa, uma informaçãozita de menor importância, mais um detalhe que outra coisa?

xixi, ranheta, facada

o jornalismo português e a política madeirense encontram-se num bar


A campanha eleitoral para as eleições regionais de 9 de Outubro na Madeira arranca oficialmente hoje, domingo, anuncia um artigo conjunto da Lusa e do Diário de Notícias que consegue a proeza de revelar quase tanto sobre o nosso jornalismo como sobre a política madeirense. Como estou com muito trabalho vou demonstrar apenas com seis pérolas, mas vale a pena ir ler o artigo inteiro, convenientemente distribuído por cinco páginas para aumentar o número de cliques da página do jornal.


1."Marcadas pelo 'buraco' financeiro da região, as acções de propaganda dos partidos estão da dar à ilha um colorido diferente, provocado pelas centenas de cartazes espalhados sobretudo pelas principais ruas do Funchal que ornamentam de forma mais saliente as ribeiras que atravessam a capital madeirense."


Já aqui se nota que o artigo promete. Ficamos a saber por exemplo que as principais ruas do Funchal ornamentam de forma mais saliente as ribeiras que atravessam a capital madeirense do que, por exemplo, as ruas secundárias. Fica naturalmente um amargo de boca – se os madeirenses andaram a construir ruas principais só para ornamentar ribeiras, claro que têm um buraco de dimensões vulcânicas. Por outro lado é possível que o autor queira antes dizer que o colorido dos cartazes, ele sim, ornamenta de forma mais saliente as ribeiras do que, talvez, as ruas principais, quiçá já de si bastante coloridas. Um bom artigo jornalísticco deve sempre deixar espaço para a interpretação do leitor.

2."O PSD exibe um grande cartaz em que o líder regional, Alberto João Jardim, diz "prà frente, sempre - Madeira sempre", o qual foi objecto de alguma celeuma devido ao acento na letra "a".Mas de acordo com Jardim o acento grave "está certo", tendo por base o novo acordo ortográfico."


Aqui note-se o pudor do jornalista, a quem não passa pela cabeça ir verificar se “prà” será uma das palavras instituídas pelo acordo ortográfico ou suscitar esta questão junto de alguma figura de maior autoridade. Provavelmente trata-se de um jornalista local, sabedor portanto de que não há para qualquer questão figura de maior autoridade que Alberto João Jardim. Concedemos portanto que é provável que o jornalista saiba, no seu íntimo, que Alberto João Jardim está enganado e espere de nós o acordo tácito que é moeda corrente na ilha – eu sei que tu sabes e tu sabes que eu sei que tu sabes, mas nenhum de nós diz nada porque foi o Alberto João.


3."O coordenador do Bloco de Esquerda Pelo Bloco de Esquerda, disse à Lusa que o partido terá 150 cartazes afixados em que a ideia foi "serem o mais ousados possível", numa campanha gráfica "de choque e que prenda a atenção das pessoas". [...] Assim, há cartazes de meninos a fazerem 'xixi' e para isso recorreram à figura do Manneken-Pis [estátua do menino que urina, em Bruxelas], satirizando o que terá feito o atual líder da JSD Madeira, José Pedro Pereira, que em finais de julho terá alegadamente urinado num carro da polícia."


Eu só fui uma vez à Madeira, em 2000 ou 2001, mas até eu daqui de longe consigo lembrar-me de trezentas e vinte e cinco coisas mais gravosas e chocantes na política madeirense do que o facto de um líder da JSD ter urinado, ainda num por cima no veículo de uma força pela qual o Bloco de Esquerda não tende a ter especial carinho. Questionado sobre a sua inspiração para a campanha o líder criativo do Bloco de Esquerda madeirense terá declarado ter contado com a ajuda do seu filho de cinco anos, a quem terá perguntado quais as coisas mais chocantes que conhecia. O seu filho terá sussurrado, entre várias gargalhadas de mãos a cobrir a boca, duas palavras de duas sílabas, deixando enternecido o criativo que prontamente utilizou a primeira delas, "xixi". Para tornar a campanha ainda mais chocante, usaram uma imagem de um indivíduo a urinar pouco conhecida, francamente explícita e que poderá ofender olhares mais sensíveis.


4. "Já o MPT tem 120 cartazes "simples e objectivos", referiu João Isidoro, garantindo que as palavras "Participe votando MPT", pretendem acabar com os "slogans vazios" de outras forças políticas, dado o "cansaço das pessoas" em absorver este tipo de mensagens."


Aqui mais uma vez se nota o esforço jornalístico de questionar as afirmações dos candidatos. Dificilmente se conseguirá encontrar um slogan que se afaste menos do vazio do discurso político que "Participe votando MPT" (embora um simples “Vote MPT” talvez conseguisse lá chegar). Talvez fosse de explicar ao MPT que as dificuldades de absorção das pessoas (ai que saudades dos cidadãos!) poderão estar vagamente ligadas não às suas capacidades espongiformes mas à escassez do líquido disponível para absorção. Com o que a ideia de campanha do Bloco de Esquerda se torna um pouco mais clara.


5. "A CDU, de Edgar Silva, espalhou 150 cartazes pela ilha, onde se dá "privilégio a uma mensagem minimalista", ao invés das anteriores em que se destacava o caráter político das mensagens."


Aqui há um momento interessante porque o autor não disponibiliza mais nenhuma informação sobre a tal mensagem minimalista, que porventura poderia ser mais relevante que o número absoluto de cartazes. Mas a Lusa não achou por bem perguntar e muito menos ir ver. Às tantas estes cartazes estavam numa rua secundária longe de uma ribeira.


6. "O PAN, até pelo sentido ecológico que tem na génese, vai reciclar cartazes das últimas legislativas, tendo ao todo 50, "sem caras", avisa Rui Almeida e "apenas com ideias e valores que o partido defende" que ainda não estão na rua devido ao atraso da empresa gráfica responsável pela execução dos mesmos."


Dada a sua natureza ecológica, este partido vai reciclar cartazes das últimas legislativas. No entanto não vai mesmo reciclá-los, claro, estão a ser produzidos cartazes novos numa gráfica. O ganho ecológico refere-se portanto apenas à energia que poderia potencialmente ter sido despendida em encontrar maais do que um membro deste partido e, com ele, produzir alguma posição específica para as eleições de um arquipélago falido governado por uma democracia fantoche, introduzindo de seguida essa mensagem num ficheiro de computadoor. Os animais e a natureza não terão nada a dizer sobre a ilha-jardim, já terão esgotado a questão do xixi nas eleições passadas ou teriam já então optado por mensagens isentas de slogans vazios, como “Vote PAN”?

Não sabemos: mais uma vez o jornalista achou que isso não era nada connosco. Ou, quiçá, que não acrescentava nada ao "colorido" local prometido pelo título, que deverá ser procurado, isso sim, no cruzamento das ribeiras com as ruas principais. Onde? Ali mais prà frente.

Saturday, September 24, 2011

bitter sweet symphony

rita maria de dieta VIII


Estou muito contente porque hoje arrumei com os primeiros dez, o que é um bocadinho mais de metade do objectivo final e um número redondinho e bonito. Mas hoje descobri também que isto não é só redescobrir roupa de que gostávamos - também é despedir-se de outras de que gostávamos igualmente.

Acabei de experimentar o vestido do efeito moisés que, coitado, está a dar as últimas. Tenho algumas dúvidas de que possa ser apertado mantendo o brilhantismo do corte, que era mesmo muito bom (muito amigo, se é que me entendem). E também não me quero desfazer dele, imaginem que algum dia tenho de voltar a separar as águas do Mar Vermelho?



(depois de escrever isto coontinuei por aqui fora e o post estava a ficar muito sério ou seja, estava a tornar-se o post sério que quero um dia escrever sobre a minha experiência no mundo com dezoito quilos para perder. Prometo voltar-lhe, mas é coisa para ficar muito comprida e também coisa a requerer um bocadinho mais de reflexão. Lá chegarei, prometo)(para além disso o Moisés merecia um post só para ele, coitado, que é tão giro)

Friday, September 23, 2011

team ♥ thierse


Também eu minha querida, também eu.

eu ainda nem acabei de ler mas ponho aqui um bocadinho, vocês reconhecem a genialidade e continuamos todos lá, sim?


E agora o momento "queriam": vamos que é como quem diz - vao vocês. Eu só vou acabar de ler o texto rapidinho porque tenho (eu sei que isto é mauzinho mas nao resisto a gabar-me) encontro marcado com a autora nem daqui a vinte minutos.

é para isto que serve um blog, nao é?


Imaginemos: uma gaja é gaja e tem de apresentar uma conferência de relaçoes públicas e redes sociais. O público sao acima de tudo criativos de agências, um pouco por toda essa Europa fora e o ambiente é um pouco mais relaxado e criativo que numa conferência normal, mas tem também um toque universitário.

O que é que a gaja veste?

lisboa à vista

em jeito de update

Tenho meio emprego, que posso se quiser levar emprestado daqui. Já pus metade da dieta para trás da costas. Tenho os olhos numa casa que, quando crescesse, gostava de ser uma casa de bonecas.

E daqui a duas semanas, depois já de saber os resultados daquela minha esperança improvável, testo a teoria ao vivo, subo e desço colinas e faço planos que, de tao concretos, fazem aquele tipo de cócegas que quase dói. Como uma citologia. É isso: dia 6 chego a Lisboa para um papanicolau. E vou feliz e contente.

o diabo veste prada



Ontem ao sair do trabalho cruzei-me por acaso com a manifestaçao contra a visita do Papa. Era muito divertida: música de dança, cartazes alusivos ao direito ao amor ou à recusa de dogmas e muitas pessoas com um chapéu genial: o que está no centro da imagem, a dizer O Diabo Veste Prada, na mesma letra usada para o título do filme.

Acho que só pelo facto de nao nos termos lembrado do mesmo nas manifestaçoes anti-Sócrates merecíamos mais três pacotes de austeridade e as decorrentes três décadas de recessao.

E por falar nisso, a propósito da recessao e da austeridade, é seguir sem hesitar para o sem-se-ver. Nem precisam de parar antes na caixa de comentários.

Thursday, September 22, 2011

"pretendemos um nível de qualidade médio, sendo que o factor determinante de selecção será o preço"


Nao há como ler anúncios de emprego (neste caso estao à procura de tradutores de inglês, francês e espanhol para um site turístico) para saber que Portugal tem um grande futuro. Um grán futuró. An big fiuture. Un grandde futuíre.

Wednesday, September 21, 2011

conselho revolucionário para consumo urbano

(aplicável ao trânsito, ao comércio, aos serviços, ao amor, ao sexo, ao trabalho, às férias etc. etc. e por aí fora)

O outro existe.

Tuesday, September 20, 2011

é da alemanha, é do blogger, é do firefox?



Eu, se for suposto uma imagem ser atrevida, só vejo isto aqui em cima. Sou a única? Alguém com o mesmo problema noutros países? Com outros browsers? Em sites alojados noutro sítio? Alguém que tenha visto esta imagem com surpreendente frequência nos últimos dias?

Ah: afinal era uma questao de direitos de autor (obrigada, Julie!). Eu sou a favor e tento sempre referenciar imagens, mesmo quando fica feio ou se a fonte de que disponho nao é a original - atribuo o melhor que posso e quando há licenças Creative Commons vou ler e respeito o estipulado. Mas acho péssima a estratégia autista do Google de fazer isto completamente ao calhas e sem sequer avisar. Tenho um palpite de que até eu sou mais rigorosa do que eles.

recalcamento por encomenda


Uma das coisas que aprendi com a vida é que chorar é uma coisa com uma janela de oportunidade muito limitada. Se uma pessoa mulher minhota com pelos no feminino de vento (brisa portanto) no momento chave engole em seco e continua como se nada fosse porque o caminho é para a frente, tem de trabalhar, não quer incomodar ou desdenha dar parte de fraca, puff!, a oportunidade foi-se, o vale de lágrimas é remetido para Shangri-La e o mar salgado quando muito dá em sopa báltica.

Meses depois, quando não anos, ainda anda por ali uma pessoa mulher minhota com pelos na brisa a remoer o que nao carpiu adequadamente.

O problema: no dia em que vou saber os resultados de uma coisa muito improvável que eu queria muito, vou também apresentar um simpósio, receber participantes, moderar discussões e festejar com todas estas pessoas noite dentro. Ou seja, a minha janela de oportunidade foi-me retirada administrativamente. E agora?

isto também nao conta como post, claro


A nerd is in bed with his girlfriend and suddenly stops, goes quiet and doesn't move at all.
- What are you doing? - she asks.
- Pscht, I'm buffering.


(daqui, do fim da internet)

conquentao andas a videre sexus et polis, hem?


(daqui, em homenagem ao comentador pródigo)


"Parafernália"
é uma palavra com origem na Roma Antiga, onde designava as coisas que as mulheres traziam consigo para além do dote.

(aprendi ontem neste livro)(isto nao conta como post, atençao)

entao, nao escreves nada?


Eu nao, ainda estou chocada. Eu ali uma eternidade a cortar uma cena pequenina de uma série e depois vocês fazem o mesmo que eu faço com os vídeos dos outros blogues e ignoram completamente, apesar de o vídeo só ter dez (10!) segundos. Só 121 pessoas (especialmente amorosas e inteligentes) viram a Maggie Smith a dizer aquela frase tao engraçada sobre a minha vida. Humpf!

Também tenho muito trabalho e tal, mas a maioria da minha ausência é desilusao, despeito e dor.Vejam lá, ainda vao a tempo de se redimir.

Saturday, September 17, 2011

para nao dizerem que neste blog nao se aprende nada de útil XXIX


Pessoas cheias de certezas absolutas: acautelem-se porque podem sempre estar erradas. Digo eu. E agora com licença que tenho de ir ali lavar a parte de cima do meu pijama para levar para o trabalho na segunda-feira.

Update: Afinal ter de vir de pijama para o trabalho é óptimo. Uma pessoa nao tem de pensar no que quer vestir, o que sao logo mais vinte minutos de cama, e na verdade ninguém repara.

Friday, September 16, 2011

a história da minha vida contada por maggie smith



Num episódio de uma série nova, Downton Abbey, cuja descoberta devo inteiramente à Teresa. Ainda me estou a rir e bem que precisava.

Update: Entretanto ontem Maggie Smith ganhou um Emmy por este papel, numa cerimónia que premiou justamente Mad Men e Kate Winslet mas deixou Laura Linney sem prémio, o que mesmo sem eu conhecer a concorrente vencedora nao tem cabimento possível.

ouvido agora no congresso em que estou...

(por isso nao tenho tempo de verificar)


...ao director do maior jornal económico alemao: Se a Alemanha, aquando do Tratado de Maastrich, nao tivesse conseguido que as dívidas da Segurança Social alemas ficassem de fora do cálculo da sua dívida, era o país mais endividado da Europa.Vou tentar aprofundar e descobrir mais.

(Também de sua lavra: a dívida grega constitui 4% da dívida europeia: peanuts que só deram no que deram por uma falha enorme de Merkel na comunicaçao.)

Thursday, September 15, 2011

entao e o trabalho, como correu?




Foi óptimo, conheci este rapaz da fotografia, o Hugo:

- Espumante
- Xarope de flor de sabugueiro
- Menta
- Bocadinho de lima dispensável

Gostamos logo um do outro, foi o início de uma bela amizade.

será que o cristiano ronaldo tem um blog?


Wednesday, September 14, 2011

ah, e tal, muito trabalho, muito trabalho e depois começa a postar como se nao houvesse amanha


Estao a ver aquele post ali de baixo sobre como eu ia desaparecer em combate? Pois desta e que é. Muitos beijinhos e bom fim de semana, eu volto segunda feira e prometo ter saudades vossas.

o fim de uma bela amizade blogosférica

e do mito dos pastéis de belém, se isto me correr de feição


(ai, perdi a origem)


A Izzie queria saber porque é que eu acho que as pessoas que acham que o Pastel de Belém é o suprassumo do pastel de nata deviam ser condenadas a comer cupcakes o resto da vida e eu comecei a responder-lhe mas, com a minha concisão natural e a minha expertise em perder leitores, achei que isso era coisa para dar um post perentório, definitivo e perspineta sobre esse grande mito da pastelaria, o Pastel de Belém.

Para o caso da coisa ficar muito comprida, aqui fica o executive summary: o Pastel de Belém está para o pastel de nata como o cheeseburger do McDonald's está para os cheeseburgers: qualquer pessoa que já tinha comido um mesmo bom sabe que a versao McDonald's está longe de ser a real thing; comem-se vários porque um nao satisfaz; no dia seguinte, ou mesmo umas horas depois, estão intragáveis.

Mas deixemos os terrenos pantanosos da analogia e falemos de coisas sérias: pastéis de nata. Comecemos pela massa: um bom pastel de nata tem a massa fininha e muito crocante e, como na qualidade não se poupa, é feito com boa manteiga e a massa fica crocante e saborosa durante algum tempo. A versão dos Pastéis de Belém é invulgarmente fina e crocante, mas horas depois tornou-se dura e pesada e no dia seguinte deixa um fim de boca absolutamente nojento de gordura má ou mal cozida.

A seguir, o sabor do creme: o bom pastel de nata tem um creme que sabe quase só a ovos e açúcar, com um bocadinho de limão de que só se nota o efeito, que corta um bocadinho da doçura sem chegar nunca a aparecer. O excesso de limao é um dos defeitos mais comuns em pastéis de nata e eu acho que na receita dos Pastéis de Belém também acontece um bocadinho, mas neste caso aliado acima de tudo a uma outra coisa qualquer que os deixa mais aleitados que o costume em termos de sabor, se calhar apenas menos gemas ou mais farinha.

E por último, a coisa a que sou mais sensível, a textura do creme: o bom pastel de nata tem, depois do primeiro milímetro abaixo da crosta, um brilho intenso, uma textura quase viscosa, quase como se o creme estivesse cru ou, melhor dizendo, como se não tivesse que cozer ou não pudesse cozer mais que aquilo a não ser talhando. Não deve correr (outro erro de principiante) mas também não deve estar inteiramente cozido nem ter grão, quase como papa maizena ou pudim. Esta é para mim de longe a maior falha dos pastéis de Belém, o creme coze sempre integralmente, a textura é igual de cima a baixo e aquele brilho das gemas foi perdido em combate.

This much said, já comi muitos, claro, também já comi hambúrgueres do McDonald's e diz-se por aí que tenho uma coisa qualquer mal resolvida com Tortas Dan Cake, uma coisa reconhecidamente detestável. Mas daqui a estarmos a falar de suprassumos da pastelaria vai um grande passo.

Para o caso de entretanto vos ter aguçado o apetite: aqui, no blog de um projeto do qual saiu um livro que está assim nos píncaros da minha wish list, discutem-se alternativas e a possibilidade, que me parece fazer sentido, de deverem ser encarados como bolos diferentes, semelhantes apenas no aspecto. Quando chegar a Lisboa prometo aprofundar o assunto e partilhar as minhas descobertas. Entretanto na caixa de comentários cursam algumas sugestões de aspecto promissor.

macarronetes



Ontem comecei a escrever um post muito curtinho só para linkar este post da Leididi sobre cupcakes e macaroons, com o qual estava pronta a concordar sem reservas, embora até já me tenha cruzado com uns exemplares mais razoáveis da raça cupcake, depois da primeira experiência cna famosíssima Magnolia, em que acabei por enfardar dois queques muito secos e deitar fora o creme nojento e para lá de artificial junto com a caixinha toda pipi.

Eu nunca tinha comido um macaroon que fosse mas a aclamação repetia o tom provinciano da pancada dos queques com chapelinho e aquelas coisas, bastava olhar para elas, com aquele ar seco e de todas as cores, só podiam ser igualmente horríveis. No entanto, acometida pelo meu inato sentido de justiça e alguma falta, entretanto crónica, de açúcar no sangue, peguei na Ginger e decidi ir experimentar. Para, então sim, dizer mal dos desgraçados com todo o empenho dos fãs indefectíveis das queijadas de Sintra e dos bolos D.Amélia (não me falem dos pastéis de Belém, as pessoas que acham que o pastel de Belém é o suprassumo do pastel de nata deviam ser condenadas a só comer cupcakes).

Voltando aos bolos franceses com ar de pintarolas: comprei três. Um jogo de texturas brilhante. Os sacanas eram mesmo bons. Onde é a fila para a aclamação provinciana?

Tuesday, September 13, 2011

conjunto de definições que isto é é como se fosse um post


1. Sala de Estar, def. portuguesa: divisão equipada com uma televisão à volta da qual se organizam os sofás. Se for só um estará diretamente à sua frente.

2. Comunicador, def. mercado de trabalho português: operador de telemarketing.

3. Relações Públicas , def. mercado de trabalho português, nem sempre mas com assustadora frequência: rececionista (restauração) ou porteiro de discoteca (via djamb).

4. Skinny jeans, def. para pessoas em dieta: calças que, quando uma pessoa começa a emagrecer, só ficam largas e a cair até aos joelhos.

por acaso também ouvimos a Igreja, entre muitos outros

Número de freguesias novas resultantes da fusão de freguesias antigas que vão nascer em Lisboa: 12

Número destas que vão passar a ter um nome alusivo aos bairros que incluem: 8

Número destas que vão passar a ter um nome alusivo à Igreja Católica: 5

Número de vezes em que o nome alusivo à Igreja Católica corresponde a um dos nomes das freguesias anteriormente existentes: 1

Número de vezes em que essa figura religiosa corresponde a alguma coisa que o lisboeta comum relaciona com essa freguesia: 1,5 (meio para "Santa Clara")

Desafio: sem ir ver, onde fica em Lisboa Sto. António?


pausa sintomática



Os próximos dias serao difíceis, exigentes e, a partir de quinta feira, muito interessantes. Por isso, é provável que o blog fique a meio gás e/ou que eu desate a escrever posts como se nao houvesse amanha. Em qualquer um dos casos, agradece-se desde já a vossa compreensao, mimo ou paciência.

Monday, September 12, 2011

adenda


No post sobre o caso Oettinger e o anti-germanismo primário esqueci-me de linkar o vídeo em que ele, que defende que em contextos de trabalho cada vez mais só se falará inglês e garante ter um bom nível de inglês conversacional, demonstra o seu lado anglófono. Já fui lá por o link mas, caso vos tenha escapado, aqui fica outra vez.

coisas importantes


Um português ganhou a medalha de bronze nas V Olimpíadas Ibero--americanas de Biologia, na Costa Rica. Parece-me que ele está de parabéns e que vale a pena seguir o link da notícia.

queridas pessoas com mães demasiado presentes


Vai uma troca? Um intercâmbio?

confusão geracional

aos vinte e nove: jovens, adultos, outra coisa qualquer?

A minha mãe acaba de me enviar um forward (eu podia dizer "reenviar um e-mail" mas isso, como bem saberá toda e qualquer pessoa que já tenha dado o seu endereço de e-mail a um grupo de pelo menos dez portugueses, não é de forma alguma a mesma coisa), que explica a contradicçao, o paradoxo, o limbo em que se encontra a minha geração e porque é que, quase nos trinta ou navegando já nesse vale de lágrimas, não sabemos se somos jovens, adultos, something inbetween, pizza de anchovas ou não sei/não respondo.

Ia partilhar convosco o conteúdo do forward e a minha descoberta mas decidi respeitar o medium em que me tinha sido feita chegar a informaçao e, à boa maneira do forward, investi antes numa apresentação de Power Point. Infelizmente com o Slideshare perderam-se as belas animaçoes da escrita, mas também podem fazer download do original aqui. Espero que gostem e que mandem para todos os vossos amigos:


o anti-germanismo primário

uma ilustração a partir do caso Oettinger

(há um certo erotismo heróico no combate a estes krauts, nao há?)
(daqui)


Deus sabe (a sério, se não souber mais vale não existir) que há poucas pessoas a quem a reação alemã à crise do Euro irrite mais do que a mim. Angela Merkel foi aliás aconselhada a evitar cruzar o meu caminho e vai agora, em virtude de morar perto de um dos meus museus favoritos, atravessar o Spree a Spandau quando quer ir comprar pão ao Hackescher Markt (isto diz-vos imenso, eu sei).

Uma das razoes pelas quais a atitude do governo alemão mais me apoquenta, para além de estar a colocar países perante situações claramente insustentáveis, gastar mais dinheiro aos alemães e aos restantes europeus do que o que seria necessário se Merkel nao fosse um boi, colocar toda a moeda única à beira do abismo e a União Europeia, isto é o duo franco-allemande, aceleradamente no seu encalço (uff, uff), dizia eu que para além disso o que mais me apoquenta é que destrói os avanços na imagem alemã conquistados ao longo de décadas de diplomacia e políticos com outro tipo de visão (outro tipo de visão=alguma).

E eu, que ando piursa, relembre-se o novo plano de segurança da chanceler e tudo, acho que é injusto. Angela Merkel e Schäuble valem o que valem, e o que valem não é isto tudo. A mulher é absolutamente incapaz e os alemães votaram nela, mas daí a se poder retirar do baú o imperialismo germânico e limpar o pó à ideia de que são todos um bando de nazis em potência, ainda vai uma grande distância.

No discurso público, esta distância tem sido reduzida por três fatores: a ignorância dos comentadores sobre política alemã (aliada à falta de respeito por si próprios e pelos seus leitores, que, a existir, se calhar ainda os fazia abrir o Google); a absoluta incapacidade dos nossos líderes políticos de tomar uma posição internacional que não se traduza diretamente no lamber das botas de Angela Merkel (que ainda por cima, como a roupa, devem ser sempre as mesmas); e por último o aproveitamento populista de qualquer coisa que possa ser interpretada como prova da teoria dos nazis em marcha.

Este post é um exemplo disto. Efetivamente, existe um senhor chamado Oettinger que é Comissário Europeu e membro da CDU, o partido de Angela Merkel. É conhecido por defender que o Inglês se deve tornar língua de trabalho geral e por se gabar do seu inglês (sem comentários, vão ver) e a semana passada disse por exemplo, para conhecerem melhor o tom que costuma usar, que a Itália é governada miseravelmente (não que não seja verdade). Efetivamente, numa entrevista ao Sun cá do sítio, este senhor sugeriu que fossem burocratas europeus a ir tomar conta dos processos de privatização e recolha de impostos gregos e que os países endividados fossem forçados a por a bandeira a meia-haste nas instituições europeias.

Eu acho que isto é grave e não sou a única: a porta-voz de Durão Barroso veio a público dizer que não fazia de forma alguma parte das intenções da Comissão discutir a ideia, o comissário Olli Rehn mandou dizer que a comissão só discutia "sugestões sérias" e Werner Langen disse em nome de todo o grupo parlamentar europeu do partido de Oettinger que "não estávamos a 1 de Abril". Há mais dois partidos no governo, o FDP e a CSU: um responsável do partido liberal disse que se tratava de uma Schnapsidee (em traduçao literal, uma ideia derivada da aguardente) e Peter Gauweiler, da CSU, disse que Oettinger era doido. E isto sem nem sequer olhar para a esquerda alemã, tudo reações da direita e dos partidos do governo.

Mas para o Sérgio Lavos, que reações contrárias só conhece as de Louçã e Rui Tavares, trata-se de "um belo exemplo da atitude alemã perante os PIGS, mas também sobre o que eles acham que deve ser a União Europeia: um prestar de vassalagem dos mais pobres aos mais ricos".

O exemplo vale o que vale, mas acho que demonstra aquilo de que queria falar: na ignorância, há duas atitudes possíveis. Há quem seja prudente e vá ver do que se trata. E há quem ataque logo com o que tiver mais à mão - no caso do discurso populista sobre a Alemanha, é dada preferência às granadas do tempo da Segunda Guerra. Parece que dão um certo frisson.

ontem foi o 11 de setembro


E se eu tivesse encontrado alguma coisa para dizer, de preferência alguma coisa que não fosse uma banalidade, tinha dito.

(entretanto ficou-me uma ideia bonita: a organização dos nomes das vítimas no memorial por afetos, próximas dos amigos e colegas de quem estavam mais próximos)

Friday, September 09, 2011

roleta à moda da casa


(original daqui)


Em entrevista ao Público que eu não li na totalidade, Vítor Gaspar disse tudo o que havia a dizer sobre os cortes na despesa. Muito resumidinha, a afirmação central era esta: é impossível fazer cortes racionais em tão curto espaço de tempo, portanto fazemos uns quantos irracionais, cobramos mais impostos e logo se vê.

Não me lembro de alguém em Portugal ter dito com tamanha clareza que não fazia ideia do que andava a fazer.

Lendo as diferentes notícias que vao saindo sobre os primeiros cortes, este desnorte é ainda mais claro. A política geral é esta: cortar primeiro, avaliar depois (ler por exemplo aqui sobre a educação). Não se trata de fazer mais com menos, nem de fazer o mesmo com menos e nem sequer de ver como fazer o máximo possível com os meios possíveis - trata-se de cortar cegamente e ver no que dá. O combate ao desperdício é nulo, não há uma medida anunciada que diga "cortamos aqui porque isto não é preciso" ou "fazemos antes assim e gastamos menos dinheiro", o que há são cortes percentuais, mais ou menos arbitrários, cujos efeitos só serao conhecidos daqui a muitos anos, caso alguém entenda estudá-los algum dia.

Entretanto, ninguém anda realmente à procura das fontes de despesismo e desperdício, o que significa que todos os cortes na despesa vão continuar a significar que estamos a pagar cada vez mais impostos por cada vez menos Estado. É a clássica lei da oferta e da procura: quanto mais o cidadão tiver de procurar para encontrar os resíduos do Estado, mais caros lhe ficarão estes.

O caso da saúde é o mais chocante de todos. Honestamente, não me choca que a pílula deixe de ser comparticipada, desde que continue a ser distribuída gratuitamente nos centros de saúde. Claro que é preciso melhorar e mudar muita coisa para que o sistema funcione suficientemente bem para um número mais alargado de utentes, mas se é mais económico para o Estado dar pílulas do que comparticipá-las esta não me parece uma poupança inteiramente irresponsável.

Já o mesmo nao pode ser dito da reduçao da comparticipaçao dos medicamentos para asmáticos, completamente injustificada, ou da decisao absolutamente inaceitável de cortar na despesa reduzindo, ainda por cima retroactivamente, o orçamento de incentivo aos transplantes. Sim, porque toda a gente sabe que os transplantes são uma fonte de desperdício, uma despesa extra, qu'isto hoje em dia transplanta-se por tudo e por nada. Em bom Português, pelo menos no Português anterior ao acordo ortográfico, esta medida significava literalmente "assassínio" e estava listada no índice abaixo de "comportamentos criminosos". Para além disso, parece que ainda por cima significa, indiretamente, desperdício.

Isto não é uma política de controlo da despesa, um programa de contenção de gastos, uma afronta neo-liberal ou um ataque da direita - é uma roleta russa, irresponsável, irracional e inaceitável, qualquer que seja o quadrante político a partir do qual escolhamos observá-la.

E encontra, acho que isto é o que mais me entristece, um país amorfo, triste e incapaz de reagir, uma oposição inerte, uma imprensa incapaz de questionar medidas e até uma blogosfera entregue a vernizes e posts compridos sobre casas de chá ou quezílias políticas completamente irrelevantes em tons exageradamente exaltados. E eu, a das casas de chá, também não sei de nortada que pudesse combater este desnorte.

Update: a ler, um começo possível.

pontos de açúcar


Descobri hoje que em Francês as drogas leves se chamam drogues douces.

uma rapariga do campo CCXXXV


Acordei cheia de frio, vesti-me e fui à internet ver se era mesmo verdade (e era? era, era).

Thursday, September 08, 2011

Casa de Chá do Tajiquistão


Há sítios que gosto de mostrar a quem vem a Berlim pela primeira vez, há outros a que gosto especialmente de levar quem me visita pela segunda ou terceira vez ou mora aqui há imenso tempo e não sabe o que anda a perder por me ver menos do que o que seria recomendável.

Hoje vou revisitar um desses, a casa de chá tajiquistanesa (?) escondida no primeiro andar de um palácio mesmo no centro de Berlim, atrás do soldado desconhecido cá do sítio.

É o sítio ideal para beber uma chávena de chá ou para comer uns Pelmeni. Também se pode pedir uma cerimónia do chá tradicional, completa com samovar, bolachinhas, compota e uma explicação competente.

Não é o meu café favorito, mas é um dos meus lugares favoritos no centro (em Berlim há o centro e os bairros. Sobre isso, outro dia, mas fiquem desde já a saber que só ver o centro não vale - mesmo) - um oásis de paz desconhecido da maioria dos berlinenses, um paraíso do kitsch discreto, uma pérola histórica à la Berlim, cidade dominada arquitectonicamente, até hoje (isto também fica para outro dia) pelo historicismo e pelo faz de conta.

Neste caso foi assim: nos anos 70 houve uma grande exposição em Leipzig, que na altura ficava na DDR. No pavilhão do Tajiquistão, na altura uma república da URSS, havia uma sala de chá tradicional - se era genuína e antiga ou não, não se sabe ao certo, mas era muito bonita, com colunas de madeira trabalhadas e lindos quadros, almofadas e móveis. Esta sala de chá foi deixada à DDR em jeito de presente de despedida e posta no Palais am Festungsgraben. E lá continua, bem escondida, no primeiro andar, à esquerda de quem sobe as escadas. Não está muito bem sinalizada, mas quando encontrarem uma divisão com sapatos à porta (para se sentarem nas mesas baixinhas têm de deixar os sapatos à entrada), é ali.

(isto também é um post da série "Ai, que já me vou embora e nunca cheguei a escrever nada de jeito para visitantes berlinenses", mas para visitantes com tempo, ou pelo menos muita calma)

política cultural


De partida para Lisboa: os livros vao ficar mais caros e a Amazon no dia seguinte e sem portes de envio será uma miragem. A ópera passará a cara e pouca, tal como os concertos de música clássica. Em compensaçao vou passar a ir ao cinema todas as vezes que me apetecer e sem passar antes meia hora de jornal em punho à procura de um minúsculo OmU, que indica que o filme será passado na versao original com legendas.

Wednesday, September 07, 2011

o sistema de transportes de berlim

Não é uma vergonha que esteja quase de malas feitas e ainda não tenha partilhado conselhos relevantes para os visitantes desta cidade onde vivi cinco anos e meio? E tantos que eles são e tudo? Nem o prometidíssimo post dos museus nem nada? Não pode ser. E com isso começa hoje a:

Série "Ai, que já me vou embora e nunca cheguei a escrever nada de jeito para visitantes berlinenses"



E começa com o muito relevante tema do sistema de transportes. É verdade que nada é comparável com conhecer a cidade de bicicleta, mas o aluguer de bicicletas é taxado a preços ridículos e Berlim tem um sistema de transportes fabuloso. Não é barato, mas está longe dos preços ridículos de Londres e quejandos e, bem espremidinho, não fica muito caro.

A coisa mais importante é fazer bem as contas e não cair em armadilhas para turistas*. As contas fazem-se assim: um bilhete diário (6,30€) é válido até às 3 da manha do dia seguinte e só faz sentido a partir de três viagens. Quem vem de fim de semana, fica no centro e está a pensar fazer o roteiro clássico "centro num dia para ficar com o resto do tempo livre" desta vossa Rita Maria, se calhar só precisa nesse dia de uma ou duas viagens. Claro que andar com o mesmo bilhete para o período inteiro é mais confortável, mas é provável que existam dias em que compensa mesmo comprar bilhetes individuais. Um bilhete simples (2,30€) é válido por duas horas no conjunto de transportes que vos apetecer usar, desde que não correspondam a uma viagem de ida e volta. Mas, pisca, pisca, há sempre uma outra forma de voltar ao mesmo lugar, estamos em Berlim. Se vão usar muitos compensa comprar aos quatro de cada vez, a 8,20€. Com sorte uma dessas duas ou três viagens até só são duas ou três estações de metro ou seis paragens de autocarro - é uma Kurzstrecke e custa pouco mais de metade, 1,40€.

Um bilhete de sete dias (27,20€) faz sentido a partir de cinco dias ou até menos, se não vierem sozinhos e a vossa visita englobar um fim de semana. É que ao fim de semana e nos dias de semana a partir das oito da noite podem levar outra pessoa no vosso bilhete de sete dias. Resultado: se são dois, chegam numa sexta e vão na segunda, compensa comprar um bilhete de sete dias para uma pessoa e bilhetes diários para a outra (nos dias em que fizer mais de três viagens). No fim se a cidade não vos tiver tratado mal dão-no a um amigo, a um dos rapazes que recolhem bilhetes usados ou deixam-nos numa máquina no aeroporto.

Se são pelo menos três, há também o bilhete diário para 5 pessoas(15€) . Compensa se não se der o caso de compensarem os de sete dias por causa das borlas do fim de semana - é fazer as contas com o grupo todo em mente e depois comparar as diferentes opções.

Se vão ficar mais de sete dias e menos de catorze, compensa comprar dois semanais, a partir daí já não são turistas e compensa o passe mensal. Aqui, se não chegarem exatamente no dia 1, compensa ver o eBay Kleinanzeigen, onde se vendem muitas vezes restos de passes para esse mês, normalmente de quem detém assinaturas, a preços muito mais baratos.

Por último as zonas: a maior parte das coisas que vão visitar está incluída nos passes e bilhetes AB. Se o vosso hotel fica na zona C e não estão a dormir no Palácio de Cecilienhof, então fizeram porcaria e é melhor trocar. Para ir de Berlim a Potsdam, a Oranienburg ou ao aeroporto de Schönefeld vão precisar de uma extensão C (1,50€) - se têm um passe, convém comprar a extensão C só para aquela viagem, se nesse dia vão andar a bilhetes individuais ou diários, compensa comprar um bilhete ABC. Comprar um passe ABC de sete dias porque um dia querem ir a Potsdam é um disparate - já se vieram do aeroporto de Schönefeld e forem a Potsdam e a Oranienburg compensa.

Em resumo: fazendo bem as contas poupa-se uma fortuna.
Dica extra: fazer bem as contas quase nunca resulta bem à frente da maquineta com uma fila atrás de nós - é olhar antes de ir para a tabela de preços.

*Há dois tipos de bilhetes para touristas de cidades - os que contém bilhetes para transportes e entradas gratuitas para atrações e os que contém bilhetes para transportes mais caros do que o costume e só descontos nas atrações - já fiz as contas milhões de vezes e nunca encontrei um destes últimos que compensasse. Berlim não é exceção. Se querem ver poucos museus os bilhetes para turistas não compensam e se querem ver muitos há outras coisas que compensam mais. Há uma única exceção: Se todos os museus que querem ver ficam na Museumsinsel, nesse caso compensa o CityCard Museumsinsel.

decoração de interiores II




Desde que passo os meus dias nas bolsas imobiliárias portuguesas que tenho pesadelos em que aparecem as palavras "mobilada e equipada".

(normalmente é entre a imagem acima ou a linha preta mais modernaça da Ikea, à Nove Semanas e Meia, como se já nao conseguissemos mais conter a testosterona e estivéssemos vai que nao vai para lavar os vidros ao Kit com a sheer force da nossa potência)(também há a combinação das duas, como se fossemos o Mickey Rourke mas ainda morassemos com a mamã)

decoração de interiores


Ontem saí do trabalho, onde estava a render muito pouco, e fui para o café onde continuei a trabalhar concentradíssima por mais duas horas.

Quando tiver uma casa em Lisboa, vou comprar uma mesa de café em vez de uma secretária. Os ganhos em produtividade sao de tal ordem que nao sei como é que as mesas de trabalho ainda existem.

but I want to be british, I want to, I want to!

E nao é que eu nunca tinha escrito um post sobre João Carlos Espada?


De todos os comentadores portugueses há apenas dois tipos que me irritam profundamente: os populistas de esquerda, porque baixam constantemente o nível de uma argumentação que eu gostava que fosse melhor ou pelo menos mais elevada, e João Carlos Espada.

João Carlos Espada é uma figura que eu já odeio desde por volta dos doze anos, que foi quando comecei a fazer o que toda a gente lá em casa fazia aos sábados de manha, i.e., ler o Expresso.

Quero que interpretem esta precocidade da forma correcta: nao tem nada de estranho que eu tivesse este hábito aos doze anos, os desenhos animados em 94 estavam a começar a descer de nível, às vezes o Expresso tinha suplementos infantis (deve ter sido assim que me apanharam) e era mesmo o que toda a gente fazia, um ritual familiar. Mas há algo aqui efectivamente precoce: antes da primeira menstruaçao já eu tinha percebido, e sozinha!, que João Carlos Espada era um idiota.

E no entanto, ao contrário de outros figurões, um Saraiva ou um César das Neves, boçais até à idiotia, ou de um José Manuel Fernandes, quem te comprou sei eu, João Carlos Espada é um imbecil menos conhecido e, reconheçamo-lo, insuficientemente odiado e ridicularizado.

Para o caso de também não o conhecerem: João Carlos Espada é um senhor que gostava de ser um lorde inglês. Mas, claro, não um lorde inglês qualquer - um lorde inglês dos tempos áureos, um gentleman liberal, um Plantagenet Pallister de pacote. Ao "what would Jesus do?" dos católicos mais militantes americanos, João Carlos Espada contrapõe um "What would an English lord think?".

Este raciocínio é depois transcrito para uma crónica, que segue o seguinte modelo:

1. Partir de um assunto recentemente abordado no panorama nacional (dispensável, se se revelar incompatível com os seguintes).
2. What would a true lord think? What would Pallister say?
3. Relembrar as virtudes de um verdadeiro gentleman britânico.
4. Ancorar nas virtudes e experiências acima referidas a argumentação que se segue, de preferência através de um exemplo anglófono (em casos muito excepcionais, a anglofilia pode estender-se àquela antiga colónia across the pond).
5. Voltar a 1., fechando o raciocínio com chave de ouro.

No seu último artigo (que Hugo Mendes desmonta factualmente, ponto a ponto, aqui), esta sequência pode ser vista de forma especialmente clara: João Carlos Espada parte de uma entrevista de um ministro português e termina sugerindo a adoção de um modelo sueco. Está-vos a faltar alguma coisa? Claro que sim! Esta argumentação não seguiria o clássico modelo de João Carlos Espada!

Portanto o texto faz um desvio:

1. Partir de uma entrevista portuguesa.
2. Reconhecer na argumentação desenvolvida na entrevista uma ou duas virtudes que um lorde conservador nao hesitaria em assinalar.
3. Enquadrar este debate num outro, já discutido em vários gentleman clubs ingleses e portanto com argumentações já desenvolvidas e gentleman-safe.
4. Se esse exemplo envolver outro país e, oh, senhores!, nao se tratar de um país anglófono, referi-lo apenas na medida em que é discutido nos clubes masculinos do país de Sua Majestade.
5. Voltar a 1., fechando o raciocínio com chave de ouro.

Lembro-me de exemplos ainda mais rebuscados, um por exemplo incluía tweed e sapatos, e sem dúvida que algures João Carlos Espada terá escrito sobre a caça à raposa ou o declínio da sanduíche de pepino, mas infelizmente os arquivos do Expresso sao fechados e nao posso partilhar convosco estas preciosidades. O que claramente é uma pena porque há poucos comentadores tão deliciosamente wannabe em Portugal.

Tuesday, September 06, 2011

momento "vá lá, preciso mesmo da vossa ajuda"


O goulash é um prato romântico?
É favor responder aqui. Obrigada!

já vos disse que agora é costume dar presentes aos fellow bloggers quando eles mudam de país?


como encontrar o amor II


Alguém veio aqui à procura de formas de encontrar o amor. Eu, claro, não sei nada sobre isso, mas tenho um palpite, que partilho para a demanda não ser totalmente inútil: mudar coisas.

De preferência as coisas que nos fazem infelizes, já que o amor só chega quando já não é necessário, mas nem sempre sabemos que coisas são essas, portanto vale tudo: trocar de rituais, de café, de percurso, de livraria, de emprego, de país, de sabor de pastilhas elásticas, de interesses, de atividades.

Depois, sabe-se lá porquê, dá-se o clássico efeito avalanche conhecido por "energia da mudança"* e as coisas vão por ali fora. E às vezes, essas coisas são o amor. Quando não são, são outras que também valem a pena.

Rita Maria experienxit ergo dixit. Mais não sei.


*Eu, acham que fui eu a cunhar um termo esotérico destes? Ingratos, desavergonhados!

queridas pessoas que passam a vida a queixar-se que o facebook e o twitter sao idiotas porque as pessoas dizem que vao fazer xixi ou comer enchiladas


Vocês têm uns amigos um bocado parvos, nao têm? Eu também tenho esse problema, mas nunca me ocoreu culpar a tecnologia.


Monday, September 05, 2011

modern count of fairies

and they chatted together happily ever after


Enredo:

Rita Maria e o amante italiano encontram-se naquela coisa do Facebook onde eu nunca passo tempo que podia antes ser investido a trabalhar arduamente para o aumento do PIB alemão (e não é que desta vez foi mesmo na minha hora de almoço?Irra pá!).

Ação [isto do acordo dói tanto]:

Rita Maria, que andou a ler Vargas Llosa: Díme algo de kitsch, Ricardito... (ou o seu equivalente em inglês para povos do Sul, mimeite me, cause I'm on a neura)

Amante italiano: Imagina tu, estava tão contente porque tinha finalmente encontrado uma casa e o emprego apalavrado, "puff", foi-se... (ou o seu equivalente em inglês para povos do Sul ou blogues portugueses com ambições internacionais, ad ouse, ad job, hand than job kapput)(ler com sotaque)

Rita Maria: [...] (ou o seu equivalente em linguagem sms :-o)

Rita Maria: Entao, fazes assim, fazes assado, depois isto... (ou o seu equivalente em versao disco: you gotta move it, move it)

Amante italiano: [coisas kitsch]

Moral da História:

Sabem aquelas revistas que dizem que os homens não sabem ouvir, propõem logo soluções? O homem que essas jornalistas conhecem sou eu (disfarço bem, não sei se já vos tinha contado). Mas eu estava de neura e, se eu não resolver a neura alheia, quem curará a minha?

e uma coisinha lamechas para lembrar melhores dias?



Andrew Kolb desenhou um livro infantil a partir de Space Oddity que disponibilizou gratuitamente na net, mas foi logo contactado por um exército de advogados que não senhor, direitos, propriedade, dinheiro. Eu sou a favor dos direitos intelectuais, mas não se podia limitar o seu usufruto a quem prove ter a capacidade intelectual para os deter?

Nos entretantos, o livro está offline mas pode ver-se, página a página, no vídeo acima, acompanhado da canção, e é mesmo fofinho.

Mais coisas fofinhas: aqui.

a tentar fazer uma lista de coisas boas que vão acontecer hoje


[...]

Friday, September 02, 2011

para nao dizerem que neste blog nao se aprende nada de útil XXVIII


Não se deve apostar toda a nossa auto-estima numa coisa pouco provável, especialmente quando podemos só ouvir o inevitável daqui a semanas.

almoços grátis não, mas lamechice, upa upa



Depois de uma semana dedicada inteiramente a arrastar o meu humor de cão, hoje acordei contentinha da vida e lamechas que só eu. Pus um coração ao pescoço, um lacinho no dedo (kitsch giro ou kitsch foleiro? ainda não decidi) e se o jardineiro me tivesse pedido em casamento eu aceitava logo ali.

Felizmente não me cruzei com o jardineiro nem com nenhum outro moço casadoiro e impulsivo, cruzei-me antes com este post (lagriminha daqui, lagriminha dali), este filme fofinho magistralmente dirigido e protagonizado pela Helen Hunt (lagriminha daqui, lagriminha dali) e com um dos meus cartoons favoritos a lembrar que sim senhor, o Verão está no fim, mas o senhor que se segue é a minha estação favorita e, nisto do caminho, não tem de estar sempre tudo muito bem definidinho.

Thursday, September 01, 2011

coisas boas


Falar com alguém que nos conhece bem e confessar que estamos cheiínhos de medo.

[nunca mais me candidato a nada]

iRock


A minha visão pode estar a piorar com a idade (oh, se fosse a única coisa), mas ainda ninguém me tira o primeiro lugar dos mundiais de ver as horas no relógio das pessoas que estão a passar.