Abraçar a solidão. Saber, não sem dor, que uma parte do que somos não se completa em nenhuma entrega, não se encontra em nenhum abraço, não se diz em nenhuma palavra. O ciúme e a possessão têm a sua raiz no nosso engano de recusar a solidão. Mas nada do que seja efémero, por arrebatador, violento ou prazenteiro que seja, esconderá esta ferida. Enfrentar sem disfarces esta verdade previne toda a idolatria, coloca-nos desnudados e frios diante do mundo. Nós não somos do mundo porque o mundo não nos pode agarrar, porque, por muito que agarremos o mundo e as suas folhas mortas, a nossa sede não se apaga.
Enquanto iludidos nos divertimos a tentar matar esta sede, enquanto iludidos matamos a distância em que esta sede habita, matamos o lugar em que podemos experimentar a intimidade e o amor. Resistir a esta morte é a nossa história. Vencer esta morte é o nosso futuro!




