
Será legítimo separar “homens” e “mulheres” pela configuração das respectivas genitálias? Obviamente que não: o sexo não determina o sexo. Melhor falar em “género” porque a fluidez da espécie a isso obriga: parafraseando o dr. Freud sobre as bananas, às vezes um pénis é apenas um pénis. Nada obriga a que o respectivo portador se sinta “homem” por causa disso.
Felizmente, o governo está sintonizado com o ar do tempo e promete novos cartões de cidadão onde o “género” substitui o sexo. Faz bem. Embora, aqui entre nós, o ideal fosse não haver género, como chegou a ser aventado. Se tudo é uma construção subjectiva sem nenhuma caução biológica, é perfeitamente razoável ser homem às segundas, quartas e sextas; mulher às terças e quintas; e uma mistura andrógina aos sábados.
Aos domingos, não haveria género. Nem sexo. Os dias de descanso existem para alguma coisa.
Publicado no Correio da Manhã
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