21 de outubro de 2010
Le bateau en carton
Ao contrário do que é o preconceito geral eles não param um momento para estar a preguiçar.
Entre armar as suas tendas, serem despejados, procurar local para acampar de novo, ser expulso para a Roménia, voltar a França...os ciganos não têm um momento de descanso.
Há uma cena em que a polícia francesa os força a entrar num comboio rumo a uma outra qualquer localidade de França que faz terrivelmente lembrar os vagões que iam para Auschwitz-Birkenau.
São pessoas como nós, membros de pleno(?) direito da Comunidade Europeia.
Cada vez mais é necessário combater as ideologias que levam a executar políticas que continuem a achar razoável que haja um "resto do mundo", caso contrário quem nos garante que não seremos nós os próximos?
nos bidonvilles de Paris?
Não foi assim há tanto tempo.
In the late 1960s, there were eighty-nine bindonvilles on the outskirts of Paris. During this time, bidonvilles were often associated with immigrant groups from Northern Africa. However this is partly an exaggerated stereotype, as the largest bidonville of the Paris area in the 1960s (Champigny-sur-Marne) was comprised mostly of Portuguese.[10] That being said, a Ministry of the Interior census carried out in 1966 suggested that the majority of the 46,827 people living in the 119 Parisian bidonvilles were of North African origin. [11] Other bidonvilles were concentrated north-west of Paris, including near Nanterre, Gennevilliers, Asnières, and Colombes.
Le bateau en carton
José Vieira
França, 2010, 80’
COMPETIÇÃO INTERNACIONAL - LONGAS
Abril de 2008. José Vieira descobre um acampamento de ciganos à beira de uma auto-estrada perto de Paris. Lembra-se de quando era criança e vivia num local semelhante. Decide filmá-los, seguindo o seu dia-a-dia mais íntimo e a luta que travam quando a polícia destrói as suas casas com bulldozers. A expulsão de ciganos em França, vista no tempo presente.
20 OUT. 21:00 - CULTURGEST - Grande Auditório
21 OUT. 15:30 - CULTURGEST - Pequeno Auditório
27 de setembro de 2010
O Condomínio da NATO
Obama está preocupado com os gastos militares dos seus parceiros europeus. Está preocupado em saber com quem vai fazer este e futuros afeganistões. Sozinho sai muito caro. Os gastos militares nos EUA são uma espécie de investimento público na economia, empregam largos milhares de pessoas e alimentam sectores essenciais do capitalismo americano. No entanto, há cada vez mais desempregados a interrogarem-se o porquê destes fundos públicos não serem aplicados com outros propósitos. A juntar a isto, há cada vez mais gente que não percebe o que é que os americanos continuam a fazer no Afeganistão. Obama perdeu apoio popular, perdeu a guerra na sociedade americana. O Iraque já lhes chegou, o povo americano está a ficar saturado.
Estes são os custos financeiros e políticos da guerra, e a razão pela qual Obama precisa de parceiros para o festival bélico. À Administração norte-americana parece-lhe que os europeus estão com o pé demasiado fora, que lhes falta empenho na aliança atlântica e no Afeganistão. Ora, os americanos tendem a avaliar a qualidade dos seus aliados de acordo com o empenho que estes demonstram ter nos interesses que consideram ser primários. E os europeus estão muito pouco interessados no Afeganistão, muito menos os europeus ricos.
Para o Presidente americano, o investimento europeu na defesa significa maior empenho na NATO, mais reconhecimento político e mais recursos para a Aliança.
Por outro lado, soubemos agora que a França está preocupada em que a Europa se esteja a transformar numa “jarra” na política mundial (muito importante para a fotografia mas que na verdade não manda nada). E tem razões para isso. A crise caiu na Europa como uma bomba e a recuperação está adiada para as calendas gregas. Uma Europa fragilizada economicamente perde peso no xadrez mundial face a uma China poderosa ou um Brasil em ascensão.
Para a França, uma Europa-Potência significa dar cartas na política mundial através da força militar, ou seja, reforçar o peso da Europa na Nato. É preciso gastar mais. E com isso Obama está de acordo (para partilhar custos).
Não quer perceber o governo francês que a Europa é menos potência hoje, não porque gasta menos em armas para guerras inúteis, mas porque não sabe ir à guerra pelos seus vizinhos contra os especuladores e a alta finança em nome da solidariedade europeia. Porque não quer ir à guerra pelos seus povos, defendendo o Estado Social e uma verdadeira democracia europeia.
Os submarinos não nos tornam mais potência nem mais seguros, tornam-nos apenas mais pobres. O povo europeu sabe bem fazer esta conta. E se os governos europeus, cada vez mais à direita, insistirem neste combate ao lado da alta finança e dos senhores das armas contra os seus povos, a guerra será outra.
Publicado no esquerda.net