
O Procurador Geral da República
não gosta de Maria de Lurdes Rodrigues.
Maria de Lurdes Rodrigues não gosta de Pinto Monteiro.
Depois, ainda por cima, discordam e são reciprocamente dissonantes.
Um fala da violência encoberta nas Escolas, esse iceberg inominável,
muito para além das estatísticas e dos números.
A outra diz que é coisa residual,
mas que terá de pedir números e estatísticas
para ter algo de mais palpável a dizer.
lkj
O que eu penso de esse assunto
é compatível com o que pensa Pinto Monteiro.
A violência é uma coisa multímoda e difusa nas escolas
e começa logo na política que se engendrou para elas.
Está toda na forma como o Ministério procurou conter as despesas
à custa do funcionário,
à custa da sangria moral dos seus recursos humanos,
à custa do dividir para reinar,
do ser unilateral em todas as decisões, em todos os pareceres,
como se calar e obedecer cegamente estivesse na nossa natureza humana
ou sequer na nossa vocação de professores.
Talvez esteja nos genes e na cultura dos chineses.
Não está na nossa.
lkj
O facto de o professor ser obrigado a desempenhar mil e uma tarefas,
desde operador de fraldário, a conselheiro e Psicólogo,
o facto de a pressão se exerçer tremenda a partir de um discurso ministerial
que nunca salvaguarda nem protege a figura criminosa do professor,
desde logo aí começa a violência
e os consequentes escapes para ela criam-se depois
ou então geram-se espontâneos.
lkj
Posso testemunhar que o posicionamento de muitos colegas
é sempre rígido, sempre confrontacional com os alunos
mas que, por outro lado, muitos alunos trazem
dos lares rédea solta para infernizarem impunes as salas de aula.
Pontos de equilíbrio precisam-se.
O cúmulo é o recente Estatuto do Aluno
só concebível por quem não conhece o que seja um.
lkj
Não há maquilhagem que salve Britney nenhuma
do horror de quando não tem maquilhagem.








































