«After he has suffered, he will see the light of life and be satisfied; by his knowledge my righteous servant will justify many, and he will bear their iniquities.Therefore I will give him a portion among the great, and he will divide the spoils with the strong, because he poured out his life unto death, and was numbered with the transgressors. For he bore the sin of many, and made intercession for the transgressors.» Isaiah 53
quinta-feira, maio 22, 2014
quarta-feira, maio 21, 2014
terça-feira, maio 20, 2014
REINCIDIR A CAMINHO DO DESASTRE
Não posso subscrever os apelos à passividade, branca ou nula, a propósito da próxima oportunidade eleitoral. Agora que a campanha para as eleições europeias se esgota, sem que a União Europeia estivesse no centro, uma vez que a refrega eleitoral não passa de um ajuste de contas e uma luta de galos entre o PSD e o PS, o debate e o combate é pelo melhor resultado possível como aferição de um ensaio pré-legislativas 2015. Por isso, no próximo Domingo só na aparência se escolhem os representantes de Portugal no Parlamento Europeu: o que se plebiscita é o Governo Condicionado 2011-2014 ou o Partido-Máfia da Bancarrota 2005-2011.
É, porém, a Abstenção que vai ganhar. Nas europeias, entre 1987 e 2009, passou de 27,8% para 63,2% e vai voltar a crescer desta vez. No entanto, toda a gente deveria recordar que a demissão do exercício mínimo do voto abre a porta aos extremismos de Esquerda e de Direita, tal como abre a porta a possibilidades grotescas, a oportunistas e aos oportunismos que permitiram o trajecto despesista e insano 2005-2011. Votar também é, senão escolher, evitar males maiores, repetição de males maiores, reincidência em males maiores.
O pior desastre de um Povo é dar de novo o benefício da dúvida a daninhos, rapaces e sociopatas, cujas obras más gritam todos os dias e perseguir-nos-ão ainda por algum tempo, enquanto não lograrmos um País superavitário, de contas sólidas, capaz de crescimento e poupança. Temos a obrigação de construir, finalmente, um tal País, aberto ao Ocidente e ao Oriente, no Euro.
O pior desastre de um Povo é dar de novo o benefício da dúvida a daninhos, rapaces e sociopatas, cujas obras más gritam todos os dias e perseguir-nos-ão ainda por algum tempo, enquanto não lograrmos um País superavitário, de contas sólidas, capaz de crescimento e poupança. Temos a obrigação de construir, finalmente, um tal País, aberto ao Ocidente e ao Oriente, no Euro.
terça-feira, maio 13, 2014
OITO ANOS DEPOIS

Acho que perdi algum do fulgor e da energia motivacional para uma escrita diária, criativa, com o fôlego habitual. Celebrei há dias oito anos de Palavrossavrvs Rex sem sequer os celebrar. Perdi algum fulgor, não. Suspendi o meu fulgor aqui para o verter noutro lado. Fiz escolhas novas enquanto me desintoxicava de escolhas e dedicações zelosas de que saí desapontado e traído. Mas o meu projecto continua a fazer inteiro sentido para mim. Há tanto sobre que tentar reflectir, tanto para exprimir, e porventura muito mais recepção, hoje, um número maior de leitores a quem agrade a minha forma de ser e de dizer. Não é, porém, ainda o tempo de um regresso a uma volumosa produção aqui, conforme foi sendo habitual.
Há impasses que me retraem: tenho uma profunda sensação de desadequação ao meu País, àquilo que me oferece e eu deixei de lhe oferecer, tendo eu investido tanto no Saber, na Cultura e na Língua a fim de ensinar outro tanto, quando enchia a sala de aula da paixão portuguesa que me transpassa. O amor e a alegria não se me eclipsaram. Nem a esperança. Dir-se-ia que perante o absurdo que se abateu sobre o meu País [as escolhas dos políticos, muitas delas malignas: foram capazes de sacrificar a esmagadora maioria antes e durante o Ajustamento em vez de sacrificar os interesses incrustados no Estado e sanar milhentas injustiças e parasitismos], pude encontrar uma réstia de fé numa saída pessoal à medida dos meus sonhos, fé nalguma coisa de bom no sentido da minha sobrevivência e da rentabilização dos talentos que possuo.
Acredito que algo de bom me sucederá. Talvez mais rápido que o movimento da corda sobre o ramo d'árvore com que Papageno quis terminar consigo mesmo, antes de compreender que tinha uma vida feliz e fecunda à sua frente, não só, mas com a companheira perfeita para si.
sexta-feira, maio 02, 2014
O DEFUNTO

I
No ano de 1474, que foi por toda a cristandade tão abundante em mercês divinas, reinando em Castela el-rei Henrique IV, veio habitar na cidade de Segóvia, onde herdara moradias e uma horta, um cavaleiro moço, de muito limpa linhagem e gentil parecer, que se chamava D. Rui de Cardenas.
Essa casa, que lhe legara seu tio, arcediago e mestre em cânones, ficava ao lado e na sombra silenciosa da Igreja de Nossa Senhora do Pilar; e, em frente, para além do adro, onde cantavam as três bicas de um chafariz antigo, era o escuro e gradeado palácio de D. Alonso de Lara, fidalgo de grande riqueza e maneiras sombrias, que já na madureza da sua idade, todo grisalho, desposara uma menina falada em Castela pela sua alvura, cabelos cor de sol-claro, e colo de garça real. D. Rui tivera justamente por madrinha, ao nascer, Nossa Senhora do Pilar, de quem se conservou devoto e fiel servidor; ainda que sendo de sangue bravo e alegre, amava as armas, a caça, os saraus bem galanteados, e mesmo por vezes uma noite ruidosa de taverna com dados e pichéis de vinho. Por amor, e pelas facilidades desta santa vizinhança, tomara ele o piedoso costume, desde a sua chegada a Segóvia, de visitar todas as manhãs, à hora de prima, a sua divina madrinha e de lhe pedir, em três ave-marias, a benção e a graça.
Ao escurecer, mesmo depois de alguma rija correria por campo e monte com lebreus ou falcão, ainda voltava para, à saudação de vésperas, murmurar docemente uma salve-rainha.
E todos os domingos comprava no adro, a uma ramalheteira mourisca, algum ramo de junquilhos, ou cravos, ou rosas singelas, que espalhava, com ternura e cuidado galante, em frente do altar da Senhora.
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