Os gajos do apito

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Edward Snowden, o whistleblower, foi ontem saudado por uma multidão em êxtase, na Websummit. Já Rui Pinto, o whistleblower, continua preso e enfrenta a versão mais feroz e célere da frágil justiça portuguesa. Sorte a do Snowden, que não se meteu com o Benfica ou com a Doyen, ou nem por videoconferência o deixavam entrar em Lisboa.

Registem, caramba!

Foto AFP

Registem que Rui Pinto fez “um trabalho extraordinariamente importante para a defesa do interesse público”.

A Doyen “é um dos actores mais duvidosos do futebol de topo europeu e obteve lucros exorbitantes ao longo de muitos anos, investindo em jogadores e clubes. Muitos dos fundos da empresa foram canalizados através de paraísos fiscais.” e sabe-se que tem por detrás uma organização mafiosa cazaque dos irmãos Arif envolvida em todo o tipo de negócios escuros.

Ronaldo, condenado por evasão fiscal com base em dados da Football-Leaks, pagou 19 milhões de euros e foi condenado a dois anos de prisão – mas em liberdade condicional, porque foram bonzinhos.

Já o pequeno Rui Pinto é que é o grande criminoso, digno de indignação e que só merece prisão! Pelo menos em Portugal.

P.S.- “Claro que há procuradores e juízes que levam o seu trabalho a sério. Mas esta máfia do futebol está em todo o lado. Querem passar a mensagem de que ninguém se deve meter com eles.”- Rui Pinto, aqui.

Cheira a esturro

Quando Porto e Benfica se juntam para testemunhar a favor de um fundo de investimento.