Ainda a propósito de Fátima, e de uma questão deixada aqui pelo Santos Passos, aqui fica uma pequena reflexão sobre o misticismo nas religiões.
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Todas as religiões têm uma componente mística. Esse aspecto místico manifesta-se durante a vida dos seus Profetas fundadores, nos ensinamentos que Eles nos deixam, e eventualmente com alguns dos seus seguidores.
Quanto ao primeiro caso, é relativamente fácil encontrar nos livros sagrados e as tradições religiosas descrevem momentos profundamente místicos com os Profetas. São sobejamente conhecidos as descrições dos episódios de Moisés perante a Sarça Ardente, Jesus e o retiro no deserto, e Maomé perante o Anjo Gabriel; como é óbvio, é menos conhecida a descrição da visão de Bahá'u'lláh teve na prisão. São momentos difíceis de compreender para um simples mortal. Pessoalmente, parece-me todos os esforços para compreender estes momentos são infrutíferos ou meramente especulativos; tratam-se de momentos em que o Criador parece ter contactado com os Seus Mensageiros.
No segundo caso, podem-se incluir ensinamentos como a oração, a meditação, o jejum e a peregrinação. Tratam-se de actos - que têm uma certa carga mística - destinados fortalecer a nossa ligação com o Criador; permitem elevar a espiritualidade de quem os pratica, e a ser dinamizadores de uma mudança interior em cada ser humano. Os benefícios destes actos são descritos nos livros sagrados de todas as religiões.
No terceiro caso, em que um crente afirma ter tido uma "experiência mística", seja com sonhos, visões ou qualquer outra coisa, aí sou profundamente céptico no que toca à validade desse evento como fonte de orientação divina para a humanidade. Este tipo de ocorrências são - acima de tudo - experiências pessoais, que poderão ter validade e importância para quem as vive. Se forem partilhadas com outras pessoas devem ser vistas com alguma reserva e não ser motivo de especulações.
Na análise destes fenómenos devemos usar sempre a maior dádiva que Deus nos deu: a razão. Todos nós já tivemos situações ou experiências na vida que não conseguimos explicar ou compreender na plenitude. Mas o facto de não compreendermos, não significa que a possamos colocar automaticamente num plano de transcendência divina.
Além disso, há muitas coisas que a ciência de hoje ainda não consegue explicar, quer em termos de fenómenos da natureza, quer em termos de capacidades do ser humano. Por certo que no futuro a ciência explicará às novas gerações factos e realidades que hoje para nós nos parecem completamente incompreensíveis.
Note-se que eu acredito que as "experiências místicas" podem acontecer, mas o seu resultado de forma alguma devem ser um substituto – ou complemento – dos ensinamentos religiosos conforme foram revelados pelos Profetas. Como já disse estas experiências são profundamente pessoais. Se para compreender o mundo que nos rodeia muitas vezes nos sentimos limitados pela nossa inteligência e condicionados pelos nossos conhecimentos científicos, então ainda mais limitados e condicionados estaremos para compreender uma experiência espiritualmente transcendente. Não é por acaso que os esforços de interpretação deste tipo de fenómenos degeneram, geralmente, numa distorção da mensagem religiosa original.
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005
terça-feira, 15 de fevereiro de 2005
Fátima
Relativamente ao falecimento da Irmã Lúcia, e ao debate sobre o fenómeno das aparições de Fátima que voltou a estar na berra, aqui ficam os esclarecimentos dados pelas instituições Bahá'ís sobre este assunto.
Sobre a validade das visões, uma carta escrita em nome de Shoghi Effendi:
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NOTAS
[1] - Carta escrita pelo secretário de Shoghi Effendi, em 1 de Novembro de 1940.
[2] - San Sebastian de Garabandal é uma aldeia espanhola, próximo de Santander, onde, em 1961, quatro meninas afirmaram ter tido uma série de visões de São Miguel Arcanjo e da Virgem Maria.
[3] - Carta da Casa Universal de Justiça, 3 de Julho de 1984.
[4] - Carta da Casa Universal de Justiça, 2 de Outubro de 1981
Sobre a validade das visões, uma carta escrita em nome de Shoghi Effendi:
Existe uma diferença fundamental entre a Revelação Divina, conforme é transmitida por Deus aos Profetas, e as experiências espirituais e visões que indivíduos possam ter. Esta última não deve, sob qualquer circunstância, ser considerada como constituindo um fonte de orientação infalível, nem mesmo para a pessoa que a experimenta.[1]Além disso, a Casa Universal de Justiça também já respondeu a vários crentes que colocaram questões semelhantes sobre este tipo de fenómenos:
Se por um lado estas descrições, tais como as experiências reportadas em Garabandal [2] e Fátima, podem ser interessantes e despertar a curiosidade de uma pessoa, por outro não temos formas de verificar a veracidade destas experiências. Nas suas cartas, Shoghi Effendi advertiu os amigos que lhe perguntaram sobre poderes psíquicos que nós não percebemos a natureza destes fenómenos, que não temos forma de saber o que é verdadeiro e o que é falso, que pouco se sabe sobre a mente e a sua forma de trabalhar, e que devemos evitar dar uma importância indevida a estes assuntos. Deus, sem dúvida, tem muitos e diferentes métodos para despertar a humanidade para o significado deste dia, mas os Bahá'ís, tendo reconhecido Bahá'u'lláh, devem trabalhar à luz da Sua Revelação e não dispersar as suas energias em especulações infrutíferas sobre fenómenos como os de Garabandal.[3]Ainda sobre o fenómeno de Fátima, a Casa Universal de Justiça também escreveu:
... relativamente à visão de Fátima, qualquer pessoa pode fazer a sua própria interpretação, e é livre de escrever sobre isso, desde que não associe os seus pontos de vista às escrituras Bahá'ís. Nada se encontrou nestas escrituras relativamente às visões de Fátima ou àquilo que é referido como o "documento de Fátima".[4]
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NOTAS
[1] - Carta escrita pelo secretário de Shoghi Effendi, em 1 de Novembro de 1940.
[2] - San Sebastian de Garabandal é uma aldeia espanhola, próximo de Santander, onde, em 1961, quatro meninas afirmaram ter tido uma série de visões de São Miguel Arcanjo e da Virgem Maria.
[3] - Carta da Casa Universal de Justiça, 3 de Julho de 1984.
[4] - Carta da Casa Universal de Justiça, 2 de Outubro de 1981
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