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O jornalismo e os partidos políticos

A revista do Expresso [E], de 2 de março, revelou que 95 políticos têm lugar cativo na rádio, televisão e imprensa, uma originalidade lusitana distribuída partidariamente desta forma: PSD – 34, PS – 25, CDS – 12, BE – 9, PCP – 8, Aliança – 2, Livre – 3, Chega – 1, Nós Cidadãos – 1.

Tomei devida nota, a que ora recorro, para poder comparar o número dos comentadores dos partidos de esquerda [45] (PS + BE+ PC + Livre) com os de direita e de extrema-direita [50], ao contrário dos resultados eleitorais onde a esquerda é maioritária.

Se ao número adicionarmos a visibilidade, em função dos horários nobres, temos ainda uma maior distorção, transformando a comunicação social em propaganda. Aliás, o eco dos propagandistas da direita é hegemónico na imprensa escrita.

Não sendo deficitária a propaganda de agentes partidários da direita, compreende-se mal que o número de jornalistas, assumidamente de direita, predomine também nos órgãos de comunicação social, às vezes com um empenho mais descarado…

Questão de fé

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Pode duvidar-se de Deus, mas o Diabo merece algum crédito.

Surrealismo legislativo – O combate aos adjetivos

Os adjetivos, à semelhança da caça, têm época própria. Uma lei de 2015, PSD/CDS, com votos contra de toda a esquerda, proíbe a publicidade institucional de obras ou serviços aos órgãos do Estado, após a publicação do decreto-lei que marca eleições, sejam elas quais forem.

As coimas, nas autarquias, 15 a 75 mil euros, são aplicadas aos respetivos presidentes de Câmara.

A lei deixa anunciar, por exemplo, que abriu o Centro de Saúde de Alguidares de Baixo, mas não permite que o autarca diga, “cumprimos” ou que essa unidade “é a melhor de”. Como os munícipes, em particular, e os cidadãos em geral, são estúpidos, podiam votar em todo o país, todos os eleitores, no partido de turno em Alguidares de Baixo.
Em Lisboa pode anunciar-se uma nova estação de Metro, se acaso for aberta, mas não se pode dizer ser essa uma boa notícia para os moradores da vizinhança. Os adjetivos ficam de quarentena até ao dia seguinte às eleições, neste caso, as europeias.

A Associação Nacional de Municípios, receos…

STEPHEN HAWKING - Testemunho

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" Acho que a explicação mais simples é que Deus não existe. Ninguém criou o universo e ninguém dirige o nosso destino. Isto leva-me à perceção de que provavelmente não existe nem paraíso nem vida para além da morte. Temos uma vida para apreciar o grande desígnio do universo e estou extremamente grato por isso."

Ponte Europa - Solidariedade com a A25A

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COMUNICADO
GREVE CLIMÁTICA ESTUDANTIL
Realiza-se amanhã [ontem], dia 15 de Março, a GREVE CLIMÁTICA ESTUDANTIL, organizada por um movimento de estudantes portugueses, na sequência do movimento internacional #SchoolStrike4Climate, nascido do discurso mobilizador de Greta Thunberg, de 16 anos, na Cimeira do Clima das Nações Unidas, em Dezembro passado.

A Associação 25 de Abril apoia publicamente esta iniciativa cívica, porque considera que as alterações climáticas e a procura de acções e soluções para as combater são um tema da maior importância e urgência nos dias que correm.
A consciencialização para o combate às alterações climáticas tem de começar a ser feita já hoje, por todos e por cada um.
Os governos, mas também as empresas, as instituições, as escolas, as famílias, e cada um de nós, todos somos responsáveis pela viragem de que o planeta precisa para poder continuar a ser a casa da biodiversidade natural e da grande aventura humana, como hoje as conhecemos.
O facto de pessoas em idade…

Violência doméstica e jurisprudência «No país dos Neto de Moura»

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Ontem, após ler dez páginas da revista Visão, com repugnantes justificações e insólitas decisões plasmadas na jurisprudência portuguesa, dos tribunais da primeira instância ao STJ, quase sempre sem votos de vencido, senti-me nauseado com o grau de machismo e misoginia que transparece de sentenças e acórdãos. São páginas que merecem uma séria reflexão, não apenas dos juízes, mas de toda a sociedade.

Não gosto de ver a Justiça tratada de forma populista, de saber enlameados os Tribunais, de ver generalizações abusivas e colocar as decisões judiciais ao arbítrio de uma opinião pública ignara e ressentida, com os critérios com que julga os políticos. Mas, perante tão flagrantes imoralidades e, quero crer, injustiças, que os preconceitos e a miopia geram, à falta de outra instância, só o escrutínio da opinião pública pode atenuá-las.

No trabalho jornalístico, assinado por Pedro Raínho e Sílvia Caneco, não vislumbrei, na prosa ou nos títulos de caixa alta, qualquer exploração sensacionalis…

Brexit – masoquismo e sadomasoquismo

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É difícil a um convicto europeísta entender a obstinação do Parlamento inglês que, após a vitória do Brexit, perante claros indícios de que o resultado de um novo referendo não se repetiria, persiste na cega determinação de reduzir o Reino Unido a uma pequena Inglaterra e País de Gales, sem viabilizar uma nova consulta eleitoral.

Que interesses ou ambições pessoais oculta a renúncia a outro referendo?

Cameron, oportunista e cobarde, foi responsável pelo isolamento britânico que está em vias de consumar-se, arrastando a UE na irrelevância para que caminha o RU. Nem a senhora May nem Jeremy Corbyn desejam consultar de novo o eleitorado, numa matéria que condiciona o futuro das novas gerações de um e de outro lado do Canal da Mancha.
O Reino Unido perde grandes empresas, diminui o poder de compra dos seus cidadãos e isola-se, convencido de que é o mundo que fica separado do Império Britânico, e arrisca tornar-se mais dependente dos EUA onde a política de Trump não lhe augura segurança.