acabei de troçar do dia dos homens (sim, claro), então o meu sentou-me e disse-me que eu sou sexista e porque é que o dia dos homens (e o mês, que aparentemente novembro é o mês) importa. olhem, socorro. estou muito picada. mas também lhe disse que uma coisa não anula a outra e que a consciencialização dá para tudo.
corações ao alto
carta de recomendação
tenho de aprender a escrever uma carta de recomendação, não, não é para recomendar ninguém. é para esboçar a minha e o meu orientador só ter de assinar mesmo. s o c o r r o .
pocketbook reader
agora que voltei a ler (olhem a nódoa, a pessoa fez um interregno na vida de leitora) e que o meu frufruzinho mobile voltou da garantia (o touch do malandrão deixou de funcionar), troquei a minha app de leituras rápidas no telefone - que, tendo mais de 5 polegadas, acaba por tornar leituras rápidas em horas de leitura seja onde for, parece que fui possuída por um demónio leitor. actualmente estou a usar o pocketbook reader, que existe para ios e android, e que é muito incrível porque quase tudo nele é personalizável, além de ser super user-friendly e permitir gerir a biblioteca de livros não apenas na app mas no armazenamento do telefone, adicionando e eliminando definitivamente para evitar o clutter digital.
sobre amorzinhos musicais
novo amor está para 2018, como a banda mais bonita da cidade para 2017, como bon iver para 2016, como ben howard para 2015, como beirut para 2014, como of monsters & men para 2013, como mumford & sons para 2012.
counting by 7s [holly goldberg sloan]
nósky cruza-se com um livro sobre uma miúda especial. não lê a sinopse porque #leitoracorajosa. os pais da miúda morrem num acidente de carro e a história é sobre como a miúda lida.
house of cards
se eu fiquei triste por o kevin spacey ter sido afastado da série devido às alegações relacionadas com o comportamento sexual inapropriado dele? não. mas fiquei triste porque mais de metade desta temporada é sobre o frank, mesmo sem ele aparecer. e está na altura de assistirmos a mais histórias focadas em personagens femininas sem que estas sejam uma extensão. está na altura de assistirmos a mais histórias em que a personagem feminina é a personagem principal.
sobre cadeiras vazias e salas cheias
às vezes sinto-me sozinha e imagino o meu coração como uma grande sala de ópera. eu estou no palco porque o coração é meu e a sala é minha. e todas as cadeiras estão vazias. quando penso no meu projecto paralelo, a cadeira vazia, imagino-me rebelar contra todas as cadeiras sem ninguém. escrevo-lhes rants. declaro o meu amor ou o meu ódio. a certeza de que a sala nunca está realmente vazia tem sido o pensamento mais tranquilizador que consigo gerar perante o vazio emocional da minha própria solidão. às vezes fantasio salas cheias, multidões que me celebram. em dias bons vejo a minha plateia como ela realmente é, um conjunto heterogéneo de pessoas com quem de alguma forma fui combinando na vida.
sobre necrofagia emocional e a definição de família
estou a encontrar pela primeira vez em algumas semanas um dia em que nada me apetece dizer e é normal. não vou mais rebelar-me contra o meu desconforto, o meu aparente mutismo. esta altura é difícil. é quase natal e todas as peças que me faltam parecem maiores no espaço que ficará eternamente por preencher. à mesa há demasiadas cadeiras vazias. às vezes inspecciono o meu humor como que a perguntar-me como cheguei aqui. a resposta só é complicada se eu recusar olhar para o meu caminho tal como ele foi, tal como ele é. de resto tudo é simples e expectável. há hoje um conforto estranho no meu desconforto, é como se tudo fosse exactamente como devia ser. não digo que me dói. não é bem doer. é só a realização quieta de que a minha vida é esta. na próxima semana chegam os pais do meu querido actual, e isso leva-me a reexaminar o meu conceito de família. há muitas formas de família mas eu creio que daqui para a frente eu não posso mais emaranhar-me em cadáveres. todas as formas de parasitismo emocional são realmente patológicas, embora algumas sejam funcionais. não é o caso esta espécie de necrofagia de afectos em que eu me vou alimentando de memórias que só me matam de fome. creio que o meu conceito de famíla será uma espécie de arca de noé em que eu coloco os meus melhores espécimes do passado e acabarei coleccionando espécimes do futuro porque a riqueza está na diversidade. eu acho. mas não sei. acho que família há já muito deixou de ser, para mim, a concretização de algo satisfatório, acho que me juntei com pessoas com quem tinha laços, acho que me juntei com pessoas com quem partilhava alguma ideia de futuro mas nunca ambos. não sei se o que se passa é isso, levo muitas vezes a minha relação a julgamento e às vezes concluo que não, embora saiba que nada importa aquilo que eu penso, só aquilo que acontece.
resets aos domingos
a ideia de que os domingos são dias de recomeço agrada-me mais do que a ideia de recomeçar às segundas, em janeiro ou em setembro. na verdade há mais domingos e por isso há mais recomeços. e às segundas não há bom humor que permita recomeçar nada, eu acho. lembram-se do botão reset dos computadores lá no tempo dos afonsinhos? desliga, volta a ligar e conserta o que ia mal? a ideia é muito sedutora, não dá para negar. então é isso. resets aos domingos é a etiqueta onde morarão os recomeços, que podem ser hábitos que tento implementar, tarefas morosas ou realmente difíceis. pode ser o que eu quiser, desde que seja um reset.
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