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sábado, 16 de dezembro de 2017

Impromptu (33)


Entre o intelectual da direita extrema e o fortalhaço da ponta esquerda, os três cavalheiros do centro equilibram o conjunto. E desafiam qualquer um a arrostar com o frio que se aproxima neste Dezembro de 2017...
É certo que, assim trajados, isto só poderia ter acontecido no Verão. De 1944.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Retro (97)


Têm normalmente vida breve, os programas de cinema ou teatro, servindo fugazmente uma temporada. Por razões subjectivas ou esquecimento, às vezes, acontece que sobrevivem e surpreendem quem os conservou. Foi o que aconteceu, com estes dois programas, que correspondem a espectáculos memoráveis, a que assisti, no Teatro de D. Maria II.



Referem-se a representações de grande qualidade, com um elenco de luxo. O primeiro, encarte de cartolina com 3 faces, refere-se à peça Virgínia (1985), de Edna O'Brien, e contou com um desempenho brilhante de Carmen Dolores (1924), na protagonista. O segundo é quase um livrinho, de 60 páginas, contextualizando a Mãe Coragem... (1986), de Brecht, interpretada por Eunice Muñoz (1928).
Aqui ficam as imagens, para recordar duas grandes actrizes portuguesas, felizmente, ainda vivas.

sábado, 4 de novembro de 2017

Retro (96)


Exemplares clássicos da traça e design publicitário que se praticava em Portugal, nos anos 60, estes dois anúncios só se desactualizaram (?) por uma certa ingenuidade do texto que os acompanhava, no reforço das imagens de marca.


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Retro (95)


Um jornal diário tem, hoje, uma existência efémera - deita-se fora amanhã.
Mas, em tempos recuados e mais poupados, guardava-se e, com outros, vendia-se ao quilo, aos homens do papel e trapo velho, que os levavam, primeiro, em carroças, depois, em camionetas de caixa aberta. Também cheguei a ver peixes do rio serem vendidos embrulhados em papel de jornal.
Actualmente, só os hebdomadários, às vezes, se conservam em casa, para ir lendo ao longo da semana, quando são extensos. Não deixam, no entanto, de ser efémeros. 



Passada, porém, a actualidade do seu conteúdo informativo, um jornal pode vir a ganhar, com os anos, um valor histórico e arqueológico, ressurgindo como uma curiosidade interessante e sociológica, se a época em que foi produzido e composto vier a ter alguma importância no futuro ou se tiver sido recheada de acontecimentos importantes.
Há tempos, comprei usados uns livros que, muito bem dobrados, continham dentro dois jornais O Comércio do Porto (1854-2005), do imediato post-II Grande Guerra (27/10 e 27/11/1945). Do suicídio do presidente Getúlio Vargas (Brasil) ao julgamento de Nuremberga, havia notícias muito interessantes, colhidas a quente, na altura.



Havia até uma pequena local a informar que, na véspera, o sr. Presidente do Conselho (Salazar) tinha trabalhado com o sr. Ministro das Finanças. Aliás, era costume dar as notícias do estadista português sempre depois de terem acontecido. Nunca se dizia, por exemplo, que ele ia a tal sítio, mas que tinha ido, ou esteve. Justificando o seu trabalho aturado e, provavelmente, prevenindo a sua segurança. E foi assim que ele ganhou a alcunha de: Esteves...

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Retro (94)


Palavras, para quê? - como referia um célebre anúncio português de finais dos anos 50.
Mas destaque-se a qualidade gráfica de 2 dos cartazes, pese embora a moralizadora mensagem que aparece também, se exceptuarmos a legenda totalmente sintética que identifica as máquinas de costura Oliva, de fabrico português, que rivalizaram com as célebres Singer, alemãs.
Pena que não se consiga saber o nome dos designers nacionais que criaram estas belas imagens, de que eu excluiria o anúncio às Bolachas Triunfo, que me parece excessivamente pobrezinho e canhestro...



quinta-feira, 11 de maio de 2017

Retro (93)


Três remetentes (Hilda, Júlia e Ruth) para uma única destinatária portuguesa (Sophia), creio que todas jovens. Três paisagens inglesas e a reprodução de um quadro pífio, são as imagens. O mais antigo postal foi escrito a 8 de Junho de 1901, tendo carimbo de recepção lisboeta datado de 12/6/01. O último, único postal circulado apenas em Portugal, tem a data de 28/6/1914. Todos portanto centenários. O pouco e vago espaço para escrita foi profusamente ocupado e ultrapassado por duas das correspondentes, talvez mais excessivas e voluntaristas.
Sophia terá tido, na vida, uma evolução qualitativa: passou da rua de S. Roque, em Lisboa, para a rua dos Navegantes, em Cascais, que, já na altura, seria mais fino, com certeza...
Pelo teor da correspondência, de aérea leveza de espírito, nota-se a vivacidade e a juventude das núbeis correspondentes.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Uma boa Páscoa!


As explicações para justificar a ligação do Coelho à Páscoa, não me convencem muito. Quantos aos ovos, talvez possamos associá-los aos diversos bolos tradicionais, que se fazem e comem nesta época: Pão de Ló, Folares, Troncos...
Seja como for, aqui vai uma foto-postal antiga, com votos de uma boa Páscoa para todos aqueles que cá vierem, a visitar o Arpose. 

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Retro (92)


A publicidade ao tabaco é, hoje em dia, uma actividade quase clandestina ou, pelo menos, politicamente incorrecta. Mas o tema, em si, produziu belos cartazes, como estes, franceses, que aqui se reproduzem. Aquele que encima o poste é, do meu ponto de vista, esteticamente muito agradável, datando dos primeiros anos do século XX. O segundo, menos conseguido, feito por Germaine Bouret, em 1936, destinava-se a publicitar os cigarros Naja.


agradecimentos a H. N..

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Retro (91)


Pode dizer-se que ambos os anúncios, hoje, seriam politicamente incorrectos, mas o cartaz português a propagandear o consumo de vinho, comparado com o francês (a incentivar o consumo de cerveja, junto das mães), é de uma inocência cândida, quase neutro de imagem, na sua abstracção. Mais indirecto e pensado, no entanto, e de fino grafismo, ao contrário do gaulês...


domingo, 18 de dezembro de 2016

Retro (91)

De ontem? Ou de sempre?

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Lembrete 56


Publica-se desde 1929 e é uma espécie de almanaque dos pobres, informando sobre agricultura, astrologia, feriados, curiosidades, provérbios, fases da Lua...
Como já estava à venda, comprei-o mais por graça do que por utilidade, como fiz há 6 anos, dando também aqui notícia (11/10/2010). A sua longevidade na edição bem merece uma atenção da nossa parte, que o vemos aparecer pelo trimestre final de cada  ano.


domingo, 20 de novembro de 2016

Retro (90)

Há mais de 60 anos foi assim. Donde se poderão comparar as reverências e vénias. Não os diálogos, infelizmente...

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Comic Relief (130)


Como as temperaturas começaram a baixar, aconselham-se pratos com outra sustância...

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Praxes


Quando, em 1931, Alberto de Souza aguarelou este Estudante, as praxes académicas circunscreviam-se a Coimbra, tal como nos anos 60, quando por lá andei. E até o Dux Veteranorum estava obrigado a respeitar as regras do Código, que tinham mais de lúdico do que de punitivo ou dramático.
Nos anos 80/90, com a proliferação de canhestras e oportunistas Universidades, de saber pouco rigoroso e duvidosa qualidade científica, o uso de capa e batina e as praxes alastraram de forma selvagem, permanente, exercidas por energúmenos ignorantes e sádicos, sobre caloiros submissos e, talvez, propensos ao exibicionismo.
Foi assim que tivemos o nosso Jonestown (da seita People's Temple), na praia do Meco, embora de menores dimensões numéricas nas mortes incompreensíveis e inúteis.
Parece que o novo Ministro do Ensino Superior está disposto a um braço de ferro que acabe com estas práticas medievais e aberrantes. Faço votos para que não perca a coragem e não lhe falte a perseverança!

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Retro (88)


Perdoe-se a publicidade, que isto depois de um almoço no Restaurante Nepalês, da rua de S. José, recompõe-se muito melhor com uma ginjinha fresca, com elas, ali pelas Portas de Santo Antão.
Por outro lado, estas lojas com tradição merecem a minha melhor estima e o nosso desvelo.
Sublinhe-se a indicação preciosa do pequeno folheto: "Esta Casa nunca concorreu a nenhuma exposição nacional nem estrangeira" - é assim mesmo!... Que isto de concursos, muitas vezes, já têm prémios assegurados de antemão, e só servem para enganar o pagode.


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Retro (87)


Não costuma ser usada a expressão postal de amor, consagrada que está a generalização de cartas de amor para classificar este tipo de missivas mais ou menos ardentes. Mas é, na verdade, um postal de amor este que o Júlio Mendes remeteu à Anna, de Monte Real, há cerca de 98 anos (29/8/918).
Contém alguns erros ortográficos, o postal apaixonado, mas perdoe-se o facto pela vulcânica emoção que o terá ditado. Quem sabe, se num Agosto tão ardente quanto tem sido este de 2016... Terá este amor frutificado, como o Júlio pretendia? São coisas que eu nunca saberei, mas imagino que sim. Para bem de todos...


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Retro (86)


Publicação curiosa do Instituto do Vinho do Porto, de que mão amiga me fez chegar alguns números, estes Cadernos informam-nos, estatisticamente, sobre vários aspectos do comércio de  exportação do néctar duriense, no período à volta da II Grande Guerra.
Por curiosidade, deixo também em imagem um gráfico sucinto sobre a divisão dos custos/lucros, em Inglaterra, com base na venda do Vinho do Porto que se exportava em 1948. Como será hoje? E depois do Brexit, como virá a ser?


quarta-feira, 15 de junho de 2016

Retro (85)


Foram as minhas últimas quatro aquisições de postais do início do século passado, escolhido o da imagem que encima o poste, para ilustração condigna. É possível - palpite de HMJ - que represente a tentadora e fatal Lorelei, no seu Reno, que ali estava e cantava para perdição dos marinheiros.
Mas o postal tem ainda a singularidade de, no verso, trazer um soneto da época, de um vate prendado, que dava pelo nome de Fernandes Costa. Dei-me ao trabalho de o transcrever, para poder ser lido em melhores condições. Julgo que, quer o postal quer o soneto, sejam das primeiras duas décadas do séc. XX. Serão, muito provavelmente, centenários.


Para chave de ouro, resolvi incluir também a célebre canção popular alemã que, se calhar, não era conhecida do prendado sonetista português. Numa límpida interpretação de Peter Schreier (1935).

sábado, 7 de maio de 2016

Retro (84)


A façanha, de intuitos publicitários, teve lugar em 1917. O pequeno filme mudo, de 8m37, realizado por Raul de Caldevilla, pertence ao acervo da Cinemateca Portuguesa. Os improváveis alpinistas eram de origem galega e chamavam-se José e Miguel Puertullano. O apelido comum indicia que eram parentes. A Torre dos Clérigos tem 76 metros de altura. A sua escalada destinava-se a fazer propaganda de uma marca de bolachas portuense.
No filme começamos por ver o industrial, fabricante das ditas bolachas, a ajustar o contrato com os dois galegos. O acontecimento foi devidamente publicitado e, por isso, presenciado por centenas (?) de portuenses curiosos. Ao que parece, os dois alpinistas, depois de chegarem ao topo da Torre dos Clérigos e de fazerem algumas cabriolas para excitarem a turbamulta, atiraram cá para baixo vários papelinhos de publicidade sobre as ditas bolachas. Como se pode ver no final do filme...

agradecimentos a A. de A. M..

domingo, 3 de abril de 2016

Retro (83)


Exactamente centenário, este postal, sob o ponto de vista de propaganda, era um desafio a que Portugal entrasse na I G. G. contra a Alemanha, ao lado da Grã-Bretanha. Demorámos 1 ano... Mas com consequências desastrosas.