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Perfil

  • Continuando com apostas na BD brasileira, a Polvo tem editado vários livros cuja filiação se identifica facilmente pela temática e alcance; livros que, e isto não tem nada a ver com qualidade ou interesse, se tem a sensação de já se conhecer folheando, ainda antes de iniciar a leitura. Mas há surpresas. Como "Tungsténio", de Marcello Quintanilha. (No JL o texto saiu com um título diferente, ignoro porquê)

  • Discorrer sobre a produção de um país com base apenas em alguns exemplos soltos é sempre perigoso. Se do Brasil há muito havia notícia de uma pujança em termos de edição e produção de banda desenhada (desde logo o "império" de Maurício de Sousa), a editora Polvo tem-se empenhado noutro tipo de propostas. Nem sempre é possível apostar nos melhores, alguns já bem conhecidos em Portugal (como Lourenço Mutarelli), outros infelizmente menos (Gabriel Moon/Fábio Bá, desde logo), mas as escolhas têm sido sempre estimulantes e reveladoras, por diferentes motivos.

  • Livros recentes como "Papá em África", "O estrangeiro" ou "Habibi" evocam grandes questões do nosso tempo, que tendem a ser simplificadas de modo dicotómico, em variações de estilo que vão do grandiloquente, ao apaziguador e ao sarcástico, mas que são basicamente lineares. "Nós" contra "Outros". A questão é apenas saber quem encaixa em cada categoria, quão distantes estão entre si, como se abordam. Apesar da complexidade aparente da sua estrutura, ler "Cachalote" é, neste contexto, quase um alívio, porque os "Outros" estão próximos, não à distância de uma civilização.

  • No Brasil do "pobre, preto e favelado"

    Rafael Braga é o único preso condenado por causa das manifestações de Junho de 2013. Conheça a sua história, num Brasil que muitos descrevem como sendo uma... Democratura