Mostrar mensagens com a etiqueta Verdes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Verdes. Mostrar todas as mensagens

26 de junho de 2011

Um episódio nada verde

Há uns dias atrás tinha escrito aqui sobre a posição nada verde dos Verdes alemães acerca da nova Lei da Energia Atómica que será votada na próxima quinta-feira no Bundestag.

A maioria de direita vai propor no Bundestag o adiamento até 2022 do encerramento total de todas as centrais nucleares do país, os Verdes convocaram um congresso extraordinário para esse efeito, tendo a direcção defendido o apoio à proposta do governo de Angela Merkel, contrariando a sua posição original de defesa do encerramento total até 2017.

Hoje foi a votação, tendo o "sim" ganho com esmagadora maioria, para infortúnio da esquerda do Partido e dos activistas anti-nuclear, que defenderam que "Os Verdes" deveria manter a sua posição incial sobre o assunto.

Uma das muitas conclusões que se podem retirar deste episódio é referida pelo líder do "Die Linke" Gregor Gysi:
Tecnicamente falando, seria possível desativar as centrais nucleares já em 2014 ou em 2017, como os Verdes queriam. Mas como eles concordaram em votar a favor do encerramento em 2022, só para mostrar que se podem coligar com os conservadores, acabam por tolerar vários anos nos quais a população continua sob o risco desnecessário de um desastre nuclear como o de Fukushima".

25 de junho de 2011

quero o meu deputado de volta

Parece que o eurodeputado que ajudei a eleger, fosse com a campanha que fiz ou com o voto que dei, resolveu trair as vontades de quem acreditou num programa e o quis levar avante. Posto isto, seguiram-se algumas declarações atípicas de quem quer ser a única esquerda e típicas de quem quer fermentar o ego sob falsos pretextos e sob a capa ilusória da ofensa mimada.
Com todos os abutres a salivar pela carne de Francisco Louçã - geralmente sob a capa ideológica neoliberal e, portanto, com justificações mais do que políticas para isso -, vem o Rui Tavares, tal qual malograda vítima de violentas palavras de Louçã, dar um ar da sua graça com gestos de menino ofendido pela crueza e pela força poética das palavras. Mas nós já sabíamos que as palavras pesavam. E, mais do que as palavras do FL, pesaram as declarações, de patente irresponsabilidade e oportunismo, do nosso historiador.
Tivesse a desculpa (porque é mesmo uma desculpa) alguma razão de ser - que não a tem, porque RT se esquece da lealdade que deve a quem, como eu, votou não nele mas num programa que, infelizmente para a dignidade dele, não é o dos Verdes – e a única acção coerente a tomar seria, obviamente, a de abandonar o Parlamento Europeu. Manter-se lá, no lugar que conquistou à custa da campanha feita por quem queria e fazia outro programa, dos votos que escolheram outro programa, por razões apolíticas e birrentas, é digno só de quem quer dar a folga à esquerda e construir o ego com tricas que se erguem sob desculpas esfarrapadas.
Parece que RT até queria abandonar o PE, mas também não quis dar o gostinho da lealdade a quem votou num programa que ele não seguirá. (“Mas nesse caso seria também demasiado fácil a qualquer partido desfazer-se de um independente, não é?”). Para RT, o importante é mostrar-se hercúleo nesta resistência feroz contra os grilhões atemorizadores do sufrágio democrático. “Beneficiar o infrator” é que não e respeitar a vontade da democracia muito menos. E assim vemos agir alguém tão humildemente crítico das esquerdas e que incorpora o que de mais baixo e oportunista há na política toda.
Diz também RT que "sabia por exemplo o que se tinha passado em Lisboa com o independente Sá Fernandes e queria de certa forma perceber se o BE tinha aprendido a lição e conseguia finalmente lidar com a independência no seu próprio seio". Após a observação participante susceptível de dar a RT uma visão mais abrangente e assertiva da realidade e a não menção de casos como os da Catarina Martins, o historiador, trabalho de campo feito, permanece perto do terreno a observar, com a acalmia aparente de quem não sente nas veias a lava do oportunismo, esse monstro terrível que não lida com a independência incapaz de ter a humildade e a decência de respeitar o que e quem a elegeu.
No meio disto tudo, parece que as declarações de Cohn-Bendit não ofendem RT e muito menos o deixam quedo, mudo, ultrajado, sem confiança política no infractor e com a doce vontade de não lhe dar benesses. Diga-se também de passagem que seria complicado andar de pouso em pouso e que as desculpas se vão esgotando.
Num país em que a direita me vai ao bolso, a única esquerda verdadeira vem-me ao voto. Não gostei. A deslealdade é coisa para, volta e meia, me chatear um bocado. Se fosse só o meu voto nem seria assim tão mau. Mas são muitos, muitos mais. Tantos mais que fazem um deputado. Pode o RT ficar com a alegria de ter tido o meu humilde voto, peço-lhe só que me devolva o deputado.

23 de junho de 2011

O (não!) ecologismo dos verdes alemães

Preto (CDU) e amarelo (FDP/Liberais) não obrigado!
Para a saída da crise só o verde ajuda.

Os Verdes alemães têm suscitado muito interesse por parte de determinados sectores da esquerda portuguesa, a sua posição pragmática e coligacionista tem-lhes valido largos elogios. No entanto, o que são "Os Verdes" alemães? Como conseguem estar coligados com a CDU e o SPD ao mesmo tempo em Estados diferentes? O texto que abaixo traduzi pode não dar resposta a todas essas interrogações mas dá largas pistas sobre o seu código político. Diz essencialmente respeito ao debate curioso que se tem feito por estes dias no seio do partido, este partido ecologista prepara-se para votar juntamente com a direita a favor do adiamento do fim da energia atómica até 2022, em vez de 2017 como já tinha sido aprovado e defendido por este mesmo partido. Como diz tão bem o uruguaio Eduardo Galleano: "somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos."

Para ler a tradução da notícia de Aerta Van Riel no "Neues Deutschland" basta carregar em "Ler mais"

21 de junho de 2011

Há, mas são verdes!?


Lembro-me que Rui Tavares disse, no dia 8 de junho, “Portugal não tem partidos de esquerda. A gente olha para eles e é forçoso reconhecer: nem um único.” Incluindo claramente, com todas as palavras, o partido pelo qual foi eleito, o Bloco de Esquerda, nessa lista. Dizia ele, podemos ler, que era uma constatação.

Em coerência, se descobriu agora que foi eleito por um partido que “afinal” não é de esquerda, devia ter-se demitido do lugar de eurodeputado. Mas agora invoca «Perda de "confiança pessoal e política"» para sair do grupo do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu . Que lata! E que confiança se pode ter numa pessoa que insulta o partido e, com ele, todas as pessoas que não só o convidaram para integrar as suas listas, como fizeram a campanha e se empenharam para que fosse eleito???

E qual é o motivo invocado por Rui Tavares? Baseia-se numa nota do facebook em que Francisco Louçã diz:

“Um jornal (o "i") enganou-se e escreveu, com ligeireza, que os quatro fundadores do Bloco foram o Luis Fazenda, o Miguel Portas, este que assina [Francisco Louçã] e o Daniel Oliveira. O Fernando Rosas desaparecia da história. Explicou depois o jornalista que tinha sido levado ao engano por uma informação de uma conversa com o Rui Tavares.

Escreve hoje outro jornal (o "Sol") a mesma coisa. Estou por isso curioso acerca da coincidência de dois enganos tão estranhos.

A história, aliás, é bem conhecida. O Luis Fazenda contactou-me em 1999 e apresentou a ideia da formação de um novo partido. Eu contactei para o efeito o Fernando Rosas e o Miguel. Entre os quatro fizemos cuidadoso trabalho de casa para ver se era possível. E depois decidimos avançar e começamos a reunir com outras pessoas sobre a ideia (incluindo o Daniel). Por isso, é simplesmente uma falsificação a tentativa de retirar o Fernando desta história e de a refazer com novos protagonistas.”

Quem é que acredita que foi esta nota que provocou a saída de Rui Tavares? Entre sexta e terça, lembrou-se de repente que era altura de saltar do tal partido que o elegeu, mas que no dia 8 ele já dizia não ser de esquerda? Entre sexta e terça, lembrou-se que afinal não podia continuar com o partido que o elegeu e até ia sair do Grupo da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde para passar a “independente integrado no grupo dos Verdes europeus”?

Será que o Rui Tavares vai passar a ser o deputado do tal partido que não existe mas que será o único de esquerda, verde, pró-intervenções da NATO e tudo?