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29 de fevereiro de 2012

Acima de tudo privatizem

Privatizem a TAP, a ANA, a TÓBIS, os CTT, a EDP, as Águas de Portugal, a RTP, a RDP, e não se esqueçam das Juntas, das Câmaras, das Escolas, do SNS, das Universidades, das Estradas, da Segurança-Social, do Exército, da Polícia, dos Bombeiros, do Oxigénio, das Praias, do Mar, de todos os Espaços Públicos, dos feriados, das festas populares, do abecedário, da língua, da História, da Cultura, da Ciência, do Parlamento, do Palácio de Belém e dos tribunais. Assim seremos um país moderno e do G20 à troika seremos elogiados. O Miguel Relvas quando sair que apague a luz e feche a porta.


2 de agosto de 2011

Como é que isto se lê?


A Câmara dos Representantes aprovou o aumento do limite de endividamento dos EUA para evitar o default. O acordo é importante para a China enquanto maior credor da dívida americana, dívida essa que representa 70% das reservas monetárias estrangeiras chinesas...

Tendo em conta que os EUA são a maior economia do mundo, o maior devedor e maior importador mundial e a China é a segunda maior economia do mundo, o maior credor (com dívida americana na referida proporção), e o maior exportador, a ligação umbilical EUA-China e a ideia do "Too big to fail" aplicada aos EUA torna-se uma evidência.

Nos tempos que correm, há cada vez mais gente (embora seja ainda uma minoria) que começa a compreender estas coisas da política mundial. A razão deste esclarecimento parcial de algumas pessoas é simples: não só sai nos jornais, como problemas que são primos ou parentes daqueles lhes entram em casa e lhes vão doendo no bolso. Apesar disso, maioritariamente pensam que não é bem política, que é "apenas" economia. Já a "economia política" é uma ideia que na comunicação de massas soa estranho. E uma "critica da economia política", pior ainda.

Muitos deturpadores, líderes da opinião do "português médio", esse ser nacional e masculino, não deixam que se faça o filme completo, não deixam porque ou têm outra visão do mundo, ou lhes convêm outra visão do mundo - e frequentemente ambas as coisas, sendo a primeira sobredeterminada pela segunda.

Ao nível académico, muitos duvidam da utilidade da tradição marxista das Relações Internacionais, ao ponto de ser silenciada nas faculdades. Entretêm-se com debates entre liberais e realistas, deliciam-se com a disputa neo-neo entre os respectivos herdeiros, admitem como terceira via um construtivismo social que mói mas não mata e lá surge encolhido e meio a medo, da tradição marxista, apenas um neo (mas sem que com isto eu o queira diminuir) das teorias da dependência e do sistema-mundo.

A concepção materialista e dialética da história é coisa que no provincianismo colonizado por fotocópias da academia americana não existe. E nem é preciso aprender alemão, pois o inglês que lê as fotocópias americanas também poderia ler livros das universidades britânicas mais detalhados na diversidade teórica das Relações Internacionais.

Não venho aqui vender a velha Teoria do Imperialismo (de Lenine ou de Rosa), quem a compreende para além do dogma sabe que já não vivemos na era do monopólio nacional e as consequências disso. Venho defender a concepção que permitiu criar, naquele tempo, aquela teoria e que permite, também hoje, novas leituras sobre a política mundial. Fica esta sugestão de leitura, o artigo tem um ano, mas no essencial mantém-se actual e a autora é adeusleninista e tudo: Joana Mortágua, JOINT VENTURE NO CENTRO DO IMPERIALISMO GLOBAL, A Comuna nr. 22, pp. 29 a 35.